Equalize
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Acreditar que tudo daria certo era fácil. Vivenciar as dificuldades era a cruel realidade. Primeiro ficamos preocupadas em passar o máximo de tempo juntas, finalizando nossas atividades com o seriado ao menos para aquela temporada. Depois disso passamos um final de semana inteiro dedicado a nós duas, recheado de muito romance, amor e sexo. Essa combinação perfeita só tornou ainda mais difícil a despedida.
Jenny foi a primeira a partir, ela iria começar as gravações em Londres para as primeiras cenas, depois voltaria aos Estados Unidos. Eu a acompanhei até o aeroporto e dessa vez ignorei o máximo possível os paparazzi de plantão, queria que aquele momento fosse só meu e dela. Nosso ultimo beijo foi carregado de saudades e paixão, um longo e que provavelmente não deveria ter sido em público, mas não nos importamos com isso no momento.
Dois dias depois eu estava embarcando para Indiana. Devo dizer que a realidade de um filme era completamente diferente da de um seriado. Era ainda mais exaustivo, intenso e envolvente. Eram muito mais produções e horas e mais horas de ensaios e gravações. Além de muitas cenas em fundo verde. Porém o mais difícil era não surtar com o elenco que iria trabalhar comigo. Jenny sempre dava crise de risos em nossas conferências de vídeo quando eu revelava os meus verdadeiros pensamentos ao estar perto de meus ídolos. Uma vez fangirl, sempre fangirl.
No primeiro mês foi fácil manter o contato quase que todos os dias. A verdadeira pressão começou quando minhas cenas começaram a ser mais ativas e exigentes. Como sempre eu dispensava o máximo possível a minha dublê. Queria aprender a fazer as coisas por mim mesmo e eu sempre buscava formas de manter meu físico e resistência para poder fazer as cenas mais complicadas. Claro que isso sempre gerava um pequeno corte ou machucado suave, mas nada que se comparasse ao acidente em Eternal.
Foi apenas no segundo mês separadas que pudemos nos reencontrar. O diretor dela concedeu uma folga de apenas três dias. A primeira coisa que minha namorada fez foi reservar o primeiro voo para Las Vegas, onde estava sendo filmada uma longa parte do meu filme. Eu queria ter ido busca-la no aeroporto, mas infelizmente o seu avião pousaria bem quando estaria ainda trabalhando. Foi o dia em que eu fiquei mais distraída e ansiosa, recebendo provocações de meus colegas e piadinhas de como estava parecendo a donzela a espera de seu príncipe encantado. Eu sempre fui muito fácil de falar e me relacionar com qualquer tipo de pessoa, assim era como uma lei natural eu me dar bem com a maioria dos meus colegas de trabalho. Como se fosse muito difícil falar com aqueles artistas todos. O real problema era não surtar na presença deles.
Quando estávamos perto de acabar a cena, eu estava ansiosa pelo fim. Foi então que eu comecei a ficar atrapalhada. Tropecei umas três vezes e quase derrubei o Henry sem querer. Todos riam porque eu mesma brigava comigo e ralhava, prometendo que iria fazer melhor da próxima vez.
–Você não era esse desastre todo – escutei a voz de Jenny atrás de mim.
Eu virei quase tropeçando em meus pés novamente. Ela estava sentada ao lado de Michael Bay, assistindo a minha última tentativa inútil de gravar algo. Henry já estava rindo de mim antes mesmo de eu começar a minha fala! Meu mundo inteiro desmoronou ao ver Jenny ali tão perto e ao vivo. Ela estava linda, deslumbrante, encantadora e real. Usava uma calça skinner vermelho escuro, uma blusa branca com caveira vermelha e converse nos pés. Ela levantou com um enorme sorriso, o meu sorriso, e abriu os braços. Eu não precisei de mais nada para correr e me atirar em seus braços. Eu a apertei, apertei com força, afundei minha cabeça em seu pescoço e respirei o seu cheiro como se fosse o meu oxigênio.
–Michelle, eu não consigo respirar – ela falou depois de um tempo, com a voz abafada, eu a soltei, fitei seus olhos e a vi suspirar – Volte a me abraçar, acho que preciso mais ser esmagada do que ficar longe de você por alguns centímetros.
A obedeci prontamente. Mas dessa vez não me alonguei naquele aperto, logo me afastei para poder olhá-la com uma eterna admiração. Nós estávamos diferentes, o corte de cabelo dela estava um pouco mais curto e mais repicado, enquanto que meu cabelo agora era castanho claro, quase loiro e alguns centímetros maiores.
–Eu acho que já está bom por hoje – Bay declarou – Amanhã recomeçaremos dessa última cena, tudo bem?
