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35 Capítulo 35
Notas iniciais
Pov Jenny
Um ano mais tarde.
A dor de cabeça que fazia todos os meus neurônios explodirem a cada sinapse feita rendia-me a mais uma promessa vazia: nunca mais iria beber daquela forma de novo! Meu corpo inteiro doía e a luz que entrava sabe lá Deus de onde machucavam meus olhos sem nem eles estarem abertos. Gemi em uma agonia interna e tentei me mexer, até que eu senti um corpo prendendo o meu. Arregalei meus olhos, meu coração disparado fazendo a dor da ressaca aumentar mais ainda, mas nada se comparava ao medo que perpassou pelo meu ser: por favor, por favor, que essa garota seja a Michelle e que eu não tenha feito nenhuma loucura enquanto estava bêbada.
Meu olfato a identificou primeiro do que todos os outros sentidos. Aquele cheiro suave e marcante ao mesmo tempo só pertencia a uma pessoa. Então eu vi aquele corpo levemente bronzeado, o cabelo um pouco mais claro que o normal e levemente ondulado espalhado pelo travesseiro. Mesmo dormindo, Michelle conseguia ser a coisa mais bonita que meus olhos poderiam vislumbrar. Ou talvez fosse apenas o amor me cegando para as outras coisas, não me importava. Apesar da forte enxaqueca, eu sorri levemente aliviada ao constatar que ela era a mulher ali ao meu lado.
O medo de fazer alguma besteira e perder a coisa mais importante de minha vida era algo constante, mesmo que às vezes em uma intensidade minúscula. Isso me obrigava a dar o melhor de mim, ser a minha melhor versão, apenas para ela e por ela. E foi por causa disso que eu amadureci e me tornei a mulher que sou hoje. Estávamos a quase dois anos juntas agora, porém muitos comentavam a mudança que Michelle havia causado em mim. Já não fazia tantas loucuras, e se fizesse, ela estava do meu lado rindo das besteiras e pequenas coisas. Era mais paciente com a mídia, o que rendia um maior contato com meus fãs e, consequentemente, os dela. Porém, ainda reservava o meu lado carinhoso apenas a ela, afinal, apenas ela merecia essa parte de mim.
Caí na cama mais uma vez, fechando os olhos com força com a dor que estava sentindo. Tentei pensar no que havia acontecido na noite anterior, mas não me vinha nada. Espera, onde estávamos mesmo? Oh, sim, Las Vegas! Eu e Jenny viemos para um evento e ela estava tão feliz que bebeu e acabou me levando junto nesse mar de drinks exóticos e doces. Geralmente, era o contrário, quando ela percebia que eu já estava em meu limite, pedia toda carinhosa para que eu parasse, pois iria querer cuidar de mim de uma maneira muito gostosa mais tarde e não o faria se eu estivesse caindo de bêbada. Ah, e como ela cuidava! Então prontamente eu tratava de melhorar o meu organismo.
Sentei na cama desistindo de tentar dormir novamente e com todo o cuidado do mundo levantei para não acordar Michelle. Olhei ao redor reconhecendo o quarto do hotel onde estávamos hospedadas. Estava um verdadeiro caos! Algumas coisas quebradas, roupas largadas por todo o canto, quadros desalinhados, jarros ao chão. Olhei para o meu corpo nu e vi várias marcas em minha pele branca. Arqueei a sobrancelha desejando ainda mais lembrar de como Michelle as fez. Segui para o banheiro e tomei um longo banho relaxante e me senti um pouco melhor, então resolvi pedir por café bem forte e aspirinas, Michelle provavelmente acordaria tão mal quanto eu.
–Jen? – a voz rouca e baixa repercutiu pelo quarto silencioso, seguida de um gemido de dor – Jenny?
–Estou aqui meu amor – disse indo até a cama, engatinhando até deitar ao lado dela – Está morrendo também?
–Lenta e dolorosamente – Michelle respondeu choramingando e pondo um braço sobre os olhos – Porque está tudo explodindo ao meu redor?
–Porque você, minha vida, está com uma louca de uma ressaca – comentei rindo baixo – Mas logo vai passar, vou cuidar de você – beijei-lhe o queixo com carinho – Já pedi café forte e aspirinas, porque não vai tomar banho enquanto eu espero o serviço?
–Eu não sei se consigo me mover direito – Michelle disse seriamente.
–Então eu levo você.
Saltei para fora da cama e logo estava pegando minha brasileira no colo, com um braço debaixo das pernas e o outro apoiando as costas. Michelle fez careta de dor e logo estava escondendo o rosto em meu pescoço. Ela teria consciência que sua respiração quente contra a minha pele estava me arrepiando por inteiro? Deus, depois de tanto tempo juntas, mesmo um simples ato daquele me abalava! E essa era a maravilha de se estar com o amor de sua vida.
–Agora tome um banho ok? – disse depois de a colocar dentro do box, mas antes de sair a fitei com o cenho franzido – Você lembra de algo de ontem a noite?
–Não faço ideia! – Jenny arregalou os olhos – Será que fizemos alguma loucura?
–Se fizemos, logo estará nos jornais e saberemos de um jeito ou de outro – dei um selinho rápido nela – Não se preocupe com isso agora, tome seu banho.
Ela apenas acenou e eu me afastei, logo escutando o barulho da água caindo sobre aquele corpo lindo e gostoso... Tive de sair rapidamente do banheiro antes que fizesse alguma loucura. Balancei a cabeça com um sorriso divertido, percebendo o quão fraca eu era quando se tratava de Michelle Lopez. Aproveitei o pequeno intervalo de tempo para poder vestir algo confortável, estava fazendo um calor forte em Vegas e mesmo com o ar condicionado no mínimo, eu me sentia a vontade para usar um shortinho confortável escuro e uma blusa regata cinza. Não demorou para o serviço de quarto chegar com o café da manhã que eu pedi e as aspirinas, dei uma bela gorjeta para o rapaz que era discreto e educado. Estava servindo um pouco do café de maneira distraída quando escuto um grito vindo do banheiro e quase derramo aquele líquido preto efervencente encima de mim. Bem, eu melei toda a toalha da mesa branca com isso.
–Mitch?! – corri prontamente para dentro do banheiro, preocupada e em alerta – Aconteceu alguma coisa?!
