Envy Hurts
1 The Unexpected
Nada melhor do que passar um dia das suas férias de verão dormindo na casa da melhor amiga, conversando até de madrugada. Era o que Rebecca Collins estava fazendo neste momento, aproveitando cada segundo antes de ter que voltar para sua casa amanhã. Sua chata e quieta casa, que só melhorava com a presença de Camille Monroe Marback, a tal melhor amiga, que também era a única pessoa de sua confiança.
– E então, animada para o próximo ano letivo? — Camille perguntou no seu tom feliz de sempre, às três horas da manhã. A luz já estava apagada, mas as garotas simplesmente não conseguiam pegar no sono.
– Camille! As aulas acabaram faz um mês, quem disse que quero lembrar delas agora?! Quero que o resto das férias demore o máximo possível...
– Como assim? Se demorarem, significa que o tempo não voou, que foi ruim. Você quer isso?
– Claro que não, né? — Rebecca deu uma risada. — Eu quero é descansar por agora, psicologicamente, quero dizer. Esse ano letivo foi terrível. — Ela se ajeitou na cama, de modo que Camille não veria seu rosto tristonho de lado.
Houve um pequeno silêncio por conta da outra, até que sua voz atravessou a escuridão novamente, um pouco mais séria do que o normal. — Você sabe que podia mudar isso, não é? Quero dizer, você sofre porque você quer. — Mais uma vez, só as cigarras do lado de fora fizeram barulho. Rebecca não sabia se aquilo a deixava irritada ou aliviada, por ter sido compreendida, por isso não respondeu. — Becca, você se fecha demais. Não consegue confiar nos outros. Não se arrisca. Enquanto você não mudar isso, não vai ser feliz na escola, na sua casa, ou em lugar nenhum.
– O quê? Eu tava falando sobre as minhas notas, só isso... — Camille não respondeu, pois sabia que era uma mentira. Já tinha visto a amiga chorar antes por motivos assim. Simplesmente ficava quieta, não se relacionava com ninguém e esperava por alguma alma caridosa puxar um assunto, mesmo com aquela aura de quem quer distância.
– Sei. — Camille respondeu, simplesmente.
– Ainda bem que eu tenho você, né Mille? — Rebecca tentou desviar a conversa daquele assunto, percebendo que sua resposta não agradou a garota.
– Claro. — Ela mostrou seu rosto na escuridão, tendo a visão perfeita de um sorriso sincero que só ela sabia dar. Era o que Rebecca mais gostava nela: o sorriso. Como ela podia ser sempre tão positiva, tão simpática? Ela queria ser assim também...
Elas conversaram por mais uma hora sobre coisas irrelevantes e várias bobagens, como programas de TV idiotas e os garotos de sua sala no ano passado. Logo depois, o sono foi chegando vagarosamente perto delas, e assim acabaram dormindo. Rebecca teve um sonho estranho, parecido com um dejá vu. Na manhã seguinte, ela se questionou se aquilo fora alguma memória distante, mas isso passou longe de sua cabeça quando recebeu o telefonema de sua mãe que logo estaria ali para lhe buscar.
– Talvez eu possa ir para a sua casa, ficar a tarde lá e depois voltar. Que tal? — Camille perguntou com um brilho no olhar, esperançosa. Rebecca achava que sua mãe não gostaria tanto da ideia, mas não resistiria ao olhar pidão que Camille conseguia fazer para obter o que queria.
As duas tomaram seu caminho para a sala de estar, onde a mãe de Camille, chamada Leah, estava. Ela era loira, parecia ser mais jovem do que realmente era e estava sempre sorridente como a filha, exceto nesse mesmo momento. Ela parecia nervosa, com as sombracelhas cerradas e um olhar inquieto, sentada no sofá. Camille, no entanto, nem se importou com a diferença de humor da mãe.
– Mãe, — a mulher virou seu rosto bruscamente, um pouco assustada. Quando viu que era só sua filha a chamar, ela suspirou e sorriu. — Será que eu posso ir na casa da Becca hoje? Ficar lá a tarde toda, e quem sabe, até amanhã, ou até a semana toda... — Ela terminou com um olhar pidão e as mãos cruzadas, ao lado do rosto.
