Epli - Natal Clichê
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Meu último desafio do ano com o QG Dramione. Nosso tema de Natal são os clichês, cada autora recebeu um e tem o Natal como plano de fundo.
Meu clichê ficou bem no superficial (vejam nas notas finais) e essa foi uma história que eu viajei legal para escrever, espero que curtam de coração ♥
Eu agradecimento imenso para a ClarisseGarret pela capa maravilhosa (manjo nada de photoshop você foi uma linda).
Esclarecerei o título e coloco um link interessante sobre o tema da fic nas notas finais.
Bom fim de ano (calma que ainda pretendo postar as outras fics).
Boa leitura!
Hermione levantou levemente a barra de seu longo vestido mullet somente com a mão esquerda, já que a direita estava "irritantemente" ocupada encaixada ao lado do meu corpo.
— Ainda não acredito que eu tenho que vir nessa festa com você. — ela sibilou com fúria contida. — Eu posso muito bem me virar sozinha.
— Hermione, você é uma agente da Inteligência como eu e sabe reconhecer um perigo representativo de longe, então você devia imaginar que Baker não iria te enviar sozinha. Além disso, é Natal e eu não queria passá-lo longe de você. – Draco respondeu pegando com a mão livre a outra ponta da barra do vestido. — Você nunca usou um vestido desses no nosso Natal.
— Nós nunca passamos o Natal juntos, um milagre assassino nos permitiu isso hoje. — ela respondeu ainda ácida, mas conforme a escadaria que subíamos terminava eu sentia o aperto em meu braço tornar-se mais forte.
A casa era imponente e de extremo bom gosto. Seus tons de branco criavam um contraste intenso com as macieiras gigantescas que a cercavam. Apesar das luzes pulsantes e convidativas que saíam pelas janelas, algo naquele lugar parecia emanar uma sensação ruim, quase instintivamente ele olhou para Hermione discretamente para ver se ela sentia. Pela leve mudança de seu semblante Draco entendeu que sim.
Em seus anos de trabalho, esse estranho "instinto" que tinham havia não só levado dois ninguéns como eles à elite investigativa, como havia salvo suas vidas incontáveis vezes. Eles não falhavam e isso fazia o loiro ficar mais alerta à sensação.
— Trabalhos de espionagem como o seu requerem equipes pequenas, mas a situação é séria, não devia ter acreditado que viria sozinha como sempre faz. — rebateu baixinho ao soltar sua barra e entrarem por fim do gigantesco salão.
Apesar da data a decoração em nada lembrava uma festa de natal, pelo contrário, parecia uma perfeita mistura entre uma festa sofisticada e uma balada eletrônica com suas luzes psicodélicas azuladas e acrobatas distribuídas pelo lugar subindo em panos neons realçados pelas luzes.
A música no entanto não era agitada e sim envolvente, ambientando o local, mas permitindo conversas entre as pessoas que pareciam especialmente animadas com o evento. Draco já havia se infiltrado em festas de pessoas com grana alta como essa e raramente haviam mais que meia dúzia de rostos que não aparentassem tédio ou desgosto total, mas não nessa, todos pareciam realmente contentes por estarem ali.
— Bem, já que terei sua ilustre companhia hoje. — Hermione falou irônica. — Melhor você estar inteirado sobre tudo, acredito que Parker não tenha tido a decência de fazer pelo menos isto por mim.
Ele deu seu melhor sorriso para ela e sentiu seu mau-humor vacilar.
— Nem uma palavra, apenas que era o caso mais estranho que ele já havia lidado em sua carreira e que não queria você sozinha aqui hoje. — respondeu em seu ouvido, deixando que meu hálito repousasse sobre a cálida pele de seu pescoço exposto e no momento arrepiado.
— Certo, então eu sou Agata Myrkurson, uma italiana proprietária de uma vinícola especializada na produção de vinhos especiais interessada em alçar um novo patamar de negócios ao estabelecer parceria com a rede de hotéis gerenciada por Nehallenia Aronsson, rede essa que é o único ponto em comum entre todas as quinze mortes de pessoas importantes que estamos investigando em três países diferentes. O primeiro caso foi no nosso, depois mais três aconteceram lá, e os demais foram aqui na Islândia e em seguida Inglaterra.
— Mortes e não assassinatos? — questionou levantando uma das sobrancelhas. — E como pode ser uma italiana com um sobrenome islandês?
— Mortes porque aparentemente morreram todos de causas naturais ou problemas cardíacos nunca antes notados nos indivíduos, que visitaram um dos hotéis entre dois a oito meses antes da morte. Sou uma italiana casada com um islandês.
— Um veneno de efeito retardado? De que tipo? — perguntou ao que ela negou saber a resposta. — E eu o loiro e bonito Senhor Myrkurson faço o que?
