Equalize
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Aquele foi um escândalo e tanto. Em todos os canais de vários lugares do mundo era repetido as cenas do programa. Um enorme debate acontecia por todos os cantos, seja por redes sociais, meios de comunicação ou até mesmo em comunidades. Respostas, especulações, ideias. Tudo era falado sobre essa questão, ainda mais que a passeata nacional do Amor Livre estando tão perto.
Mas eu em nada percebia essas coisas. Eu estava profundamente abalada, preocupada, atormentada. Nem mesmo quando Jenny me acusou de coisas no inicio de tudo me afetou tanto. Não estava ficando depressiva como antes, ou pensando em me cortar. Pelo contrário, estava agitada, inquieta, sofrendo por algo que não entendia. Algo sufocava meu peito. Culpa? Sim, eu estava considerando que estava me sentindo culpada pelo que tinha acontecido naquela família. Se eu não estivesse ali, representando meus ideais e pensamentos, como estaria aquela garota? Em casa, estudando, protegida pela família, sendo amada por ela. Mas que tipo de amor falso seria aquele? Que tipo de prisão era essa que a prenderia nos valores que não a deixavam voar do jeito que queria? Valeria a pena trocar a sua identidade por uma amarga ilusão de segurança?
Eu estava enlouquecendo com tantas perguntas sem respostas, com tantos sentimentos negativos se acumulando e não sendo esvaídos de meu corpo e pensamentos. Eu não estava conseguindo comer ou atuar direito. Por muita sorte, as minhas cenas estavam quase finalizadas e já não havia ação, apenas um momento tranquilo entre pai e filha. Então eu precisava trabalhar apenas algumas horas e era o suficiente.
Todos perguntavam se eu estava bem. Eu respondia que sim, que não me arrependia do que eu disse para aquela senhora. Mas Jenny sabia que eu estava mentindo, atuando sobre mim mesma. Ela me observava de perto, mas respeitava o meu espaço. Depois desse tempo todo juntas, minha namorada sabia que eu precisava de um pouco de isolamento para por minha mente no lugar. Mas saber que Jenny estaria para mim a qualquer momento deixava-me ainda mais segura, mesmo que apenas um pouco em comparação a toda a confusão que acontecia.
Era noite do segundo dia. Eu estava caminhando de um lado para o outro, os braços cruzados e o semblante sério. Uma ideia fulminava em minha mente. Algo que eu poderia fazer para abrandar toda aquela confusão dentro de mim. Eu sabia que precisava fazer algo, mas desconhecer o que seria esse algo estava pondo-me louca. Esperava que essa ideia ajudasse, que fosse a coisa certa a fazer.
–Michelle? – Jenny chamou entrando no apartamento.
Estávamos em um hotel. As filmagens aconteceriam dentro da cidade, assim poderíamos ficar hospedados. Jenny havia saído um pouco para comprar algo para comermos, mas eu sabia que ela também estava frustrada e sensível. Sabia que a matava não saber o que fazer comigo, que eu levantasse tantas barreiras quando estava desse jeito. A olhei e a vi fitando-me de volta, seu olhar esverdeado sem conseguir esconder a preocupação em me ver tão agitada. Em suas mãos estavam duas sacolas plásticas com a logomarca de algum restaurante oriental. Ela soltou as sacolas sobre uma mesa pequena que havia no apartamento do hotel, aproximou hesitante e parou a minha frente.
–Estou sendo estúpida em preocupar você dessa forma – murmurei para mim mesma, mas ela escutou.
–Só um pouco – Jenny acariciou meu rosto e colocou uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha – Mas estou te dando esse direito de ser frágil e me usar como força quando quiser, eu não vou impor minha presença a você.
–Eu sei – suspirei e a abracei forte – Eu sei! Deus, dizer eu te amo parece tão pouco nesses momentos.
–Te entendo perfeitamente, parece muito pouco já – Jenny sussurrou correspondendo ao meu abraço – Por favor, diga que está melhor.
–Irei ficar e eu preciso de sua ajuda para isso – respondi e me afastei um pouco – Eu quero que faça algo comigo.
–Qualquer coisa por você.
–Mas antes vamos jantar, estou faminta!
–Não é para menos, não come direito a dois dias. Amor, eu não gosto das muito magras, gosto de carne para apertar, sabe disso não é?
Não consegui evitar a risada. Ela falou aquilo em um tom sério, mas em seus lábios havia um lindo sorriso. Jantamos tranquilamente, em um silêncio reconfortante e não pesado como os de antes. Tomamos banho e eu pedi para Jenny ficar o mais natural possível e assim ela o fez. Penteou os cabelos negros e os deixou solto, não usou nenhum tipo de maquiagem e estava usando um moletom branco e um shortinho verde confortável. Eu estava similar, cabelo solto, shortinho e uma regata vermelha. Sentei sobre a cama e pedi para que ela sentasse ao meu lado, o meu notebook estava sobre minhas pernas.
