Epifania

1 Capítulo único


Hoje senti saudade.

Pensando bem, o termo certo não é saudade, e sim nostalgia.

Refletindo de novo, sei lá. Só sei que olhei para o lado, e senti falta.

Falta de gente. Falta de tempo. Falta das situações.

Então comecei a olhar as fotos da parede digital.

Vi a minha melhor amiga da sétima série morando em outro estado, fazendo faculdade, sorrindo com amigos... Ela parecia feliz. E pensar que um dia ela sentiu medo de se mudar.

Vi também uma grande amiga do teatro, que virou quase uma irmã, casada, grávida e parecendo bem feliz com sua família. E pensar que eu sempre achei que ela tivesse relacionamentos complicados.

Vi uma menina que completou o fundamental comigo, mas não quis ir para mesma escola que eu para trabalhar, em viagem com o namorado. Talvez estivesse empregada, mas pelo visto tinha deixado para lá seu sonho de faculdade. E eu achava que ela ia ter uma carreira acadêmica brilhante.

Ah, e tem uma que eu queria manter mais contato, já que a gente se distanciou no ensino médio. Ela está bem, conversamos de vez em quando, mas nunca é igual. Eu achava que seria.

E então você lembra o ensino médio. Festas. Amizades. Turma. E em um instante, passou. Os estudos são a única coisa que permanecem. Os estudos e a noção que nunca mais você vai passar por aquilo de novo.

E então, a faculdade. No meu caso, já a terceira.

Mesmo assim, permaneço regada de incertezas. Um dia vou voltar a ter grandes amizades? Vou ter momentos tão bons como outrora? Vou me apaixonar? Vou viajar? Vou?

Viver em meio à dúvida é viver cruelmente. Quem é que pode viver quando não pode saber o que precisa pra viver?

Então só resta o desabafo. Palavras jogadas ao vento. Indiretas, se atingirem o alvo.

Pois quem sabe apenas um “oi”, possa tirar a dúvida.

Ou incerteza.

Ou nostalgia.

Ou saudade.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!