– Não. — Disse Leah, sem hesitação. Seu olhar inquieto parou em Rebecca, e depois na filha. — Sinto muito Camille, o mesmo para você Rebecca, mas hoje... Eu acho melhor nós termos um dia de família, que tal, Mille? É só hoje, eu juro.
Camille se revoltou, como mostrava a carranca que apareceu repentinamente no seu rosto. Rebecca, no entanto... Só ficou triste. Porque não continuaria vendo sua amiga e tendo alguém para conversar, é claro, mas essa não foi a razão principal. Elas teriam um dia de família. Quando alguma coisa desse gênero poderia acontecer com ela? Sua família era tão dispersa, tão solitária... Mas, enfim, era melhor não pensar naquilo agora, ela presumiu, já que segurar lágrimas não é uma tarefa fácil para todos.
– Mille, tudo bem. Nós ainda temos um mês para ser ver. Perder um dia só não vai fazer diferença. — Rebecca tentou passar uma imagem de que tudo estava bem, mas viu as sombracelhas da amiga se arquearem quando ouviu aquilo. Provavelmente, ela sabia que não estava tudo bem, afinal, Camille conhecia sua família o suficiente para saber que palavras como as de Leah a machucariam.
– Becca, tem certeza? Eu tento convencer aquela chata...
– Sinto muito Rebecca, mas hoje terá de nos dar licença. — Leah disse, seriamente, como nunca tinha dirigido à Rebecca. As coisas realmente estavam estranhas com aquela mulher e, apararentemente, Camille era a única que não conseguia ver. Naquele mesmo instante, o celular de Rebecca vibrou, anunciando uma mensagem. Para variar, era de sua mãe, avisando que já estava do lado de fora. Hoje ela tinha chegado mais cedo do que nunca, a garota percebeu.
– Tudo bem, sem problemas. Bom, minha mãe já está do lado de fora, tenho que ir. Até mais, sra. Leah. — Ela forçou um sorriso para a mulher, que correspondeu do mesmo jeito falso. Camille se aproximou da amiga e colocou uma das mãos sobre o seu ombro. — Não precisa me levar até a porta Mille, eu já sei o caminho. — Rebecca deu uma breve risada. — Até mais.
Com apenas um aceno de mãos, Rebecca começou a andar até a entrada da casa, sentindo-se desanimada. Aqui vinha o seu inferno na terra, ela acreditava. Do lado de fora, ela reconheceu o carro de sua mãe, se aproximou e entrou no veículo. A mulher nada disse, continuou olhando para a frente.
– Demorei muito? — Rebecca perguntou, relutante. Natalie, que era o nome da mãe, não era nada parecida fisicamente com a filha. Tinha um nariz fino, um pescoço longo e cabelos um pouco ondulados. Bem diferente de Camille e Leah, já que pareciam quase irmãs.
– Sim, trate de se apressar na próxima vez. — Foi o que ela respondeu antes de ligar o carro e seguir a trajetória até sua casa. Não demoraram muito para chegar, afinal, por carro, eram apenas quinze minutos de distância entre a sua casa e a casa de Camille. Assim que o carro parou, sua mãe voltou a falar. — Eu vou voltar para o trabalho. Seu irmão está em casa. — Rebecca logo saiu do carro com suas coisas e se virou para a mulher.
– Tchau, mãe. — Nada ela respondeu. Como esperado, é claro. Por que será que ela ainda tentava? Nunca ia conseguir o seu "dia de família", com certeza. Suspirando, ela entrou em casa e logo se deparou com seu irmão, Matthew, que era sim a cara de Natalie. Eles encontraram o olhar um do outro por um longo instante, quase embaraçoso.
– Oi. — Ela disse. Ele sorriu, por educação, como forma de saudação, e voltou a prestar atenção à TV que estava na sua frente. Seu pai só chegaria à noite, assim como a mãe.
Então isso se resumia às suas tardes. Ficavam só ela e seu irmão em casa — quando ele não tinha alguma festa, já que ele era meio popular na escola. Nessas horas, ela ia para o seu quarto mexer no computador, ver TV ou até adiantar deveres de casa para se distrair. Realmente, aquela situação era tristonha para ela. Mas ela simplesmente não conseguia mudar isso e, obviamente, não perderia seu tempo tentando a toa.
