Notas iniciais
Foi ideia da leitora Thorne eu escrever o epílogo mostrando o final de todos os casais principais e a história de Melanie Thiago... Então, do fundo do meu coração, eu espero que vocês gostem desse final.

Epílogo

PARTE 1 (Melanie e Thiago)

Thiago

Eu estou tão cansado de passar noites com mulheres sem rosto. Ter apenas uma boa foda e sair de fininho.

Tomo mais um gole da minha primeira cerveja. Sinceramente, não sei o que estou fazendo no Bar Lincoln. Vejo um jogo de beisebol passando na tela plana, mas nem mesmo sei quem está jogando. Amanhã vai ser a despedida de solteiro de Elliot e, mesmo que eu não confesse nem sob tortura, eu estou com tanta inveja do seu relacionamento. Ele parece tão malditamente feliz com Kate.

Um mulher linda de vestido vermelho tomara que caia senta ao meu lado, ela é exatamente o tipo de mulher que eu normalmente procuraria para uma boa transa: loira, peituda e provocante. Mas eu não quero mais isso. Eu tenho 30 anos e estou cansado de joguinhos que não chegarão a lugar nenhum.

– Oi. – Ela fala e eu apenas assinto, puxando meu boné mais pra baixo.

Termino minha cerveja em um único gole. Estou indeciso quanto a beber mais uma ou simplesmente ir para casa quando escuto:

– O que você está fazendo aqui, Melanie? – Um garoto que não deve ter mais que vinte anos, fala pra uma ruiva que está vestindo jeans e uma blusa folgada, seu cabelo está preso e ela nem de longe se encaixa com o bar inglês.

– Josh, você não deveria está aqui, nem mesmo bebendo. Eu vim te buscar, vou te dar uma carona... – O garoto dá uma risada arrogante.

– Quem você pensa que é porra, minha mãe? – Mesmo de longe vejo a tal Melanie se encolher, ela parece que vai quebrar a qualquer momento.

– Vamos para casa, Josh, por favor.

– Para de ser uma cadela e vem aproveitar comigo. – Aperto minha garrafa de cerveja, o jeito que esse garoto fala com ela me dá vontade de socá-lo.

– Você sabe que não pode beber, então... – Ela começa a falar, mas é interrompida.

– Foda-se, você sabe como estragar uma noite. – Ele fala se levantando e indo embora antes mesmo que ela possa dizer qualquer outra coisa.

Olho para a ruiva baixinha e penso que ela vai sair atrás dele, mas me surpreendo quando ela respira fundo e vem se sentar ao meu lado.

Pede uma dose de tequila e olha para o jogo de beisebol.

– Dia difícil? – Eu me vejo perguntando.

Ela olha pra mim e faz uma careta.

– Olha, eu não estou afim de transar com você. – Olho para ela em choque.

– Quando foi que eu sugeri isso?

– Está escrito na sua cara. Você é o tipo de cara que vem a um bar com o único intuito de ficar entre as pernas de alguém. Então, não perca seu tempo comigo.

– Alguém já te disse que você não tem um filtro entre a boca e o cérebro? – Falo sarcástico.

– Talvez uma ou duas pessoas. – Ela murmura com um sorriso de lado.

O barman coloca o copo de tequila na sua frente e ela dá um gole e faz uma careta.

– Eu não entendo o que vocês veem em bebidas fortes, elas são horríveis. – Fala com uma careta.

Faço um sinal para o barman trazer uma segunda cerveja.

– A gente meio que se acostuma.

– Não vejo como isso é possível. – Ela dá mais um gole. – Acho que sei por que vocês tomam isso quando não estão bem, é por que vocês bebem e ficam com um gosto tão ruim na boca que se esquecem completamente dos seus problemas. – Dou uma gargalhada.

– Acho que é algo como isso. – Bebo um gole da minha cereja gelada. – O cara que saiu há pouco, é seu namorado?

Ela faz mais uma careta e eu não acho que tenha algo a ver com a tequila.

– Ele é meu irmão.

– Ah. – Eu falo sabiamente.

– Por que você está falando comigo, afinal?

– Eu não tenho a fodida menor ideia. Mas você tem sido a única mulher que eu converso em um bom tempo.

– Quer dizer que eu só sou boa pra conversar? – Ela parece indignada.

– Você disse que não queria transar comigo. – Eu me defendo.

– Mas isso não quer dizer que eu não quero que você queira transar comigo. – Eu rio.

– Se te faz se sentir melhor, eu quero transar com você. – Ela pensa por um momento.

