Entrelaços
1 Ajuda
Charlotte caminha pela rua indo para casa, está pensando no tempo nublado enquanto olha para o céu do entardecer. Aparentemente a chuva se aproxima, e ela anda mais rápido cada vez que o vento balança seu cabelo.
— Preciso chegar em casa logo, pegar essa chuva não parece uma boa ideia, da última vez teve até raios. — Fala com si mesma.
Virando a rua da farmácia ela vê um homem estranho do lado da clínica veterinária, só tem apenas ele na rua vazia e silenciosa. O observando ainda de longe, percebe que chuta algo, e ao chegar mais perto se assusta com a frieza do homem. Ele tortura um filhote de gato sem pena, Charlotte fica perplexa.
— Caralho! O que ele está fazendo?! Está louco?! — Se pergunta indignada.
Mesmo sem saber exatamente o que fazer, ela vai até ele tomada por uma grande raiva e empatia.
— Hey! O que está fazendo? Por que está chutando esse gatinho? — Indaga.
O homem a encara por um momento, a seriedade dele a faz engolir seco, mas ele não permanece calado:
— Esse gato maldito está entrando na minha casa e fazendo aquelas merdas por todo lugar. Não aguento mais isso, ele aparece lá na puta que pariu fazendo as mesmas coisas todo dia. Agora saia daqui, você não tem nada haver com isso. — Diz grosso.
— Se você mora longe, então como sabe se é esse gato? Não acho que com essa idade ele andaria muito e saberia ir direto até sua casa, senhor. — Deduz.
— Mesmo se não for esse o gato, ele não se torna melhor que os outros, é tudo maça podre da mesma árvore. Vai pagar pelo o que aquele gato nojento fez, e quando eu achá-lo também vai pagar por toda bosta que fez na minha casa. — Se mostra sem sensibilidade.
— Não. Não pode fazer isso, é errado, não pode! — Se joga na frente dele.
— Sai da minha frente garota! — A empurra forte.
Ele pega o gatinho do chão e começa a socar com a mão.
— Não! — Tenta pegá-lo. — Vai matá-lo, seu imbecil!
— Fique quieta! — Ele pega sua cabeça e bate na parede. — Cala a boca desgraçada!
O homem a deixa com a cabeça cortada e tonta, ela fica paralisada encostada na parede por uns instantes. Enquanto isso a chuva se aproxima e os ventos ficam mais fortes gradativamente, ele continua a torturar o gato.
— PARE! — Ela grita e começa a batê-lo.
Ele que está cheio de raiva e muito irritado com Charlotte, perde totalmente a paciência e a joga no chão com toda a força, ela cai em cima de umas pedras e arrasta o braço na parede. Quando o homem a vê machucada e caída no chão, entra em desespero, ele joga o gato em cima dela sem zelo e sai correndo, na mesma hora começa a chover; ela se levanta com cuidado.
— Ai minha cabeça! Que droga! — Se põe em pé. — Que homem louco! Estou toda machucada... está chovendo... Aff!
Ela olha para baixo e vê o gatinho machucado na chuva como ela.
— Gatinho! — O pega.
Olha em volta, não tem ninguém na rua, a chuva engrossa rápido e fica cada vez mais frio.
— O que eu faço? — Se pergunta olhando a sua volta com o gato nos braços, ambos machucados e encharcados; com frio.
Sem saber o que fazer, ela caminha no meio a uma quase tempestade, tropeçando pelo caminho por mal conseguir ver por causa da intensidade da chuva. Chega em frente a uma casa e se senta cobrindo o gatinho, fica lá com ele.
Quase uma hora depois um táxi para na casa, dele desce um rapaz, altura mediana, com casaco grosso e bolsa de trabalho; ele procura as chaves do portão. De repente ele nota a presença de Charlotte, a vê sentada perto do portão, se mantém sério. Observa um pouco, analisa as características, franze a testa, mas não demonstra nenhuma expressão. Apenas diz:
— Charlotte? — Indaga confuso.
Ela levanta o rosto; vê sua bochecha sangrando, o sangue misturado com a água da chuva, testa ralada e o braço esfolado em uma grande parte, toda molhada e tremendo. Ele ouve um miado, é quando vê o gatinho no seu colo:
— Eu preciso de ajuda. — Diz calma.
Tomado por uma grande avalanche de lembranças ele não diz nada por uns segundos, apenas a encara ali, mas acorda do transe:
— Venha. — Abre o portão.