— Você não é o Senhor Myrkurson, que, aliás, é administrador da vinícola e um homem muito recluso. Você pode ser Luca Agnelli, meu assistente pessoal, acredito que isso é suficiente para justificar sua presença aqui. — ela sorriu maldosa para o rapaz.
— Pobre Senhor Myrkurson, mal sabe que o assistente de sua esposa é muito atencioso. — falou retirando seu braço do dela e encaixando-o em sua cintura de uma forma bem íntima.
— Só não estrague tudo Senhor Agnelli. — ela respondeu ajeitando a gola de seu blazer. — Aqui não é como o seu setor de tráfico de armas em que os agentes voltam baleados apenas para mostrar que a missão valeu a pena, eu tenho que colher informações e sair discretamente sem rastros. Ela é a mulher de branco que está vindo, não abra a boca.
Nehallenia Aronsson não aparentava os cinquenta anos descritos em sua ficha. Sim, Baker havia dito a Draco que era uma bela mulher, mas ela parecia ser pouco mais velha que ele ou Hermione, trinta cinco, trinta e sete anos nos máximo. Seu cabelo ruivo e olhos azuis da cor do céu em oposto a cor dos de Draco deixava claro sua linhagem nórdica. Seu vestido apesar de sofisticado deixava pouco para a imaginação.
Algo em Draco quase o vertiginou de tão forte que foi a sensação. Ele teve que usar todo o seu bom senso para não sacar a CZ-75 Duty escondida em suas roupas e atirar na anfitriã. Havia algo mais do que muito errado com a mulher.
— Boa noite Agata, vejo que conseguiu uma brecha em sua agenda para abrilhantar nossa festa. — ela falou toda sorridente em islandês. — E ainda trouxe o Senhor Myrkurson para que eu finalmente pudesse conhecê-lo.
Como uma atriz digna de Oscar Hermione corou e deu um tapa para que ele tirasse a mão de sua cintura e beijou a face de Nehallenia. O loiro notou o quanto os cabelos de sua nuca estavam arrepiados. Ela sabia que havia algo anormal com Aronsson.
Como uma criança pega em uma travessura ela olhou para ele e desviou o olhar pigarreando.
— Meu marido Gunnar não pode vir, este na verdade é Luca Agnelli, meu assistente pessoal, espero que não se importe de tê-lo trazido. — Hermione respondeu também em islandês.
Se Draco não estivesse acostumado com a atuação de Hermione a trabalho teria ficado boquiaberto. Ele estava achando difícil acompanhar a conversa em outro idioma para ele que não praticava há anos, quem não sabia falar inglês afinal?
Nehallenia olhou para ele e sorriu genuinamente.
— Claro que não, acho que isso tornará as coisas mais divertidas. — ela quase cantarolou em resposta, mas em italiano agora, uma língua que ele conhecia ligeiramente melhor. — Mas acho um absurdo que ainda não estejam com suas bebidas.
Dito isto ela acenou para um garçom do outro lado do salão ignorando os que estavam próximo e pediu em islandês que trouxesse o drink especial.
Logo o homem apareceu com duas longas taças de cristal com uma bebida espumante e fosca no interior.
Ela ofereceu uma à Hermione e pegou a outra para si própria e bebericou.
— Prove, é uma nova bebida que estou desenvolvendo com seus espumantes especialmente para os clientes VIP's de Folkvang. Desculpe Senhor Agnelli vou pedir para trazerem a sua em breve. — ela retornou para o italiano com uma naturalidade surpreendente.
Ele podia perceber o receio em Hermione por não saber se era uma armadilha, mas como que tomada pela coragem de um leão, ela tomou um elegante gole de sua taça.
— É muito interessante a mistura de nosso espumante com maçã, acredito que seja isso que está deixando todos muito alegres essa noite, afinal sua encomenda de fim de ano não foi nada modesta. — Hermione disse em islandês pouco se importando se o loiro estava se ferrando para acompanhar tudo.
Se a empresa não havia sido apenas faixada, Baker estava realmente levando esse caso a sério.
— Muito observadora Agata, sabe é de mulheres com um olhar apurado como o seu que as empresas estão precisando para subirem no mercado mundial. Desculpe-me se ofendi seu gênero Senhor Agnelli, mas você tem que concordar comigo, que uma criatura rara como Agata deve ser apreciada. — ela falou tocando um dos cachos de Hermione que estavam fora do penteado. — Afinal não é qualquer pessoa que consegue me enganar por tanto tempo.
O corpo de Draco endureceu e o sorriso de Hermione murchou em seu rosto.
Ele pensava em qual das rotas que haviam visto na chegada deveriam optar caso os seguranças começassem a aparecer.
— Enganá-la? — Hermione questionou fingindo confusão.
