Então eu acabo conhecendo um mago...
1 Sorria para as estrelas
Os começos são sempre incríveis e esse começa num labirinto, pois tudo começa num labirinto. Kidash, Kidash Koshdain. Esse é um grandioso mago, cheio de poderes, sim! Imagine qual quer poder Kidash o tem, mas é claro nem mesmo ele quer saber desses poderes quando se pode soltar fogos de artificio infinitos durante a noite. Eles são a melhor coisa do mundo, todos concordam, “Brilha e faz boom, o que mais se pode querer nessa vida?”, Kidash sempre diz, “Sair dessa porcaria de labirinto!”, respondia Kodash duramente. Kodash se parece muito com Kidash, na verdade todos os amigos de Kidash se parecem muito com ele, já discutiram muito e decidiram que é porque são todos irmãos. E eles são seis: Kodash, Kilim, Niakim, Nodish, Danik, Dailik. São todos muitos parecidos em aparência, mas pensam muito diferente uns dos outros e isso sempre acaba em confusão!
Nem um deles sabe porque foram parar no labirinto, mas ninguém consegue sair de jeito nenhum. Todos já tentaram seus melhores feitiços, quer dizer, nem todos Danik é muito preguiçosos para fazer feitiços! Kidash foi o primeiro a chegar e logo que chegou se apressou para tentar sair, as paredes cobertas por trepadeiras não lhe agradavam tanto, mas jamais conseguiu. As paredes não eram altas o suficientes e podia-se subir nelas e pular para o corredor do lado, Kidash subiu em uma e observou lá de cima, mas não viu muita coisa, eram só duas colinas e o labirinto no meio delas. Kidash viu aonde ele terminava e foi para lá pulando as paredes, rasgou a belíssima túnica de mago toda, o azul claro ficou marrom e as estrelas se misturaram com manchas de seiva, mas o pior de tudo: encardiu a longa barba negra que chegava até os joelhos! Pior ainda foi quando Kidash percebeu que depois de muito tempo subindo e descendo muros continuava a mesma distancia do limite, mas já estava no meio das duas colinas.
Como não havia muito o que fazer, Kidash bateu a sujeira de seu chapéu e enfiou a mão lá dentro trazendo-a de volta com um delicioso sanduíche, mas sem carne, Kidash amava muito os animais para comê-los. Comeu e tirou uma soneca, quando acordou viu que já era noite e ficou deitado observando as estrelas, eram tão brilhantes ali e havia tanta delas, tantas constelações e tantos planetas visíveis. Espere um pouco, que estrelas eram aquelas? Kidash não sabia, nunca havia visto elas antes e se Kidash nunca as viu é porque aquele não era o mesmo céu, pois Kidash conhecia todas as estrelas do seu céu. Olhou o céu e buscou algo familiar por horas, mas não achou nada! Era um céu diferente, estranho e lindo. E se pensam que Kidash ficou triste ou com medo se enganam muito! Ele ficou é muito feliz. Um céu todo novo para se mapear e se nomear, ele adorou, e quantas estrelas tinha aquele céu, uma mais brilhante que a outra! Logo pegou seu caderno no chapéu e começou a desenhar o céu, “Que lindo céu”, pensava toda vez que olhava para cima.
A noite demorou tanto que Kidash desenhava a ultima estrela quando percebeu que o céu começava a ficar roxo, era o sol que vinha com seu espetáculo e que digno espetáculo! Veio devagar, primeiro pintou o céu de roxo e foi clareando tudo bem devagar, então vieram os braços de ouro desse sol jovem, as nuvens se encheram de todos os tons de dourado. Kidash não conseguiu para de olhar por nem um segundo, o sol nascia no horizonte bem no meio das duas colinas onde ele poderia ver claramente e com o sol veio um calorzinho amigável. Kidash não era nenhum poeta, mas se sentiu tão emocionado que escreveu e recitou de cima da parede.
—Sol dos sois! Tão dourado é sua caruagem, que me faz amar-te só de olhar. Segure-me em seu abraço quente e venha, venha! Quem dera um dia ser assim tão belo! Tão digno! Tão poderoso! Alegra-me saber que não estou aqui só, tenho a você e suas amigas estrelas, não é assim tão ruim!- O sol pareceu responder com uma brisa quente.