~ ' ~
Logo que Rebecca saiu de sua casa, Camille decidiu chegar ao fundo do comportamento estranho de sua mãe. A garota era bastante perceptiva, seria impossível não captar aquele tom estranho da mulher. Ela disfarçou não reconhêce-lo para não constrangir sua amiga ou Leah, mas agora que estavam sozinhas, podia falar abertamente.
– O que foi, mãe? Por que você está assim, nervosa?
Leah a encarou por um instante, incerteza do que dizer, e simplesmente suspirou. Camille se sentou ao seu lado no sofá e, colocando uma mão sobre a dela, implorou pelo olhar por aquela informação. — Só fique sentada e espere Camille. Você terá a resposta brevemente, não duvido nada. — Ela fechou os olhos e colocou a mão livre sobre eles, mostrando sua indisposição para falar daquilo.
O que ela disse não foi nem um pouco esclarecedor para Camille, mas como a garota nunca a tinha visto em um estado tão sério antes, achou melhor obedecer.
~ ' ~
Já fazia uma semana que Camille não respondia as ligações de Rebecca, muito menos às mensagens. Não que ela estivesse sufocando a menina com questionários de porque ela estava te ignorando, mas aquilo era uma primeira vez. Camille nunca ficou uma semana sem falar com ela desse jeito, já estava lhe dando calafrios. O que será que tinha acontecido?
Era hora de descobrir. Ela perguntou à Natalie se podia visitá-la, e com indiferença, a mulher lhe deixou na frente da casa dela. Depois de tocar a campainha, teve de esperar mais uns cinco minutos do lado de fora, o que também nunca aconteceu antes. Ela até pensou em voltar pra casa, imaginando que não tinha ninguém ali, mas logo a porta da casa se abriu.
Era Leah, que tinha uma expressão cansada no rosto. No entanto, ela ainda fez um esforço para sorrir à visita. — Oi Rebecca, tudo bom? Você quer ver a Camille, não é? Entre, por favor. — Ela disse, em apenas um respiro.
Rebecca foi logo andando apressadamente ao quarto da amiga, agora bem preocupada. Porém, os móveis plastificados e vários objetos empacotados no meio da sala de estar a fizeram parar. O que aquilo tudo significava? Que elas estavam mudando?! Rebecca correu até o encontro de uma porta fechada, que nem hesitou em bater para anunciar sua chegada.
Camille estava deitada na cama na posição de um cadáver, olhando pensativa para o teto. Ela nem se importou com a porta que se abrira. Rebecca passou os olhos por todo o cômodo e ele, também, estava cheio de pacotes.
– Camille, o que é isso tudo? — Ela perguntou com a voz meio tremida, meio falha. Camille nem desviou seu olhar para amiga.
– Estou me mudando.
– Para onde? Desde quando isso, Camille?! Por que você não me disse?! — Rebecca perguntou, sem perceber que o seu tom de voz tinha aumentado, mas com os olhos já marejados de tanto desespero.
– Para Alaine. Desde a última vez que a gente se falou. Não te disse porque não queria falar com ninguém, só isso. — Ela ia respondendo naturalmente, com a maior calma possível no tom de voz. Aquilo estava estressando um pouco Rebecca. — Eu queria refletir sobre tudo sozinha. Aliás, era o que eu estava fazendo antes de você chegar, mas não tem problema. Eu ia ter que te avisar de qualquer jeito.
– Avisar o quê Camille, o quê?! — Camille virou seu rosto finalmente a encarou nos olhos, silenciosa por alguns segundos. Então, ela suspirou profundamente e voltou a fitar o teto, na mesma posição de defunto.
– Você sabe... Que eu não conheço o meu pai, não é?
– Oh, sim.
– Pois bem, isso não é mais verdade. Eu o conheço agora. — Rebecca estava surpresa. Pelo que sabia, o pai de Camille nunca quis ela ou sua mãe, então as abandonou por completo, sem nem manter contato desde que a amiga nasceu.