–Hey Michelle, deixe-nos cumprimentar a Jenny – Bradley Cooper, o vilão do filme, comentou parando a alguns metros de nós.
Exatamente, Bradley Cooper e Olivia Wilde eram o pesadelo de meu personagem e o de Henry. Jenny conhecia o Bradley, trabalharam juntos ano passado em um filme e por isso aquela intimidade toda. Logo o ator estava nos convidando para um intervalo no salão de jogos, um lugar que o estúdio oferecia para nos distrair nos rápidos intervalos. Um ponto onde acontecia a maior parte da socialização e lanches rápidos. Eu queria negar, queria levar Jenny para longe de todo mundo e ficar agarrada feito um coala. Porém o Bradley e Henry insistiram e praticamente nos sequestraram. O real motivo? Vingança. Logo estavam contando das minhas atrapalhadas para Jenny que apenas ria e se divertia, nem ao menos para me defender! Entretanto ela não desgrudava de mim, sempre segurando minha mão ou tocando a minha perna, eu afastava cinco centímetros e ela aproximava dez. O que não era nada, nada ruim.
–Eu não acredito que você pintou a cara do Bradley com pasta de dente e batom! – Jenny gargalhou ao escutar minha traquinagem.
–Ele dorme feito um morto! – exclamei em defesa – Eu não iria deixar isso passar! Tenho fotos para ameaça-lo, isso é um ponto a favor.
–E depois veio a tentativa dele de colocar pimenta no almoço dela – Olivia ria e fazia movimento de negação com a cabeça – Mas o pobre homem esqueceu que ela é brasileira e é acostumada com comida temperada.
–RÁ! Eu sou mesmo uma mulher quente, baby!
Arrependi de meu comentário assim que Jenny abriu um sorriso malicioso que confirmava minhas palavras, só que levando para outro sentido. Obviamente Bradley percebeu isso e soltou aquele “huuum” sonoro que significava que entendia muito bem as segundas e terceiras intensões de minha namorada quando mencionei que eu era quente. Fiquei muito vermelha e sem jeito, o que os fez me perturbar mais ainda.
–Mas conte como está as coisas lá em Minessota – tentei desviar o foco da conversa.
–Intenso, as gravações estão a mil e o estresse um pouco alto. Vamos dizer que trabalhar com Laurent Smith é um pouco delicado – Jenny contou e revirou os olhos, ela odiava o homem, porém estava sendo educada.
–Ele é um daqueles artistas cheios de mania – Olivia concordou e fez uma breve careta.
–Sejamos sinceros, ele é chato pra caralho – Bradley afirmou o que todos pensavam – Mas faz um bom trabalho, isso é o que os fãs e o filme precisam.
Fizeram-se aqueles segundos de silêncio e de repente estávamos rindo e afirmando que ele era apenas chato mesmo.
–Soube que o Oliver está com ciúmes do Bradley – Jenny comentou enquanto deslizava os dedos por meu braço.
–Ele diz que estou trocando o meu vilão favorito – ri ao me lembrar das mensagens de meu amigo.
Oliver era o que mais conversava comigo dos outros do elenco de Eternal. Era realmente um amigo e que se preocupava comigo. Procurava saber notícias e se eu estava me divertindo no meu primeiro longa-metragem. O que era fácil, o Bradley era o mais divertido, mas todos ali estavam me ensinando um pouco mais, dando dicas, sendo compreensivos e dinâmicos. Olivia era um amor, contava de suas experiências iniciais e o que eu definitivamente não deveria fazer. Henry era o mais educado e reservado, ele sempre tinha aquele ar europeu, o que nos aproximou foi o meu sotaque inglês e as histórias que eu contava de meu pai que também era britânico. Claro que havia os outros atores que faziam participações pelo filme, eu sempre tinha um tempo para passar com todo mundo, eu queria absorver de tudo um pouco, para mim tudo era curioso e novo.
–Amor, eu estou um pouco cansada – Jenny murmurou em meu ouvido.
–Até que fim, pensei que nunca iria pedir para sair daqui – falei sem medo de que os outros escutassem, levantei da cadeira onde estava e olhei para os outros com um sorriso – Eu não vou dizer que sinto muito em deixa-los, estava louca para fazer isso desde que ela chegou.
–Você já foi mais educada – Henry brincou e eu lhe mostrei a língua – Mas está perdoada, porque sabemos o quanto uma viagem longa pode ser cansativa.
–Nos vemos amanhã sua chata – Bradley se despediu com um sorriso sapeca.
–Tchau, babaca – me despedi retribuindo o elogio.
–Vocês se amam – Olivia revirou os olhos e olhou para Jenny com um sorriso de desculpa – No melhor sentido de amizade.
–Ah não se preocupe, eu sei como essa peça é – Jenny riu e beijou a minha bochecha – É bastante irritante e infantil, mas de alguma forma é isso que é cativante nela.