Ela estava usando um robe fofo e branco. O cabelo molhado pingava ao redor de seu rosto, mas eram os seus olhos castanhos claros – ao menos naquele momento, pois eles mudavam lindamente de cor – que estavam arregalados que me preocupavam. Michelle respirava ofegante e estava levemente pálida.
–Amor – chamei novamente, ficando agoniada com seu silencio.
–Oh meu Deus, oh meu Deus! – Michelle repetiu e pegou a minha mão esquerda e então gritou – AI MEU DEUS!
–Não grite! – implorei ainda sentindo um pouco de dor de cabeça, então eu olhei para a minha mão que ela segurava e então foi minha vez de entrar em choque – Isso é o que eu estou pensando que é?!
Em meu dedo anelar da mão esquerda estava um belo anel de ouro, com pedrinhas de diamante que formavam metade de um coração. Olhei para o dedo de Michelle e lá estava a outra aliança de ouro, com a outra metade do coração. Alianças. Alianças de casamento. E estávamos em Vegas...
–O que aconteceu ontem a noite?! – dessa vez eu estava quase gritando, meu coração batendo alucinado contra o peito – Nos casamos?!
–Eu... Eu não lembro – Michelle disse fazendo uma careta e tentou controlar a respiração antes que surtasse, então seus olhos se abriram como se tivesse tido um estalo de lembrança – A câmera que eu ganhei!
–Que câmera? – perguntei confusa, em minha mente nenhuma lembrança que interligasse a informação a algo real.
–Deram-me uma câmera da Sony, estavam patrocinando o evento e me sugeriram que eu filmasse como era uma noite “Jennelle” – Michelle explicou rapidamente, saindo do banheiro e indo para a zona que estava o nosso quarto – Me ajude a procurar!
Ficamos cerca de quinze minutos vasculhando todo o quarto, até encontrarmos a câmera de ultimo lançamento sobre um armário, apontada para a cama. Michelle pegou a câmera e finalmente parou a gravação. Deus, ela tinha suportado até agora?!
–Será que filmou como eu ganhei essas marcas em meu corpo? – indaguei entre curiosidade e malicia.
–Deus do céu! – Michelle ficou fortemente vermelha – Agora estou com medo de ver o que tem aqui.
–Vá ajeitando para que possamos assistir e ver o que fizemos noite passada, enquanto isso vou pegar as aspirinas e o café, acho que vamos precisar.
Michelle acenou com a cabeça e mordeu o lábio inferior rapidamente antes de ir, me distraindo por alguns segundos. Balancei a cabeça suavemente antes de fazer justamente o que eu tinha prometido, pegar as aspirinas e servi o café forte em duas canecas. Michelle tinha conectado a câmera a televisão de alta definição que tinha enfrente a nossa cama. Sentei ao seu lado com as pernas cruzadas em posição de índio e esperei ela terminar de descobrir como funciona o aparelho para passar as informações para a tela a nossa frente. Isso não demorou muito, pois logo o menu estava aparecendo a nossa frente. Havia apenas um vídeo para ser selecionado.
–Meu Senhor, estou sentindo um frio na espinha – Michelle murmurou medrosa.
–Coragem, já está feito mesmo – falei, mas sentia um forte frio em minha barriga também – Até porque, tem muitas coisas sem respostas – ergui minha mão com o anel – Principalmente isso aqui.
–Ok, vamos ver logo isso de uma vez.
Ela selecionou algo na tela da câmera e pousou o aparelho ao lado de sua coxa, aceitando a caneca com café e engolindo de modo seco a aspirina. A imitei e deixei que meus olhos se cravassem na garota que aparecia tremulamente na televisão. Michelle estava incrível, com uma maquiagem magnifica, um vestido branco com detalhes em vermelho, para combinar com todos os seus acessórios com pedras de rubi. O cabelo estava impecável, em um penteado lateral que formava ondulações bem definidas nas pontas.
–Você estava mesmo muito linda – comentei assim que a imagem a focalizou melhor.
–Você repetiu isso muito ontem, disso eu me lembro – Michelle riu baixo e bebericou um pouco do café.
A Michelle da televisão parecia conferir se estava filmando ou não, então mais uma vez focou em sua imagem e abriu um enorme sorriso. Era hora de assistir a real gravação.
(...)
–Ooooi você que está vendo esse vídeo – Michelle cumprimentou em um tom animado, já meio feliz por causa das bebidas que tinha ingerido – Ganhei essa super câmera da Sony! Uma das melhores coisas de meu trabalho é que eu ganho coisas sem nem ser meu aniversário! – Michelle riu da própria piada boba – Então, voltando ao ponto principal, o rapaz que me deu a câmera sugeriu que eu fizesse um vídeo de como seria algumas horas de “Jennelle”! Mas obviamente eu não posso fazer um vídeo sobre eu e Jenny, sem minha Jenny! Ela teve de se afastar um pouco para fazer uma rápida entrevista e eu para receber esse presente. Agora vamos a caça daquele mulherão, antes que alguma biscate a pegue primeiro! – Michelle soltou um suspiro frustrado – É tão difícil ter uma mulher tão fantástica ao seu lado, todo mundo quer um pedaço dela, e eu até entendo! Mas sabe? Ela é minha! Podem ter um sorriso, uma piscadela de brincadeira, mas aquele coraçãozinho é todinho meu.
Michelle piscou para a câmera e abriu um sorriso vitorioso. Então virou a câmera para a festa. Estava muito cheia, porém o local era bem amplo o que deixava um espaço agradável entre as pessoas.
–Agora vamos a caçada, ou seria uma pescaria? Porque tipo, a Jenny é bem uma sereia – Michelle comentou divagando em voz alta.
Ela começou a busca, passando por artistas, pessoas ricas e alguns conhecidos. Com todos ela parava para cumprimentar e conversar um pouco, a sua simpatia parecia se expandir ainda mais quando bebia, a deixando desinibida socialmente. Ela fazia cada um dizer algo para a sua câmera, alguns faziam uma piadinha, outros comentavam sobre a noite, ou até mesmo a elogiavam. A brasileira ria, replicava e deixava aquela parte em um bom humor incrível. Demorou cerca de meia hora para ela finalmente encontrar o seu alvo.
Jenny estava parada em um canto mais afastado, em sua mão uma taça com uma bebida borbulhante. Ela estava tão incrível quanto a namorada, trajando um vestido vermelho bem escuro e longo, mas com um decote que deixava qualquer um naquela festa com vontade de escorregar os olhos por cada pedaço que a falta de pano exibia. A atriz americana conversava com Oliver e uma garota desconhecida que estava ao seu lado, uma loira estonteante e talvez um pouco magra demais. Provavelmente apenas mais uma modelo rica.