— Você fez parecer que se a Folkvang passasse a ser sua cliente exclusiva isso seria um grande passo para sua vinícola, mas francamente depois de provar sua bebida, acredito que se eu não fechar negócio com vocês agora, nunca mais terei a oportunidade de ter a exclusividade de sua produção, pois a qualidade é incrível. — Nehallenia falava divertida sem imaginar o quanto o lorio estivera pronto para usá-la como refém para tirar Hermione dali há apenas meio segundo.
Hermione soltou uma sonora gargalhada dissipando todo seu nervosismo.
— Acredite nunca foi minha intenção, mas fico honrada que tenha nossos vinhos e espumantes em tão alta estima. — Hermione falou terminando sua bebida.
— Sei que estamos aqui para nos divertir e é uma data comemorativa, mas você não gostaria de levar uma cópia de nossa proposta para analisar? Gostaria de já termos sua exclusividade em janeiro para a Folkvang.
— Isso seria maravilhoso Nehallenia. — Hermione parecia uma adolescente pedida em namoro. — Eu não me importo de tratarmos sobre isso agora, mas e quanto aos seus outros convidados?
— Eles não perceberão nossa ausência, será algo rápido e o Senhor Agnelli pode segurar as coisas para nós duas um minuto ou dois certo? — ela sorriu e piscou para Draco.
Droga isso estava saindo do planejado por ambos.
— Acredito que eu seria mais útil para a Senhorita Myrkurson acompanhando-a. – o rapaz falou seguindo Hermione que era conduzida para uma escadaria por Nehallenia.
— Daqui alguns minutos rapaz, primeiro preciso acertar alguns detalhes confidenciais com ela. — Nehallenia disse ainda dignando um último olhar para mim.
— Luca. — Hermione falou em italiano olhando-o tentando passar segurança. — Espere aqui, já volto.
Só restou a Draco observar Hermione subir elegantemente aquelas escadas e desaparecer por um corredor próximo ao mezanino da sala.
Um incômodo nervoso subia pela espinha do rapaz apenas para descer novamente.
Hermione estava sozinha naquela sala com a provável fonte de um caso que vem sendo trabalhado por ela há meses. A mente de Hermione é infalível, o que aquela mulher possuía que matava as pessoas tão facilmente, sem rastros e muito tempo depois de aplicado?
E havia aquela sensação mais do que ruim em relação à Nehallenia que ambos tinham, mesmo sendo cético se tem algo em que ele acredita é nesse estranho "sentido" que ele e Hermione têm.
Ele precisou de um minuto inteiro para se desfazer de todo o peso do treinamento que recebera, de que a missão é o mais importante, que discrição é o que importa... Que a Inteligência fosse à merda, Hermione era tudo que importava e ele sabia que aquela mulher era muito mais perigosa do que aparentava ser.
Dispensando sua bebida que chegara, esgueirou-se entre os convidados e subiu rapidamente a escadaria alcançando o corredor pelo qual Hermione desaparecera poucos minutos antes. Onze para ser exato.
A cada passo que Draco dava a pistola dentro de sua roupa parecia pesar mais como se dissesse que em breve estaria em suas mãos.
Diferentemente do salão que possuía uma arquitetura mais moderna e limpa, o corredor em que eu me encontrava possuía uma estrutura mais arcaica e sóbria, parecia totalmente desconexo do outro cômodo como se pertencessem a casas distintas no tempo e espaço.
O corredor em que ele estava encontrava-se com outro formando um “T” e Draco titubeou, que lado poderiam ter seguido? Abaixou seu rosto até a altura do chão procurando alguma marca de saltos no tapete macio quando viu uma pequena pérola caída sobre o mesmo. Uma pérola idêntica às que estavam no cabelo de Hermione, embaraçadas em seus cachos.
Sorriu ao perceber como suas mentes trabalhavam em sintonia sem nenhuma necessidade de verbalização ou combinações. Seguiu a trilha à direita em sua pequena brincadeira de João e Maria até chegar em uma longa escadaria espiral que parecia descer muito além do nível do salão em que estiveram quando entraram. Desceu silenciosamente receoso de estar seguindo o caminho errado.
O corredor com que se deparou parecia ainda mais estranho: estava mal iluminado, como que banhado pela luz de uma lua minguante, mas considerando que estava no subsolo isso era impossível certo?
Ligou a lanterna do celular e conseguiu encontrar novamente o rastro de Hermione seguindo cada vez mais fundo nas entranhas daquele lugar enquanto seu estômago se apertava, aquela droga de lugar lembrava mais uma masmorra que qualquer outra coisa, por que Hermione seguiu por aquele caminho? Ameaçada ou por sua curiosidade naturalmente insegura para si própria? Bufou por acreditar fortemente na segunda alternativa.
Quanto mais avançava nas sombras, menos percebia que sua mão afundava-se dentro do blazer até sentir com as pontas dos dedos o cabo frio da CZ e depois constatar seu peso na palma da mão.
