Entrelinhas Percy Jackson E Os Heróis Do Olimpo

1 Argo II, Uma noite inesquecível (Percy)


Notas iniciais
Embora não contenha exatamente spoilers, como a historia se baseia no meio do livro A Marca de Atena, a leitura é recomendada para quem ja teve o prazer de ler esse fabuloso livro criado por Rick Riordan...

Percy



Percy andou pelo piso do Argo II, que oscilava periodicamente a medida que Leo o manobrava. Passava pela parte inferior do grande navio, rumo ao seu quarto. Era realmente impressionante o quão genial era a construção do garoto. Claro que Leo tinha jeito um tanto “incomum” de agir, mas era, sem duvida, um verdadeiro filho de Hefesto.

No caminho, passou pela porta do quarto de Annabeth. Não pretendi entrar, mas a imagem da jovem sentada na cama de costas para ele, o notebook de Dedalos no colo enquanto, sem a mínima duvida, seus pensamentos voavam na velocidade da luz refletindo a solução de todos os seus problemas era irresistível.

Era injusta a forma com que eles haviam sido separados. Namoraram por alguns meses e, quando tudo parecia perfeito, ele fora obrigado a esquecer todos os momentos dos últimos anos... Mas não esquecera ela. Os cabelos loiros e inteligentes olhos cinzentos nunca deixaram sua mente...

– Toc Toc... – falou ele à porta, controlando o tom de voz para não acordar os outros, que dormiam no meio da noite.

– Percy... – Annabeth fechou o notebook no colo e se virou para ele, um sorriso verdadeiro, mas preocupado no rosto.

– Posso entrar?

– Depende. Tem certeza que está pronto para enfrentar a fúria de Hedge quando ele descobrir que esteve aqui?

– Qual é? Sabe que enfrento tudo por você. – Ele deu um passo a frente e ela sorriu novamente, dessa vez mais naturalmente.

– Algo importante? – perguntou ela como se temesse que mais problemas fossem aparecer.

– Sim. Muito.

O rosto de Annabeth se fechou. Ele imaginou que ela se perguntava o que acontecera agora. Com a vida que tinham, não seria tão estranho nem se um camarão gigante tivesse voado pelo céu e atacado o barco. Pensar naquilo o fez ter um calafrio.

– O que aconteceu?

– Nada. Só precisava te ver um pouco.

A garota respirou aliviada.

– Percy... Não me assuste desse jeito. – ela deu um murro em seu ombro. – disse que era importante.

– E a imensa saudade de um namorado não é algo importante para você? – brincou ele se sentando à cama e a envolvendo num braço. Ela apoiou a cabeça em seu ombro.

– Eu sei o que sente. Nesses últimos dias sinto que não pudemos ficar juntos direito. Mesmo em momentos como esse, em que estou à alguns centímetros de você, sinto sua falta.

Ela o abraçou mais forte e ele corou um pouco.

– Estou aqui com você, Annabeth. Sempre.

Ela se afastou um pouco para conseguir olhar em seus olhos verdes. Ele viu algumas lágrimas ameaçarem cair das pupilas cinzentas da garota.

– Está tudo bem? – Percy perguntou.

Ela tentou disfarçar, mas ele conseguia ver que algo a preocupava. Ela olhou para o notebook fechado e o tocou distraída nos próprios pensamentos.

– Essa missão. Não sei se consigo. Durante todos esses séculos ninguém conseguiu encontrar a Marca de Athena e agora todos esperam que eu consiga... – ela parou por um momento. Percy sabia que ela se arrependera de falar aquilo. Mesmo que a namorada confiasse nele, o garoto conhecia a loira como ninguém. Admitir medo ou fraqueza era algo difícil para Annabeth, mesmo que com ele...

– Escuta. Eu entendo o seu medo. Também não gosto nada dessa história de você ter que ir sozinha para essa missão. Quem fez essa droga de regra? – por um momento ele se perdeu, mas depois retomou o foco. – Escuta, Sabidinha. Se tem alguém que eu sei que pode fazer isso é você. E se você precisar eu vou com você. Não ligo se dizem que não posso te ajudar. Deve ter um jeito de ...

– Não. – falou ela prendendo o choro. – Eu agradeço, Percy, mas não tem outro jeito. Sei que devo ir sozinha. Além disso você tem que encontrar Nico. Ele precisa de você...

Percy não discutiu. Sabia que era inútil e, além disso, sabia que, como sempre, ela estava certa.

– Bom, falamos disso depois. – falou ele acariciando seu ombro. – Não vim falar de problemas...

Ela limpou as lagrimas do rosto vermelho de choro.

– E de que veio falar?

Ele ficou sem resposta. Nem planejara ir ali, na verdade. So sentiu que tinha que vê-la...