–Meu amoooor – Michelle aproximou com a câmera e focalizou no rosto de Jennifer.
Assim que escutou a voz de sua amada, Jenny moveu a cabeça em sua direção e automaticamente abriu um lindo sorriso. Um que sempre surgia apenas de ver aquela garota, um que foi prontamente filmado pela brasileira. Porém, assim que Jenny notou a câmera que pousava nas mãos de Michelle, arqueou a sobrancelha esquerda em uma pergunta muda.
–Ganhei esse brinquedinho! – Michelle comemorou e se aproximou até ficar bem perto de sua mulher – E me pediram para filmar uma noite nossa.
–Então vai ser um filme proibido para menores, com certeza – Oliver tratou de provocar.
–Provavelmente – Jenny concordou rindo.
–Não aceite o que ele diz! – Michelle bateu com a mão livre no ombro de Jenny e o vídeo estremeceu – Não sei quem é mais pervertido, ele ou você.
–Ah meu amor, com certeza é você – Jenny disse em tom risonho – Você só tem carinha de anjo! Mas eu adoro isso sabia?
–Isso é uma difamação!
Elas duas continuaram a discutir de maneira amena e divertida, nenhuma das duas levando muito a sério o que estava sendo dito. Oliver apresentou a loira como Hanna, uma amiga de outros carnavais. Em uma linguagem popular, uma ex-ficante. Em um determinado momento, Oliver assumiu posse da câmera para poder melhor filmar as duas, fazendo comentários nada inocentes sobre cada coisa que surgia.
–Vamos para a pista de dança? Um DJ está assumindo agora – Hanna propôs depois de um tempo.
–Boa ideia! – Jenny prontamente concordou.
Oliver seguiu com a câmera, filmando tudo e nada, mas sempre tentando manter o foco em Jenny e Michelle. Ele estava feliz com aquelas duas, um casal que o fazia pensar que talvez, apenas talvez, pudesse encontrar um amor similar. Bom, enquanto este não chegava em sua vida, ele iria se divertir com as oportunidades que lhe apareciam. Na pista de dança a filmagem por muitas vezes era apontada para o alto ou para baixo, ou ficava inclinada e torta, ou se movia rápido demais. Isso tudo se devia aos movimentos de dança que Oliver fazia quando esquecia que tinha um aparelho em mãos. Mas em um determinado momento, quando parou para beber uma cerveja gelada, parou e focalizou mais uma vez no seu casal favorito.
Foi quando ele pegou o melhor momento das duas na pista de dança. A música que tocava era apenas combinações eletrônicas que o DJ fazia, mas não perdia um toque sensual de um ritmo similar ao latino. Jenny e Michelle dançavam juntinhas, trocando olhares que traduziam toda a sedução que irradiava de seus corpos, os deixando como imãs de polos opostos que atraia uma à outra.
Michelle pareceu querer provocar ainda mais Jenny, já havia bebido mais do que o normal e sua mente não captava informações de onde estavam e como estavam, seu foco era unicamente aquela mulher que mexia com todos os seus sentidos. Então a brasileira virou o corpo colando suas costas ao peitoral de sua mulher. Começou a dançar seguindo as batidas fortes, as mãos de Jenny a segurando firmemente no quadril e na cintura. Michelle mordeu o lábio inferior e começou a rebolar, sabendo que sua bunda estaria roçando gostosamente no ventre e sexo de Jennifer. Como resultado quase instantâneo, Jenny apertou ainda mais seu corpo e gemeu em seu ouvido, alto o suficiente para que ela escutasse. A confiança que a bebida lhe dava a fez sorrir toda provocadora. Levou uma mão até a nuca de Jenny, arranhando a pele sensível e agarrando um pouco dos fios negros de seu cabelo, para logo depois começar a descer rebolando até o chão, bem sensual e roçando o corpo no de Jenny. A subida? Lenta e torturante. Jenny sussurrou algo em seu ouvido, mas a câmera não pode captar aquele tom rouco, mas seja o que for que a garota branca disse, foi o suficiente para fazer Michelle fechar os olhos e parecer soltar um gemido. Jenny começou a beijar-lhe o pescoço e Michelle continuava a dançar, fazendo com que a outra seguisse seu ritmo e prolongasse todo aquele momento.
Então a filmagem teve a sua primeira pausa.
(...)
Pov Michelle
Meu rosto pegava fogo ao ver o que estava ali. Eu sabia que havia bebido, mas não sabia que foi ao ponto de dançar daquele jeito, no meio de tanta gente, praticamente em um rito de acasalamento com Jenny!
–Me dê essa câmera, eu vou voltar! – Jenny exclamou roubando o aparelho de mim.
–Não! – gritei em desespero, dei pausa nele e o joguei um pouco longe, quase o retirando dos cabos – Meu Deus! O que foi aquilo que eu fiz?!
–Uma dança extremamente sensual – Jenny respondeu – Eu quero ver de novo, por Deus, eu fico excitada só de ver você dançando daquele jeito! Eu naquele momento deveria ter gozado em alguma parte!
–JENNIFER! – eu exclamei incrédula com o que ela disse, sem saber se gritava ou se ria do que ela falava.
–Você se viu?! Amor, você deveria rebolar mais vezes daquele jeito!
Eu afastei a caneca onde outrora estava o café e cruzei os braços envergonhada. Apesar de ter os meus momentos de sedutora, quando afrontada tão diretamente eu ficava tímida.
–Não faça esse bico – Jenny pediu manhosa.
–Eu não estou de bico! – disse teimosa, pois eu estava.
–Então eu vou tirá-lo.
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, Jenny segurou em minha nuca e me puxou em sua direção, roubando-me um beijo e de quebra, todo o meu ar. Sua mão segurou o meu cabelo em uma pegada firme e dominadora, enquanto seus lábios e língua imperavam em minha boca. O beijo era intenso e voraz, eu não tinha tempo de processar tudo o que estava acontecendo, apenas me submeter a um dos melhores prazeres da vida que era justamente beijar a minha mulher. Jenny puxou meu cabelo sem machucar, mas me forçando a afastar nossas bocas e gemer baixinho. Tê-la tão dominante e me beijando daquele jeito era realmente uma combinação excitante.
