Entrelaços do passado
2 Sonhos
A exposição terminou por volta da meia noite. Ben acompanhou Alice até a saída do belo museu que continha em sua arquitetura, várias colunas gregas e pilares coríntios (assim como, o templo de Athena: Parthenon).
Abaixo das grandes escadarias, mas precisamente, em suas extremidades, haviam duas estruturas construídas e moldadas no formato de dois leões deitados, (embora, atentos) dando uma grande imponência a entrada do museu.
Ao saírem do local, pararam por um instante na entrada do museu, e ficaram observando a gigantesca lua (posicionada acima da ponte e refletida no mar) reluzente no horizonte. A cacofonia do ambiente era audível longinquamente.
Do outro lado da cidade, carros faziam barulhos, e as gaivotas voavam (à procura de alimentos) por cima do mar obscurecido pela noite. O céu estava extremamente estrelado, fazendo praticamente com que o véu negro sumisse, e ficassem aparentes, apenas como pequenos pontos pretos.
Eles desceram as escadas do museu e pararam na calçada, perto do meio fio.
—Obrigada pela noite, e pela agradável companhia. -Disse ele.
—Eu que agradeço. -Alice sorriu.
—Você está de carro? -indagou Ben. — Se não estiver, posso lhe oferecer uma carona.
—Eu estou de carro -disse ela- mas, mesmo assim, obrigada pela solicitude!
—Imagina, sem problemas. -Disse Ben, passivamente.
—Então, até mais! — Exclamou Alice.
— Até mais! Nos vemos por aí. -Disse Ben.
Ela se vira para deixar o local em que eles estavam, para ir embora . Alice seguiu em direção ao seu carro (sem olhar para trás) que estava estacionado há alguns metros dali. Alice estava passando por alguns carros estacionados ao meio fio, e antes de chegar até seu carro, ela escutou barulhos de passos frenéticos que se tornaram passos corridos.
—Alice! -Arfou Ben.
Então, ela se vira em direção aos passos, que agora cessaram.
-Pois não! – disse ela, com um semblante suave.
—Você poderia passar seu telefone para que eu possa entrar em contato com você? — sua respiração estava ofegante — tenho interesse em encomendar uma obra. — Concluiu Ben.
—Claro! -Disse Alice, complacente.
Ben retira o celular do bolso de sua calça social preta, e faz menção para anotar o número.
Alice retira de sua bolsa um cartão de visita e entrega a Ben.
—Não será necessário anotar o número. -Disse ela. -Quando quiser, é so´entrar em contato, estarei a disposição.
— Entrarei em contato. -Disse Ben.
Então, ela se vira novamente e continua a caminho de seu carro. Ao chegar na porta do veículo estacionado, ela dá meia volta para olhar Ben, e dá um leve sorriso, e só depois, entra no carro. Ele já estava sorrindo em retribuição.
Alice liga a seta, e segue pela ponte (que levará até o outro lado da cidade) até sumir no horizonte. Pelo retrovisor, ela pode observar que Ben ainda permanecia estático e na mesma posição na qual ele foi deixado. Ela o contemplou até o perder de vista, e ao fazer isso, ela percebeu que Ben também estava fitando-a.
Ele se manteve na calçada até que o carro saísse de sua linha de visão. Só então, quando isso aconteceu, foi que ele se virou e seguiu até seu carro.
***
Alice chega em sua casa e deixa o carro estacionado na garagem. (A casa de Alice possuía uma arquitetura moderna, de aparência agradável). Ela sobe as escadarias que levam até a sua porta de entrada principal. Ao lado das escadas existe um pequeno jardim com coqueiros e pedrinhas enfileirados. Alice abre a bolsa e procura a chave de sua casa. Mexe e remexe mais um pouco, passando os dedos sobre um conteúdo gelado e sólido. Ela pega o molho de chaves e direciona para luz vinda da arandela ao lado direito da porta. Ela introduz uma das chaves do molho na fechadura de aço. Ao rodar a chave, um pequeno clique soa e a porta se abre.
Ao entrar pelo hall de entrada, Alice aperta um dos interruptores com seu dedo indicador, e o pequeno lustre se acende para iluminar o ambiente. Ela deixa seu casaco marrom depositado em um cabideiro de madeira envernizada que ali se encontra.
Ela sobe as escadarias que levam até seu quarto. Se troca, e automaticamente deita na cama, postando a cabeça no travesseiro. Alguns minutos depois, Alice fica imersa em sono profundo.
Naquela noite Alice sonha com lugares inusitados e uma época remota. Um sonho inédito.
Alice estava de costas para porta de um castelo de pedras em cima de um morro. A sua frente, não mais que alguns metros, dois homens duelam com suas espadas sob um gramado verde e algumas rochas. O céu estava limpo, com apenas algumas nuvens mais brandas. O vento chacoalhava seu cabelo ruivo. E ela observava atentamente e ansiosamente a resolução daquele duelo. Ela segurava com uma das mãos, a barra de seu vestido branco rendado e esfarrapado. Alice estava com um semblante preocupado, e olhava diretamente para o homem de cabelos negros que estava ali duelando. Sua preocupação com ele era direta e evidente. Os dois homens, estavam fazendo daquele belo espaço, um campo de batalha.
E de repente, como em um close dado por uma câmera, ela pode observar seu próprio rosto se transformando de expressão preocupada para uma expressão de pavor e medo. Alice e o homem de cabelos negros se entreolham. As pupilas de Alice se dilatam.
Um grito seco foi dado por ela. Porém, ela não conseguiu ouvir seu próprio grito. Era como se um botão "mute" tivesse sido pressionado e parado todo o som ambiente.
Então, Alice desperta súbita e assustada, com se tivesse voltado de outra dimensão.
Intrigada com o que acabara de acontecer, Alice senta na cama e reflete por um momento sobre o sonho ocorrido.
Deve ser apenas um daqueles sonhos corriqueiros. Sem conexão. Pensa ela.
E como em um estado de amnésia, Alice vai se esquecendo aos poucos com o que acabara de sonhar.
Ela se levanta e segue até o banheiro, onde toma um banho e realiza suas necessidades fisiológicas.
Após o café da manhã, Alice vai até seu ateliê que fica um uma área reclusa de sua casa.
Alice estava sentada em frente a uma mesa de madeira, e estava concentrada, dando forma e contorno para o que estava começando a se transformar em um busto. Alice, tinha a intenção de terminar sua obra inacabada (uma escultura de argila cinza). Seus dedos estavam imersos na argila grudenta. Os primeiros indícios da obra estava começando a ser feito. Quando de repente, o celular de Alice tocou.
Alice seca sua mão em uma toalha e logo em seguida observa por um momento o número estranho na pequena tela iluminada. Ela atende o celular e leva até aos ouvidos.
— Quem é¿ -indaga ela curiosa.
Era bem do outro lado da linha.
—Olá, bom dia! -Sou eu, Ben!
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