– Me faz sentir melhor. – Ela dá um sorriso de lado. – E obrigada.

– Você me deixa confuso.

– Olha quem fala. – Ela fala sarcástica.

– O que você quer dizer com isso?

– Eu normalmente fico nervosa perto de homens razoavelmente bonitos, então está perto de você é como ter sucessivos ataques cardíacos. Mas para minha sorte, eu estou com muita raiva de Josh pra me preocupar com isso. – Ela fala tomando mais um gole.

– Isso quer dizer que eu sou irresistível? – Eu digo e não tenho certeza do porquê a opinião que ela tem sobre mim é importante.

– Não, quer dizer que você é melhor do que razoavelmente bonito. – Ela fala e eu rio.

– Se você diz.

Nós tomamos nossas bebidas em silêncio por alguns minutos.

– Você não vai tentar me levar pra cama? – Melanie fala quebrando o silêncio.

– Você quer que eu faça isso?

– Não sei. Eu apenas não quero voltar pra casa pra lidar com meu irmão. Não essa noite. – Ela massageia sua cabeça como se estivesse com dor.

– Me sinto honrado por ser melhor do que ter que lidar com seu irmão. – Falo sarcástico e ela dá um sorriso de leve. – Mas, falando sério, deixe as preocupações de lado, apenas aproveite essa noite comigo.

– Eu sei que eu vou me arrepender disso, mas acho que é melhor eu me arrepender de ir com você do que de não ir. – Ela fala contemplativa.

– Afinal, meu nome é... – Não termino de falar por que ela coloca seu dedo indicador em meus lábios.

– Eu não quero saber seu nome, quero apenas aproveitar a noite e nunca mais te ver.

Por que a última parte me desagrada? – Penso, mas só dou um sorriso, como se estivesse tudo bem. Lambo e mordo seu dedo e ela geme.

– Vou garantir que você não se arrependa.

Seguro seu cabelo firmemente e a puxo para mim. Nossos lábios se encontram e eu aproveito cada momento. Eu vou garantir que ela não se arrependa.

Levo ela pra o meu apartamento e tenho a melhor noite inimaginável de sexo da minha vida. Só para acordar em uma cama vazia, sem um número de telefone.

– Porra, eu nunca mais vou vê-la. – Falo para mim mesmo.

***C.T.***

Eu não acredito que estou fazendo isso.

Como foi que Elliot me convenceu a usar uma fantasia de gogoboy de mágico? Não sei nem se a gravata borboleta, boxe preta e cartola podem ser consideradas fantasia.

Mas agora não tem mais volta.

Vamos para o palco e Elliot dança provocativamente. Se ele tirar o seu uniforme de policial, Kate irá matá-lo. Eu nunca disse que ele não vivia perigosamente. Kate faz um barraco e Elliot vai ao seu encontro, assim como todos os outros homens. Vamos para uma mesa onde algumas mulheres estão sentadas. Dou uma rápida olhada e... Eu sou o homem mais sortudo do mundo. Melanie está sentada do lado de uma morena e sorri do que Kate fala pra Elliot. Ela vai tomar um gole de sua bebida e de repente olha na minha direção. Sua boca forma um grande “O” e analisa minha fantasia com um sorriso de lado. Sim, ela se lembra dele bem, eu garanti isso noite passada.

– Você está me perseguindo ou algo do tipo? – Ela me pergunta e parece irritada. Mas seu corpo não mente. Ela está corando, quente e arrepiada. O seu corpo sabe o que eu posso fazer, o que eu vou fazer, com ela.

– Não, mas deveria afinal você não me deixou nem seu número.

– O combinado era uma única noite, sem nomes ou números.

– Ah eu me lembro de algo do tipo, afinal, eu sou Thiago. – Eu falo com um sorriso.

Ela é tão bonita irritada.

Me aproximo do seu ouvido.

– Ainda me lembro do seu gosto. – Sussurro.

Ela fica vermelha, mas se recompõe e sussurra de volta:

– Que bom, por que a lembrança é o mais próximo que você terá de reviver esse momento.

Ela começa a falar algo para minha prima, Anastasia, como se eu não existisse. A noite passa e ela continua agindo e de forma distante, mas eu não vou desistir.

Sabe quando você encontra a mulher da sua vida e não vai deixá-la ir para longe de você? Bem, pra mim essa é Melanie.

***C.T.***

Graças a meus contatos consegui o número do celular de Melanie e o endereço de seu trabalho. E quando eu falo “meus contatos” quero dizer que fiz chantagem com Kate.