Foi quando ouviu seu grito de gelar o sangue, cada nota gravando em sua mente o sofrimento de Hermione. O som vinha do último quarto no corredor.
Se Draco achava que aquele grito ficaria gravado em sua mente, a cena que ele encontrou ao arrombar a última porta do corredor atormentaria seus sonhos para sempre.
Hermione estava colada no teto da sala, a boca não mais emitia um som sequer pelo contrário, estavam fechados e trêmulos como se fosse resultado de um choque profundo. O fino tecido de seu longo vestido vermelho cuja saia pendia rumo ao chão em um ângulo perpendicular apresentava pequenas manchas escuras que poderiam facilmente ser sangue, muito sangue.
Por um instante Draco achou que poderia ter ingerido algum alucinógeno, mas era vívido demais, o escuro do sangue e o pálido do rosto de Hermione eram sóbrios demais para serem o resultado de algum psicotrópico. Aquilo era um pesadelo.
A porta fechou-se atrás dele.
— Malfoy finalmente juntou-se a nós. — falou Nehallenia surgindo de um ponto cego da sala ocultado por uma pilastra. — Agora nossa reuniãozinha está completa.
Draco apontou sua arma para a mulher que não pareceu nem minimamente receosa, pelo contrário, seu sorriso alargava a cada instante.
— Eu não sei quem é você, mas se... — o rapaz começou a falar.
— Você não sabe nem mesmo quem você é ou quem ela é. — a mulher interrompeu e apontou Hermione no teto com o queixo. — Ou o que vocês são, você não sabe de nada Draco Malfoy.
— Desça ela ou juro que vou... – Draco rebateu.
— Vai atirar em mim? – ela devolveu debochada. – Francamente Draco, nem mesmo quando tinham varinhas vocês dois conseguiram me derrotar, não vai ser com uma arma trouxa que isso vai acontecer.
E como que para confirmar sua fala ele sentiu a arma ser arremessada de sua mão como se houvesse levado um forte tapa. Olhou em seguida chocado para a mulher para vê-la segurando um galho retorcido em sua mão.
— Aposto que faz tempo que não vê uma dessas, provavelmente na sua memória escassa de apenas... quanto tempo faz mesmo? Uns dez anos? Enfim, desde a última vez que nos vimos.
— O que você sabe sobre o nosso acidente? – Draco questionou-a, mas sem deixar de observar Hermione ainda presa no teto como se ela fosse cair a qualquer momento, o que era bem possível.
O acidente que reiniciara a vida dos dois havia acontecido há pouco mais de dez anos. Ambos haviam acordado em um hospital em Utah depois de meses de um quadro instável e grave. Jovens sem memória, sem documentos, sem parentes ou registros nos sistemas americanos, eram dois estranhos flutuando em um mar de anonimato. Somente a inteligência de Hermione e a astúcia de Draco os impediu de virarem moradores de rua.
Mas ambos sabiam que apenas o incrível e não esclarecido (nem mesmo pelos testes governamentais) “sentido” que ambos tinham foi o que os levou até a elite da inteligência dos Estados Unidos, sem isso ambos seriam apontados como estrangeiros e deportados até a fronteira mais próxima.
— Digamos que eu fui a causa do “acidente” de vocês. – Nehallenia respondeu. – Parece que a sina de vocês é me perseguirem, me investigarem e então serem varridos de suas próprias vidas.
— Quer dizer que você é ruim o bastante de disfarce para entrar no nosso radar duas vezes? O que estava aprontando da última vez? Também estava matando pessoas importantes em seus hotéis? Eu sabia que era impossível que alguém não tivesse notado algo antes. – Draco debochou.
— Acho que você mesmo pode responder sua pergunta, mas vamos convidar Hermione para a conversa. – a islandesa respondeu acenando com a varinha.
Se Draco não estivesse de olho em sua companheira ela teria caído com tudo no chão, mas para amortecer a queda da mesma ele tivera que se jogar e sentia cada centímetro de suas costas gritar, mas sentir o corpo morno de Hermione em seus braços fazia com que sua mente focasse apenas nela.
Assim, envolta nos braços de Draco, Hermione pareceu retornar ao presente, respirando profundamente enquanto buscava palavras do fundo do peito.
— Ela é uma bruxa Draco. – ela gaguejou.
O loiro olhou espantado para ela. Nunca, jamais achou que Hermione diria tamanha sandice, mas depois de tudo que presenciara talvez magia saísse do campo do imaginário para um fim fisicamente doloroso para ambos.
— Ah olha só para vocês, tão meigos e apaixonados, quem diria que um simples feitiço de esquecimento faria com que o casal mais improvável do mundo bruxo existisse. – Nehallenia falou sentada em uma cadeira de espaldar alto e sofisticada que Draco não viu de onde viera. – Vamos tornar as coisas mais divertidas para a nossa reunião de dez anos.
