Entrelaços
5 Capítulo Cinco
Tiago
– Tiago, meu filho! Que bom te ver — disse meu pai ao abrir a porta e me receber com um abraço caloroso. Gostei disso. Me fez sentir menos pior.
Logo após meu pai ter anunciado em voz alta a minha chegada, virei o centro das atenções por alguns instantes.
– Tiago, a quanto tempo. Saudades suas primo, como anda a vida? — veio minha prima Soraia ao meu encontro, fazia tempo que eu não a via, continuava bela como sempre. Seus cabelos negros e ondulados haviam crescido desde a última vez. Tinha os olhos verdes que eram encantadores, fez um esforço para me abraça, eu era bem mais alto que ela. Tínhamos a mesma idade. Quando éramos adolescentes, nossa família torcia para houvesse um relacionamento entre a gente.
– Vou bem e você? — respondei lhe dando dois beijo na bochecha, fazendo-a corar
– Estou indo. Fernando aparece aqui — disse ela
Olhei procurando quem seria esse rapaz que ela havia chamado e um rapaz com aproximadamente o tamanho dela, careca e olhos negros apareceu ao lado dela.
– Esse é meu primo Tiago. Tiago esse é meu namorado, Fernando — disse sorrindo
Olhei chocado e demorei para estender a mão cumprimentando o rapaz
– Prazer — por fim eu disse
– Tudo bom, cara? — perguntou ele
Concordei com um aceno
Soraia havia colocado sua vida para fluir e eu estava parado no tempo. Namorando. Como poderia ter deixado passar esse sentimento por ela? Estava me sentindo mais incapaz do que nunca.
– Cadê minha mãe? — perguntei
– Tá na cozinha — respondeu meu pai
– Vou até lá para avisar que cheguei — disse
Enquanto passava pelas pessoas que estavam na sala, já reunidas, cumprimentava eles na medida em que ia passando.
Até que vi o meu primo de quem menos gostava: Rafael. Crescemos juntos mas tomamos rumos diferentes. Rafael, desde a adolescência, era o popular do colégio e tinha todas as garotas que quisesse. Era extremamente musculoso, tinha os cabelos arrepiados e olhos azuis. Sua esposa e sua filhas estavam ao seu lado. Fiquei assustado ao ver que sua filha já estava falando, a última vez que tinha visto ela ainda era um bebê de colo. Entretanto, o que mais me incomodava nele era o jeito que ele me enxergava.
– Tiago! Até que enfim você apareceu — disse ele levantando da cadeira e vindo ao meu encontro estendendo a mão
Estendi e fiz um aceno contido
– Resolveu parar com aquela tristeza idiota e se juntar a sua família? — perguntou ele
Senti o ambiente na sala de estar pesar, eu queria socá-lo por dizer aquilo. Ele era um tolo que não sabia do que se tratava minha doença.
Ri constrangido
– Rafael — repreendeu a esposa dele, Fabiana.
– O que eu disse de errado? Tiago fica trancado dentro daquele apartamento bancando o sofrido e infeliz. Tava na hora de levantar poeira.
Abri a minha boca para respondê-lo a altura mas minha mãe surgiu pela sala trazendo uma travessa de lasanha e eu fechei rapidamente e forcei um sorriso, mas parecia que haviam enfiado agulhas em mim.
– Filho, você veio. Venha me dê um abraço Quero fazer você se sentir menos pior — disse minha mãe calorosamente. Deixou a travessa de lasanha sobre a mesa e me abraçou. De fato, me senti menos pior.
Minha segunda-feira passara em um ritmo normal como de costume. Apenas pelo contratempo de João Alfredo, um de meus funcionários pedir demissão. Questionei ele o porquê da demissão e o mesmo só respondeu que havia encontrado algo melhor, em outra empresa. Eu sabia que era mentira. Estava se demitindo por ter a mim como chefe, pobre infeliz que até os seus funcionários causava infelicidade. Desejei que tivesse sucesso e que fosse bastante realizador seu novo emprego, ele me deu um abraço de despedida.
– Espero que você também tenha muito sucesso, em todos os sentidos — respondeu ele antes de virar as costas e ir embora do escritório.
Todas as pessoas esperavam isso de mim, menos eu. Eu não tenho capacidade para isso.
Fale com o autor