Equilíbrio

12 Capitulo 12 - Minha gata fala.


Aparentemente Vanessa estava tendo problemas com a mala. Com a mala, não, com as malas. Eram duas maletas enormes de quase meio metro feitas de um metal tingido de rosa e coberto de glitter, também, rosa. A criatura tinha tirado todas as suas roupas do guarda roupa e mais suas maquiagens e enfiado tudo nas malas. A pobre mala não fechava e nesse momento Vanessa estava dançando Frevo encima das malas para fazerem elas fecharem.

Cada coisa que eu vejo que eu fico até atordoada.

Eu apenas tinha colocado minhas roupas numa mochila. Como não sabia como ia estar o clima aonde eu iria ir ---- Tragicamente nem sabíamos onde era para ir----, além das minhas roupas levei um cartão de crédito da minha mãe. Sinceramente espero que cartões de crédito de deuses sejam bem cheios de númerozinhos.

Roupas de frio... Confere.

Roupas de calor ... Confere.

Cartão de crédito da mamãe... Confere.

Bom, eu estou oficialmente pronta para enfrentar feiticeiras do mal e arrumar uma balança quebrada.

–--- Bye bye que eu já estou saindo ---- avisei

Vanessa estava sambando encima da mala e Layla estava tentando fechar o ziper da mochila. Aparentemente Layla conseguiu resolver o problema do ziper colando-o com super-bonde, só fico me perguntando como ela vai conseguir abrir isso depois...

–--- Vanessa, só uma perguntinha : Quem vai levar essas lindas malas pesadas?

Vanessa sorriu satisfeita.

–--- Alec vai vim aqui para busca-las.

Me sentei na cama esperando as criaturas se arrumarem. Minha mãe falou que não era para sairmos um de perto do outro por que era perigoso um ataque de seguidores de Trivia, que tenho certeza que não eram muitos amigáveis. Realmente a presença de Layla e Vanessa num ataque é praticamente inútil, é quase o mesmo do que estar sozinha, só que sozinha você precisa proteger só a si, já nesse caso teria que proteger mais duas.

Remexi as katanas presas num cinto na minha cintura. Elas deviam realmente chamar a atenção, estou me perguntando até agora como os humanos não vão vê-la, mas minha mãe garantiu que não, talvez fosse algo como a névoa de Percy Jackson e os Olimpianos e os Heróis do olimpo.

Se deuses, monstros, filhos de deuses e legados de deuses existem por que não á nevoa?

Vanessa disse que Alec iria ir buscar as malas. Bom, engano da parte dela. Já estava chegando a hora de nós reunirmos na frente do portão do Campo de Treinamento e nem um sinal do vampiro. Aparentemente ele fugiu das malas.

–--- Olhe, nós temos que nos reunir na frente do portão daqui cinco minutos. Cansei de esperar seu irmãozinho. Vamos agora ---- Já falei irritada.

Vanessa me olhou com uma cara de pidona.

–--- Pode levar minhas malas?

Encarei a criatura. O ser evoluído inferniza minha vida, me provoca, irrita e depois me olha com cara de santa e pede minha ajuda. Gente hipócrita nesse mundo...

–--- Não---- Falei angelicalmente.

Ela me xingou de tudo que é nome que possam imaginar. Por fim desistiu de tentar me convencer e xingar e pegou as malas e arrasta-las pelos corredores. No caminho o Presidente Au-au á seguiu. Resumindo, ela não aguentou ao olhar de santo do cachorro e pegou ele no colo.

–--- Vanessa espero que você saiba que você não pode leva-lo.

Ela me encarou.

–--- Ok...ok.

Depois disso tive certeza que ela ia tentar esconder o cachorro na mala. Resolvi ignorar.

Estávamos reunidos na frente do portão. Um olhando a cara do outro sem saber o que fazer. Tinha um monte de malas e bagagens, só que ninguém sabia para onde ir. É igual procurar uma agulha num palheiro. Só que você sabe que a agulha está no palheiro, já é uma localização, já na a nossa agulha poderia estar em qualquer lugar. Existem várias adagas no mundo, em vários museus, lojas de metais. É impossível certificar todas.

Tínhamos que ter uma localização

–--- Bom, o que fazemos agora? ----Perguntei

Todos me encararam. Obviamente ninguém sabia a resposta.

Aí de repente minha mãe aparece correndo na nossa direção com Idia no colo. Aí eu me pergunto : O que ela está fazendo aqui correndo com a minha gata?

–--- Ainda bem que vocês não foram embora---- Ela falou sentando numa pedra.

Encarei ela.

–--- Claro que não fomos embora. Nem sabemos para onde ir.

Os olhos cinzentos da minha mãe faiscaram. Entendi o recado : Christine, cale a boca senão eu te fulmino, e eu não estou brincando.

–--- Eu posso dar uma ideia para onde vocês vão, ou melhor quem procurar. Entreguei a adaga próstimo á Hefesto e a kakó á Ares. É bem fácil, procure eles, convença-os á falar onde esconderam as adagas, e o principal, não deixe que eles os fulmine.

Bom, isso não foi muito motivador, mas pelo menos sabíamos quem procurar.

Quando estávamos indo passar pelo o portão minha mãe me segurou.

–--- Leve a Idia.

Pisquei.

–--- O que? Ela pode se machucar.

Minha mãe jogou a gata no meu colo.

–--- Leve-a, ela pode ajudar.

Encarei a gata. Ela parecia um bichinho inofensivo. Provavelmente nessa viajem iriamos visitar alguns monstrinhos e seres psicóticos, e eu não podia levar ela, imagine se um pássaro psicopata igual aquele que entrou na minha cozinha faz alguma coisa com ela.

