Notas iniciais
Começarei a apresentar os super-humanos e como surgiram. Também irei apresentar os soldados em batalha, revelar os sacrifícios que fizeram e sua lealdade para a humanidade. Mesmo numa luta desbalanceada, humanos tendem a não desistir. E você? Quando nasce para salvar vidas, perde o Equilíbrio? Boa leitura.

Alicia Parker estava correndo na praia, seguindo seu cotidiano de todas as noites, quando percebeu próxima a ela, na areia, uma pequena cratera e no centro dela algo brilhante que lhe chamou atenção. Ao se aproximar, avistou um pequeno cristal de cor roxa. Sorrindo inocentemente, decidiu leva-lo para casa e, num movimento rápido, pegou o cristal com as mãos.

Instantes depois, começou a sentir seus membros queimarem. Ela cerrou os dentes e segurou os gritos de dor, agarrando-se firmemente ao cristal. Do mesmo modo que a dor surgiu ela desapareceu, misteriosamente. Quando a garota olhou para as mãos, ficou surpresa ao ver que não havia nenhuma marca de queimadura.

Repentinamente, sentiu um enorme desconforto na cabeça que percorreu seu corpo até seus braços. Era tarde da noite, não havia ninguém próximo para socorrê-la. A dor agonizante, como se estivesse queimando sua pele, a fez cair de joelhos sobre a areia. Ela ergueu os braços e viu surgir uma marca roxa na região anterior de seus pulsos. Aterrorizada, Alicia colocou as mãos sobre as marcas e então um brilho roxeado iluminou a noite.

Instintivamente, ela soltou as mãos dos pulsos e duas espadas se formaram na sua frente a partir do momento em que ela afastou os membros das marcas misteriosas. As armas caíram na areia com as pontas cravadas.

— O que é isso? Como... — ela sentiu-se exausta, os olhos pesaram fazendo-a procurar algo para se apoiar, mas não havia nada. Seu corpo não suportando os efeitos do cansaço, Alicia desmaiou na areia. As espadas começaram a se desintegrar, em pequenos feixes de luz, então tudo ficou em silêncio.

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Do outro lado da cidade, numa avenida qualquer, já era de dia quando um único projétil de fogo fez um tríplex ficar em pedaços. O tanque de guerra carregava mais um tiro, enquanto os homens do exército esvaziavam seus cartuchos de munição contra uma mulher alada que vestia uma armadura se despedaçando.

Os membros inferiores estavam cobertos, exceto pela perna esquerda que estava a mostra, e também o peitoral com algumas rachaduras esperando um pequeno impacto para cair, como a folha esperando um sopro para voar da árvore. A luz do sol refletia no metal prateado, o brilho da armadura era como uma lâmina ao luar... Magnífica.

Ela usava as asas para se defender da saraivada de projétil. A penugem não era metálica, aliás, era suave ao mesmo tempo em que se mostrava bem firme, podendo interromper o percurso de um projétil de fogo facilmente.

Quando o tanque deu outro disparo, ela se abaixou num movimento rápido, fazendo o tiro acertar outro imóvel. Aproveitando o momento antes do próximo disparo, ela deu um impulso avançando contra os soldados. Com as asas na frente, todos os tiros eram refletidos, ficando mais fácil sua aproximação.

A alada deu um pulo, abrindo as asas, e desceu dando um forte soco num homem que recarregava sua arma. Num baile de movimentos, ela foi derrotando soldado por soldado, com golpes precisos no rosto ou estômago, incapacitando-os de lutar e não os matando. O tanque estava carregado, mas não tinha alcance. O condutor tentou virar a máquina para ganhar mais visão, porém o veículo não saía do lugar.

Um dos soldados abriu a escotilha para ver o que estava impedindo sua locomoção quando avistou a mulher segurando o taque de guerra com as mãos nuas. Desesperado, o homem tentou sacar sua arma, mas, antes que ele conseguisse tirá-la do coldre, a mulher disse:

— Caos! — disse em voz serena. Uma rajada negra saiu de sua mão percorrendo por toda a extensão da avenida. Tudo que tinha no seu caminho foi destruído.

Ofegante, a alada encara o cenário de destruição pelo qual fora responsável. Olhou para trás, vendo aqueles soldados inconscientes ou apáticos demais para enfrenta-la. Quando um deles, em desespero, sacou sua faca e tentou avançar, ela ergueu seu braço, lhe intimidando. Seu olhar da mulher era melancólico, ela balançou a cabeça negativamente, convencendo o homem de parar sua investida.