Hermione ouviu a mulher pronunciar palavras em outro idioma novamente, seu corpo ficou imediatamente tenso já que sofrera de uma dor horrível quando ela lhe enfeitiçara.
Mas ao contrário do esperado foi sua mente que pareceu derreter em dor e angústia.
Nehallenia havia derrubado a tênue barreira que criara entre seu passado bruxo e sua vida trouxa dos últimos dez anos e isso parecia corroer o cérebro de ambos de dentro para fora acompanhado de gritos e lágrimas.
Se perguntassem a algum deles quanto tempo eles ficaram nesse estado, quase desejando a morte para o fim da dor física de ter dois passados se chocando e tentando ocupar um único espaço, nenhum saberia responder.
Malfoy tremia tanto que acreditava que estava a beira de um ataque epilético e por fim uma morte de algum ataque horrível e fulminante.
Mas a cada piscar de suas pálpebras úmidas e instáveis não era o fim que vinha ao seu encontro, mas sim os flashs de toda a vida que tivera como trouxa e como fora parar ali.
— Nehallenia sua desgraçada! – o sonserino vociferou.
Foi então que a mulher perdeu toda sua compostura e gargalhou como se fosse a última oportunidade de sua vida. Estava insana e naquele momento poderia ser a criatura destrutiva e imprevisível que se tornara.
— Foi incrível não foi? Eu não podia mata-los porque essa sangue-ruim maldita conjurou uma proteção rúnica muito poderosa antes que sua varinha fosse destruída, mas eu não podia deixa-los e não poderia leva-los com o Ministério da Magia da Inglaterra no meu encalço... então resolvi apagar Hermione Granger e Draco Malfoy de vocês, digo sinceramente que estou surpresa que tenham sobrevivido ao processo de reconexão de suas memórias, a maioria morre logo no início, mas quando vi que estavam choramingando vários minutos acreditei mesmo que vocês poderiam me render algo mais. – ela praticamente cantarolava de alegria
— Você... – era Hermione quem falava pela primeira vez, os gritos cessaram, mas as lágrimas em seu rosto não deixavam o rastro desaparecer. Mesmo tremendo ela se levantara para encarar sua rival de frente – sua vadia insensível e vaidosa, você está sugando a juventude das pessoas há décadas com...
— Com as Maçãs de Iduna. – ambas falaram em uníssono.
Draco sentia-se cada vez mais perdido. Maçãs? Sugando a juventude? Era só para ele rastrear aquela mulher para Granger e teria seus anos de pena reduzidos e agora...
— Realmente Hermione você é impressionante, como descobriu?
— Naquele dia, pouco antes do ataque que nos fez, eu estava no seu escritório, senti o feitiço de ocultação embora não conseguisse dizer onde ele estava, mas o cheiro da macieira era muito forte. Comecei a pesquisar sobre a relação entre maçãs e morte e o máximo que existia era estudo de cianeto nas sementes.
— Mas e se as maçãs não matassem? – Nehallenia questionou como uma mestra que ensinava a sua aluna mais interessante.
— Elas concederiam beleza e juventude eterna, as Maçãs de Iduna para os Aesir... isso é tão irracional, magia já é complexo, mas acreditar em deuses nórdicos? Ainda não consigo crer. – Hermione parecia ultrajada.
— Porque eles não existem. Vou te fazer um favor Hermione e saciar sua curiosidade. Iduna não era uma deusa, veja bem até os registros de cultos a ela são vaguíssimos, na verdade ela era versada em magia como nós. Ela era uma mulher gentil, ensinava outras bruxas sobre a magia, inclusive eu fui uma de suas aprendizes, a última para ser mais exata.
O olhar de Nehallenia vagou para o passado.
— Conforme nossos anos foram passando eu percebia o quão etérea era a beleza e juventude dela enquanto eu já estava atingindo meus dezoito anos (o que era uma idade considerável na minha época já que as pessoas viviam cerca de trinta), eu queria saber o que Iduna fazia para manter-se assim. Foi o povo da aldeia que ela protegia aqui na Islândia que acabou revelando: Iduna dava a vida eterna aos deuses todas as manhãs com as preciosas maçãs de seu pomar.
“Eu já sabia como, mas jamais vira tal pomar, Iduna possuía apenas ervas medicinais e plantas mágicas em sua casa e ela não possuía nenhum pomar, mas lembrei-me que ela sempre terminava meus ensinamentos antes do sol se por então me botava para fora alegando prezar minha segurança.
Bastou ligar esses fatos para saber que ela devia colher as tais maçãs durante a noite, mas como vencer minha mestra em um duelo? A resposta era simples: não precisávamos duelar.
Segui-a aquela noite, adentramos tanto naquele bosque que perguntei-me o motivo dela não ter simplesmente aparatado até aquele ponto, mas estava internamente agradecida por isso não ter ocorrido.