–Eu quero fazer um vídeo – comecei a explicar olhando para o notebook – Um vídeo que responde algumas perguntas que nós sempre temos de responder ou escutar... Principalmente das pessoas que mais amamos.
–Como assim? – Jenny franziu o cenho.
–Imagine como respostas a algumas dúvidas que as pessoas tem, principalmente os pais, sobre essa questão da homossexualidade, do amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Eu fiz uma lista básica, nós lemos, respondemos e podemos criar algumas no meio de caminho – expliquei melhor, respirei fundo e a olhei um pouco emocionada – Eu preciso fazer isso Jen, fazer algo para tentar alcançar essas pessoas, mesmo que uma ou duas, dizer para o mundo que nós não somos monstros, que o amor é amor, independente de qualquer coisa, pois não há coisa mais linda e poderosa que o amor.
O olhar que Jenny me dava era um que continha uma pergunta do tipo “você existe mesmo?”. Ela sorriu, um sorriso orgulhoso, abraçou-me com força e selou nossas bocas em um beijo apaixonado. Foi apenas nesse momento que eu me sentir realmente bem novamente e forte o suficiente para fazer aquilo.
–Vamos fazer isso – Jenny murmurou fazendo carinho em meu rosto – Entendo porque pediu para eu ficar de modo simples. Não quer que eles vejam as atrizes, mas apenas eu e você não é?
–Isso incomoda você? Sei que é reservada quanto a sua imagem...
–Se você estiver comigo eu fico sempre confortável, Mitch.
Abri um enorme sorriso e abri o bloquinho de notas onde mostrei para Jenny os tópicos que eu havia levantado. Ela acrescentou algumas coisas, comentou outras e depois de meia-hora estávamos prontas para fazer aquilo. O que eu pretendia? Queria que as pessoas vissem duas pessoas que se amavam falando daquele preconceito, dos medos, das expectativas, das coisas que deu errado e que deram certo. Muitas coisas ainda assombravam minha vida, criando uma enorme sombra sobre minhas vitórias, as vezes imperceptíveis, outras tão sufocantes que me faziam paralisar no tempo. Eu precisava lutar contra isso incansavelmente, mas já estava na hora de vencer essas batalhas. Esse era apenas a primeira parte de meu plano de vitória definitiva. Aquela guerra precisava ser vencida para que eu pudesse crescer de verdade.
Respirei fundo e abri a câmera do notebook. A imagem minha e de Jenny surgiu na tela e foi inevitável sorrir, estávamos bem... Comuns. Sem maquiagem, sem nenhum penteado ou qualquer computação gráfica com os famosos efeitos. No entanto, no fundo eu achava que Jenny sempre estaria linda, em qualquer situação, mesmo em seu estado de Samara.
–Pronta? – perguntei olhando para ela.
–Sempre, meu amor – Jenny beijou rapidamente minha bochecha.
Sorri rapidamente, respirei fundo novamente e apertei o botão para gravar. O sinal vermelho apareceu e eu soltei um pequeno sorriso antes de começar a falar.
–Olá! Eu sei que vocês devem saber já o meu nome, ou talvez não, mas acho que devo me apresentar apropriadamente. Meu nome é Michelle Lopez, tenho 19 anos, quase 20 já e nasci em São Paulo, no Brasil. Meu sotaque é britânico por causa de meu pai, eu o admirei muito e prefiro manter essa parte dele em mim. Já vai fazer um pouco mais de um ano que ele morreu de câncer e até um tempo atrás eu estava realmente só nesse mundo, até encontrar essa pessoa aqui do meu lado – apontei com a cabeça para Jenny e sorri boba e apaixonada – E sim, uma pessoa, não a questão apenas dela ser uma mulher, muito linda e abusada por acaso, mas sim uma pessoa.
–Está quase me fazendo corar – Jenny revirou os olhos, falando naquele tom irônico – Deixe-me apresentar também. Oi galera, eu sou Jennifer Summers, tenho 23 anos e nasci em Louisville. A última vez que vi minha família por mais de uma hora irá fazer dois anos, por causa de meu trabalho. Eu também estava me sentindo só, meio sem norte, morando em uma enorme casa onde mais havia fantasmas do que pessoas vivas. Então eu encontrei essa pessoa ao meu lado, uma linda e encantadora mulher. Vou contar um segredo para vocês – Jenny inclinou um pouco para a frente e sussurrou como se estivesse realmente contando um segredo – Eu gosto muito, muito de garotas. Os homens não são minha praia!
Eu acabei rindo baixo e Jenny ajeitou ao meu lado novamente, dessa vez passando um braço ao redor de meu corpo. Dessa forma, eu me sentia segura do que estava fazendo. Eu não estava mais só. Independente de minhas dúvidas, de meus receios, eu encontrei a pessoa que seria a minha outra metade, que estaria sempre ali para mim. Imperfeita, mas que se encaixava perfeitamente em minha vida.