–Vamos terminar de ver o vídeo – Jenny disse em um tom rouco.
Apenas concordei com um aceno de cabeça, mas dessa vez Jenny também afastou sua caneca e me puxou para sentar entre suas pernas. Veríamos a filmagem abraçadinhas dessa vez.
(...)
A filmagem retornou e o ambiente havia mudado. Provavelmente o evento estava sendo finalizado e um grupo havia sugerido irem para outro lugar. Dessa vez quem estava com a câmera era Kevin, agente de Michelle.
–Oi belezinhas! – Kevin disse todo amável, também alterado pela bebida – Michelle me disse que você iria servir para filmar a nossa noite de loucuras! – o homem soltou uma risada aguda – Vocês não sabem o que perderam, o Oliver levou um tapa na cara da loira porque ele estava flertando com uma ruiva! Ah nosso pegador Oliver nunca irá tomar jeito! – mais algumas risadas e ele se recuperou, mostrando todo o lugar – Então resolvemos mudar um pouco o ambiente, estamos em uma área de festas de um cassino!
A área chegava a ser surreal. Era como se uma floresta tropical estivesse dentro de uma sala, pois haviam árvores, coqueiros, grama e até mesmo uma pequena cachoeira. Pessoas circulavam usando diversos tipos de roupas, muitos turistas mesclados com americanos e pessoas famosas. Oliver era visto com uma bela mulher negra, sendo consolado pelo fora que levou. Jenny e Michelle estavam juntas com um grupo de conhecidos do evento, todos com um copo de bebida na mão e se não estivessem todos bêbados, era um ponto bem próximo disso. Michelle se afastou um pouco do grupo e viu seu agente com a câmera, sorriu de forma idiota e foi até ele.
–Oi câmera! – ela falou sorrindo e acenando para a câmera – Quase esqueci de você!
–Como pode fazer isso? Ela tem sentimentos! – Kevin disse seriamente.
–Oh meu Deus, que insensível eu fui! – Michelle parecia mesmo arrependida – Espere, já sei o que fazer para compensar. Que tal uma pegadinha com a Jenny? Ela odeia isso e vai ficar uma fera depois, mas vou mostrar para vocês o quanto ela é diferente quando bebe! Por isso amor, nunca fique bêbada novamente ok?
Michelle soltou um beijinho para a câmera e Kevin já estava rindo, aproximando-se disfarçadamente para não chamar a atenção. Michelle se aproximou do grupo com uma expressão séria. Mesmo com o discernimento questionável por causa do álcool que corria em seu sangue, ela ainda conseguia ser uma boa atriz. Assim, quando Jenny sentiu que seu braço estava sendo puxado e viu o semblante fechado de Michelle engoliu em seco, questionando-se o que havia feito de errado dessa vez. Michelle levou a namorada para um canto um pouco mais vazio, debaixo de um coqueiro.
–Eu vi, ok?! – Michelle explodiu.
–V-viu o que? – Jenny gaguejou ficando acuada prontamente.
–Como você estava olhando para ela, como você pode?! – Michelle acusou com mágoa na voz.
–Ela quem?! Eu não estava olhando para ninguém meu amor! Eu só tenho olhos para você e seu corpo! – Jenny exclamou rapidamente.
–Ah só para o meu não é? Eu vi você encarando o peito e a bunda dela! – Michelle apontou o dedo para Jenny – E eu vou te deixar de castigo para você aprender. SEM SEXO!
A expressão de Jennifer caiu completamente. Ela ficou branca, mais ainda, e congelou no lugar. A possibilidade de não ter sexo com sua mulher era quase como uma dor física exagerada por causa da bebida.
–Não! Não! – Jenny exclamou em desespero – Você não pode fazer isso comigo!
–E sem beijos! – Michelle acrescentou irredutível.
–O QUE?! – Jenny gritou e depois abaixou o tom ao ver que estava chamando atenção – Você não pode fazer isso, eu amo você e só você!
–Está decidido, fique ai pensando no que você fez e em cinco minutos eu volto, ai se você pedir com carinho eu vou ver se amenizo as coisas.
Dito isso Michelle saiu na maior pose de vilã que poderia fazer. Kevin estava se concentrando fortemente para não rir. Enquanto isso Jenny estava entrando em desespero, sua respiração descompassada, sua mente nem seguia a lógica de que não tinha nenhuma garota que ela estava olhando, pois não olhara realmente para ninguém. Tudo o que entendia era que Michelle nào queria sexo e nem beijo. Como iria viver sem os beijos dela? Como?! Sem aquele corpo sobre o seu? Sem o prazer de se tornar uma só com ela? Jenny encostou no coqueiro sentindo perder o chão de seus pés. Kevin aproveitou e se aproximou sem deixar de fita-la um momento sequer.
–Aconteceu algo Jenny? – Kevin indagou se fazendo de preocupado.
–Ela não pode fazer isso! – Jenny exclamou, seu tom de derrota era de dar pena – Ela não pode ficar sem me beijar! Como... Como vou viver sem isso? Como Kevin?! – Jenny passou a mão sobre os cabelos em desespero – Ela é como um maldito vício, eu vou morrer de abstinência! – a respiração dela ficou descompassada – Eu... Eu amo aquela boca e aquele corpo, como ela tem o direito de me tirar isso?! – então ficou com lágrimas nos olhos verdes – Ela é mais importante que o ar que eu respiro, ela não pode me deixar de castigo, eu estou sendo uma menina muito boa e não má.
–Você tem certeza de que não está sendo uma menina má? – Kevin perguntou com ar de riso.
–SIM! – Jenny balançou a cabeça varias vezes – Eu to sendo tudo o que posso ser de melhor por ela. Pra poder beijar meu amorzão, porque eu amo beijá-la. Eu não quero ficar sem beijo, eu não quero! – então bateu o pé no chão como criança em birra – Eu vou mostrar pra ela que ela não pode ficar sem me beijar também! – então começou a chorar – Porque ela é a mulher de minha vida, como vou ficar sem tocá-la e sem beijá-la? Eu a amo tanto Kevin! Que até dói!
–Então diga isso para ela – Kevin apontou para Michelle que se aproximava.
–Eu vou dizer nada! – Jenny recuperou a compostura – Ela não tem o direito de me proibir de ter o que é meu, se ela não me dá, eu vou conquistar para mim, nem que seja roubando!