Mel é jornalista e pensei que não seria uma boa ideia apenas chegar em seu local de trabalho e dizer “Oi”, então passei a semana toda enviando flores para seu escritório.

Alguém me liga e eu atendo sem olhar no identificador de chamadas.

– Qual é o seu problema? – Paro de olhar o arquivo que estava lendo assim quando escuto a voz de Melanie.

– Você gostou das minhas flores?

– Não, meu escritório parece um jardim. – Ela fala e eu desanimo consideravelmente.

– Oh, pensei que as mulheres gostavam de flores.

– Eu não sou qualquer mulher. – Resmunga.

– Pode ter certeza que eu sei disso. – Digo e ficamos em silêncio por algum tempo.

– O que você quer, Thiago?

– Um encontro, apenas um encontro.

– Eu não entendo, nós já passamos a noite juntos, o que mais você poderia querer comigo?

– Como você disse, você não é como qualquer outra mulher. — Eu digo sendo o máximo sincero. — Te pego às 8 horas amanhã, parece bom pra você?

– Eu vou me arrepender disso, não é?

– Talvez, mas você vai se arrepender mais se não for. – Falo e quase posso escutar seu sorriso.

***C.T.***

Fui buscá-la 8 horas em ponto e ela estava usando um vestido preto simples e saltos de mesma cor.

– Oi.

– Oi. – Ela dá um sorriso nervoso. – Eu não sabia para onde íamos então vestir esse vestido.

– Você está ótima.

– Obrigada.

Abro a porta do meu jipe e a ajudo a subir.

– Como é que você sabia onde eu morava? – Ela pergunta quando eu ligo o carro.

– Tenho os meus contatos. – Falo e abro um sorriso.

***C.T.***

– Eu espero não morrer envenenada por sua comida. – Finjo está ultrajado.

– Sou um ótimo cozinheiro. – Falo nos servindo.

– O que você faz mesmo?

– Sou policial. – Ela olha pra mim sob a sua taça de vinho.

– Oh – Mel olha para o meu corpo -, isso explica muita coisa.

Dou uma risada.

– Eu não tenho ideia do que nós estamos fazendo. O que você quer de mim, Thiago?

Eu pensei muito nisso e eu gostaria de dizer: eu quero ter um relacionamento com você, não apenas um caso de uma noite só, quero te conhecer e acordar todos os dias ao seu lado. Mas eu se que ela iria se assustar.

– Gosto de você e quero te conhecer. — Essa é a versão resumida.

– Acho que isso é bom. – Ela enruga a testa. – Mas vou deixar claro: eu sou uma mulher de três encontros. – Rio.

– Você sabe que nós já dormimos juntos, não é? – Ela dá de ombros.

– Não importa.

– Tudo bem, eu espero o tempo que for preciso para te algemar. – Falo e ela engasga.

***C.T.***

No segundo encontro (Mel insistiu que nosso encontro no bar não valeu) eu a levei para um jogo de futebol americano. Torcíamos para times adversários e ela disse que se eu tirasse a blusa do meu time, ela cancelaria a regra dos 3 encontros. Eu tirei e fiquei sem camisa, algumas mulheres ficaram olhando para mim e Melanie disse que eu poderia colocar a camisa de volta. Eu ri a noite toda de suas loucuras.

No final eu insisti para os 3 encontros, não queria que ela pensasse que eu queria apenas sexo.

– A espera vai fazer com que seja melhor. – Eu havia dito.

– Idiota. – Foi tudo o que ela me respondeu quando eu a levei pra casa.

No terceiro encontro fomos acampar.

Comemos marshmallows e acendemos uma fogueira, não necessariamente nessa ordem. Foi incrível. Era nosso terceiro encontro, mas a barraca era muito pequena pra fazermos qualquer coisa. Pelo menos tomamos banho no lago à noite, a água estava gelada, mas apesar de tudo estávamos nus, então eu não vou me arrepender de ter aquela bela visão.

Fui jogar cartas com os homens e Elliot descobre que as mulheres estão bêbadas no Lincoln. Me deparo com uma Melanie bêbada. Ela se jogou em mim, mas eu não queria que ela ficasse inconsciente no meio do sexo então não aconteceu nada.

Na próxima tentativa, quando tínhamos tirado as roupas, recebo um telefonema do trabalho, me avisando de uma emergência.

– Acho que ninguém quer que eu transe. – Murmuro. Mel geme frustrada.