–--- Mãe, ela pode ser irritadinha e ter unhas afiadas mas elas não vão servir contra monstros.

A gata me unhou só para mostrar que a unha dela era afiada e me encarou.

–--- Irritadinha?

Peraí.... Minha gata falou?

Na hora acho que meu cérebro teve um lindo colapso e eu joguei a gata no chão.

–--- Você falou? ---- Perguntei, e foi uma idiotice perguntar isso.

Ela lambeu as patas irritada.

–--- Não, foi meu pâncreas que mandou um oi.

Minha gata fala e ainda dá patada, um pouco difícil para meu cérebro assimilar.

Na boa, já vi pássaros psicopatas, descobri que sou uma feiticeira e depois descobri que fui a a reencarnação de uma feiticeira poderosa e agora tenho uma gata falante, o que me falta?

Eu estava caminhando para o estacionamento com Idia no colo. Primeiramente, eu nem sabia que tinha estacionamento graças á Ilithya que sonega informações, se eu soubesse pelo menos iria trazer minha moto, seria bem melhor do que ir de carona do carro de Vanessa . Durante o caminho Idia estava reclamando de tudo, para compensar os anos que ela ficou calada.

–--- Idia eu vou colocar você numa caixinha de viajem para gatos se você não calar a boca ---- Falei.

Ela me olhou com os olhos estreitados, me desafiando.

–---Você não teria coragem.

–--- Não duvide de mim.

Na minha vida inteira Idia foi uma gata irritante, confesso. Chegou na minha casa com o tamanho de um filhote de seis meses e nunca mais cresceu nem um centímetro, mas isso é apenas a parte física, nem tente entender o psicologico deste animal. Ela tinha o hábito de unhar qualquer um que a irritasse, também o hábito de destruir coisas... Minha mãe sempre disse que ela era chata. Infelizmente eu amo gatas chatas destruidoras.

–--- Christine você está falando sozinha? ---- Ouvi a voz de Alec atrás de mim

Atrás de mim tinha uma cena inusitada. Tinha um carro rosa pink com um vidro quebrado e Vanessa tinha um sapato com um salto quebrado pela metade apontado para Alec e era evidente que eles estavam brigando, e no meio dessa confusão estava Layla, sentada no capô de um carro e jogando um joguinho de celular.

–--- Eu estou falando com a gata.

Assim que falei isso Vanessa soltou o salto e Layla me encarou.

–--- Com a Idia? ---- Layla por um milagre divino parou o seu joguinho.

–--- Não, com o poste.

Layla franziu as sobrancelhas, provavelmente não entendeu que foi uma ironia.

Alec pareceu que ia surtar. Colocou as mão na têmpora e fechou os olhos.

–--- Eu falei para nossa tia que ela era louca ---- Agora ele encarava Vanessa ---- Mas não, segundo ela " Christine tem apenas um humor estável" Agora falar com gatos? E francamente você não pretende trazer esse bicho odiável para o meu carro.

Encarei ele. Quem essa praga pensa que é?

–--- Primeiramente, eu não estava falando com ela, ela que estava falando comigo. Segundo: Ela fala. Terceiro: Louca é tua vóvozinha. E quarto: Vou levar ela sim para o seu carro que sinceramente espero que não seja esse rosa com o vidro quebrado.

–--- Desde quando gatos falam? ---- O olhar dele era zombeteiro.

Idia se remexeu no meu colo e coloquei ela no chão. A gata foi diretamente até aquele vampirinho estúpido, e isso o fez pular para trás. É, ele ainda tem medo de gatos.

–--- Eu falo ---Idia encarou ele. E se gatos pudessem sorri eu jurava que ela estava sorrindo.

Ele me encarou, cético.

–--- Você está usando alguma gravação ou jogo de som, Christine, desista, você não vai me assustar.

Idia revirou os olhos azuis.

–--- Atrómi̱tos Pélou, existe tanta gente descrente.

Admito foi uma tarefa difícil conseguir colocar Idia no carro e convencer Alec á ficar no mesmo carro que a gata. Finalmente quando tudo estava acertado, quando tinha conseguido chegar á um acordo com Alec, quando Vanessa enfim desistiu de viajar no carro dela --- Que por acaso era aquele carro pink quebrado, a porcaria do meu celular apitou.

–--- O que foi ? ---- Vanessa virou do banco do motorista. Uma das condições dela para não ir com o carro pink, era dirigir este carro, o que suspeito que tenha sido uma má ideia aceitar isso.

Liguei o celular para ver o que era. Era uma mensagem.

Vá para San Francisco, Tine.

Não tinha nenhum nome, portanto era uma mensagem anônima. Como se minha vida não estivesse complicada suficiente, começo a receber mensagens anônimas. Bem típico. Tinha duas opções para essa mensagem: Ou era alguém querendo ajudar, ou então era uma emboscada.

São Francisco, pelo menos é um lugar. Se for uma emboscada posso fazer ela virar contra a pessoas, talvez, e ser for uma ajuda vai ser bem aceita.

É uma idiotice, vai ver a mensagem foi escrita por alguém que achava que eu seria burra suficiente para ir até São Francisco, só por causa de uma mensagem.

Existem milhares de adagas no mundo, como vou procurar todas. Pelo menos eu posso começar por São Francisco.

Passei a mão cuidadosamente sobre a lâmina. Se for uma emboscada, alguém vai ter uma cabeça á menos.

–--- Vanessa dirija para o aeroporto. Vamos para São Francisco.