Equalize
1 Único
Notas iniciais
Riu uma risada sem motivo, rolando para um dos lados do tapete e apertando a barriga com as mãos pequenas. Era tudo engraçado demais. Outra risada seguiu-se a sua, tão débil quanto. Cessaram tão rápido quanto começaram. Os dois homens loiros permaneceram ali, semi-nus e jogados ao chão da sala de estar, sentindo o piso frio sob seus rostos de sorrisos sem sentido.
O pequeno estava virado de costas para o outro, observando a ponta do tapete claro de sua sala. Era bonito. Pegou-se imaginando se poderia montar nele e sair voando pelo mundo como Alladin e Jasmine. Riu sonoramente de si próprio.
- Posso saber qual é a graça? – perguntou o loiro que possuía uma estranha faixa no nariz enquanto abraçava o menor, esfregando o rosto em seu pescoço alvo.
O perfume amadeirado do mais alto invadiu suas narinas, misturado ao cheiro do beck e inebriando-o ainda mais. E ele riu. Incrível como a maconha deixava as coisas muito mais divertidas.
- Só estava pensando como seria bom se pudéssemos viver uma linda e mágica história de amor.
- Nós já vivemos – respondeu, lambendo a carne do outro lentamente enquanto lhe fazia rir.
Deixou que suas mãos deslizassem pelo corpo magro e alcançassem os mamilos rijos, provocando-os e apreciando o som doce dos gemidos de Ruki em meio as risadas. Fez um caminho lento de beijos até alcançar os lábios do pequeno. Ah, os lábios. Tão rosados e cheios, compondo aquela boca de açúcar.
Largou os mamilos e debruçou-se sobre o corpo menor, apoiando uma mão de cada lado de sua cabeça e aprofundando o beijo de forma deliciosamente lenta. Hipnotizante. Extasiante. Deixou as línguas se explorarem com lentidão, preguisosas, sem quebrar o contato visual. Ambos fitavam fundo os olhos levemente avermelhados do outro enquanto suas bocas travavam aquela despudorada batalha em câmera lenta. Poderiam contar as cores das íris um do outro se não estivessem tão ocupados apenas se encarando, pensando em nada senão aproveitar.
Aproveitar a si mesmos, a sua juventude, tudo. Aproveitar a maneira como sentiam aquilo como se fossem um, aquele sentimento de que se completavam de maneira tão perfeita. Amor, desejo, paixão, luxúria ou simples necessidade de proximidade, ambos sentiam aquilo juntos e em mesma intensidade. Estavam sincronizados. Equalizados.
Suas bocas se separaram devagar a medida que seus olhos ainda se fitavam intensamente, comunicando palavras impossíveis de serem ditas.
- O tempo parou, não é? – a voz grave do maior se fez presente com um sorriso.
- Aham.
- Parece que – aproximaram os lábios novamente, seus sentidos nublados pela droga – quando estamos assim nada mais importa. Foda-se a vida, foda-se o trabalho, foda-se tudo. Parece que...
- O mundo se resume a nós dois. – completou a frase de Reita, preso na teia inquebrável de conexão que seus olhos haviam estabelecido.
- Exatamente. – sorriu, capturando os mais belos lábios do mundo mais uma vez.
Continuou a tortura do beijo lento, pressionando o próprio corpo contra o do menor, apreciando os gemidos abafados que deixavam sua boca em meio aos toques das línguas. Decidido a ouvi-lo gemer mais, levou uma das mãos ao membro semi-desperto sob si e pressionou-o sobre o tecido. O grito falhamente controlado do menor o fez delirar.
E Reita sabia exatamente como tocá-lo. Onde pressionar, onde morder, onde o faria urrar de prazer. Conhecia todos os seus pontos fortes e fracos como um inventor conhece sua máquina. Como se tivesse lido seu detalhado manual de instruções dezenas de vezes.
As carícias foram tornando-se mais ousadas, mais quentes, mas sempre acompanhadas da torturante lentidão, visando apenas que tudo durasse mais e fosse aproveitado ao extremo. Sexo como aquele deveria ser feito em toda sua plenitude. Envolvidos pela droga e com a mente cada vez mais nublada eles mergulharam naquela loucura, gemendo o nome um do outro noite a dentro. Deixaram-se levar pelo desejo em brasa que os consumia aos poucos. E só assim sentiam-se realmente completos. Unidos, drogados e amantes.
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