Chagamos ao mais magnífico pomar que eu havia visto, as árvores pareciam ter séculos de idade, com as maçãs mais vermelhas que olhos trouxas ou bruxos haviam visto.
Imediatamente senti o campo de proteção, apesar de não ocultar a visão das árvores o campo parecia emanar uma distorção de imagem, provavelmente mostrava lago terrível para que os trouxas não se aproximassem. Consegui facilmente que a barreira me aceitasse sem desfazer-se e delatar-me
Vi Iduna colher duas maçãs de um galho e mais duas de outra árvore e guarda-las nessa caixa de freixo.”
No colo de Nehallenia havia uma caixa de freixo extremamente antiga com runas entalhadas na prata que a adornava. Ela acariciava o objeto como a um amante enquanto Draco e Hermione olhavam estupefatos para tudo que era dito.
“Então ela deixou a capa no pomar revelando um vestido que lembrava a descrição das belas roupas do Aesir e fez uma conjuração curta que eu não conhecia, nem sei como, mas decorei naquele instante as palavras mais importantes da minha vida: Megi þessi sæta safa vera umbreytt í blóð og fórnin umbreytt í eilífðina. Megi örlæti bræðra minna næra daginn af ferð minni.”
— Que esse sumo doce transforme-se em sangue e que a oferenda transforme-se em eternidade. Que a generosidade de meus irmãos alimente mais um dia de minha jornada. – Hermione traduziu enquanto os nós dos dedos tonavam-se brancos de tanto que apertava suas mãos contra suas pernas.
Nehallenia ignorou o comentário de Hermione e continuou sua narrativa como se seu grande trunfo não tivesse sido revelado
“Ela pegou a caixa e seguiu para uma outra aldeia, próxima a qual morávamos, participou de um culto com posição privilegiada. Nesse culto ela retirou duas maçãs vermelhas da caixa e cortou cada uma em cinco partes e evocou que dez corajosos guerreiros candidatos à entrar em Valhalla para que oferecessem uma parcela de seus anos para alimentar os deuses que cultuavam, não havia honra sem sacrifício.
Cada jovem comeu seu quinto e o culto foi encerrado em grande festa, assaram dois cordeiros em pleno inverno para ela!
Quando ela retornou ao pomar retirou as duas maçãs douradas da caixa e depois de comê-las depositou a caixa aos pés da maior macieira, vestiu sua capa e voltou para casa, como se não tivesse roubado alguns anos da vida daqueles jovens.
Foi a última vez que vi Iduna.
Naquela noite roubei a caixa de freixo, roubei um galho da macieira mais antiga e incendiei o pomar, minha mestra deve ter durado apenas mais uma década depois daquilo.”
— Mas isso não faz sentido, você parece jovem, mas não parece ter dezoito anos. – Draco apontou.
—Voldemort sabia que eu possuía algo que me impedia de morrer, precisei desaparecer e eu não podia deixar que ele se apossasse da macieira ou da caixa ou tudo estaria perdido, mas para isso eu tive que deixar de consumir os frutos por quase vinte anos até os Potter causarem sua primeira queda. Meus segredos ficaram escondidos nos lugares mais distantes e inóspitos que o mundo já criou em sua trajetória. – falou Nehallenia depositando sua caixa de freixo em uma mesa e caminhando até uma porta do outro lado da sala e abrindo-a. – Tive que mantê-la encolhida por algum tempo, mas ela já está ganhando forças novamente.
Atrás da porta estava uma magnífica macieira carregada de maçãs vermelhas... e douradas. Todos os frutos da árvore possuíam uma dupla na cor oposta.
— Vermelho para o gado. – Nehallenia apontou para Hermione. – Dourada para os eternos.
Ela então voltou à mesa e retirou uma única maçã dourada.
— A bebida...
— Uma maçã inteira, todos os seus anos daqui para frente, vão ser deliciosos... para ele.
Hermione olhou acusatoriamente para Draco.
— Vocês dois... e você... argh eu não acredito nisso Malfoy! – Hermione gritava exasperada afastando-se dele como podia devido aos ferimentos.
— Não, não querida, não o acuse ainda, ele foi tão tolo quanto você em tudo isso, mas eu preciso de alguém, um parceiro, um amante, alguém que me faça companhia na eternidade e porque não Draco Malfoy? Quando vocês me perseguiram da primeira vez... bem ele era bonito, mas cheirava a criança, no entanto, dez anos fizeram muita coisa por você Draco, você está mais forte, conheceu o mundo trouxa e continua talentoso no mundo bruxo.
— Não acredito que está cortejando-o! – Hermione gritava ultrajada enquanto Draco permanecia impassível. – Você acabou com nossas vidas, todos devem achar que estamos mortos!