–Eu sei, eu sei, vocês são meus fãs! – entrei na brincadeira e ri – Agora podemos ir? Aposto que alugou um carro.
–Mas é claro.
Jenny pegou minha mão e automaticamente entrelacei nossos dedos. Nos despedimos mais uma vez e seguimos para o carro alugado. Eu na maior parte do tempo tinha de ficar com a equipe, ou seja, dormir naqueles ônibus-trailers ou então a produção reservava um hotel inteiro para ficarmos quando as gravações na cidade eram rápidas. Antes mesmo que eu entrasse no carro esportivo que Jenny tinha alugado, ela me prendeu contra o veículo e não me deu tempo de agradecer ou reclamar, tomou meus lábios para si em um longo e intenso beijo. Meu coração estava mais acelerado do que nunca, ansiando bater próximo do dela que também estava disparado.
–Eu estava enlouquecendo sem seu beijo – Jenny falou sem afastar muito a boca da minha – Estava enlouquecendo sem você, na verdade.
–Nunca pensei que fosse possível sentir tantas saudades de alguém – a beijei novamente, mas dessa vez em um contato rápido – Mas eu acho que seria muito melhor poder te beijar tranquila e longamente em um lugar mais reservado. Não quero ter de lidar com nenhuma interrupção.
–Não reclame se eu ultrapassar o limite de velocidade.
–Contanto que eu sobreviva e você pague as multas.
Jenny riu e beijou-me uma última vez, então abriu a porta do carro para que eu entrasse e rapidamente estava contornando o automóvel para poder sentar no seu lugar de motorista. Jenny adorava dirigir e pilotar, era um de seus hobbies favoritos e eu sabia que se ela pudesse competiria em uma pista. Ela era realmente boa na direção, o que me fazia relaxar completamente ao seu lado e ficar completamente absorta do que ela realizava. Porém dessa vez, agradeci a sua habilidade no volante, pois rapidamente estávamos em seu hotel usando da garagem privada. Praticamente corremos para o elevador, entre risos e beijos roubados.
Chegar ao quarto dela foi uma verdadeira dificuldade, mas assim que entramos Jenny fechou a porta com o pé e logo estava me empurrando para a parede mais próxima. Seu corpo moldou o meu e o pressionou, soltei um suspiro involuntário e logo após minha boca foi tomada em um beijo sôfrego e intenso. Jenny parecia querer me enlouquecer com apenas aquele toque de lábios e língua. O melhor? Ela estava conseguindo com louvor. Nossas mãos exploravam nossos corpos decorando, mais uma vez, cada pedacinho deles sem nenhum pudor. Logo nossas roupas eram deixadas em meio ao caminho a cama. Caímos juntas sobre o colchão, rindo baixo sentindo a vibração da nossa felicidade naquele riso. Eu fiquei sobre o seu corpo, suspirando ao sentir nossas peles quentes se roçando, entendendo que aquele encaixe perfeito era apenas por termos sido feitas uma para a outra.
Então nos beijamos. Um daqueles beijos que nos envolvia por completo, que destruía qualquer coisa dentro de mim e me jogava dentro de um redemoinho de emoções e sensações fortes. Um que nos conectava a cada movimento sincronizado de nossas bocas e línguas. Era como se nossas almas também se tocassem. Naquele momento eu a amei mais ainda, mais do que pensei ser capaz de conseguir.
–Eu te amo – falamos ao mesmo tempo quando nossos lábios se descruzaram.
Sorrimos e o mundo parou de existir. Jenny não tardou a girar o corpo e ficar por cima, nossos lábios se encontraram mais uma vez, porém mais exigentes, dando vazão a todo o desejo contido de dias, semanas sem se tocarem. Deixei que minhas mãos criassem vida própria e deslizassem pelo corpo dela, tocando, arranhando, acariciando, ousando. Não havia limites ou puderes, não havia raciocínio ou razão. A necessidade veio como uma fera faminta e feroz, tomando o meu corpo com tamanho poder que eu já não me governava. Deslizei minhas mãos pelas costas de Jenny, a arranhando com um pouco mais de força deixando sutis marcas em sua pele alva. Quando cheguei em seu bumbum, apertei aquela carne macia com gosto, arrancando um gemido tão gostoso dela que me fez tremer de prazer. Eu precisava tê-la para mim, naquele exato momento. Então não hesitei mais, movi minha mão até o sexo extremamente molhado dela e o toquei em uma lenta carícia. Jenny gemeu próximo de meu ouvido, seu corpo reagindo prontamente ao prazer que eu estava proporcionando. Porém eu não queria provoca-la, eu queria gemidos mais altos, eu a queria louca, tremendo e que gritasse meu nome. Levei meus dedos até a entrada dela e a penetrei com dois dedos lentamente.
