Notas iniciais
Minha primeira fic aqui no nyah! Espero que gostem~

Fico aqui pensando, o que será que é esse tal de “amor” que os adultos tanto dizem. Muitos dizem que te dá uma sensação boa e de alegria... então, por que o meu me machuca tanto?

Sou apenas uma garota comum, numa escola comum, com uma vida e uma ilusão de amor comum. Não tenho nada demais, uma tábua por completo, mais alta que muitos garotos que eu conheço e vejo pela rua, um cabelo tão liso e escorregadio que dá agonia. Acho que a única coisa que me salva mesmo é minha voz.

Levanto-me e vou até o espelho, pensando sobre minha aparência, hoje está razoável, levando em conta que eu acabei de acordar. Faço minhas duas marias-chiquinhas de sempre e ponho o mesmo vestido de dois meses atrás. O vestido é totalmente negro com nenhum tipo de adorno ou babado.

Faz dois meses que minha mãe morreu.

Olho para o relógio e vejo: onze horas e quatorze. A essa hora ela já estaria me chamando para ajudar no almoço. Sinto falta disso e de muitas outras coisas que ela fazia. Fugir de casa aos dezesseis anos com a saúde frágil para cuidar de mim, me faz sentir orgulhosa de ser filha dela.

Mas... não me surpreendi com sua morte e, para ser sincera, nem fiquei como naquelas cenas de filme, me lamentando com os olhos inchados de tanto chorar. Ela já estava ficando pior a cada segundo, mesmo com a medicação. Me chamaram de sem coração. Bem, estou começando a sentir que isso é uma possibilidade. Apesar de tudo, já estava mesmo me acostumando com a ideia de morar sozinha.

Desço as escadas e vou comer as sobras do jantar de ontem, um pouco de sopa e um doce de chocolate. Tudo frio, está calor e não quero ficar com febre logo hoje.

Após comer, ponho a louça na pia e pego a ultima margarida do vaso. A flor favorita de minha mãe. Tínhamos milhares delas pelo jardim, mas agora quase todas desapareceram. Não tenho tanta vontade e animo para cuidar dessas flores como ela antigamente.

Saio de casa, pensando como conseguirei dinheiro para esta semana. De preferência um que não tenha um chefe que quase me abuse.

Algo toca no meu ombro.

- July! Finalmente te encontrei. Posso conversar com você?

Me viro e vejo minha melhor amiga Clare. Uma negra mais baixa e gordinha que eu. Quando a conheci, usava uns óculos fundo de garrafa que deixava ela com olhos enormes, atualmente usa lentes de contato azul celeste. É um pouco estranho mas com o tempo se acostuma.

- Claro Clare. O que aconteceu agora? – Acabo perguntando, mas para falar a verdade não estou nem com o mínimo de animo para saber dos problemas dela. Eu sei que soa egoísta, mas não tenho culpa que a minha situação esteja me deixando nesse estado, sem o mínimo de curiosidade.

- Hoje é o dia não é? – Ela diz olhando para o vestido e em seguida para mim, com uma expressão meio triste. – Eu posso te acompanhar? Eu sei que pode ser um incomodo, e eu a visitaria sozinha, mas eu já esqueci onde é. – O tom de sua voz é um pouco tenso, sua mão treme de leve e está suando frio. Talvez, preocupada com o fato que eu talvez me zangue com ela mais uma vez, pela sua falta de memória para localização de lugares.

- Claro que pode vir Clare, afinal, vocês eram muito amigas não é? Sem falar que sua presença vai me tirar um pouco da tensão.

- Sério? Ainda bem... – Ela se acalma e suspira aliviada. – Eu trouxe algumas tulipas. Eu sei que ela gostava mais de margaridas, mas não tinha outras flores no jardim.

- Tudo bem Clare, tenho certeza que ela não vai se importar por ser tulipas.

- Bem, como foi sua semana? Você parece que tem me evitado... – E realmente a evitei.

- Desculpa de verdade Clare, tem sido uma semana um pouco... complicada.

- Mas, como assim complicada? – ela para de andar em frente a uma confeitaria. “Twins Roses”

Que nostálgico. Eu lembro que eu vinha aqui com minha mãe e Clare quando eu era menor. Pelo que me lembre, não era muito caro e ainda tinha ótimos doces. Acho que faz uns três anos que eu não entro aqui.

- Quer entrar para conversar? – Falo olhando para ela e em seguida para a vitrine. Uma parede com duas janelas altas faz com que entre luz e que se tenha uma ampla visão da rua e das pessoas do lado de fora (ao menos, acho que deve ser assim) e, se tem vasos de com rosas salmão no chão. – Eu acabei de almoçar, não sei se vale a pena.

- July, eu não tenho nem a menor ideia do que aconteceu com você essa semana, mas não deve ter ido nada bem. Só quero comer um bom bolo e jogar conversa fora antes de ir para aquele lugar nesse belo domingo.