Kidash resolver olhar em volta e pensar o porquê de nunca se chegar ao limite do labirinto. Chegou a conclusão que quando pulava uma parede outra crescia no limite e assim nunca chegaria ao fim do labirinto não importando quantas paredes ele pulasse. Pensou em voar, mas se lembrou que isso não funcionava no labirinto. Então resolveu olhar o labirinto de cima com um espelho bem grande, pegou o chapéu e girou a mão em cima e apontou para o céu. Dentro do chapéu surgiu um brilho dourado e depois saiu dele um liquido prateado como um espelho derretido. Chegando no céu o liquido virou uma mancha plana e grande que refletia a imagem do labirinto. Kidash olhou buscando algo, mas não havia nada, era um labirinto de paredes cobertas por trepadeiras e as paredes não formavam nenhum desenho especifico e não havia um centro no labirinto. Desfez o espelho e resolveu pegar seu grimório, leu todos os feitiços de escape que havia neles e por uma semana combinou todos e tentou lançá-los, mas não adiantava nada.
Aos poucos Kidash foi ficando triste e foi num desses dias solitários que chegou uma nuvem negra sobre as duas colinas. Ela tapou o sol e trouxe uma chuva fraca, Kidash sorriu para nuvem meio desanimado. Com o passar do dia a chuva só piorou, vieram mais nuvens, porém nenhum raio! Kidash ficou muito irritado, furioso na verdade. Estava ali preso e agora veio essas nuvens transformando o dia em uma noite fria e molhada. Já estava todo encharcado e tremendo de frio o pobre Kidash, então subiu no muro e com raiva gritou para os céus que se fosse para chover tanto que ao menos caíssem raios. Começou a tirar as trepadeiras para tentar fazer um abrigo, ficou com as mãos queimadas e cortadas e quando deu um puxão na trepadeira na qual estava pisando escorregou e caiu de bunda no chão. Gritou de frustração e então sentiu algo horrível, muito doloroso na sua perna, quando olhou viu penas de ganso brancas. A imagem começou a borrar e mal deu tempo de Kidash ver os seis homens barbudos encolhidos na esquina do corredor que ele desmaiou.
Quando começou a sair de seus sonhos Kidash ouviu algumas vozes enquanto ainda tentava acordar.
—O que devemos fazer agora que o ferimento já parece melhor? -Perguntou uma voz fraca.
—Eu digo para deixarmos ele ai por si mesmo! -Respondeu uma voz dura.
—Não podemos deixá-lo aqui. É a primeira pessoa que vemos em dias! -Falou outra voz.
—Por mim tanto faz. -Falou uma voz desanimada.
—Acho que devemos cuidar dele. Afinal, foi você, Kodash, que atirou nele sem ele ter feito nada!
—Sem ter feito nada? -Falou a voz dura com uma risada, provavelmente era Kodash. -Se gritar feito um louco em cima do muro no meio da noite é não fazer nada então não sei o que Danik faz o dia todo.
—Ei, eu faço muitas coisas! -A voz desanimada retrucou irritada, com certeza era Danik.
—Se ficar dormindo o dia inteiro num canto é fazer muita coisa, então você realmente faz! -Respondeu Kodash, agora eram varias risadas ao mesmo tempo.
—Eu não fico só dormindo! Fico tentando achar uma saída pelo labirinto de cima! -Danik gritou.
—Ei façam silêncio! -Falou uma voz mais serena. -Vão acordar o pobre coitado, ele tem que descansar.
—Esta bem, mas isso não se resolveu ainda Kodash! -Ameaçou Danik.
—Eu digo o que temos de fazer. -Falou a voz serena. -Temos que cuidar dele, não apenas porque atiramos nele, mas também porque se parece muito conosco.
—Tem razão. -Outra voz respondeu
Kidash foi abrindo os olhos devagar, a luz doía, mas nem tanto quanto a perna. A primeira coisa que viu foi uma confusão de chapéu pontudos, barbas cinzas e pretas, e narizes na sua frente. Eram seis narizes, todos muito parecidos com o seu, alguns mais velhos, outros mais jovens.