–Michelle – Jenny gemeu baixo.
Apoiei minha mão livre na cama e impulsionei meu corpo para o alto, fazendo com que Jenny ficasse em meu colo. Ela prontamente apoiou melhor suas pernas na cama, segurando em meus ombros para manter o equilíbrio. A observei jogar o cabelo para o lado em um movimento de cabeça e olhar para mim do jeito mais sexy que era possível. Não bastou mais para que eu começasse a penetrar meus dedos dentro dela em um ritmo rápido.
–Rebole para mim, Jenny – exigi em um tom pesado de desejo.
Os olhos verdes brilharam ainda mais com minha ordem. O corpo dela tremeu e prontamente Jenny começou a rebolar seguindo rapidamente o meu ritmo. O corpo dela ergueu um pouco, apenas para começar a movimentá-lo de acordo com as investidas. Ela gemia, gemia alto, baixo, longo, curto, mordia os lábios para tentar controlar-se, mas bastava uma estocada mais forte para ela jogar a cabeça para trás e gemer realmente alto. Não havia controle. Ela arranhava meus ombros, puxava meu cabelo, seu corpo suava. Eu nunca a vi tão linda. Suas expressões matavam-me de tesão, seus gemidos me faziam gemer em resposta, eu a olhava encantada, hipnotizada. Seu interior comprimiam meus dedos anunciando um orgasmo, com minha mão livre eu dei um tapa forte em sua bunda e ela rebolou ainda mais. Quando ela alcançou o ápice, seu corpo curvou-se para trás, ela puxou meu cabelo e cravou as unhas da outra mão em minhas costas. Ela gritou meu nome. Chamou-me e tremeu varias vezes. Naquele momento Jenny era como uma deusa.
Ela caiu sobre mim, seu peso forçando-me a deitar com ela sobre o meu corpo. Eu não me importei, a abracei e retirei minha mão lentamente. Um sorriso safado e orgulhoso brincou em minha boca ao ver o quanto meus dedos estavam molhados do gozo dela. Jenny ainda ofegava quando ergueu o rosto para olhar-me. Meu corpo inteiro tremeu quando vi naqueles olhos verdes escuros que a noite não havia acabado. Jenny desceu dando beijos por meu corpo, parando apenas em meus seios para capturar o esquerdo com sua boca e suga-lo até que eu começasse a gemer cada vez mais. Só depois de me por em fogo puro com aquelas sucções, ela desceu até onde eu realmente necessitava de sua boca.
–Eu deveria ser má – Jenny murmurou enquanto beijava a parte interna de minha coxa – Provocá-la até implorar.
–Não! – eu quase choraminguei – Eu imploro logo agora! Não precisa provocar, eu preciso...
–Precisa de que, meu amor? – Jenny lançou os olhos verdes em minha direção, sua respiração batendo em minha intimidade – Fala pra mim, fala?
–Deus! – exclamei sentindo-me ficar ainda mais molhada – Me chupa, me toma para ti, me faz gozar em sua boca, JENNY!
Meu corpo inteiro implorava por isso. Eu queria ser devorada, eu queria ser entregue, eu queria o prazer que eu sabia que ela poderia me dar. Jenny sorriu de uma maneira maliciosa que me afetou profundamente. Eu estava ofegante e perdi todo o ar quando finalmente aquela língua passeou por meus lábios internos. Caí na cama largando todo o meu peso, um abandono e entrega. Jenny movia a língua com uma maestria incrível, levando-me ao delírio de um extremo prazer. Eu não conseguia conter os gemidos, não tinha noção das palavras que escapavam de meus lábios. Segurei firme no lençol da cama, o puxando, apertando e quase rasgando. Porém quando ela finalmente começou a me chupar, abri bem meus olhos e pude jurar poder ver estrelas. Minhas pernas se abriram ainda mais, dando a ela total liberdade de fazer o que quisesse. E o que Jenny fez foi uma verdadeira loucura com aquela língua. Eu rebolava, movia meu quadril de encontro ao dela sem nem ao menos perceber. Quando o orgasmo veio foi onipotente, levando-me a um patamar diferente de prazer e satisfação.
Eu me sentia verdadeiramente bem e satisfeita. Era uma sensação indescritível, como se estivesse mais viva do que nunca. Jenny arrastou o corpo até o meu lado, ofegante por todo o seu trabalho com a boca, mas não satisfeita o suficiente. Ela inclinou em minha direção e me deu um beijo. Um em que eu pude sentir meu próprio sabor. Um beijo lento e longo, cheio de carinhos e sentimentos que não precisavam ser ditos.
Naquele momento eu me senti completa.
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