Notas iniciais
Aqui irei lhes contar um pouco do mundo no atual apocalipse.
Como a humanidade reagiu e o surgimento dos primeiros super-humanos.

Então para você que chegou aqui... Seja bem-vindo.
A partir de agora, não perca o Equilíbrio!

Boa leitura.

Ele se sentia sozinho. Seus soldados possuíam uma devoção cega perante seu Senhor, e tal devoção não O gradava. Queria alguém que não O temesse nem O superestimasse demais, alguém com quem pudesse contar.

Os humanos eram seres que lhe proporcionavam curiosidade. Talvez fossem os mais próximos do que Ele buscava, se não fosse pela mortalidade tão frágil quando comparado com Sua existência quase infinita. Também havia a fraqueza de seus corpos e mentes; criaturas instáveis que, tal como qualquer pequena faísca, iniciava um incêndio catastrófico.

Seu único desejo era alguém para chamar de amigo; então se partiu em dois, bem ao meio, criando duas existências: Darkus e Lucius. Assim Ele já não estava mais sozinho, finalmente tinha um... amigo.

E esse foi Seu erro.

Lucius era a personificação do lado da Ordem, enquanto que Darkus era a personificação da Liberdade. A harmonia do ser absoluto havia sido desfeita e as duas existências entraram em conflitos.

Darkus quis sair das fronteiras de seu mundo e conhecer os humanos, mas sua existência era divina e não poderia se aproximar dos mortais. Lucius, responsável por manter a Ordem, se opôs e decidiu impedi-lo, iniciando uma guerra entre os seres divinos. O exército, que antes seguia apenas um líder, agora estava dividido entre as duas existências. A balança havia sido rompida e a guerra sangrenta entre Liberdade e Ordem surgiu.

—-----------------------------------------------------//--------------------------------------------------

A humanidade continuava seu cotidiano; pessoas andando de um lado para o outro com sua pressa do trabalho. Amigos se encontravam em um bar para pôr a conversa em dia. O primeiro beijo de um casal frente a um lago cristalino que lhes trariam boas recordações; o momento foi mais prazeroso quando olharam para o céu e viram luzes brilhantes caírem como estrelas cadentes. Abraçaram-se fortemente e aproveitaram o cenário romântico.

Numa pequena cidade, em mais um dia de noticiário, repórteres comentavam:

— Chuva de meteoros repentina embeleza o céu da noite. Satélites não identificaram o fenômeno e estudiosos estão perplexos. O astrônomo Ricardo Boaventura afirmou que esse fenômeno é totalmente diferente dos já sido presenciado, mas que não precisaríamos nos preocupar; os meteoros não iriam interferir no nosso sistema.

Em outra parte do mundo, dentro de um bar para caçadores e lenhadores, um homem espalhava o boato de que os meteoros estavam caindo na terra, e jurava ter visto e lutado contra alienígenas há poucas horas. Sua aparência estava péssima, todo sujo de lama e folhas:

— Enquanto caçava lebres, vi o meteoro cair a alguns quilômetros de onde eu estava. O impacto foi tão grande que quase me derrubou.

— Que nada, devia era está bêbado, isso sim – dizia seu amigo enquanto dava outro gole em sua cerveja — Eu não senti nada.

— Se eu tivesse bêbado, saberia. Eu juro. Quando cheguei perto pra ver o que era, tinha um homem lá.

— Mas tu não disse que era um alienígena?

— E era! – continuou — Só que parecia um homem. Estava usando uma armadura em pedaços e também tinha... asas... asas negras.

— Asas? Tipo um anjo? O que tu andou bebendo...

— Eu juro que o vi! Era alto e forte! Não é mentira — O homem levantou e deu um soco forte na mesa, chamando atenção de todos do bar, seus olhos arregalaram e as memórias vieram à tona, como num pesadelo — Fiquei assustado e atirei nele, mas não surtiu efeito. Ele ficou me encarando. Eu saí correndo com medo direto para cá.