—Que-Quem são vocês? -Perguntou Kidash numa voz seca.
—Não se preocupe com isso agora, apenas beba um pouco de água e descanse. -O homem mais perto dele (se é que é possível ter algum mais perto, estavam todos muito próximos) colocou um copo de madeira com água na boca de Kidash. -Olhe, nos perdoe por isso tudo. Kodash é impulsivo e não pensou muito na hora de atirar, por sorte não é bom de mira.
—Quero ver você repetir isso de novo, Niakim! -Gritou um dos homens. Ele vestia túnica e chapéu, ambos de um tom de vermelho muito claro, era Kodash.
—Se comporte Kodash! -Falou Niakim, esse vestia roupas iguais, porém a cor era roxa escura.
—Ora vamos! Parem com tantas desculpas, aconteceu, e daí? -Falou um deles, todo vestido de amarelo. Parecia ser o mais jovem de todos os seis. -Até parece que Kodash não bateu em metade de todos nós quando nos encontrou na primeira vez! Agora peça logo para ele se curar, temos o jogo para jogar! -Todos, exceto Niakim, Danik e um deles muito triste, concordaram. E ai começou uma confusão de conversas discutindo regras do jogo.
—Esta bem! Esta bem! -Falou Niakim em voz alta e todos ficaram quietos. -Deixem-me explicar para ele antes de mais nada. -Niakim olhou para Kidash um pouco triste. -Olha, bem que tentamos te curar com magia, mas parece ser uma das coisas que não funcionam aqui. Sim, magias de cura funcionam, mas não podemos lançar uns nos outros, só você pode se curar. O quê é um problema se você estiver inconsciente...
—Ou não for um mago de verdade e for só um char...
—Fique quieto Kodash pelo amor dos deuses!- Falou uma voz desconhecida, esse se vestia todo de preto.
—Obrigado, Dailik. -O homem de preto acenou com a cabeça. E Niakim continuou. -Bom essa é uma regra que nós não inventamos, e, bem, acredito que você seja um mago também, e se é, deve se curar sozinho.
—E se eu não for um mago de verdade? -Perguntou Kidash.
Primeiro todos ficaram quietos e depois aquela confusão de novo, pelo tamanho da confusão ninguém tinha pensado que isso poderia de fato acontecer.
—Ei! Ei! Ei! Ei! -Gritou Kidash. Todos ficaram um pouco mais quietos. -Vocês são piores que um bando de anões! Pelos deuses, é claro que sou um mago de verdade! Ou acharão que chapéus pontudos estão de volta na moda?
—É bom que não esteja mentindo seu estrelinha. -Kodash apontou uma flecha para ele.
—Porque ele mentiria? Nem nós sabemos o que fazer se ele não for um mago de verdade, quebra todo o jogo. E sem o jogo não sei o que faríamos aqui. -Falou um deles, vestido de verde escuro. O rosto era velho e muito triste.
—Esta bem, se sabe mesmo se curar então faça. -Encerrou Niakim, o roxo.
Demorou um tempo, mas Kidash conseguiu se curar sozinho. Alguns deles Kilim, o verde; Dailik, o negro e Danik, o laranja; não se importaram muito. Na verdade, Kilim nem se importou em assistir, logo que pode se meteu entre os corredores e ficou por lá sentado. Dailik deu um suspiro e apertou as mãos uma na outra quando começou tudo, mas no fim não se importou, talvez esperasse que Kidash não conseguisse e morresse ali mesmo, Dailik era estranho. Danik se sentou próximo de Kidash e tirou uma soneca tranquila. Nodish, o amarelo, incentivou Kidash a todo momento e quando terminou comemorou com um abraço caloroso no mais novo amigo. Kodash, o vermelho, ficou desconfiado e bateu o pé no chão o processo todo enquanto reclamava da demora, no fim falou que na próxima vez acertava em um lugar mais difícil de se curar. Niakim, o roxo, ficou bem próximo, sempre observando e ajudando como podia, dava para ver como lhe doía o coração ver alguém daquele jeito. Logo que Kidash ficou de pé, Nodish começou a falar sobre o jogo, mas falava tão rápido e tão animado que Kidash não pegava muita coisa, já começava a puxar Kidash pelo corredor...
