Epidemia

1 Introdução


8h00 — Bom Dia Brasil

\"Com o avanço da gripe, outros países resolveram tomar a mesma medida drástica. A vigilância sanitária da Itália, França e Portugal fecharam definitivamente a porta das escolas, paralisaram o transporte público e pediram reclusão total de toda a população. Por medidas de prevenção, uma vídeo-conferência foi agendada para a tarde desta terça-feira com os governantes destes países e convidados pela busca de um acordo de paralisação econômica. Quanto aos demais estabelecimentos, estarão abertos somente os hospitais e centros médicos públicos para casos de urgência. A medida entrou em vigor a partir da manhã de hoje.\"

Suspiros. A mensagem invadira as entranhas da porta de meu quarto, mas nada mais parecia afetar-me. De certo modo, as coisas pareciam estar caminhando cada dia pior para o momento da destruição. Não me lembro bem há quanto tempo estávamos ali. Sentia muita falta do sol sobre minha pele, a luz artificial tilintava. De certa forma, nunca fora tão ruim viver dentro de uma casa, com todos os seus integrantes, o tempo todo.

Para não dizer que o isolamento era total, ainda havia a remota possibilidade de se buscar por companhia em redes de relacionamento, que estouravam com a presença alegre de desinformados sobre o risco de que todos nós sofriamos. Ou, quem sabe, o telefone.

Telefonemas nunca foram tão amargos quanto os de agora. A dor nunca fora tão intensa. Sobre o parapeito da janela de vidros cerrados, pude observar por um instante o que um dia fora uma metrópole, agora, pó. Um cão magro caminhava a beira da morte ao lado do inimigo. Não podíamos ver, mas, de certa forma, sabiamos que eles nos alcançaria nas nossas bolhas de cristal.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.