–Agora você deve estar se perguntando porque estamos gravando esse vídeo – comecei a falar e engoli em seco – Bem, muitos devem saber do último episódio no programa de TV. Quis aproveitar o que aconteceu para fazer algo sobre, uma tentativa de provocar um pouco as pessoas com respostas que talvez sejam óbvias, mas que tenham medo delas. Esse vídeo é para todos. Pessoas com dúvidas, pais sem saber o que fazer, vizinhos que adoram comentar a vida dos outros, mas não sabem nem um terço das aflições e incertezas.
–Então pegaremos algumas questões mais básicas e discutiremos – Jenny me completou – Neste momento, eu e Mitch não somos as duas atrizes que vocês veem nas telinhas, mas sim duas garotas que encontraram amor, porém que para chegar onde estamos, também sofremos.
–Comecemos com o primeiro ponto e que todos os coloridos, simpatizantes, moradores de nárnia, preconceituosos e derivados já devem ter escutado, falado ou pensado. “A homossexualidade não é aceito por Deus, é um pecado e você irá para o inferno por causa disso” – falei fazendo aspas com as mãos, fiz uma pausa e olhei rapidamente para Jenny antes de continuar – Bem, somos humanos e somos pecadores. Está também escrito na bíblia para não roubar, para não praticar luxúria, para não mentir, para obedecer seus pais. Está tão explícito em nossa sociedade que a relação homo é o pior dos pecados que esquecem que um pecado não é maior do que outro. E que todos nós pecamos. Então por que condenar o garoto que ama o outro que é um bom rapaz e que o faz sorrir todos os dias? Por que seria mais certo ele estar com uma garota que pode pecar tanto quanto o outro rapaz? Por que condenar algo que pode ser bonito, que pode fazer alguém feliz por gostar, amar, sentir paixão só porque é do mesmo gênero? É tão abominável assim reconhecer que outros que tem a mesma genitália pode ser aquela pessoa que irá te fazer acordar pensando que o dia só é suportável porque tem aquela pessoa ao seu lado, porque ela está ali para te fazer feliz, para te dar suporte, para ser sua outra metade? Não vejo vantagem nenhuma além de uma falsa segurança quando trocamos isso tudo por um caso socialmente correto, em que sua mente, eu coração e seu corpo irão sofrer as consequências de uma mentira.
–O mais importante de tudo, é que só cabe a Deus nos julgar – Jenny falou e respirou fundo – Assim como está escrito que o amor é a força mais poderosa. Amai uns aos outros como eu vus amei. E sabe? Deus não comete erros em sua criação e, eu posso estar errada, mas se Deus nos ama como pecadores, ele irá amar aos seus filhos independente de quem ele ame. Acho que em qualquer religião o amor deve ser mais valioso do que o julgamento da sociedade.
–Muitos pais ficam presos a isso, ou ao nosso próximo ponto. Adolescentes que se descobrem nessa fase, muitos pais tem esperança de que seja apenas coisa do momento, curiosidade e que tudo vai passar. Um mal comportamento, rebeldia – dessa vez eu olhava diretamente para a tela – Possa ser que sim, possa ser que não. O amor não tem idade, não tem tempo lógico, não mede consequências ou intensidades. Muitos de vocês, mais velhos, conheceram o seu parceiro ou parceira quando ainda estavam no colegial. O mundo pode mudar, mas o amor sempre continuará sendo o filho da mãe a pregar peças que não podemos controlar.
–Isso quer dizer que seu filho pode sim se apaixonar na adolescência, e ainda mais, descobrir que gosta de pessoas do mesmo sexo, ou dos dois lados – Jenny deu de ombros – Isso varia de pessoa para pessoa como varia de personalidade. Não deixe que o seu preconceito o cegue e busque essa desculpa para não ver que seu filho está se definindo nesse mundo, construindo sua identidade. Jovem, não pense que tudo irá se explicar de uma hora para a outra. A adolescência é muito confusa, mas você ainda é capaz de pensar sobre as coisas.
–E se você ficar com uma pessoa do mesmo sexo, isso não o torna gay ou lésbica. Você se sentir atraída fisicamente por uma pessoa não o define, pode ser só com aquela pessoa. O grande X da questão está é em como você se sente bem com tudo isso. Você pode amar uma pessoa do mesmo sexo e apenas a ela, se você não se sente homossexual por causa disso, não o seja! Diga que ama apenas a ela e pronto.
–Isso é até romântico – Jenny comentou em um ar sonhadora, inclinou o rosto para poder me olhar diretamente e fez um terno carinho em meu rosto – Eu amo apenas você e pronto.