—Nodish, mal sabemos o nome dele e ele mal entendeu o que você falou!- Falou Niakim, segurando a mão de Kidash para não ser puxado.
—É verdade, Niakim! É verdade! -Nodish respirou fundo depois de parar de andar, parecia difícil para ele ficar quieto. -Esta bem, qual seu nome?
— Kidash, Kidash Koshdain.
—E você é mago da onde? -Perguntou Nodish rapidamente.
—E-Eu não me lembro muito bem. -Respondeu Kidash coçando a cabeça. Ele sabia disso, mas não sabia ao mesmo tempo, era angustiante!
—Esta tudo bem! -Falou Nodish com um sorriso muito grande. -Ninguém aqui lembra de nada, mas que importa? Olhe esse lugar, é incrível, nunca se sabe o que se tem no próximo corredor!
—Eu digo o quê tem. Um outro maldito corredor! -Falou Kodash.
—Vamos parar de perder tempo! Niakim explique as regras para ele enquanto vou procurar Kilim. -Falou Nodish e saiu sem esperar resposta.
— Eu acho que deveríamos ficar aqui e descansar. -Falou Dailik, o negro.
—Você ficaria jogado num canto mais tempo que Danik se não tivesse medo de ficar sozinho aqui. -Kodash falou, mas Dailik só se encolheu.
—Esta bem. -Falou Niakim. -As regras são mais ou menos estas, toda vez que chegamos num corredor que o fim se divide em dois corredores (um para esquerda e outro para direita) jogamos o dado de doze faces, se cair par vamos para direita, ímpar para esquerda e se cair um numero estranho (três, sete ou onze) pulamos o muro e seguimos reto no próximo corredor. -Niakim mostrou o dado. -Agora, se chegarmos em uma encruzilhada jogamos o dado e se cair um numero par vamos reto, um ímpar vamos reto também e se cair um dos números estranhos voltamos para trás. E a última regra se virarmos duas vezes para esquerda no mesmo dia no próximo dia só iremos reto, mesmo que tiver que pular as paredes. Todos concordamos que virar para a esquerda duas vezes em um dia dá má sorte. -Kidash achou as regras todas muito bem feitas. — E quase me esqueci! Essa é uma das regras novas, se virarmos duas vezes seguidas para a direita nós acrescentamos um novo dado. -Niakim enfiou a mão num bolso da túnica e tirou uma saco com muitos dados. -Até agora são vinte e seis.
—Mas como vocês decidem qual deles usar na hora? -Perguntou Kidash confuso.
—Ora, nós jogamos todos e escolhemos o que queremos! -Respondeu Kodash como se a pergunta fosse estúpida de mais para uma resposta.
—Nem todos gostamos dos mesmos dados e nem todos gostam de regras. -Falou Niakim pegando um dado vermelho de quatro faces. -Esse é meu favorito! Você é um novo jogador, acho que deveria ter seu próprio dado!
—Ei! Ninguém te escolheu como líder temos que discutir sobre isso com todos aqui. -Kodash falou.
—Esta bem! Esta bem! -Respondeu Niakim
Até Kilim arrastar Nodish de volta para onde estavam todos demorou horas. Nodish foi procurar Kilim, mas foi Kilim que encontrou Nodish e teve que levá-lo de volta aos puxões, pois Nodish queria explorar. E se a espera demorou horas a discussão sobre dar um dado para Kidash demorou a tarde e a noite toda, mas no fim o dado novo foi aceito num placar muito acirrado de quatro a favor e dois contra. O sol nascia quando Kidash tirou o chapéu para pegar um dado dentro dele e ele teve uma ideia genial! Enfiou a mão lá dentro e tirou-a com um dado de formato esférico com um oito bem grande nele. Todos os magos ficaram maravilhados, era um dado incrível!
—É uma coisa grandiosa ai dentro. -Falou Nodish cutucando a cabeça de Kidash.
—Obrigado. -Kidash respondeu com um sorriso.
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