— Pessoal, olhem isso! – Gritou um cliente que estava lendo uma notícia em seu notebook. — Ataques de seres estranhos ocorrem ao redor do mundo.

— Seres estranhos? Como assim? — perguntou um dos lenhadores

— Espere, vou ler a matéria. — Enquanto uma aglomeração se formava ao seu redor, ele começou — Testemunhas dizem ter visto homens com asas negras caindo do céu. Vestidos em armaduras danificadas, esses seres causavam terror aonde surgiam. Ainda não se sabem quem são. Alguns alegam serem alienígenas invadindo o planeta, outros dizem serem anjos que vieram fazer o Juízo Final. Autoridades pedem para os civis se manterem em suas casas até segunda ordem.

Nesse momento, o teto quebra, uma nuvem de poeira se alastra pelo local. Os caçadores pegaram seus rifles e os lenhadores, seus machados, e ficaram em prontidão. O ser misterioso que havia caído no centro da sala ergueu a cabeça e abriu o par de asas negras.

Surpreendidos, os caçadores abriram fogo; os projéteis percorreram o caminho da arma até a pele do homem que, num movimento rápido com as asas, cobriu seu corpo, impedindo a saraivada de lhe atingir. Um dos lenhadores avançou com o machado, porém o homem segurou a lamina e, sem entender o motivo de estar sendo atacado, ele fechou a mão, despedaçando a arma em vários pedaços.

O lenhador caiu no chão de medo e ficou encarando, aterrorizado, aquele ser abrindo as asas, revelando seu rosto magro de olhos vermelhos. O cabelo negro longo com fios descendo em seus olhos, sua feição que se igualava aos humanos.

No desespero de salvar o amigo amedrontado, os outros lenhadores avançaram contra o ser alado que, instintivamente, fugiu do local, voando pela janela. Os homens se entreolharam sem entender o que havia acontecido.

—-----------------------------------------------------//--------------------------------------------------

Enquanto isso, em Alcândor, a guerra entre Darkus e Lucius chegava ao fim. Os soldados de ambos os lados estavam feridos, entretanto Lucius estava ganhando. Seu exército pressionava bravamente seus inimigos, que, amedrontados ou muito feridos, conseguiram fugir para o mundo humano.

No ápice da batalha entre Liberdade e Ordem, do impacto dos golpes de Darkus e Lucius, nasceu à terceira existência, Nihil; a personificação do vazio, uma anomalia capaz de apagar a existência daquilo que tocar.

— Parem com isso! — Gritou Lucius. — A ordem não pode ser quebrada! A balança deve... — fez uma esquiva lateral impedindo que a lâmina negra de Darkus lhe atingisse. — Droga! Você, Nihil, pelo menos você me escute! Não podemos interferir no Equilíbrio... — Lucius se interrompeu, pois via que ninguém prestava atenção em suas palavras.

Consciente do que não poderia lidar com Darkus e Nihil sozinho, Lucius, num último momento de desespero, concentrou todo seu poder, e, junto das outras duas existências, fragmentou-se em cristais que choveram sobre a terra.

Com a ausência do comandante, os soldados de Darkus foram sendo derrotados até que, por fim, baixaram as armas. A rendição foi feita, a guerra acabou. Os sobreviventes de Lucius venceram a guerra, e o exército de Darkus foi exilado para o Abismo, um local onde os piores seres eram jogados.

Muito feridos e abatidos, os habitantes do reino de Alcândor decidiram fechar seus portões impedindo qualquer um de entrar. “Os portões só serão abertos quando nosso Deus retornar”, com essa frase, os alados abandonaram os humanos, à própria sorte contra aqueles que conseguiram adentrar em seu mundo.

Notas finais
E é assim que tudo começa,
Ou talvez, tudo termina.

No próximo capitulo: Segundo ato