– Eu estou tão excitada, não quero ficar frustrada.

Termino de colocar o uniforme e a beijo profundamente.

– Você fica sexy de uniforme. – Ela fala piscando um olho. – Mas eu prefiro você sem ele. – Mel diz me olhando como se estivesse se lembrando de como eu pareço nu, provavelmente ela está fazendo exatamente isso.

– Não precisa se levantar, pode dormir aqui. Só não sei quando eu volto.

– E quem vai cuidar desse tesão que eu estou? – Ela resmunga como uma criança que perdeu seu brinquedo.

– Tenho algumas ideias. Eu te ligo pra te contar quais são elas. – Eu falo a beijando mais uma vez.

– Tanto faz. — Diz com um biquinho fofo.

Cuido do caso do suspeito que estávamos investigando há meses e assim que tenho um intervalo, ligo para Mel para cuidar de suas necessidades, vamos dizer apenas que eu orientei Mel à acabar com sua tensão, mesmo que isso significou ter uma ereção pelo resto da noite.

Quando cheguei em casa já estava quase amanhecendo e ela já estava dormindo.

***C.T.***

Eu pensei em mil e uma formas de tornar a noite com Melanie romântica, mas antes que eu pudesse colocar qualquer ideia em prática, ela bateu na minha porta.

– Tenho uma surpresa pra você. – Ela disse.

Pedimos folga do trabalho pelo resto da semana para compensar o tempo perdido.

***C.T.***

Josh era tão alto quanto eu, era levemente musculoso e tinha o mesmo cabelo ruivo de Mel.

Conheci ele formalmente em um jantar e odiei a forma como ele tratou Mel.

– Ele é meu irmão. – Ela me disse quando eu comentei meu desgosto.

Os dois eram órfãos, seus pais haviam morrido há quatro anos em um assalto e desde então Josh se revoltou.

Mais de uma vez, eu o vi tratar mal sua irmã, então um dia eu fui a sua casa quando ela não estava.

– Melanie não merece ouvir suas críticas ou xingamentos, ela é a mulher mais incrível que eu já conheci. Você tem duas escolhas, Josh, ou você começa a tratar sua irmã bem, a respeitá-la, e toma um rumo na sua vida, procura um emprego, eu até mesmo posso te ajudar com isso. Ou você vai acabar sozinho e miserável, por que ela não merece ficar perto de alguém que a maltrata e eu não vou permitir que ela faça isso.

Naquele momento ele apenas olhou para mim e pela primeira vez o vi sem palavras.

Depois disso Mel me disse que ele estava começando a tratá-la melhor e três semanas depois ele me pediu ajuda para procurar um emprego.

Seis meses depois ele passou na avaliação para ser policial.

Três anos depois eu me casei com Melanie e Josh a levou ao altar.

Dois anos depois nós tivemos Alan...

E ele tinha cabelos ruivos.

PARTE 2 (Mia e Ethan)

Mia

Coma ou Pague está lotado. A inauguração foi um sucesso e eu não tenho palavras para descrever o quanto eu estou feliz por tudo está dando certo.

Minha subchefe e nossos ajudantes estão na cozinha, enquanto eu e Andreza estamos atendendo as mesas. Normalmente eu fico na cozinha, mas eu quero saber o que os clientes estão achando.

– Mais alguma coisa? – Eu pergunto à Felicity, uma senhora com cerca de 50 anos, de altura mediana e com poucos fios brancos em seu cabelo longo. Ela já é uma cliente frequente que ama conversar com Andreza sobre suas aulas de pintura.

– Estou satisfeita, querida. Obrigada. – Ela sorri agradecida e se volta para seu livro de romance, que eu poderia jurar que era erótico.

Vou conferir a mesa 4, onde um homem que deve ter a minha idade está tomando um milk shake de chocolate e um hambúrguer.

– Está gostando? – Eu pergunto. Ele olha para mim e abre um sorriso de dentes brancos.

– Essa lanchonete é incrível, fica no mesmo quarteirão do meu trabalho, e a comida é ótima. – Sorrio animada.

– Deseja mais alguma coisa?

– O que você me aconselha? – Ele fala olhando para mim interessado. Ele não olha de um jeito malicioso, mas vejo seu interesse.

– A torta doce de chocolate com morango é incrível.

– Pelo jeito tudo por aqui é incrível. – Ele fala levantando uma sobrancelha. Oh, definitivamente há interesse.

– Isso é o que meu namorado sempre diz. – Murmuro.

