Envilecidos
1 Ross
Notas iniciais
Há uns bons anos atrás o mundo sofreu uma pequena guerra que fora chamada de Guerra Fria. Comunismo e Capitalismo disputavam pelo o poder, porem, nenhum deles fora digno do grande trono. Hoje não é tão diferente quanto aquilo, embora os termos sejam outros e a democracia seja apenas uma lenda contada em alguns livros de historia que achei em uma biblioteca abandonada.
O mundo fora conquistado pelo o governo Theoí, seres estraterrestes que assumiram o grande trono quando logo após a terceira guerra mundial. Os humanos covardes, entregaram suas vidas para criaturas que dominaram nossa língua em questão de dias e nossa vida em questão de segundos.
Alguns foram selecionados para viver na luxuria da classe alta, trabalhando e ingressando em cargos políticos ou empresários da alta sociedade. Outros preferiam aceitar o destino de que um dia todos morreremos, mas há aqueles que ainda lutam dia a dia para trazer o Velho Mundo a tona novamente. Nos chamam de Envilecidos, revolucionários e rebeldes, mas preferimos um nome menos manifestante ou agressor, preferimos Destemidos.
***
De acordo com a Lei Unica, qualquer membro que esconda ou apoie um Envilecido, é automaticamente levado e forçado a deixar sua vidinha e morrer, pois não possui direitos e muito menos poderá um dia conseguir um. Certo, a lei não estava escrita necessariamente com essas palavras, mas Ross as interpretava desse modo. Não importava de qualquer jeito, sua vida já fora arruinada antes mesmo que pudesse aprender a ler. Ela viu e assistiu os aliens surgindo sobre as montanhas e entrando nas casas, havia gritos e crianças mortas, pessoas que lamentavam e imploravam por sua vida. Seu coração se partiu ao ver o pai caído sobre a sala de estar, seus olhos imploravam para que ela saísse, para que ela sobrevivesse, mas na altura do momento, ela já havia desistido. Fora seu irmão, seu querido irmão que a levará dali. Um garoto pequeno e frágil que não aguentara nem metade do caminho.
Sentou-se em uma pedra fria ao lado de uma árvore, sentiu-se cansada. Deixou que os olhos azuis pendessem, mas logo as imagens de seu irmão caído ao chão a perturbava como um FlashBack sem fim e definidamente era. O vento abraça seus cabelos pretos e a fazia sentir saudade de casa por alguns minutos. Sentiu uma mão fria encostar-se em seu ombro de leve, virou-se e deparou-se com uma garota loira e seus olhos verdes, o sorriso malicioso era a marca de seu rosto.
– Olá Ross- Seu tom de voz era simpático e meigo, quase irreconhecível.
– Olá- Murmurou Ross.
– Bem, não nos conhecemos ainda- A loira sentou-se ao lado da garota- Mas eu sou Akkysa.
– Akkysa?- Ross levantou o olhar para poder enxerga-la melhor- Você quer dizer, a caçadora?
– É, me chamam de muita coisa- Disse ela rindo- Qualquer duvida, estou a disposição. Caso não tenha inimigos, não me procure.
Ross observou a loira levar os dedos para os coturnos que carrega nos pés, tirando de lá um pequeno canivete. Akkysa levou o canivete até o próprio braço e sem qualquer piedade, criou com rapidez um corte um tanto profundo. O sangue vermelho logo imergiu para a superfície, a garota passou os dedos nele e os levou para o rosto de Ross, criando um pequeno delta na bochecha esquerda.
– Lembre-se disso Ross- Seu sorriso desapareceu- Estamos lutando do mesmo lado.
Antes mesmo que Ross pudesse entender o que estava acontecendo, Akkysa virou-se e foi embora, deixando a pergunta sobre o ar. Então ela entendeu, seja qual fosse o gesto que Akkysa havia completado, significada algo para os Envilecidos. Talvez aquele fosse seu lugar afinal, talvez pertencesse as revolução tanto quanto pertencia a aquela cidade de sociedade baixa.
Obrigou-se a ficar de em pé e andou em direção ao grande acampamento que estendia-se. Os Envilecidos viviam em lugar nenhum e ao mesmo tempo em todo o lugar. Ela crescera os vendo pelo o canto do olho, escondidos onde a grama está em seu ponto mais alto, observando a sociedade com uma tristeza no olhar. Sempre se moviam, as vezes estavam ali, outras vezes lá, mas nunca permaneciam no mesmo lugar. Mas o acampamento era a base principal, onde os membros mais fracos permaneciam por mais tempo.
As barracas possuem uma ordem. De um lado as moradias dos Envilecidos, do outro, as barracas se dividam entre comida, uma pequena área para as reuniões e o estoque de armas e medicamentos. Quando ainda morava na cidade principal, nunca imaginou que tantas pessoas fossem membros de um grupo tão pouco respeitado, mas havia tantas pessoas que poderia chutar em até uns 300. Falt teria gostado de cada detalhe, correria pelo os campos mais distantes e sempre lembraria-se de voltar para casa, ele poderia ser feliz, mas agora estava morto.
– Bem vinda, Ross- Uma voz grossa surgiu de algum canto.
Ross virou-se para poder ver quem a chamará. Um garoto alto sorria gentilmente para ela. Seus olhos eram castanhos e os cabelos da mesma cor, o sorriso era tímido porem sua postura era determinada.
– Obrigada- Disse meio sem jeito.
– Eu sou Cery, o líder dos Envilecidos, ou como quiser chamar.
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