Dito isto, assim que Michelle esteve perto o suficiente, Jenny a puxou e jogou contra o tronco do coqueiro. Michelle até exclamou alto, mas foi tudo o que conseguiu, pois logo sua boca estava sendo devorada pela de Jenny. A brasileira tentou bater nela, tentou empurrá-la. Mas a Jenny estava desesperada para provar daquele beijo, de fazê-la aceita-la nem que fosse a força. Porém não precisou de muito, pois logo ela estava completamente entregue, deixando que o beijo se transformasse em algo muito poderoso entre as duas.
–Ow, que elas tão se comendo quase que literalmente! – Kevin provocou rindo – Acho que isso não é para crianças assistirem.
Então, mais uma pausa no filme e tudo ficou preto.
(...)
Pov Jenny
Quando tudo ficou escuro no vídeo, eu peguei a câmera e dei pausa antes que a cena mudasse novamente. Olhei para Michelle e em dois segundos ela saltou de meu colo e correu para longe.
–Amor, eu não lembro nada disso! – Michelle disse na defensiva.
–Você é uma vadia sabia?! – eu briguei com ela – Você viu o estado em que me deixou?!
–Ok, eu fui muito má, eu admito! – Michelle tentava inutilmente não rir do que viu – Amor, você estava muito fofinha!
–MALDITA!
Eu comecei a correr atrás dela e ela correu por todo o quarto. Acabamos derrubando mais coisas ainda. Eu estava sentindo o gosto amarga de uma humilhação na garganta, ela havia brincado mais uma vez com meus sentimentos! Quando consegui alcança-la, me joguei com tudo sobre aquele corpo definido, nos derrubando – graças a Deus – na cama. Rapidamente eu fiquei sobre o quadril dela, uma perna firmemente ao lado do corpo de minha garota. Ela ria e gritava para que eu a saltasse, mas prontamente eu comecei a minha vingança: cócegas. Michelle começou a se contorcer, gritar e a gargalhar. Ela rapidamente começou a ficar vermelha e a ofegar com a grande quantidade de risadas que estava sendo obrigada a emitir.
–PARA EU IMPLORO! – Michelle gritou e riu mais – Eu prometo fazer o que você quiser por três dias!
–Uma semana! – exigi e fiz mais cócegas em sua cintura.
–UMA SEMANA!
Parei com as mãos em seu corpo e sorri totalmente vitoriosa. Michelle ainda ofegava fortemente, obrigando o seu peito a subir e a descer em uma velocidade considerável. Havia marcas de lágrimas que escorreram pela lateral de seu rosto. O sorriso perfeito e brincalhão ainda se mantinha. Mesmo com um pouco de raiva pelo que ela havia feito comigo, eu não pude evitar que meu coração acelerasse com aquela visão que eu estava tendo.
–Sabe, ao menos eu sou uma bêbada sincera – disse em um tom bem mais suave – Eu realmente não saberia mais viver sem seus beijos e toques, é o meu vicio.
–Você estava fofa desesperada daquele jeito – Michelle comentou e eu fiz uma breve careta – Foi uma das declarações mais lindas que uma bêbada poderia fazer para mim.
–Bom, ao menos ganhei uma semana de servidão – retruquei com um sorriso malicioso – Já está valendo desde agora, certo?
–Não – Michelle negou e falou toda manhosa – Estou ainda com um pouco de dor de cabeça, prometo que amanhã serei a serva mais feliz que você poderia sonhar em ter. Agora vamos ver o resto?
Acenei com a cabeça e me joguei ao seu lado na cama, mal sabia ela que eu já planejava toda uma sequência de perversão para essa semana que se seguiria, ah, definitivamente eu realizaria todos os meus fetiches!
Michelle pegou a câmera e mais uma vez deu play no nosso filme caseiro.
(...)
A filmagem dessa vez começou estranha. Mostrava parcialmente um banco de couro bastante espaçoso. A câmera estava trêmula e era possível escutar um ronco estável de um bom motor de carro.
–Amor, a câmera caiu – Michelle disse entre gemidos – Eu acho que está filmando.
–Deixa filmar, apenas me beija de novo!
Mais nenhuma voz se manifestou, porém era muito fácil de escutar barulhos de um beijo intenso. Cinco minutos depois a imagem finalmente foi preenchida por dois corpos seminus que caiam sobre o banco do carro. Jenny estava por baixo, sem o vestido e sem o sutiã, Michelle por cima, tinha o vestido também retirado, mas exibia uma linda peça vermelha sobre os seios. Era visto apenas uma parte do corpo, basicamente das costelas para cima. Porém, o suficiente para ser filmado o beijo vulgar, voluptuoso e cheio de desejo que as duas estavam trocando. Michelle claramente dominava naquele momento, segurava as mãos de Jenny firmemente enquanto roçava o seu corpo ao dela. A brasileira se movimentou e algo fez com que o corpo branco de Jenny fosse movido para cima. A atriz americana quebrou o beijo para gemer alto, sendo fácil imaginar que a perna de Michelle se encontrava nesse momento pressionando o sexo dela, provocando aquele movimento que a obrigou gemer tão gostoso.
–Porra! – gemeu Jenny – Michelle! Por favor!
–Por favor o que? – Michelle exigiu saber, a voz arrastada, meio embolada por causa da bebida, mas que ainda permanecia sedutora e provocativa – Pede o que você quer.
–Eu estou muito molhada! – Jenny choramingou – Não tortura! Por favor, me come, me fode, mas faz alguma coisa!
Michelle riu, segurou o cabelo de Jenny com total domínio e o puxou para trás, a fazendo tombar a cabeça exibindo mais ainda aqueles lábios vermelhos e inchados por causa dos beijos trocados. Michelle a beijou com sofreguidão, mas não demorou muito ali. Nem ao menos se fez de rogada em mais preliminares, ela foi abaixando o corpo até desaparecer da filmagem. Jenny ajeitou-se melhor, parecendo estar dando espaço para brasileira. Porém poucos segundos depois o corpo branco estava afundando no banco do carro, as mãos agarrando muito forte o banco de couro.
–PUTA MERDA! – Jenny exclamou e gemeu alto mais uma vez.
–Jenny você não está molhada, isso daqui é outro nível – era possível escutar a voz de Michelle – Mas está tão deliciosa dessa forma, dá vontade de lamber – e então Jenny gemeu mais uma vez – de morder – mais uma vez outro gemido – E de chupar.