– Ele é muito sortudo. – O cliente fala meio que se desculpando.

– Sou mesmo. – Ethan fala atrás de mim. Olho para ele surpresa.

– Pensei que você só chegava amanhã.

– Quis fazer uma surpresa. – Ele fala não parecendo nada satisfeito.

Tento abrir um sorriso para o cliente.

– Mais alguma coisa?

– Uma torta de chocolate, por favor. – Fala não encontrando meus olhos. Acho que eu não fui a única a notar o humor de Ethan.

Anoto o pedido no meu bloco e levo para minha subchefe preparar.

Me volto para Ethan que está sentado no banco vermelho ao lado das janelas de vidro. Ele está vestindo jeans e uma camisa branca, com óculos Ray-Ban. Um deus grego como sempre. Sua mala preta está do lado do banco, ele deve ter vindo direto da rodoviária. Ele estava na Austrália, tirando fotos de espécies aquáticas raras.

– Oi. – Falo sorrindo e beijando seus lábios, eu ia dá apenas um selinho, mas ele me puxa mais para si e pede passagem para sua língua, que eu cedo feliz. Aprofundamos o beijo e ele morde meu lábio provocativamente.

– Deus, eu senti sua falta. – Ele fala quando nos separamos. Me sento em frente a ele.

– Eu também. Tive que fazer compras com Melanie para me distrair, mas eu acho que você vai gostar das lingeries que eu comprei. – Falo piscando um olho. Ele sorri pra mim malicioso, mas logo seu sorriso é substituído por uma careta.

– Esse cara estava dando encima de você, sabe. – Ele murmura.

– Talvez, mas isso não importa. Eu estou com você.

– Mas não é como se esses caras soubessem disso. – Ele fala tentando controlar sua voz.

– O que eu posso fazer? Eu disse que tinha um namorado. – Eu falo me defendendo.

– Isso não é o suficiente. – Ele dá um suspiro. – Olha, eu viajo sempre, e você é incrível, é linda, inteligente e engraçada, como eu posso ter certeza de que ninguém vai tentar alguma coisa?

– Eu nunca te trairia! – Grito exasperada.

– Eu sei, mas só a ideia de outro homem interessado em você, me deixa louco.

– O que você quer que eu faça? Coloque uma aliança? – Ele me olha exasperado.

– Você sabe que isso é exatamente o que eu quero. Eu sei que você acha que o casamento vai pôr tudo que a gente tem a perder, mas eu preciso que todo mundo saiba que você é minha, minha amiga e companheira.

Meu coração se acelera. E eu não sei o que pensar. Tenho muito medo de nós cairmos no cotidiano, de pararmos de sermos loucos ou deixarmos nossas aventuras de lado.

– Eu sou sua, não importa o que outros pensam. – Eu falo segurando sua mão.

– Mas não é o suficiente.

– O que você quer dizer com isso? – Pergunto chocada. Ele respira fundo.

– Casa comigo?

– Eu... eu não sei.

– Diz que aceita que eu vou te fazer a mulher mais feliz da face da Terra.

Eu sei que esse é um daqueles momentos inesquecíveis da vida, eu posso imaginar eu dizendo sim, nós iremos nos beijar e tudo vai ficar bem, mas eu sei que eu não estou preparada, não agora pelo menos.

– Eu sinto muito, Ethan. Mas, eu... – Não sei o que dizer e vejo a esperança se desfazer em seu olhar.

– Eu entendo. – Ele fala não encontrando os meus olhos.

– Ethan...

– Preciso ir. — Ele me beija rapidamente e sai em um piscar de olhos.

Meu coração se destroça com a perspectiva de perdê-lo, mas eu sei que não é justo eu correr atrás dele, se não for pra dizer o que ele quer ouvir.

– Mia? – Andreza me chama.

Pisco repetidamente para impedir as lágrimas de saírem.

– Sim?

– Está tudo bem? – Ela pergunta preocupada.

– Não, mas eu espero que fique. – Eu digo olhando Ethan se distanciar pela janela.

Ethan

2 anos depois

– Digam “x”. – Eu falo e o casal dá um sorriso. Olho para a câmera. – Ficou ótimo, eu vou revelar e entrego pra vocês na saída.

Eles agradecem e continuam seu passeio pelas ruas parisienses.

Sinto dois braços delicados me envolverem pela cintura.

– Oi. – Mia fala beijando meu pescoço. Sorrio. Ela está linda como sempre, cortou seu cabelo estilo chanel e passou a ter curvas que não existiam anos atrás.