— Realmente é ruim para você querida, mas e para ele? Draco querido, se aceitar minha oferta daqui algumas décadas todos que te perseguiram estarão mortos, você será eterno, rico como sempre foi, ficará mais poderoso. Não há nada que te prenda à Azkaban ou a vida medíocre de trouxa que você levou com essa sangue-ruim.
Para surpresa absoluta de Hermione, Draco levantou-se e dirigiu-se a Nehallenia.
— Terei acesso às maçãs sempre que quiser? – ele perguntou. – E serei dono de mim mesmo?
— Com tanto que esteja ao meu lado o mundo será seu. – ela falou estendendo a mão com a maçã dourada.
Draco pegou-a sentindo o peso de todos os anos da vida de Hermione na palma de sua mão.
Mordeu a fruta e sentiu o sumo escorrer pelo canto de seus lábios, apesar de bela a maçã possuía um sabor comum.
Hermione tentou se levantar, mas foi arrebatada por um feitiço do corpo preso. Imóvel, ferida, sem sua varinha ou amigos, sua vida prestes a terminar, traída por seu... nem sabia mais o que ela e Draco eram. A umidade formou-se em seus olhos, mas ela recusou-se a deixar uma única lágrima cair, era uma leoa, morreria com honra e orgulho.
— Assim que terminar de comer precisaremos ir, os seus colegas da Inteligência já devem estar vindo para cá. – Nehallenia informou enquanto pegava a caixa de freixo, a varinha e dirigia-se para a macieira colher mais maçãs. – Não quero ter que adulterar tantas memórias ou queimar esta casa.
— Mas e a árvore? – Draco questionou enquanto dava a segunda mordida na fruta.
— Feitiço de ocultação, depois voltamos e iremos retirá-la, eles vão estudar a cena do crime por no máximo um mês ou dois, teremos tempo suficiente até voltarmos.
— Certo, você pode me ajudar a aparatar? Faz dez anos que não pratico feitiço algum, não quero estrunchar na primeira noite depois que voltei a ser bruxo. – Draco falou ao cercar sensualmente a cintura de Nehallenia.
— Para onde iremos? – ela questionou quase ronronando de prazer.
Nehallenia passara tanto tempo sem ser tocada. Só aceitaria o carinho de um bruxo ambicioso, sangue puro e inteligente, mas submisso à ela, Voldemort havia ensinado dolorosamente essa lição para ela há algum tempo.
— Quanto a mim eu não sei. – respondeu Draco. – Mas você irá para o inferno encontrar-se com sua mestra.
Jogando a maçã da mão que não segurava Nehallenia, Draco deslizou a fina, mas cortante lâmina escondida sob o punho de seu blazer e no golpe mais rápido e cheio de fúria de toda sua carreira como agente perfurou o pescoço da bruxa.
No movimento seguinte arrancou a varinha da mão dela e então apenas aguardou enquanto os olhos surpresos de Nehallenia aumentavam nas órbitas e tornavam-se opacos.
Sentia-se enojado por sequer tocar aquela mulher para verificar a pulsação da mesma que havia desaparecido antes que ela tivesse tempo para amaldiçoa-lo.
— Patética, como fomos pegos de surpresa por uma louca carente? – Draco perguntou para Hermione enquanto pegava a varinha ao lado da caixa de freixo caída.
Olhou para Hermione caída no chão e mais lembranças passaram por sua mente: quando resolveram adotar o sobrenome de seus dois heróis favoritos da Marvel: ela Parker e ele Stark sem contar a ninguém a não ser si mesmos sobre o motivo; quando foram admitidos na Inteligência depois dos exames mais invasivos e dolorosos que a “ética” da ciência estadunidense permitia; o sorriso de Hermione no dia do casamento de ambos.
Com um aceno Draco desfez o feitiço e Hermione se pôs de pé rapidamente enquanto ele não sabia se deveria ajuda-la ou não.
— Eu achei que você iria com ela! Você comeu metade dos meus anos de vida! – ela gritava indecisa entre a raiva e a alegria, sem saber se a alegria se dava por estar viva ou por Draco não tê-la traído.
— Calma Granger é só fazermos o encantamento com a caixa, eu como a maçã vermelha e você come metade da dourada e estaremos quites.
— Um terço, se não eu ficaria com mais anos e...
— Tanto faz, pegue a varinha eu falei sério sobre estar incerto sobre fazer magia depois de dez anos, além disso eu não falo islandês. – Draco falou e estendeu a varinha de Nehallenia para Hermione.
— A vaca deve ter destruído nossas varinhas e se eu não fizer o feitiço direito? – Hermione questionou insegura pela primeira vez desde que se conheceram em Hogwarts.
Draco queria dizer que ela jamais erraria um feitiço, mas não tinha certeza novamente se deveria fazer isso, sua mente parecia o mar esbravejando em uma tempestade torrencial, seus sentimentos, suas memórias, tudo colidindo com a força de ondas quebrando e na maioria delas a grifinora estava presente.