– Lembra de quando estávamos no terraço? Não tinha me sentido tão bem em muito tempo. Precisamos de momentos assim. Só nós dois...

Ele se aproximou dela e os dois se beijaram, suas línguas se abraçando em harmonia. Annabeth se afastou por um momento para respirar.

– Não está mesmo com medo de Hedge? – brincou ela. – Ele já pensa que nós...

Percy corou de novo. Aquele era um assunto que eles ainda não haviam conversado a respeito. Quer dizer... Antes discutiram algo sobre, mas depois que ele desapareceu o assunto nunca fora mencionado, nem depois da noite em que dormiram no terraço. A não ser em sua mente...

– E se tivéssemos? – jogou ele, o coração aos pulos.

Dessa vez quem corou foi Annabeth.

– Percy... ainda é cedo para...

– Anne, pelo o que sabemos podemos estar mortos amanhã. Nada é cedo em nossas vidas. Quer dizer, eu não to tentando te apressar, mas...

O silencio pairou no ar. Ela se aproximou dele e o beijou. A saliva dela parecia o mais gostoso mel. Os dois se envolveram até que ele deitou por cima dela, as bocas ainda coladas. A tensão ia aumentando. Percy sentia uma excitação que nem sabia mais se poderia conter. Era como se sentisse a necessidade de estar com ela. Nem ali, enquanto se beijavam, parecia estar completo. Era como se corresse atrás de algo que, cada vez que ele chegava perto, parecia se afastar ainda mais. Estava quase que desesperado, mas um desesperado bom...

Então, instintivamente, ele colocou a mão por baixo da camisa da garota e começou a acariciá-la. Não foi muito longe. Apenas circulava o indicador em volta do suave umbigo dela, enquanto a beijava. Estava tão bom que o tempo pareceu parar. Annabeth também parecia gostar bastante. Ela respirava ofegante e começou a puxar sua camisa para cima lentamente. Ele percebeu que ela ainda tinha duvidas sobre o que faziam, pois subia o tecido laranja dele devagar, hesitante, como se lutasse para parar, mas não conseguisse se conter.

Em fim, Percy sentiu sua camisa ser removida. O toque dela diretamente em contato com a sua pele foi indescritível, principalmente porque ela pressionava seu corpo contra o dela com desejo.

Percy fez o mesmo e retirou a blusa da garota, mas não demorou tanto quanto ela. Estava numa euforia enorme, desesperado para ver a namorada por dentro das roupas.

Annabeth usava um sutiã preto, destacando a perfeição do seu corpo. Seios perfeitos e uma pele lisa. Ele já a tinha visto de biquíni algumas vezes, mas ali era diferente. Não sabia porque, mas ela parecia mais madura, mais linda, se é que possível.

Percy a beijou de novo. Seus braços musculosos a envolveram e seu peito tocou diretamente a pele dela. Era como se todo o tempo que passaram separados tivessem valido a pena só por causa daquele momento. Mesmo que acabasse ali, Annabeth já fizera valer tudo o que passaram juntos: Procurar o raio roubado de Zeus, navegar no mar de monstros, resgatar a amada de Átlas e carregar a maldição do titã, segui-la no labirinto e enfrentar toda a guerra com Cronos valera a pena só por causa daquele momento. Mesmo que morressem tentando salvar Nico. Mesmo que Gaia despertasse e destruísse tudo que conheciam. Ele não se importava com aquilo agora. Tudo o que importava era ela.

Percy sentiu algo um pouco constrangedor, mas também gratificante. Seu penes começava a pressionar o zíper da calça jeans e Annabeth o sentiu, pois ficou vermelha e parou de acariciá-lo.

– Percy... – falou ela ofegante. Ele parou de beijá-la e a fitou. – Não posso... Ainda é cedo.

Imediatamente ele saiu de cima dela. Se não o fizesse naquele momento não conseguiria nunca mais.

– Tudo bem... – falou ele. Entendia que era difícil para ela. A namorada carregava um fardo muito grande. Perder a virgindade ali seria demais para ela.

– Me desculpe... – ela parecia arrependida, como se tivesse brava consigo mesma.

Ele sorriu do jeito dela.

– Não se desculpe. No mínimo essa “amostra grátis” vai fazer a nossa primeira vez mais especial. Esse momento já fez valer todo o tempo que passamos separados.

Ela sorriu.

– Só você para ser tão compreensivo, Cabeça de Alga. Obrigada.

– Mas acho melhor eu ir para o meu quarto. Enquanto não esconder aquele taco do Hedge, preciso tomar cuidado com essas espreitadas.

Percy se levantou e vestiu a camisa laranja. Percebeu que Annabeth varreu seu corpo com os olhos e fixou o olhar no volume em sua calça. Os pelos de sua nuca se arrepiaram.

– Boa noite. – Percy falou. – Sonhe comigo.

