Entrelaços
7 Capítulo Sete
Tiago
O que está acontecendo? pensei. Essa mulher, essa linda mulher por quem eu não parei de pensar um segundo se quer durante a semana está novamente ao meu lado, me encarando e eu não entendo o porquê. O que eu fiz?
Dei mais um gole na minha cerveja fitando o chão, o céu, o mar mas a única coisa que eu não queria era encontrar os olhos dela. Quero sair correndo, quero chegar perto dela e dizer o quanto ela é bonita e quanto quero ter aqueles lábios junto aos meus, sentir seu hálito. Ousei e acabei olhando para ela, um erro. Ela ainda me encarava com aqueles olhos verdes, olhos encantadores. Vou até lá ao menos lhe dizer oi, dei um passo. Travei.
Balancei a cabeça negativamente me chamando de covarde, depressivo, inútil, lixo. É isso que eu sou, um lixo. Um ninguém que não consegue dar alguns passos e dizer a uma mulher linda, que continua me encarando, que eu a achei a mulher mais linda que eu vi na vida.
Olhei para as ondas batendo desejando que aquele momento terminasse. Não estava aguentando mais sentir essa dor, essa culpa por ser tão imprestável para mim mesmo.
– Tiago? — chamou uma voz
Virei para ver quem havia me chamado e fiquei demasiadamente aliviado. Em outros momentos, desejava sair correndo para não ter que ao menos cumprimentar as pessoas. Elas sentem pelo meu tom de voz o quão infeliz eu sou.
– Oi Marilene, tudo bom? — respondi fazendo esforço para parecer simpático
Passeando por aqui? — perguntou. Marilene era uma das minhas funcionárias do escritório
– Eu moro aqui — respondi
Marilene fez uma pausa e olhou por cima dos meus ombros, com um olhar curioso
– Chefe — disse ela — Aquela mulher ali não para te encarar — e deu um sorriso presunçoso
– É? — perguntei sem ao menos olhar para conferir e ficando visivelmente constrangido
– Ela não para de te olhar, é sério. Vai lá chefe — disse ela abaixando o tom de voz quase em um complô
Tentei ignorar e cortei o assunto
– Escuta, preciso pagar o quiosque e vou andando. Nos vemos no escritório? — perguntei
– Claro chefe — respondeu e segui sua caminhada
Caminhei até o balcão para pagar o Sr. Gustavo, retirei a carteira do bolso e o entreguei. Esperei que ele me devolvesse o troco quando ele disse:
– Aquela mulher ali, sentada na cadeira te observando, semana passada logo após o senhor ter ido embora ela me perguntou coisas sobre o senhor — disse ele apontando para a mulher e eu apenas fitei o balcão, olhando para baixo.
– Como assim? — perguntei curioso
– Ela me perguntou se o senhor está sempre por aqui e queria confirmar se seu nome era mesmo Tiago — respondeu
Gelei, tudo dentro de mim era gelo. Por que ela queria saber isso?
– Não a conheço. E o senhor respondeu o que? — perguntei
– Ela parecia bastante interessada. Disse-lhe que o senhor pedala todos os sábados e para aqui no quiosque para tomar uma cerveja.
Apenas assenti
– Obrigado Sr. Gustavo, até semana que vem — respondi
– Até — respondeu virando-se para atender um novo cliente que havia chegado
Caminhei até a minha bicicleta e quando me aproximei, vi um papel grudado no aro do pneu. Peguei o papel, olhei para os lados e para minha surpresa a mulher já havia ido embora. Quando ela teria ido embora? Desdobrei o papel e fiquei surpreso quando li:
"Sei que você gosta de pedalar. Graças a Deus eu também. Nós voltaremos a nos ver Tiago, você parece ser uma pessoa singular e eu gosto disso. Quero te conhecer melhor, saber o que existe por trás de toda essa armadura. Antes que eu me esqueça, eu me chamo Isabela e meu telefone está logo atrás desse bilhete caso queria se encontrar comigo para conversarmos. "
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