Agora que ela falou, o dia está ensolarado , mas está fresco e se está bom para fazer qualquer coisa. Este dia me lembra minha mãe. Este calor não muito forte me faz lembrar de quando ela me acalmava com abraços, quando eu tinha medo de uma tempestade ou de quando eu me machucava.

- Mas se é domingo, por que a confeitaria está aberta?

- Bem, os donos são um casal uns oito, seis anos mais velho que sua mãe não se lembra? Sem filhos e eles aparentemente não tem o que fazer, então trabalham. Nunca se vê eles com canseira ou meio tristes, então não se preocupe, eles não se matam para fazer os doces. – ela ri e entra na loja.

A confeitaria estava mais fresca que o lado de fora com, por incrível que pareça, apenas dois ventiladores antigos pintados de branco ajudando. A bancada é de uma madeira mais clara e está cheia de doces e um pouco de salgados. Tem um homem, com os cabelos começando a ficar grisalhos, sorrindo para nos. Já não lembro mais de seu nome. Atrás da bancada tem uma parede de vidro que dá direto para o quintal e dá de ver um casal de namorados. Apesar de eles estarem um pouco constrangidos estão bem felizes.

- Lindos não é? – Clare fala, me tirando do transe e me assustando um pouco. – Queria poder ter um amor assim para mim. E aposto que você também, mesmo com esse seu coração de pedra, você deseja isso não é mesmo?

Essa fala me faz ficar um pouco envergonhada, já que de certo modo, é verdade. Sempre desejei que isso acontecesse, mas nunca achei alguém especial a esse ponto.

- Hein? Hein? – Ela começa a me cutucar e me agarra uma gargalhada baixa. Fazia tempo que eu não ria assim, tão solto. – Aha! Arranquei uma gargalhada então vou considerar isso como um sim. Bem, no final você ainda é uma garota não é?

- Está me chamando de garoto? – Sento na mesa que eu tinha visto antes de entrar, perto da vitrine. A vista para a rua é simplesmente maravilhosa, assim como eu tinha imaginado. A mesa é de vidro, com uma toalha de renda e uma camélia num vaso de vidro ao centro. Está tudo tão delicado, que parece que só de olhar pode se quebrar.

- Não... – Ela fala meio enrolado e em seguida ri e se senta na mesa. – Quanto tempo faz que você não vem aqui?

- Acho que uns três anos.

- Três anos?! Caramba, como conseguiu? Você adorava vir aqui quando éramos menores. Lembro que vínhamos quase toda semana.

- Eu sei, mas ao menos, eu estou aqui mais uma vez não é?

Após isso vem uma mulher, com cabelos castanhos e com aparentemente uns trinta e oito anos. Pedimos alguns doces que eu lembrava de ter comido quando eu era pequena e conversamos por cerca de duas horas.

Falei como minha semana foi, contei sobre o chefe pervertido e a correria da semana, que mesmo de férias, fiquei tendo que conseguir bicos, para não gastar o pouco do dinheiro que tenho guardado no banco. Já ela, falou que conseguiu entrar no clube de fotografia que tanto queria, e que tem um garoto, um pouco mais alto que eu, que ela achou simplesmente perfeito.

Como ela está sempre “apaixonada” não me surpreendi com isso. Ela é facilmente vulnerável quando o assunto é amor, mas nunca se importou de ser rejeitada por qualquer garoto. Bem, o bom é que ao menos ela realmente se atrai ao rapaz e não fica com ele apenas pelo dinheiro que ele tem.

Quando finalmente cansamos de ficar paradas e a conversa foi parando, decidimos ir pagar a conta e, como em teoria , ela me convidou, insistia para não gastar meu dinheiro em doces e que ela os pagaria para mim. E assim, ficamos uns cinco minutos discutindo quem iria pagar a conta, e no final, tive que aceitar. Ela é teimosa demais as vezes. Bem, isso prova que ela realmente é uma amiga que eu posso contar... aparentemente.

Fomos ao encontro de minha falecida mãe.

Consegui um lugar apenas para ela, ao pé de um ipê rosado, foi complicado conseguir a documentação e ainda me cobraram um pouco a mais para isso, mas no final não me importei. Eu gostaria que ela tivesse sua passagem em paz e com uma lembrança, afinal, fomos nos duas que plantamos aquela árvore.

Saímos da loja, já em silêncio. Clare está com meio bolo de café e chocolate cremoso em uma sacola. Acabamos pedindo um bolo que acabou, no fim das contas, grande demais para nos duas (ainda mais que já tínhamos comido outros doces antes).

O silêncio predominante é um tanto incômodo, cada uma com seu pensamento, fica até mesmo difícil dizer que estávamos rindo e conversando feito loucas a menos de dez minutos atrás. Agora, parecemos até mesmo duas meras desconhecidas.

Notas finais
Por favor me digam o que acharam sobre este capitulo ^^ gostaria muito de saber a opinião de vocês! E se é um daqueles clichês que dão um troço só de olhar :v
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.