– Como assim, ele simplesmente apareceu aqui, do nada, pedindo pelo perdão de vocês?
– Não, ele não apareceu aqui. Um dos seus conselheiros veio.
– Conselheiros...? — Rebecca se perdeu ali. Como alguém tinha conselheiros? Camille, no entanto, ignorou a dúvida da garota.
– Ele me veio avisar da existência do meu pai porque agora eu sou requisitada.
– Como "requisitada"?
– Rebecca, você sabe o tipo de governo que existe em Alaine? — Camille desviou sua pergunta com sucesso, já que aquilo a deixou curiosa.
– Em Alaine... Fica na Europa, não é? É aquele país pequenininho... Ah, é aplicada uma monarquia parlamentar lá. Por que? — Ela pausou por um segundo. — O que isso tem haver com o seu pai?
– Acontece, que meu pai é o rei. — Camille encarou a garota seriamente. — Entendeu?
Rebecca ficou parada por um segundo, se sentindo a maior estúpida. Aquilo não podia ser verdade, simplesmente não podia. Como era possível? Sua amiga era uma simples garota americana de New Jersey. Nasceu ali, assim como ela. Não tinha nada haver com aquele país europeu. Será que aquilo era um tipo de pegadinha? Não, também não era isso. Uma pegadinha não iria ao extremo de empacotar todos os objetos da casa e deixar Leah naquele estado. Era tudo verdade, então?
– Não está acreditando em mim, está? — Camille perguntou, na mesma serenidade, voltando a fitar Rebecca.
– Não é isso, Mille. — Rebecca deu uma risada de nervosismo. — É que isso parece, parece... Sei lá, surreal. É demais pra mim.
– Mas é a verdade, eu te digo.
– Então... O que você está sentindo?! Quero dizer, você vai ser uma princesa, Mille! — Rebecca não sabia de falava em um tom animado ou assustado. Talvez uma mistura dos dois.
– Bem, é estranho. Eu nunca pedi por isso, entende? Nunca quis ser uma princesa. Honestamente, que garota da nossa idade você acha que ia querer? — "Eu", Rebecca pensou na hora. Uma princesa era símbolo de jovialidade, beleza e elegância. A pergunta era contrária: que garota não ia querer?! — Mas é a realidade. Eu tenho que aprender a lidar com isso. E eu tenho minha mãe de apoio, então sei que vai ficar tudo bem. Vai ser difícil me acostumar com o desconhecido, mas sei que vai dar tudo certo. — "Mas que positivista", pensou a amiga, fascinada. — E você, vai ficar bem?
– Eu? Como assim, eu?
– Becca, com quem você vai ficar quando eu me for? — Camille olhou para a amiga meio culpada, com uma leve tristeza no rosto. Rebecca não sabia se ficava feliz com sua preocupação, ou chatiada por ter sido submestimada. Mas era a pura verdade, não era? Ela simplesmente não conseguia se relacionar com os outros, Camille era sua única salvação.
– Eu, eu não sei. Eu me viro, provavelmente, né? — Rebecca sorriu forçadamente. Camille levantou um de seus braços e alcançou o da amiga, virando-o na metade para ver os pulsos. As cicatrizes ainda estavam ali, relembrando-as de que tempos macabros já apareceram na vida de Rebecca.
– E se isso acontecer de novo, Rebecca? Esse é o seu "eu me viro". Eu te conheço bem, você sabe. — Os olhos de Rebecca marejaram mais uma vez, enquanto ela sorriu para a loira. Com certeza, sua melhor amiga.
– Não vai acontecer, eu prometo. — Era uma promessa falsa, as duas sabiam. Aquilo sempre podia voltar a fazer parte de sua rotina.
– Se eu pudesse, eu continuava aqui, Becca. Mas, como você pode ver, minha mãe já tem tudo preparado. Aparentemente, meu pai tem alguma coisa sobre ela que a faz obedecer-lhe, o que me irrita amargamente. Eu tenho que livrar a barra dela, entende? — Rebecca apenas consentiu, com medo de falar alguma coisa e lágrimas caírem. Camilla pareceu pensativa por um momento, até um pequeno brilho nos seus olhos demonstrou esperença. — Por que você não vem comigo? Eu tenho mais um passaporte.