Dessa vez Jenny arqueou as costas e levou uma mão para baixo, o corpo todo parecendo tremer do mais puro prazer. A mulher de pele branca e olhos verdes estava sem pudores, gemia, gritava, movia o corpo em respostas sinceras a todo o desejo que estava sentindo. Era possível ver o prazer que ela estava sentindo, de como estava alucinada, entregue e irrevogavelmente perdida em um mar de luxúria e tesão.
–MICHELLE! – Jenny gritou e arfou como se tivesse perdido todo o ar de seu pulmão, o corpo tremeu forte, como se estivesse tendo um pré-orgasmo – O que diabos está fazendo?! Como... OH FUCK! – Jenny recebeu outra onda de prazer que a silenciou suas palavras e a fez verbalizar um gemido de perdição total.
–Círculos – era possível escutar a voz abafada de Michelle – Estou fazendo... Círculos!
–Círculos, continue com círcu.... – Jenny parou de falar e xingou muito enquanto tremia forte de prazer – Oh Deus, amo círculos! – Jenny se contorceu toda, estava quebrando internamente com toda aquela tensão até ter o seu primeiro orgasmo – MICHELLE! – ela caiu mais uma vez no banco, porém segundos depois seu corpo estava novamente balançando – Vo-você quer me matar?!
Michelle gargalhou e logo estava sobre a mulher novamente, a beijando com uma animação e vigor que calou qualquer outro protesto. Uma mão estava apoiada no banco, mantendo o seu equilíbrio, a outra, estava para baixo, escondida e realizando um trabalho óbvio. O corpo de Jenny se movia, para cima e para baixo, denunciando que naquele momento Michelle a tomava para si com os dedos. Quando o ritmo era aumentando, o corpo de ambas se movia em harmonia a aceleração. Logo, parecia que o carro estava balançando enquanto seguia deslizando pelas ruas de Las Vegas. As duas gemiam, mas em um momento Jenny agarrou Michelle com força e gemeu em seu ouvido, fazendo com que as duas tremessem em um forte orgasmo. Michelle desabou sobre o corpo de Jenny, cansada, suada e ofegante, mas com um sorriso de pura satisfação.
–Meu Deus – Jenny falou ainda cansada, mas tão suave como se estivesse em torpor – MOTORISTA – ela disse alto o suficiente para que um vidro negro abaixasse e mostrasse o vulto de alguém – Nos leve para a igreja mais próxima de Vegas, aquelas que realizam casamentos rapidamente. Eu preciso fazer dessa garota minha mulher hoje mesmo! Eu não vou esperar mais dia nenhum!
–Vamos casar?! – Michelle ergueu a cabeça rapidamente, sorrindo enormemente – De verdade?
–Com muita verdade! Eu não posso mais esperar, nem quero! Ai você vai ser só minha em todos os sentidos que esse mundo pode inventar!
Michelle abraçou forte Jenny, mas logo levantava e ia pegar a câmera, exibindo todo o corpo nu e levemente bronzeado que possuía. Virou a lente em sua direção e tinha o maior de todos os sorrisos.
–Vejo vocês no casamento! Sim, eu e Jenny vamos nos casar!
E então a imagem dela desapareceu por um tempo.
(...)
Pov Michelle
Eu estava vermelha e já não sabia mais por qual motivo. Em realidade? Já não queria mais saber. Tinha acabado de assistir uma cena de sexo, mesmo que pela “metade” com minha namorada – ou mulher, no caso – e era indiscutível a minha condição de excitada mesclada a absurdamente tímida.
–Círculos? – foi tudo o que a Jenny perguntou, ainda encarando a imagem que eu havia pausado com a câmera.
–Eu não lembro – disse em um gemido de frustração, escondendo meu rosto com o travesseiro.
–Meu corpo lembra, ah se lembra – Jenny comentou e tirou o travesseiro de meu rosto – Aposto que você lembraria assim que descesse e fizesse o...
–Jenny! – reclamei e arfei – Deus, você é como uma deusa do sexo!
–Estava gemendo demais – Jenny fez uma breve careta e depois riu – Mas você me fez perder mesmo o controle.
–Ops? – falei de maneira sapeca.
–Deus, como consegue ser fofa e safada ao mesmo tempo?
–É um dom – dei de ombros e respirei fundo – Acho que preciso de um banho...
–Acho que você precisa de uma ajudinha – Jenny disse de uma maneira safada.
–Acho que é bom vermos o nosso casamento – a cortei rapidamente.
Jenny ia abrir a boca para comentar algo. Nenhuma das duas até ali havia verbalizado que a possibilidade de estarmos casadas era grande. Que havia sido isso o que tinha acontecido. Ok, não era assim que eu planejava o meu casamento, mas também não tinha planejado nem metade dessas coisas que foram filmadas. Por dentro? Eu estava realmente feliz por estar casada com Jenny. Era algo sem lógica, mas que parecia ser tão certo! Respirei fundo e sentei no colchão.
–Você sabe que assim como é fácil casar é fácil se divorci...
–Vamos ver nosso casamento – Jenny me cortou e sentou ao meu lado, seu sorriso e olhar diziam que, de alguma forma, estava tudo bem.
Soltei um suspiro aliviado e mais uma vez peguei a câmera para dar play.
(...)
Dessa vez a primeira coisa que apareceu na filmagem foi Kevin e Oliver. Os dois sorriram de maneira exagerada e Oliver se moveu, mostrando estar segurando a câmera.
–É quase quatro horas da manhã e algo fantástico e inacreditável vai acontecer hoje! – Oliver começou fazendo drama – Daqui a pouco irá passar por aquela porta – ele virou a câmera para a entrada, mostrando toda a capela, o tapete vermelho, as cadeiras de plástico e a entrada bem simples – Irá passar Jenny Summers e Michelle Lopez para o casamento!
–E claro que nós, divos, lindos e maravilhosos vamos ser os padrinhos e testemunhas. Porque só muito amor para acordar com uma ligação de madrugada e vim para cá! – Kevin acrescentou rapidamente, quando ele bebia ficava com um jeito cada vez mais gay.
–É uma pena não ter filmado aquelas duas de inicio – Oliver gargalhou – Não sabiam se escolhiam o vestido ou se agarravam uma a outra.
–Foi nojento na verdade – Kevin fez uma careta afetada – Muito hormônio feminino junto, é muito amor mesmo eu estar aqui, que fique muito claro!