A alada respirou profundamente e continuou andando pela cidade desconhecida.

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Do outro lado da mesma cidade, outros seres alados enfrentavam os militares locais. Eram quatro contra três dezenas de soldados fortemente armados. Dois deles usavam uma armadura prateada, porém sua resistência já estava baixa, apenas um simples impacto e seriam destruídas. Percebendo isso, os outros dois decidiram retira-la, deixando seus peitorais nus à mostra.

A batalha estava intensa; um dos seres de asas negras deu um pulo para ceifar outra vida quando um dos soldados disparou uma granada de seu lança granada. Num reflexo rápido o alado tentou se defender com as asas, mas o impacto o fez ser arremessado para longe.

Os soldados lutavam com tudo que tinham quando puderam ouvir o som de um helicóptero vindo por trás; eram os reforços que pousavam a alguns metros. Rapidamente, colocaram o máximo de feridos possíveis dentro da aeronave enquanto as forças de reforço os cobriam.

Pequenos tremores foram ouvidos quando a porta de uma loja foi arrombada de dentro pra fora. Um ser alado extremamente musculoso surgiu no meio do campo de batalha, que era uma rua próxima ao pequeno campo de futebol onde o helicóptero havia aterrissado.

O ser começou a avançar na direção dos soldados que atiravam incansavelmente. Um deles lançou uma granada explosiva que destruiu a perna esquerda do alado, fazendo-o cair no chão. Uma nova saraivada de tiros cobriu-lhe o corpo, que já estava gravemente ferido.

— Cessar fogo! — Ordenou um dos soldados enquanto corria para próximo da criatura. Estava segurando um lança granada carregado. — Toma essa, demônio filho da puta!

Quando o projétil explosivo estava para atingir seu alvo, um dos seres alados surgiu na frente de seu companheiro ferido. Abriu as asas erguendo a mão:

— BARRIER! — ele gritou. Uma aura negra se materializou, criando uma barreira que os protegeu da explosão. — Gordof! Você está vivo?

— Estou. — respondeu, pressionando sua perna com as mãos, tentando estancar o sangramento. — Merda, não poderei lutar desse jeito — murmurou.

— Que bom — disse seu amigo com um sorriso aliviado — descanse, irei lhe proteger.

Quando a cortina de poeira causada pelo explosivo dissipou-se, os soldados ficaram incrédulos ao ver a criatura ainda respirando. Outros dois alados subiram em cima das lojas para sair da mira das armas e se aproximarem com mais segurança. Por causa das construções altas e da rapidez dos inimigos, os soldados não conseguiam acertá-los. Não tiveram escolha se não recuar.

Uma das criaturas desceu sobre um dos soldados que, sem tempo de defesa, foi agarrado pelo pescoço com uma das mãos do alado, a outra mão foi posta na parte anterior rosto. Num giro rápido e preciso, o pescoço do soldado foi quebrado. Em fúria, seu colega de farda tentou vinga-lo com um único disparo na cabeça da criatura que num reflexo abaixou-se e pôs as asas em sua frente como um escudo.

O outro alado desceu e avançou num soldado que estava desatento. No momento que ia atacar, um franco-atirador deu um disparo certeiro, acertando o braço da criatura, salvando seu companheiro. O helicóptero começou a decolar com os feridos e alguns poucos soldados quando outro helicóptero de resgate surgiu do céu para recolher os soldados restantes. Eles só precisavam aguentar um pouco mais para finalmente saírem daquele inferno.

A guarnição militar novamente sentiu um forte tremor vindo ao longe e quando olharam para frente avistaram uma rajada negra, como se fosse um tipo de raio destruindo as casas no caminho.

O franco-atirador usou a mira do seu rifle para ver o que havia acontecido. E saindo de um dos buracos das casas, apareceu um alado, sem a armadura, apenas com uma espada na mão. Ele não estava nu, usava uma toga, de cor bege com algumas manchas carmesins. Começando a andar na direção dos soldados que já estavam cansados de lutar contra os outros quatro. O ser alado abriu os braços e ergueu suas asas negras, manchadas de sangue, ao céu.

Notas finais
Não é apenas uma guerra... É nossa existência em jogo. No próximo capítulo: Terceiro ato - Cortinas da guerra, parte 2. Lutaremos até o último suspiro... até o último batimento cardíaco. Não percam o Equilíbrio.