Ela se levanta e o segue. Ao entrar percebe que tem só um carro na garagem, quando na verdade são dois, está tudo em silêncio e a casa está toda fechada, observa tudo. Ele abre a porta da casa:
— Se sente. — Diz colocando a bolsa no sofá e vai em direção a cozinha.
Charlotte se senta, coloca o gatinho no chão e fica tímida olhando ao redor:
— Está tudo como eu me lembrava... — Resmunga.
Ele volta com uma maleta nas mãos.
— Eu.. eu estou molhando o sofá. — Avisa.
— Tudo bem. — Conta sem a olhar, pega algumas coisas na maleta. — Você teve sorte.
— Tive? — Ele se agacha na sua frente e começa a limpar seu ferimento na bochecha. — Ai! — Resmunga.
— Teve. Eu não estou morando mais aqui.
Ela o olha confusa, ele lê seu olhar.
— Meus tios viajaram e pediram para eu ficar aqui para cuidar da casa, e como estou de folga esse final de semana e não tinha mais nada para fazer, aqui estou. — Explica sério. — Mas então, o que aconteceu com você?
— Eu... eu estava indo para casa quando encontrei um homem quase matando o gatinho na rua...
— E você foi lá e se meteu. — Completa já deduzindo seguro.
— Sim. — Afirma. — Não ia deixar matá-lo.
— Eu sei. — A olha sério. — Mas por que esses seus ferimentos? — Pergunta cuidando deles.
— O homem foi bem agressivo e não gostou da minha intromissão. — Comenta.
— Ele te bateu?! — Questiona mais forte.
— É... Me jogou na parede e no chão, numas pedras. Depois fugiu. — O conta meio receosa.
— Cretino! — O xinga com raiva. — Acabei. — Se levanta do chão.
— Obrigada... pela ajuda. — Agradece sincera.
Ele que está de costas guardando as coisas paralisa:
— Me diz uma coisa... por que me procurou? — Vira para ela.
— Porque... Eu não podia ir para casa sangrando, mamãe ficaria louca, a casa mais próxima que tinha para eu ir era a sua. Eu nem pensei direito, só vim. — Explica.
— Não achei que com tudo que aconteceu ainda me procuraria quando precisasse de ajuda. — Conta indo guardar a maleta.
— Eu sei... ainda mais depois de tudo que fez, eu também não achei que faria isso, te procurar. — Fala o completando.
— Opa! — Volta. — Depois de tudo que eu fiz?! — Indaga.
— Sim! — Assegura.
— Você disse que nosso relacionamento estava ruim, que não estava mais gostando de mim. Você nunca me amou de verdade, Charlotte.
— Eu nunca te amei de verdade?... — Se levanta. — Estávamos numa festa com todos os nossos amigos mais próximos, você bebeu exageradamente, tentei tirar o copo da sua mão e você me empurrou, mas mesmo assim joguei aquele maldito copo no chão porque já estava bêbado demais. Desde o momento que eu te tirei de todas aquelas bebidas e música e te levei para um quarto para melhorar, você me disse coisas como: "você é sem graça demais." " eu devia arrumar uma namorada que soubesse se divertir.", "não quero minha mãe do meu lado toda hora.". Era para ser uma noite legal, mas você me magoou, Ted. Cuidei de você, só que depois que o efeito do seu álcool passou, eu já estava magoada demais.
— Eu estava bêbado, muito louco e quase alucinando, não foi só eu que fiquei fora de si. Falei merda para todo mundo e todos me perdoaram depois, menos você. Pedi desculpas e não me desculpou, então acabou. — Lembra.
— Cada um seguiu sua vida, e quase um ano depois estamos tendo essa conversa mais um vez... — Relembra. — Bem, está na hora de eu ir embora. — Procura o gatinho.
— Não acho que vai ser possível isso. — Ele avisa.
— Por que?
— Se não percebeu, está tendo uma tempestade lá fora. Não estou com as chaves do carro do meu tio e com certeza os táxis não estão rodando. — Esclarece.
— Vou ter que passar a noite aqui... — Resmunga deduzindo.
— O que vai dizer para seus pais? — Pergunta curioso.
— Tenho 19 anos, não preciso dar tantos detalhes da minha vida para eles. — Diz um pouco na defensiva.
— Hum. Tanto faz. — Resmunga. — O telefone está ali, fique à vontade. Vou tomar banho.
— Okay. — O vê indo para o banheiro do quarto.
Quando Ted sai do banho já são 19h, ele a vê sentada no sofá vendo série na Netflix. Percebe que sua roupa ainda está molhada.
— Quer uma roupa minha?
— Hum?