–Idiota – murmurei e selei rapidamente meus lábios aos dela – Mas você é lésbica, não conta no contexto.
–Mas eu só amo a uma pessoa, isso deveria contar mais – Jenny revirou os olhos e tornou a olhar para a tela – Ignorem essa estragadora de climas. Vamos para o próximo ponto! Será que é possível escolher ser gay, lésbica ou bi?
–Alguns podem optar sim, por ser modinha, por querer experimentar. São curiosos e isso é natural do ser humano, não os julguem por causa disso – comecei a responder a pergunta – Mas sabe, o mundo de hoje é tão preconceituoso, tão discriminador, que é realmente difícil viver com um título e sofrer por causa dele. E isso vale para outros tipos de preconceito também. Se houvesse mesmo uma escolha, na sociedade que temos hoje, vocês acreditam mesmo que muitos escolheriam esse tipo de amor? Que iriam optar em enfrentar a sociedade a... A família, para poder seguir o que o coração manda? – meu corpo estremeceu forte, eu podia sentir meus olhos arderem e eu passei a lutar contra as lágrimas — Muitos são expulsos de casa, muitos perdem todo o suporte que tem na sociedade. Muitos entram em depressão por não serem aceitos. Então há realmente uma escolha nisso tudo?
–Há uma nova ideia que está sendo colocada. Que isso tudo é na verdade uma condição e não uma orientação ou opção sexual. Estamos condicionados a isso. O que vem o próximo ponto, um dos mais cruéis em minha opinião. Homossexualidade é doença?
–Doentio é uma pessoa pensar que seja. Por tentar esquematizar e enquadrar os seres humanos em regras tão conservadoras e simplórias – eu disse com um pouco de raiva, respirei fundo – Os seres humanos são dotados de uma cognição estupenda, possuem personalidades complexas, podem criar sistemas diversos... Por que reduzir uma espécie tão linda a sua genitália? Isso é o mesmo que deixar que o machismo dite as roupas que as mulheres devem vestir para evitar o estupro. O mesmo que se surpreender quando uma pessoa de etnia diferente faz algo brilhante, apenas por não ser algo comum. Nós somos capazes de coisas incríveis. Inclusive amar incondicionalmente, independente de condições sociais estúpidas.
–Para os pais e mães que estão vendo esse vídeo. Aqui vai uma coisa importante. Quando seu filho for revelar o que sente, independente do que seja, tudo o que ele está implorando é para que ele o aceite.
–Ele sabe do mundo cruel em que vive, ele sabe que pode sofrer. Mas se tiver o seu apoio... Ele poderá enfrentar a tudo, ele saberá que terá para onde ir quando as coisas ficarem desastrosas demais. Isso é o mesmo para qualquer um, hetero, homo, bi, trans, metro e qualquer outra classificação que criamos para enquadrar as pessoas. Se não são seus pais, é alguém importante em sua vida, somos no fim de tudo seres dependentes de alguém – eu senti algumas lágrimas descendo por meu rosto, rapidamente as limpei e senti o aperto do braço de Jenny aumentar ao meu redor – Mães, pais, seus filhos não são sujos, vadios, ou lixo por simplesmente amarem ou desejarem algo diferente. – minha voz embargou, tive de respirar duas vezes antes de continuar — Eles não deixaram de ser seus filhos por causa disso, ainda é a mesma criança, a mesma pessoa que sempre esteve ao seu lado, ele só tem uma forma diferente de amar. Eles continuaram a ser teimosos ou tímidos, faram os mesmos erros de sempre, serão frágeis e fortes. Então porque amar outros os tornaria seres tão diferentes? Irreconhecíveis aos seus olhos? Pensem nisso!
–Então, acabamos por aqui deixando um último recado. O amor deve ser livre, mas em primeiro lugar ele deve ser respeitoso. Ele deve fazer bem, deve fazer o outro crescer – Jenny me abraçou e deu um beijo estalado em minha bochecha – E deve sempre trazer o seu melhor, porque ele é a melhor coisa que pode te acontecer.
–E não há gênero que vá determinar isso de verdade. Obrigada por assistirem a isso até o fim, espero de verdade que ajude em alguma coisa! Beijos para todos e, do fundo de meu coração, boa sorte!
Lancei um beijo para a câmera e Jenny acenou. Cliquei no botão de desligar e soltei um suspiro cansado. Jenny fechou meu notebook, o retirou de meu colo e me puxou para seus braços. Eu a agarrei e chorei. Meu pranto era de alívio, de evasão de todo o desgaste que eu senti nesses últimos dias, de liberdade. Ela me manteve em seus braços, amparando a minha dor, acalentando o meu ser com o seu calor. Eu acabei dormindo em seus braços, em exaustão pelas coisas que haviam acontecido. Mas finalmente dentro daquelas 48h eu pude me permitir descansar de verdade.
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