— São seus anos de vida, precisa fazer o encantamento direito. – foi o que conseguiu dizer por fim.
Hermione acenou com a cabeça e pegou a varinha.
Ajoelhou-se em frente à caixa, encostou a ponta da varinha nela e apoiou sua mão sobre a tampa ao mesmo tempo que recitava:
— Megi þessi sæta safa vera umbreytt í blóð og fórnin umbreytt í eilífðina. Megi örlæti bræðra minna næra daginn af ferð minni.
Ela então abriu a caixa e retirou uma maçã vermelha e outra dourada unidas pelos seus pedúnculos.
Draco pegou a vermelha e comeu-a rapidamente enquanto mais lembranças banhavam-no: o belo chalé de madeira no vale em Utah, o mais próximo que podiam chamar de lar entre as missões; o primeiro tiro que levou em missão (por erro de sua dupla diga-se de passagem) e como Hermione quase matara seu parceiro Jack apenas com os olhos quando ele foi visita-lo; Hermione gemendo seu nome prensada contra a parede do chalé.
Ele precisou de todas as suas forças para cessar o jorro de memórias, de memórias dela, precisava se lembrar de que ela era Hermione Granger, a sangue-ruim amiga do Potter, Hermione Parker Stark sua esposa trouxa estava morta, ela jamais o olharia com aquele amor nos olhos novamente.
Mas foi quando aquela pequena boca rosada começou a consumir os anos de sua vida daquela fruta dourada foi que Draco teve certeza de que estava fodido, havia algo de extremamente sensual em ver Hermione consumi-lo daquela forma, seus anos se misturando.
— Vamos queima-la. – Hermione falou apontando para a árvore.
— Você está com a varinha. – ele respondeu.
— Incendio. – Hermione pronunciou e viu lindas chamas azuis consumirem a planta mágica mais incrível e perigosa que já existiu.
Draco jogou a caixa de freixo nas chamas, extinguindo qualquer rastro da maldita magia que existia.
Nunca mais alguém dividiria sua vida com outra pessoa como eles fizeram. Isso ninguém poderia mudar.
— Ninguém vai acreditar nisso. – Hermione falou sentindo o calor das chamas aquecer seu corpo ferido.
— Temos uma certidão de casamento em que adotamos sobrenomes de super-heróis, quer prova maior que algo não estava certo? – Draco questionou olhando para ela.
“Será que não estava mesmo?” Hermione perguntou a si própria.
— Seu noivo vai detestar as notícias. – o sonserino debochou sem realmente sentir-se feliz. – Fiquei dez anos fora de Azkaban, estou vivo e casei com a noivinha dele, o Cabeça de Cenoura vai ter um ataque.
— Não tem como eu ser mais a noiva do Rony, isso... não existe mais, foi há dez anos. – Hermione rebateu finalmente encarando aqueles olhos cinzentos. – Nada existe mais, nossas vidas acabaram Malfoy, as duas.
Draco suspirou, aquilo era o maldito inferno, Nehallenia merecia ter sofrido antes de morrer. Desgraçada.
— Plano C? – ele perguntou.
— Acho que sim, bem precisamos voltar dos mortos. – ela falou fazendo careta. – Com certeza minha vaga para professora em Hogwarts já foi ocupada, quem mandou demorar uma década para concluir a última missão?
— Tenho certeza que minha cela continua me esperando. – Malfoy respondeu com amargor.
— Desculpe eu não... Você talvez não precise voltar, afinal fez mais pelo Ministério do que precisava. – Hermione falou apontando para o corpo caído da bruxa.
— Liberdade. Eu queria tanto isso quando estava naquele limbo de lugar. Quer que eu nos aparate? Você não pode se esforçar.
— Pode ser. – Hermione falou encaixando seu braço no dele como no início daquela noite. – Valeu a pena? Passar por tudo isso por sua liberdade?
Draco olhou para ela, para as curvas delicadas de seu rosto, para seus cabelos rebeldes que ele amava ver nos travesseiros pela manhã, para aqueles olhos que transmitiam tanta confusão quanto os dele deviam transmitir. Estava realmente amando Hermione Granger?
— Eu não sei. – ele sussurrou rouco no ouvido dela.
Então eles aparataram.
Notas finais
Folkvang - a rede de hotéis da história recebe o nome de um famoso "camping pós-morte" nórdico: https://norse-mythology.org/folkvang/
Sobre Iduna, a deusa da imortalidade nórdica: http://templus.org/home/2012/01/sobre-a-deusa-iduna/
Meu clichê: Obrigados a serem acompanhantes em um baile (rolou bem no comecinho).
A ideia do desafio é mostrar que clichês podem ser legais se bem trabalhados. Um agradecimento enorme ao QG Dramione (autoras, leitoras, organizadora) foi um ano massa trabalhar e conhecer vocês.
Beijos.
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