–Deixe de ser chato, sua bicha – Oliver reclamou e virou a câmera para o altar – E aqui nós temos o sacerdote que irá celebrar a cerimônia é o senhor...
–Johnson! – ele abriu um sorriso de comercial – Será um prazer realizar um casamento desses!
–Elas estão prontas! – exclamou uma mulher entrando pela porta principal – E podemos começar o casamento!
Um rapaz em um piano e uma garota em um violino começou a tocar All of Me do John Legend em uma versão bem acústica. Michelle e Jenny apareceram na entrada, ambas usando vestidos brancos e até simples, mas não menos bonitos. O de Michelle era charmoso, acima do joelho e levemente rodado, tomara que caia. O cabelo descia por seus ombros, propositalmente bagunçados para dar um ar mais natural, solto e até mesmo sensual. Jenny estava mais elegante, em um vestido que ia até o chão, de alcinhas bem finas, mas que colava completamente em seu tronco, valorizando a curva de sua cintura e seus seios. Elas começaram a entrar, de mãos dadas, com sorrisos enormes no rosto. Porém, Michelle estava nervosa, mesmo que alta por causa da bebida, não deixava de se emocionar por estar se casando! O resultado disso? Ela tropeçou em seu salto.
–Ow, calma! – Jenny prontamente amparou sua “noiva”, a puxando para perto de seu corpo e sorrindo – Não vá ser desastrada na madrugada de seu casamento – Jenny acariciou o rosto de Michelle com todo o carinho do mundo – Mas saiba que eu vou tentar estar sempre por perto para te segurar, ok? E te proteger, e te amar com todas as minhas forças.
Michelle tremeu e segurou a mão de Jenny em seu rosto. Parecia querer responder, mas então suspirou e desceu os ombros, fitando a mulher de cabelos negros a sua frente com uma intensidade que era nítida até mesmo para as lentes da câmera. Então ela cantou o refrão da música como resposta, e nunca a voz de Michelle soou tão emocionada, tão melódica ou bonita. Porque nunca ela cantou tanto com o seu coração quanto naquele momento:
‘Cause all of me
(Porque tudo de mim)
Loves all of you
(Ama tudo em você)
Love your curves and all your edges
(Amo suas curvas e todas as suas arestas)
All your perfect imperfections
(Todas as suas imperfeições perfeitas)
Give your all to me
(Dê o seu melhor para mim)
I’ll give my all to you
(Vou dar tudo de mim para você)
You’re my end and my beginning
(Você é o meu fim e meu começo)
Even when I lose I’m winning
(Mesmo quando eu perder estarei ganhando)
‘Cause I give you all, all of me
(Porque eu te darei tudo, tudo de mim)
And you give me all, all of you
(E você me dá tudo, tudo de você)
Assim que a brasileira terminou de cantar, sua futura mulher a agarrou em um abraço forte, envolvente, escondendo o rosto em seu pescoço para esconder inutilmente o choro de felicidade que a assolou enquanto Michelle se declarava em uma música perfeita, cantando perfeitamente. A câmera virou e mostrou um Kevin que chorava feito uma menininha.
–Quer um lencinho? – Oliver provocou.
–Vai se foder, Oliver! – Kevin resmungou limpando as lágrimas.
Oliver soltou um risinho e voltou à câmera para as duas, que estavam em meio a um beijo apaixonado.
–Ei, o pode beijar a noiva é só depois do casamento! – Oliver provocou.
Michelle e Jenny se separaram com um sorriso bobo e apaixonado. A música continuava em seu instrumental até que elas chegaram perto do altar. Johnson iniciou a cerimonia dentro de seus conformes, fazendo todo o ritual como ele era exigido. Oliver filmava a tudo, tentando esconder o quanto estava emocionado também. Porém logo Jenny tornou-se impaciente, queria logo ter Michelle como sua legitima esposa e implorou para que Johnson adiantasse toda a burocracia.
–Então farei logo a parte mais importante – contentou-se ele – Fiquem uma de frente para a outra – ele ordenou calmamente e Kevin entregou as alianças. – Jennifer Summers, você aceita Michelle Lopez, como sua legitima esposa, amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte as separem?
–Com certeza sim! – Jenny exclamou ainda impaciente, porém deslizava a aliança com todo o carinho do mundo – Eu a amo, e vou provar isso todos os dias pelo resto de minha vida. Suficientemente clara?
–Como um cristal bruto, igual sua personalidade – Kevin provocou.
–Michelle Lopez! – Johnson prosseguiu antes que uma nova discussão iniciasse – Você aceita Jennifer Summers como sua legitima esposa, amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte as separem?
–Sim, sim, sim! – Michelle repetiu sim de uma maneira cada vez mais emocionada, colocando a aliança de Jenny em seu devido lugar.
–Então pelos poderes a mim concedidos, eu vus declaro esposa e esposa. Pode beijar a noiva, as duas!
Jenny puxou Michelle pela cintura até terem seus corpos colados e a beijou. Não foi um beijo impetuoso, mas profundo e íntimo, um que pareceu tirar Michelle da orbita da Terra. Assim que ele terminou, Jenny ergueu Michelle no ar e a girou rindo bobamente, exibindo a felicidade que explodia dentro de seu corpo. Depois dali, assinaram a certidão de casamento junto com as testemunhas e seguiram para a limusine que estava do lado de fora, lugar que revelou ser palco da cena anterior a do casamento.
Eles comemoraram com mais bebidas, risadas altas e brincadeiras. Jenny e Michelle se beijavam a cada oportunidade. A câmera foi para a mão de Jenny e foi desligada por apenas dois segundos.
Quando retornou, estava exibindo uma Jenny descabelada, com uma blusona no corpo e alguns chupões no pescoço. Estavam no quarto de hotel, em seu estado já de calamidade provavelmente provocado pela noite de núpcias que não foi filmada. Jenny tinha a iluminação que vinha do banheiro apenas, ela estava sentada no chão e com a câmera sobre algum suporte.
