Notas iniciais
Capítulo dedicado à Thaaty!
Obrigada por ler e recomendar a fic!
Beijos!

–Sasuke... – Sakura murmurou ainda tendo seus lábios pressionados por ele. –Espera. – disse baixinho, conseguindo chamar a atenção dele que deixou de apertar a cintura fina dela.

–Muito rápido.

Ele sorriu da maneira que somente ele conseguia naquelas horas. –O que é dessa vez? – perguntou puxando uma mexa de cabelo que enrolou no dedo. –É por causa de Ino, não é?

–Eu prefiro fazer as coisas sem achar que estou fazendo algo errado. – ela respirou fundo, sendo observada por aquele par de olhos negros que facilmente deixava-a desnorteada. –E, embora eu não faça parte de sua família, é um pouco indelicado manter um relacionamento de homem e mulher com você.

Sasuke respirou fundo, divertindo-se com a expressão confusa nela, e roubou-lhe um beijo rapidamente.

–Sasuke!

–E o que podemos fazer? – perguntou mudando de assunto, sem deixar o tom de voz descontraído.

–Eu não sei.

–Ora!Isso é muito fácil! – arrastou-a pelo braço, levando-a até a janela, e deixou-a a sua frente, de costas para ele. –Há muitas coisas que podemos fazer a partir de hoje.

–Como o quê, por exemplo? – indagou fechando os olhos, assim que as mãos de Sasuke penetraram seu couro cabeludo.

–Podemos nos casar, mas, apesar de parecer muito fácil, seria a coisa mais difícil de fazer. Casaríamos muito novos. Iríamos aprender a conviver juntos. Teríamos que nos sustentar, talvez até você engravidasse – Sakura corou. –, e por último teríamos uma separação precoce. – Sakura balançou a cabeça concordando com ele.

–Essa análise não surgiu de repente, não foi?

–Não. – respondeu rindo junto com ela. –Na verdade eu nunca pensei em me casar um dia.

–Você é um garoto extremamente precavido.

–Espero não ter acabado com seus sonhos. – Sakura se virou para ele.

–Você está completamente enganado se acha que tenho sonhos de me casar, ter filhos e ser completamente feliz.

–Acho sim.

–Pois não deveria já que estamos vivendo em um mundo moderno. – sorriu.

–Uh. – murmurou pensativo enquanto coçava o queixo, sem deixar de olhá-lo nos olhos. –E eu posso saber o que você pretende fazer de sua vida?

Sakura pensou na resposta, até se prender completamente nela.

–Eu vou viver. – falou com certo entusiasmo, mas logo seu sorriso desapareceu. –Quer dizer, não será uma vida como a sua, mas eu darei o meu melhor.

O sorriso de Sasuke morreu ao ouvi-la, e percebendo que ela logo notaria seu sentimento de compaixão, tratou de sorrir, envolvendo-a em um forte abraço.

–Quer dar uma volta comigo?

–Aonde vamos?

Sasuke se afastou. –Não sabemos para onde, mas chegaremos a algum lugar.

–É que...

–Você disse que queria viver, não é?Eu também quero, e muito. – jogou um capacete para ela.

Sakura olhava o capacete como se ele fosse um objeto de outro mundo. Estava extremamente dividida em ir ou não ir, enquanto Sasuke respirava a um passo da liberdade.

–Tudo bem. Eu vou.

–Ótimo. – sorriu se aproximando. –Troque de roupa o mais rápido possível, e venha ao meu quarto.

–Vir a seu quarto?

–Sairemos pela janela.

Sakura olhou a janela aberta, nervosamente, e balançou a cabeça negativamente.

–Eu não posso fazer isso.

–Do que você tem medo?

–De tudo. Eu...

–Sakura. – Sasuke segurou-a pelos ombros, seriamente, olhando-a como se quisesse mesmo intimidá-la. –Você disse que quer viver. Mas como fará isso se você está presa no seu próprio medo?

Sem mencionar uma única palavra Sakura o abraçou fortemente, e afastou-se sorridente.

–Eu já volto!

Sasuke suspirou alto, vendo-a passar pela porta, e deu meio sorriso ao vê-la olhar para os lados, com medo de ser pega.



Segurava fortemente na cintura de Sasuke, sentindo o perigo e a adrenalina na velocidade que a moto ia. Estavam na estrada há mais de vinte minutos, sem saber ao certo aonde chegariam, apenas sabiam que logo estariam em algum lugar, como Sasuke havia dito.

–Você está bem?

–Estou! – respondeu Sakura apertando a cintura dele, e em nenhum momento ela foi capaz de abrir os olhos.

–Estamos chegando.

–Você disse que não sabia aonde chegaríamos!

Sasuke riu. –E eu não sei.

Ele diminuiu a velocidade, chegando ao ponto de quase não sentirem o vento bater contra eles.

–Você ainda está de olhos fechados?

–Eu nunca estive de olhos fechados.

–Então você se confundiu quando eu perguntei se a floresta lá atrás era de Eucalipto ou de palmeiras. Você respondeu que era de carvalho.