Os dois se beijaram

– Pode deixar. Falaria o mesmo para você, mas nem sei se preciso.

– Você é uma Sabidinha convencida, não é? – ele falou brincando e saiu do quarto. Confessava estar um pouco frustrado, mas nem um pouco bravo. Naquela noite ele sentira uma parcela de tudo o que a garota era. E, mesmo que incrível, havia sido uma parcela pequena.

O silencio pairava no navio. O corredor que ligava os quartos estava deserto e pouco iluminado. Percy andou na direção do seu próprio dormitório, como pretendia antes de encontrar a namorada.

Estava ainda nos primeiros passos quando Jason e Pipper apareceram na escuridão. Ela estava descalça e ele calçava meias, por isso Percy não ouviu seus passos.

– Percy? – ela pareceu surpresa ao vê-lo ali. O braço que antes envolvia Jason se desprendeu constrangido.

– Ah... Oi. Boa noite.

Jason franziu as sobrancelhas. Envolvia a cintura de Pipper e vestia uma camisa sem mangas e jeans.

– O que faz aqui, Jackson? Tudo bem? – perguntou ele.

– Eu estava no banheiro...

Passos vieram de cima em ritmos rápidos até alcançá-los.

– Qual é, galera? – falou Leo descendo as escadas. Os olhos demonstravam cansaço, mas a voz estava ativa como sempre.

– Leo? – perguntou Pipper. – Se você está aqui, quem está nos controles do navio?

– Ah, está no piloto automático. Festus pode assumir a partir daqui. Afinal, até os gênios precisam descansar um pouco, não é?

Percy achou graça no comentário.

– Mas e vocês? – perguntou o garoto hiperativo, que ocupava as mãos girando um dos botões do cinturão. – Não está tarde para ficarem andando por ai? Depois das aventuras de Percy e Annabeth no celeiro”, Hedges está bem mal-humorado...

– Estávamos apenas dando uma volta... – falou Pipper. – E Percy estava... no banheiro.

A forma que ela se referiu a ele deixou Percy confuso. Será que ela e Jason tinham ouvido algo enquanto passeavam pelo navio?

– Ah... – Leo conseguiu demonstrar sarcasmo numa única sílaba. – Não me lembro de ter construído um banheiro no quarto de Annabeth.

Percy corou instantaneamente. Como ele sabia?

– O que? De onde tirou isso? Estava no banheiro...

– Qual? Aquele que é do lado do seu quarto, caminho oposto ao que estava? – Leo estava convencido a não deixar a espreitada dele no quarto da namorada passar despercebida...

– Não se preocupe, Percy. Não tem nada de errado nisso. – Pipper estava em tom de consolo.

– Eu sei que não tem nada de errado! – retrucou. – E não aconteceu nada...

– Tem certeza disso, Jackson? – Jason se manifestou assim que ele respondeu à garota. – Seu corpo diz o contrario.

Se possível, Percy ficou ainda mais vermelho, pois percebeu que o volume em sua calça ainda estava perceptivelmente grande.

– Pelo ou menos eu e minha namorada estamos tendo alguma ação, Grace. – Percy estava na defensiva. Foi a vez de Pipper de ficar vermelha como um tomate.

– Wow! Calma aí, pessoal. Não é uma competição. – falou Leo. – Até por que se fosse eu não teria nem saído da linha de partida. Foi só uma brincadeira, Percy.

Percy sabia que Leo tinha razão, mas não gostava de ser caçoado numa situação tão delicada. Além do mais, Jason não era muito bom em fazer brincadeiras.

– Tudo bem. É que... Bom, deixa pra lá. E você deveria treinar seu “tom de brincadeira”, Grace. Fica impossível saber se está ou não falando sério.

– Essa é a graça. – falou Jason sorrindo.

– Bem melhor. – Percy respondeu. – Você está transformando esse cara, Pipper.

Ela deu uma risadinha sem graça.

– Pelo o visto Annabeth faz o mesmo com o “cara” daí de baixo... – brincou Leo.

Percy olhou serio para ele.

– Desculpe. Não resisti. Em fim, vou dormi. Não aquento mais sacudir aqueles controles de Wii. Meus braços já estão doloridos.

Leo se afastou na direção do quarto dele. Percy fez o mesmo e Jason e Pipper continuaram o que faziam. Deram as mãos e subiram as escadas...

Ele entrou no quarto e, quando tirou a camisa, percebeu que essa estava pelo avesso. Provavelmente isso ajudara a entregá-lo aos amigos. Depois deitou na cama. Precisava dar um jeito de desfazer aquele tesão causado pelos eventos passados...


Notas finais
Espero que tenham gostado. Estou planejando escrever a continuação em breve. Obrigado pelo tempo dedicado. Por favor, comentem!!!