– Então, o que você achou de Paris? – Eu pergunto puxando ela contra mim.

– Incrível. – Ela diz radiante.

Há dois meses nós decidimos viajar como mochileiros pela Europa. E tenho que dizer: foi a melhor ideia que tivemos. Só nós dois e nossas mochilas. Basicamente, arrumamos empregos e ficamos algum tempo nas cidades europeias, quanto mais gostamos, mais ficamos. Há uma semana nós chegamos à Paris. Eu tenho trabalhado como fotógrafo e Mia como garçonete em um dos famosos cafés parisienses.

– Alguma ideia de pra onde vamos agora? – Eu pergunto sentindo o cheiro de lavanda em seu cabelo.

– Ah, eu não sei. Mas Phoebe estava me falando que as igrejas europeias são as mais bonitas do mundo.

– É? Eu não sabia que você tinha interesse em igrejas. – Eu falo erguendo uma sobrancelha.

– Eu só achei que nós talvez pudéssemos... Você sabe, nos casar... – Ela fala sussurrando no meu ouvido e mordendo minha orelha.

Arregalo meus olhos.

– Você está falando sério? – Ela olha nos meus olhos e dá aquele sorriso tímido que eu amo.

– Eu só pensei que seria uma boa ideia, mas se você...

– Você está brincando? Eu estou indo pra perguntar qual é a igreja mais próxima agora. – Ela ri. Coloco uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. – Eu te amo tanto.

– Eu também. – Mia fala e me beija profundamente.

PARTE 3 (Kate e Elliot)

Elliot

– Isso tudo é culpa sua, Elliot! – Kate grita quando a colocam na cama do hospital. Ela está tendo terríveis contrações e nossos pequeninos estão prestes a nascer.

– Como eu sou o culpado de você está sofrendo, querida? – Eu pergunto enquanto ela segura minha mão com uma força que eu temo que possa quebrar alguns ossos.

– Se você tivesse usado camisinha na nossa lua de mel isso não estaria acontecendo. – Grita pra mim e a médica me olha com pena.

– Nós teremos gêmeos, isso é uma benção.

– A benção é eu não te estrangular quando o parto terminar.

– O pai vai querer assistir? – A médica pergunta.

– Acho que sim. – Eu falo duvidando de que isso seja uma boa ideia.

– Tudo bem, então. – Ela se volta pra Kate. – Já está na hora. Eu vou contar a até três e você vai começar a fazer força para empurrar. Um. Dois. Três.

Kate começa a gemer e eu sinto um aperto no coração ao ver minha esposa com dor.

Assim que vejo uma pequena cabeça surgir entre as pernas de Kate, eu desmaio.

***C.T.***

– Quero a separação.

– Mas, amor, você tem que confessar que o parto é um pouco nojento.

– Você desmaiou e eu fiquei sozinha tendo que empurrar nossos dois filhos vendo você inconsciente.

– Eu já te pedi desculpas.

– Você precisa de muito mais do que desculpas, a começar com trocar as fraldas de Harry e Tyler e uma longa massagem em mim.

Não vou dizer que amo a parte das fraldas e do cocô, mas eu agradeço a Deus todos os dias pelos filhos que nós temos. Eles são lindos, gêmeos idênticos, seus cabelos são loiros como os de Kate, mas seus olhos e boca são iguais aos meus.

Troco as fraldas e coloco eles para dormir no seus berços. Confiro se a babá eletrônica está funcionando e dou um beijo na testa de cada um antes de ir para o nosso quarto.

Massageio as costas de Kate e amo a sensação de sua pele contra a minha. Ela geme.

– Você gosta, querida? – Falo com a voz rouca. Me condene, eu estou massageando minha mulher que está apenas com uma pequena calcinha e mesmo que ela tenha algumas estrias por causa da gravidez, eu tenho vontade de beijar cada centímetro de sua pele.

– Deus, sim. – Ela se vira pra me olhar. – Mas vai precisar de alguns orgasmos pra eu te perdoar.

Finjo suspirar.

– Acho que dou conta do trabalho. – Falo e a beijo sensualmente.

Vamos dizer que no final da noite (ou seria madrugada?) Kate nem se lembrava do porquê estava com raiva de mim.

Cara, eu amo a minha mulher e os meus filhos.

PARTE FINAL (Ana e Christian)

Christian

– Sr. Grey, sua esposa está aqui para vê-lo. – Minha secretária fala pelo telefone.

Que estranho, normalmente Ana não vêm sem avisar.