–Não conversamos sobre isso. Oh, meu Deus!Onde estamos? – perguntou abrindo os olhos, finalmente, e quase bateu em Sasuke ao ver que eles ainda estavam na cidade. –Seu trapaceiro! – sorriu em alívio, e voltou a apertar a cintura dele.

–Que experimentar uma coisa?

–O quê?

–Solte minha cintura e abra os braços. Vou acelerar a moto bem devagarzinho.

–Sasuke...

–Confie em mim, você vai gostar.

–Ok. Mas se eu não gostar você vai parar a moto.

–Feito. Preparada?

Sakura respirou fundo. –Podemos ir.

A moto voltou a ser acelerada, pouco a pouco, e nervosamente Sakura deixou de apertar a cintura de Sasuke. Abriu os braços lentamente, com os olhos fechados, como se tivesse equilibrando as emoções. Quando seus braços estavam totalmente abertos, a moto voltou a correr rápido, fazendo o vento, que mais parecia um pequeno pedaço de liberdade, bater contra o rosto dela.

Sakura sorriu, deixando lágrimas de felicidade fluir e abriu os olhos. Aquela era a sensação mais impactante de toda sua vida. A mais perfeita. A mais pura e imprudente que ela ousara a experimentar.

–Ainda quer que eu pare?

–Você tá brincando?Isso é um máximo! – e gritou alto para que todos escutassem.



–Você ainda está a fim de comer cachorro quente?

Perguntou Sasuke voltando com uma sacola.

–Você demorou.

–Peguei uma fila enorme só para comprar isso. – olhou para os lados. –Quer ir para um lugar com menos gente?

–Que não seja lugar de árvores, nem perto de um lago. Estamos em um park de diversão e hoje é noite do terror. – disse animada, olhando o cenário de terror que desinibia todas aquelas pessoas.

–Não é nada romântico te trazer aqui.

–E quem disse que é para ser romântico? – brincou ela. –Tudo bem. Eu não estou muito à vontade nesse lugar.

–Ótimo. Vamos sair daqui. – disse entregando a sacola de lanches a ela.


–O que você achou?

–Da pra ver boa parte da cidade daqui de cima, principalmente a quadra de basquete. – apontou para a quadra em baixo, com jogadores e plateia. –Tem certeza que é seguro ficar aqui?

–Absoluta. – se sentou e Sakura fez o mesmo.

–É muita coincidência você conhecer o Park de diversão e agora esse lugar. – Sasuke sorriu sinicamente. –E todo aquele papo de `chegaremos em algum lugar´?

–É a mais pura verdade.

–Você é um bom filósofo. – comentou sorrindo enquanto se sentava ao lado dele, e imediatamente tratou de apreciar a vista, de cima do prédio de três andares.

–Agora que estamos aqui, você pode me explicar o porquê daquela mentira?

Intrigada ela lhe lançou um olhar. –Que mentira?

–Dar a entender que eu tenho objetivos.

–Ah! – murmurou levando o canudo à boca.

–Você convenceu meu pai. Foi tão fácil que senti até inveja.

Sakura bateu de leve no ombro dele. –Pois saiba que não falei aquilo em vão, a princípio sim, mas depois seu pai sorriu e eu achei que você poderia ir à diante.

–Nem pensar!

–Por que não?

Sasuke coçou a cabeça. –É complicado. – Sakura revirou os olhos. –Não adianta, não quero falar disso.

–Fazer o que, né? – resmungou dando de ombros. –Meu pai tinha... – foi interrompida pelo celular de Sasuke que tocava.

–Desculpa.

–Sem problema. Pode atender.

Pelo visor Sasuke viu que era Ino, e pelo constrangimento na cara de Sakura ela também sabia quem era, por isso se afastou.

–Oi, Ino.

–Oi. Desculpa ligar essa hora, mas é que estou precisando que você passe na minha casa amanhã, de manhã.

–Algum problema?

–Eu acho que não.

Sasuke estranhou o tom de voz.

–Quer me dizer alguma coisa?

–Na verdade eu quero. Liguei na sua casa por que seu celular estava desligado, e seu irmão afirmou que você estava dormindo, mas...

–Você ligou na minha casa a essa hora?

–O que você queria que eu fizesse?

–Olha...

–Tudo bem Sasuke, eu sei que você não está em casa, e também sei que você está com alguém agora, só não sei por quanto tempo você vai me fazer de trouxa!

–Acalme-se! – gritou. –Amanhã conversaremos...

–Poupe seu tempo. Acabou.

Sakura olhou para trás, vendo Sasuke voltar, e achou melhor não comentar nada a respeito da ligação. Mas a noite acabaria ali, por que não tinha mais clima para ela, e talvez não houvesse pelos próximos dias.

–Err... – sem jeito ela tentou se manifestar. –É melhor irmos embora.

–Ela terminou comigo. – disse sem rodeios. –Mas eu não vou pensar nisso hoje, amanhã é um novo dia.

O caminho de volta foi completamente silencioso, apenas as mãos de Sakura se manifestavam abraçando a cintura dele.



Notas finais
Fortes emoções no próximo capítulo!