Equilíbrio
8 Capítulo 8
Adrien era paciente, mas um pouco frio e distante. Embora tivéssemos passado a semana toda praticando, eu ainda não sabia nada a seu respeito, muito menos conhecimento sobre seus relacionamentos com outros alunos e professores. Ele era uma grande interrogação. De tudo, o que mais me intrigava e incomodava era o fato de ele não utilizar magia hora alguma. Tentei cogitar um motivo maior que o impedisse disso, talvez sua estranha relação com a Bustier, mas meu conhecimento do Equilíbrio era tão limitado quanto frustrante e, após a longa a estressante semana, resolvi visitar a biblioteca da torre Noroeste e buscar algumas respostas mais sólidas.
Os corredores eram vazios. As portas de salas e ambientes que a função eu desconhecia não diziam muito a respeito das atividades que poderiam ser realizadas, os banheiros eram bem distribuídos e a maioria dos aspectos do colégio Vermelho lembravam um colégio normal. A maioria. Sempre com suas exceções.A entrada da biblioteca misturava tons escuros de vermelho com marrom, o silêncio reinava e nem sequer um único passo poderia ser ouvido. A bibliotecária era uma senhora já com certa idade, óculos e um vestido que se assemelhava aos uniformes. A presença do vermelho era um pouco irritante, mesmo que com o passar do tempo estivesse começando a me acostumar. As estantes seguiam reto até o final do grande salão, que possuía um andar superior e um grande mezanino central. Muitas formas arqueadas na madeira conferiam graça e autenticidade a arquitetura.Caminhei entre as prateleiras e as segui até o final, completamente hipnotizada por tantos e tantos livros. O cheiro de rosas do ambiente era calmante. Na outra ponta da biblioteca, contrária a entrada e coberta por parte do mezanino, estavam as mesas, sofás e computadores para estudo e pesquisa. Eu confesso que não esperava por um computador em Magest, o lugar transmitia uma aura arcaica curiosa, mas também mesclava o antigo ao inovador. Uma parte de mim se se sentia aliviada por tudo parecer com o mundo humano, mesmo que a sensação que ficasse em meu peito era que os anormais detestavam os normais, mas me convenci de que não passava de achismo infundado e até um certo preconceito da minha parte.Enquanto caminhava maravilhada com o espaço, trombei com Alya. A morena havia derrubado alguns livros que carregava e seus óculos haviam ficado tortos em seu rosto. Cobri a boca com as mãos, assustada e preocupada, ao vê-la.— Eu sinto muito! — Abaixei -me para pegar os livros que ela havia derrubado. Ela fez o mesmo. — Não deveria andar sem olhar para frente.— Calma, garota. Vai acabar infartando se continuar se preocupando tanto com as coisas. — Alya riu. — Muito obrigada. — Disse assim que lhe ajudei a recolher os livros do chão. — Como está sendo a adaptação ao colégio? Finalmente parou de explodir os cardápios?A verdade era que Adrien pedia as minhas refeições. Eu e o loirinho não conversávamos muito, mas sempre serei grata por ele me ajudar com isso sem julgamentos e críticas maldosas. — Mais ou menos. Estou me encaixando aos poucos. — E o que te traz aqui tão cedo? A maioria que vem pra cá busca alguma informação pra ajudar nas missões. Você é muito novata pra isso. — Ela me olhou, curiosa.— É que... — Antes que pudesse responder, uma mão tocou meu ombro e me puxou levemente para trás.— Mari está aprendendo sobre a nossa cultura, eu pedi para vir pesquisar um pouco mais. — Respondeu Adrien, para minha surpresa.— Você está sendo o tutor dela? Nem magia você usa. — Comentou Alya maldosamente. Arqueei a sobrancelha. A primeira impressão que havia tido de Alya era boa, não soava como afrontosa ou encrenqueira. Talvez eu estivesse enganada... Mas o que importava era a resposta para a pergunta que circundava meus pensamentos. O que Adrien estava fazendo aqui?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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