– Mande ela entrar, por favor.

Anastasia dá um grande sorriso quando me vê.

– Atrapalho?

– Nunca. – Falo puxando seu corpo para o meu e a beijando. – Algum problema, querida?

Ela aperta suas mãos nervosamente e morde seus lábios. Minha garota está nervosa.

– O que você aprontou?

– Uh... você se lembra que no dia do nosso casamento, nós prometemos não cair na rotina?

– Claro. – Isso foi apenas há dois meses e eu tive a melhor lua de mel de todas.

– Então, eu queria garantir que nós não fizéssemos isso, então... – Ela me olha, fica vermelha e morde seu lábio inferior. – Eu meio que... – Ela para de falar e simplesmente abre seu sobretudo.

PORRA! A minha mulher está usando nada mais que uma lingerie preta e vermelha de renda e saltos vermelhos. Fico duro só de pensar que ela atravessou a cidade assim. Dirigiu seu carro com apenas isso.

– Você gostou? – Ela pergunta indecisa.

Não falo nada, apenas a beijo tão profundamente que gememos.

Limpo a minha mesa e não me importo por jogar tudo no chão.

Coloco Anastasia na ponta da mesa e fico entre suas pernas. Massageio seu seio por cima do sutiã.

– Me diga, Sra. Grey, você cruzou as pernas quando se sentou?

– Sim.

– Você deixou algum homem ver o que estava por debaixo do sobretudo?

– Não, Christian. Só você. Tudo isso é só pra você. – Ela geme quando eu tiro seu sutiã e começo a lamber e chupar seus seios.

– Você se excitou sabendo que qualquer um poderia desamarrar aquele nó e vê-la desse jeito?

– S-Sim.

Massageio sua pele e puxo seu cabelo forte e a beijo duro.

– Você é uma menina tão má, Sra. Grey.

É intoxicante ver minha mulher (porra como eu amo falar isso) encima da minha mesa só de calcinha. Olho pra minha parede de vidro que dá uma bela visão da cidade e fico mais excitado só de pensar em fodê-la contra a parede. Oh, ainda vou fazer isso.

Massageio seu clitóris e ela geme no meu ouvido.

– Christian...

Coloco um dedo dentro dela e ela fecha seus olhos em êxtase.

– Não, eu quero ver seus olhos quando você chegar.

Com alguma dificuldade, ela os abre e eu coloco outro dedo.

Circulo minha língua envolta do seu seio.

– Você é tão gostosa. – Gemo ao ver minha mulher a mercê.

Enfio outro dedo e ela se empurra pra baixo a procura de maior contato.

– Não seja apressada. – Tiro meus dedos e ela geme pela perda, mas eu os enfio de vez e ela fica sem fôlego.

– Christian, eu preciso... – Ela grita.

– Se controle, querida. Você não quer que toda a empresa saiba o que nós estamos fazendo, não é? A quem estou enganando? Nós dois sabemos o quanto te excita saber que todos podem nos escutar, que qualquer um pode entrar aqui e ver você assim. Você está tão molhada, amor. Tudo isso é pra mim? – Falo no seu ouvido e quando sinto que ela já está chegando tiro meus dedos.

– Christian? – Ela faz um biquinho pela perda.

– Diga, querida, você está tão molhada pra mim? – Falo tirando minhas roupas.

– Sim, baby, só pra você.

Ana me olha com lasciva enquanto eu tiro minha cueca boxe. Ela coloca um dedo sobre si e o esfrega.

– Não seja impaciente. Sou eu, e apenas eu, quem vai dá a você o que você quer, o que precisa.

Eu estou tão duro por ela. Só Anastasia me deixa assim.

– Não quero brincar hoje. Só preciso está dentro de você.

– Oh sim...

Me posiciono e entro com uma única estocada. Nós gememos em uníssono.

Ana fica quieta, como ela sabe que eu gosto, e deixa eu controlar o ritmo, e depois se junta a mim. Nos perdemos em nós mesmo e a beijo no mesmo ritmo das estocadas.

Chegamos ao clímax ao mesmo tempo.

– Sabia que valia a pena comprar essa mesa resistente. – Falo colocando meu peso sobre meus antebraços para não machucá-la.

Rimos e depois eu a fodi contra a parede.

1 ano e seis meses depois

Eu e Anastasia nos separamos há um mês.

E ela acabou de descobrir que está grávida de quadrigêmeos.

– Christian? Tudo bem?

– Oh sim. Me desculpa. – Eu falo saindo do meu entorpecimento.