– O que? Eu não posso Mille, você acha que a minha mãe deixaria?
– Infelizmente, sim. — Rebecca mordeu os lábios e revirou os olhos. Aquilo era verdade. Natalie faria de qualquer coisa para ter-la longe. Já incentivou tantas viagens, intercâmbios e excursões em outras cidades... Aquilo não seria difícil. — Me desculpe.
– Tudo bem, é verdade mesmo. Mas, onde eu vou ficar? Acho que dinheiro eu não vou conseguir com ela.
– Você vem pro castelo comigo e, obviamente, o rei vai pagar pelas suas despesas. — Camille disse, como se fosse a coisa mais simples e natural do mundo.
– Está doida? Como o rei pagaria minhas despesas, se ele nem me conhece, se eu não tenho a menor importância naquele país?!
– Oras, você é minha amiga. E ele quer me ver, depois de anos ignorando a existência minha e de minha mãe, não é? Então ele terá de pagar por todo esse tempo jogado fora, nem que seja literalmente. Que tal? — Ela fez um olhar pidão, que Rebecca não resistiu e deu uma risadinha. — Por favor, seria muito bom ter uma amiga do meu lado.
– Sim, eu também acho. Mas quando é o vôo?
– Amanhã mesmo. — Rebecca sorriu.
– Perfeito.
Nos próximos minutos, Rebecca ligou para sua mãe e explicou a sua situação. Como previsto, Natalie ficou mais que feliz quando recebeu as notícias. Até se dispôs a pegar as roupas do armário da filha, colocar numa mala e entregá-la na casa de Camille naquele instante. A loira teve de falar com Leah, que aceitou com um pouco de dificuldade, sabendo que Camille não ia mais sem a amiga.
Rebecca só teve de dormir naquela casa por uma noite. Na manhã seguinte, ela ajudou as duas a empacotar o que estava sobrando, que não demorou muito. Pouco antes do almoço, as três entraram no carro com suas malas e chegaram ao aeroporto. Aquela excitação de uma viagem começou a tomar conta das garotas, mas Leah as acalmou.
O vôo demoraria cinco horas. Então, enquanto estavam no avião — na primeira classe, também paga pelo rei — elas aprenderam que em Alaine, o idioma era o inglês, mas eles tinham um sotaque forte, bem parecido com o britânico. O país era conhecido pelos vinhedos, que eram os mais extensos do mundo. O brasão da realeza tinha dois leões e uma planta no meio, com cores vibrantes. Era como um reino de contos de fadas para Rebecca.
Por mais incrível que pareça, as cinco horas passaram em um flash. Logo, elas já estavam lá, no National Airport Of Alaine — o único aeroporto que eles tinham no país. Assim que elas pegaram suas malas de volta, ouviram um anúncio de uma funcionária.
– Sotaque forte mesmo. — Camille comentou.
– Acho tão lindo. — Rebecca respondeu, um pouco encabulada.
– Sério? — A loira ficou surpresa. — Ótimo, já tenho uma missão real a cumprir aqui: achar um menino com sotaque bem forte e bem bonitinho para a Rebecca. — A morena deu uma risadinha e um tapa no ombro da amiga, mais envergonhada que antes.
A limusine que as levaria para o castelo estava do lado de fora, com uma pequena multidão ao seu lado, esperando para admirar quem quer que fosse rico o suficiente para andar com ela.
O castelo real ficava um pouco distante da cidade, logo após uma praça gigante. Assim que o carro parou, ouviu-se uma grande canção tocadas por trompete. Parecia ser o hino do país, mas nenhuma das três o reconhecia. Um dos vários guardas que estavam postos fora do castelo abriu a porta da limusine e deu passagem.
Leah saiu do carro primeiramente, e logo era vez de Camille, que parecia relutante. Rebecca percebeu isso no olhar dela, que era algo muito raro. A loira sempre estava tão confiante de si... Num ato involuntário, Rebecca agarrou a mão da amiga e lhe deu um sorriso, que foi retribuído ao ter sua mão apertada com força. Pois é, elas estavam lá.
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