–Er... Oi! – Jenny murmurou – Estou falando baixo porque a Mitch acabou de dormir, eu a deixei bem cansadinha – Jenny sorriu maliciosa e lançou um olhar em direção a cama, então suspirou – Sabe, eu sei que vou esquecer tudo o que passou, sei que ainda estou bêbada, afinal nunca bebi tanto em minha vida – ela riu de maneira idiota por quase um minuto – Ok, ok, só quero deixar bem claro duas coisas: a primeira é que não me arrependo certo? Certo. A segunda é... — ela limpou a garganta e fechou os olhos devido a uma loucura – Ow nossa, acho que vou vomitar, mas tenho de fazer isso enquanto ainda consigo pensar – Jenny piscou várias vezes para se concentrar – Então, para o meu eu e a Michelle de ressaca, ou melhor, só para Michelle mesmo – mais uma vez ela riu estupidamente – Ok, foco, foco, foco, foco, fooooco – ela cantou, sim, cantou, mesmo que baixo – Michelle Lopez, você terá de se casar comigo de novo, da maneira certa, ok? Ok. Porque eu te amo – um suspiro forte e apaixonado – Eu te amo e você é a mulher da minha vida, não tenho nem como mais imaginar minha vida sem você, eu já não sei separar o que é meu do que é seu, porque o mundo se tornou... Nosso – alguns segundos de silêncio – Então, é isso, você vai se casar comigo de novo, porque já estamos casadas! OMG, eu estou casada com a Michelle! Espera, acho que vou vomitar...
Jenny saiu praticamente correndo e quase se esbarrando. Infelizmente era possível escutar o som do vômito. Assim como foi bem visível a cara de cansada que Jenny tinha ao retornar e pegar a câmera. Ela levou o aparelho até onde ele foi encontrado mais cedo e o depositou lá.
–Vou deixar ligado só para deixar registrado como a Michelle me abraça de noite. É tão gostoso! – Jenny pensou alto.
Logo depois ela estava indo para a cama, deitando ao lado de Michelle e sem fazer nada que a influenciasse, Michelle virou o corpo e se aconchegou ao da esposa, ficando abraçadinha. Jenny dormiu rapidamente, mas com um sorriso nos lábios.
(...)
POV Jenny.
As palavras haviam sumido de minha garganta. O anel de ouro parecia pesar mil vezes mais em meu dedo. Sim, eu havia me casado. Sim, eu iria me casar novamente. Deus, como eu queria ter as lembranças em minha mente e não em uma câmera! Suspirei e olhei para o lado. Michelle tinha o rosto baixo, as mãos cobrindo a face. Prontamente me preocupei e a toquei no ombro, apenas para descobrir que ela estava chorando.
–Amor? – chamei tentando esconder o desespero repentino – Está... Bem?
–J-jenny – Michelle gaguejou e rapidamente se jogou em meus braços – Eu quero me lembrar! Foi tão lindo!
–Eu sei que foi meu amor, eu vi – A abracei forte, aliviada dela não ter surtado.
–Você não se arrepende mesmo? Não planejamos nada, não falamos nem de casamento ainda.
–Eu sei, mas não estou arrependida, não escutou o que eu disse? – ri lembrando do meu “eu bêbado” mandando o recado – Já disse que sou uma bêbada sincera.
–Então... Você me pediu em casamento ali? – Michelle sorriu.
–Não foi bem um pedido, foi uma afirmação. Nós vamos nos casar de novo, até porque minha mãe me mataria se fosse diferente. Sua sogra é bem tradicional, sabe disso.
–Oh então eu nunca vou realizar meu sonho de escutar a pergunta e dizer que sim? – Michelle fez o maior bico.
Eu ri, mas sabia que ela era do tipo romântico que gostava de todos os clichês possíveis. Então a puxei para sentar em meu colo, envolvi a sua cintura com meus braços e a fitei com todo o amor e carinho que eu poderia sentir no momento. E acreditem, era do tamanho do universo.
–Aceita me aturar pelo resto de sua vida? – perguntei calmamente – Aceita sofrer de saudades, morrer de amores, ter os melhores orgasmos de sua vida? – a escutei rir e isso me fez sorrir – Aceita se casar comigo... de novo? Porque você agora é minha mulher já. Só minha. Toda minha. Inteiramente minha...
–Sim – Michelle interrompeu meu pensamento e me beijou – Sim – outro beijo – Sim! – outro beijo mais demorado.
–Pode continuar dizendo sim – disse contra os lábios dela.
–Amor, vamos morar juntas e tudo o mais?
Mesmo que o tempo tivesse passado desde que começamos a namorar, eu e Michelle mantínhamos nossas casas separadas, apesar de vivermos juntas praticamente. Ou eu na casa dela, o que era mais comum, ou em minha pequena mansão. Era conveniente por causa do trabalho e para manter um certo controle sobre a mídia e a nossa imagem. Porém, agora que estávamos casadas, nada disso parecia importar.
–Ter uma casa grande, porque teremos filhos e até mesmo cachorros – prometi com um sorriso sonhador.
–Eu quero cinco filhos! – Michelle exclamou feliz, pulando em meu colo.
–Cinco?! – meus olhos se abriram alarmados – Amos, somos pessoas ocupadas e...
–Se a Angelina Jolie pode sair adotando quantos quiserem e ainda ser a diva que é, podemos dar conta, certo? – Michelle foi irredutível.
–Vamos com calma, ainda estou me acostumando com a ideia de ser casada. Que tal dois filhos e três cachorros? Ai formam cinco!
–Está negociando nossos filhos por cachorros? – Michelle arqueou uma sobrancelha.
–Dá trabalho quase na mesma proporção, tem de cuidar, limpar a merda, dar banho...
–JENNIFER!
Michelle me bateu e eu gargalhei. Antes que ela brigasse mais comigo ou até mesmo aumentasse a quantidade de filhos que nós teríamos, eu a beijei. Beijei com todo o meu amor, com tudo o que eu tinha. Porque na verdade, ela era meu tudo e meu mundo. Ah, definitivamente iriamos nos casar de novo, com todos os clichês que ela gosta, com aquela mesma música tocando de entrada. Por mim, eu casaria quantas vezes fossem preciso só para ter aquela mulher para mim. De repente, a frase que eu falei para nós no filme ressoou em minha mente.
“(...)eu já não sei separar o que é meu do que é seu, porque o mundo se tornou... Nosso”.
Eu nunca pude concordar tanto comigo mesma. Muitos podem achar que se entregar para alguém dessa forma é uma besteira, até mesmo uma utopia. O que eu poderia dizer para eles? Apenas que sentia muito, pois sabiam de nada. Porque quando o meu eu, meu tudo, se tornou algo compartilhado sem pudores, foi quando eu me senti mais completa.
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