— Sua roupa está toda molhada. — Enfatiza.
— Ah! Aceito uma roupa.
— Tá. — Não transmite expressão.
Ele se troca e volta com uma roupa dele nas mãos.
— Não tenho muita roupa aqui, então vai ter que ser essa. — A entrega.
— Está bom. — Coloca no sofá.
Ela tira a blusa sem vergonha, depois o sutiã. Ele paralisa e respira fundo:
— Eu... vou ver se tem algo para comer. — Diz já saindo.
— Okay. — Continua se trocando.
Ted olha dentro da geladeira e no armário, não vê nada que desse para comer na hora além de biscoito e leite.
— Não tem nada, vou pedir uma pizza. — Avisa pegando o telefone.
— Onde eu coloco minha roupa molhada?
Ele a olha vestida na roupa que deu, encara seu corpo levemente molhado por uns segundos e responde:
— Deixe no banheiro que já já dou um jeito.
— Tá.
A noite passa rápido, a pizza chega e eles comem com refrigerante de cola, sem conversar muito, apenas algumas palavras. Após comer, Ted decide deitar e aproveitar a chuva da tempestade vendo TV no quarto.
— Eu vou me deitar. Quando quiser dormir... Seu lençol está na sua cama. — Avisa apontando para o quarto ao lado.
— Okay. Obrigada.
Ele não diz nada, balança a cabeça e entra no quarto dele.
A tempestade piora com o passar das horas, já ficando tarde Charlotte decide ir dormir. Ela vai para o quarto dela e se enrola nos lençóis. Começa a dar trovões, um mais alto que o outro, e ela treme coberta dos pés a cabeça. Um trovão muito alto parece quase derrubar a casa, seu coração acelera descontrolado e ela corre, para em frente ao quarto de Ted, está completamente assustada.
Ele a vê paralisada, branca e com os olhos arregalados na porta de seu quarto:
— Ainda tem medo de trovão? — Brinca sarcástico.
— Humrum. — Balança a cabeça assustada ouvindo os trovões.
— Venha, deite aqui, Charlie. — A chama para sua cama. — Tem bastante espaço para cada um.
Mais um trovão bem alto faz seu coração acelerar, ela corre e sobe na cama o abraçando enquanto olha para cima com os olhos arregalados. Ele também sente o coração acelerado, mas não por causa dos trovões.
— Está tudo bem.O trovão não é nada demais, sabe disso. — Tenta acalmá-la. Alisa seu braço levemente com um pouco de receio.
— Humrum... — Resmunga muito baixo enquanto o aperta mais.
Ele a tenta distrair assistindo filme, mas a cada trovão um pouco mais alto ela treme.
— Eu vou fazer pipoca, ajuda a distrair. — Impulsiona se levantar.
— Não! — O segura.
Ted cai em cima dela, respira fundo.
Os dois se olham e ficam sincronizados, o clima fica diferente:
— Seu corpo em baixo do meu me dá muitas lembranças. — Ele comenta hipnotizado.
— A mim também... — Conclui.
Charlie coloca as mãos por baixo da sua camisa o alisando, ele apenas a observa. Ela segura sua camisa e a tenta tirar, ele a ajuda. Ela o beija de surpresa, um beijo forte e quente e ele não consegue se controlar depois disso. Quando se soltam Ted suspira forte:
— Você me deixa louco! — Exclama.
Ele se encaixa no meio de suas pernas, tira sua blusa apressado. Beija sua barriga, sobe devagar, beija e morde seus seios, chupa seu pescoço, e perde o fôlego beijando sua boca. Os corpos deles se mexem chamando um ao outro, movimentos de puro desejo, é como um reencontro depois de tanto tempo distantes. Um reencontro dos corpos. Ele tira sua bermuda, e alisa suas pernas subindo lentamente enquanto a aprecia nua deitada na sua cama. Após tirar a calça e a cueca, muitas loucuras voam soltas e o frio é pouco para esfriar o fogo de seus corpos, nem a tempestade os faz perder o foco. Nada mais os consegue parar no meio de suor, arranhões, beijos, mordidas, gemidos, calor, e muito descontrole.
Sábado, 16 de Janeiro.
Na manhã seguinte Ted acorda cedo, a vê dormindo do seu lado, cobre seu corpo nu com um lençol e se levanta. Caminha sem roupa até o banheiro:
— Olá! — Fala com o gatinho que está deitado do lado da porta.
Entra e se olha no espelho:
— Caralho! — Bagunça o cabelo. — Que noite... — Suspira talvez arrependido.
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