– Em que estava pensando, afinal?

– Em um mundo em que nós não estávamos juntos, e, acredite, é uma droga. – Digo sorrindo.

– Tenho certeza de que é.

Estaciono o carro na casa dos meus pais e vejo os carros de todos já estacionados. Somos os últimos a chegar.

É natal e nós combinamos de nos reunir para uma troca de presentes e um jantar, com direito a árvore de natal e tudo mais.

Está nevando e eu abro a porta do passageiro para Ana.

– Tem certeza que você está quente o suficiente?

– Absoluta. – Ela fala revirando os olhos.

Será que eu exagerei ao fazê-la usar meia calça grossa, bota, vestido de manga, casaco e sobretudo?

Não, claro que não.

– E o bebê?

– Acho que ele está é com calor, pelo menos é assim que eu me sinto. – Ela murmura tocando sua barriga.

Tranco a porta do carro e beijo seu cabelo, a puxando pra o meu abraço.

– Só estou me certificando de que a minha família está bem.

Kate abre a porta com um grande sorriso.

– Harry e Tyler aprenderam a falar mamãe e Elliot está tentando me subornar pra saber como eu fui capaz de tal proeza. Ah, e vocês já devem imaginar que ele não está oferecendo dinheiro... – Ela fala piscando um olho.

– Respira, Kate. – Fala Ana com um sorriso. – Feliz Natal! – Ela diz abraçando sua amiga.

Desejo a todos um feliz natal e corro pra pegar Harry do colo de Elliot.

– Como está meu afilhado? – Pergunto.

– Está bem, mas não melhor que o meu. – Mia fala segurando Tyler.

Dou língua pra ela e ela faz uma careta pra mim. Algumas coisas nunca mudam, penso com um sorriso.

– Então, tudo certo pra a viagem pela Europa? – Eu pergunto.

– Tudo, finalmente conseguimos férias. – Ethan fala me cumprimentando.

– Oi, querido. – Mamãe diz me dando um beijo na bochecha e me abraçando.

– Feliz Natal, mamãe.

– É tão bom ter todos aqui. – Ela abre um grande sorriso e eu fico tão feliz em vê-la satisfeita.

Papai me entrega uma taça de champanhe.

– Então, já decidiram um nome pra minha neta? – Ele pergunta.

Nós vamos para sala, onde uma grande árvore de natal prata com enfeites de mesma cor está no centro.

– Na verdade, sim. – Eu falo colocando os presentes que eu e Ana compramos debaixo da árvore.

– Deixe-me adivinhar – Elli fala – Christiana?

– Não. – Ana diz se sentando no meu colo.

– Anastian? – Ethan pergunta e Mia dá um empurrão no seu namorado.

– Se for, eu terei que deserdá-la, Ana. – Alaric fala se sentando ao lado de sua esposa, Elen.

– Claro que não é esse. — Ela diz revirando os olhos.

– Ah, parem de fazer suspense! – Carla fala sorrindo e tomando um gole de seu champanhe. Ela e Ray estão noivos e eu ouvi algo sobre adotarem uma criança.

Levo a mão de Anastasia aos meus lábios e a beijo.

Ela olha pra mim e eu sorrio a estimulando a falar.

– Nós achamos melhor chamar a bebê de Aurora, em homenagem a minha mãe. – Ela diz e todos abrem um grande sorriso.

– É um nome bonito. – Ray fala feliz.

– É sim. – Ela concorda.

Olho para a aliança no seu dedo e para sua barriga de seis meses. Essa mulher me deu mais do que eu poderia imaginar.

– Eu te amo, Anastasia Grey. – Eu falo tocando sua bochecha delicadamente.

– Não mais que eu, Christian. – Ela diz e me beija profundamente.

Eu poderia dizer que esse é o final, mas, na verdade, é só mais um começo para todos nós.

FIM

INÍCIO DE UMA NOVA ETAPA

Notas finais
Estou a beira de lágrimas, de felicidade por ter escrito essa história, graças a todos vocês, e de tristeza por ter acabado. :'/ Muito obrigada a cada pessoa que leu, que acompanhou, que favoritou ou recomendou a história. Eu gostaria de poder abraçar profundamente cada leitor, mas infelizmente não posso. Não tenho palavras para descrever o quanto fiquei feliz por ter escrito Entregue-se a Mim. Espero que todos comentem o que acharam e, acima de tudo, espero que a história tenha agradado a todos. Muitíssimo obrigada. S.Stanton
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!