Entregue-se a mim
10 Capítulo 10
Capítulo 10
Kate
Eu sei o que vocês devem está pensando: Kate, você não deveria está na sua lua de mel na França, no Caribe, Havaí, Brasil ou Grécia? E a minha resposta seria: Eu estou em lua de mel, mas não fui para nenhum desses lugares... O maravilhoso local tropical romântico foi... o Canadá. Não, você não leu errado, Elli e eu escolhemos o Canadá. Você deve está pensando que eu escolhi esse lugar por que tem um manicômio confiável, mas a verdade é que em lugares quentes há um grande risco de pegar câncer de pele, o mar é muito contaminado e você fica todo grudado e suado (tudo bem que ficar suado definitivamente está nos meus planos pós-matrimônio). Então, eu preferi um lugar frio, distante de todo mundo, onde eu posso ficar com Elli sem ser perturbada, esquiar, patinar e aproveitar uma bela lareira acessa em uma cama quente com Elliot.
– Você vai ter que descer uma hora! – Grito para Elliot que está no alto da montanha procurando uma escada ou qualquer outro meio que não envolva descer esquiando.
– Não vou não!
– E morrer congelado! – Eu falo tentando não rir do olhar incrédulo que ele me lançou.
– É bom saber que a minha esposa tem uma grande preocupação pela minha saúde. – Dou uma gargalhada. Eu desci há vinte minutos e desde então estou tentando convencê-lo a descer. Se ainda não se tornou claro, eu não me interessei por Elli por ele ser corajoso. Ele finalmente respira profundamente, dá impulso e desce. Eu nunca conheci alguém que esquia tão mal, Elliot está praticamente rolando até onde estou e quando ele se aproxima de onde eu estou... passa direto, gritando:
– Onde fica o freio???
Ao ver o desespero no seu rosto, logo o sigo. O perco de vista ao passar por algumas árvores e depois de cinco minutos procurando e gritando por ele, eu o vejo deitado no chão.
– Você está bem? – Eu pergunto.
– Com certeza, só umas cinco costelas fraturadas.
– Exagerado. – Reviro os olhos.
– Como foi que você me convenceu a passar a nossa lua de mel no Canadá? – Pergunta com um olhar que diz que ele está calculando qual vai ser o prejuízo se ele pegar uma avião de volta pra os Estados Unidos hoje mesmo.
– Eu disse que se eu ficasse nua nesse frio, eu iria precisar de muito exercício para me aquecer.
– Minha heroína. – Pisca um dos olhos para mim quando eu o ajudo a levantar. – Que tal irmos para o nosso chalé?
– Mas amanhã vamos para as montanhas ao norte.
– Vou persuadi-la do contrário mesmo.
Pegamos nossas coisas e voltamos para o belíssimo e aconchegante chalé.
– Vai colocar roupas mais aconchegantes enquanto eu preparo um chocolate quente para a gente. — Eu falo.
Meia hora depois, eu estou gritando, não pelo chocolate quente, que incrivelmente eu não estraguei, mas com o aquecedor que quebrou.
– O que foi? – Pergunta Elli segurando um taco de beisebol. – Onde está o urso?
– Urso? Que urso? – Eu procuro assustada.
– Você gritou, não há urso?
– Não. Quer dizer que se tivesse um urso, você me defenderia com um taco de beisebol?
– Eu joguei no ensino médio e você não sabe o quanto ele pode ser útil. Mas afinal por que você gritou?
– O aquecedor quebrou! – Ele dá uma rápida checada.
– Realmente quebrou.
– E o Prêmio Nobel vai para...
– Eu vou acender a lareira. – Ele diz. A chama nos aquece um pouco, mas eu ainda sinto frio. Entrego o chocolate quente à ele, que depois de tomar um gole, cospe. – Você colocou álcool nisso?
– Não está tão ruim, não é? – Eu pergunto, tomando um gole e quase morrendo sufocada. – Eu nunca gostei de chocolate mesmo. – Digo surpreendentemente ficando vermelha e tomando a xícara da mão dele.
– Não importa, deita aqui comigo. – Elli pede mostrando o lado da cama ao seu lado. Pulo super animada na cama, pouco antes de nós ouvirmos um barulho.
– O que foi isso?
– Não sei... – Elli é interrompido pelo barulho de uma das bases da cama quebrando.
– Isso vai doer. – Murmuro quando caímos da cama quebrada.
– A lua de mel dos nossos sonhos. – Comenta ele desanimado. Olhamos um pro outro até que caímos na gargalhada estrondosamente. Ele me beija carinhosamente. – Pode não ser perfeita, mas será inesquecível. – Nós colocamos o cobertor no chão em frente a lareira e tomamos um delicioso vinho, rindo de como nos conhecemos.
– Eu ainda estou com frio. – Falo tremendo levemente.
– Acho que sei como melhorar isso. – Diz se aproximando. – Você sabia que eu já fui escoteiro um dia? – Sussurra distribuindo beijos pelo meu pescoço.
– Sério? – Gemo.
– Aham e eles me ensinaram uma ótima técnica de aquecimento corporal. – Ele me coloca em seu colo e eu entrelaço minhas pernas na sua cintura. – Mas eu vou precisar tirar isso. – Ele retira meu casaco e me beija de uma forma que me deixa tonta. – E isso. – Minha blusa é jogada no chão e eu só estou de sutiã e calça. Ele coloca a mão nos meus peitos, os circulando provocativamente.
– Elli... – Sussurro quando ele substitui meu sutiã por sua boca. Eu me desfaço e me perco na sua boca em mim e nas suas mãos na minha bunda me empurrando para ele, causando uma fricção que nos faz gemer. – Eu preciso de você.
– Entendo, querida. Você quer que eu te aqueça, não é? – Ele fala antes de morder levemente a auréola do meu seio.
– S-sim, apenas com o fim de me aq-quecer. – Quando eu acho que eu vou chegar ao ápice apenas desse jeito. Ele para e tira minha calça e calcinha. Eu estou deitada encima dele, totalmente nua, enquanto ele me beija, chupa e morde. Eu tiro sua blusa e me derreto ao ver o seu abdômen firme e sexy.
– Continua a olhar para mim assim, amor, que nós nunca iremos sair daqui. – Fala antes de colocar a boca no meu clitóris, circulando a carne em volta. Ele continua a me torturar, uma das minhas pernas sob seu ombro, até que eu chego ao clímax gritando o seu nome. Nós tiramos sua calça e cueca. E eu lambo os meus lábios ao ver o quão grande Elli é. Ele se posiciona entre as minhas pernas e afunda até não poder mais, me fazendo engasgar. Seus movimentos me levam a loucura. Nossos gemidos ecoam pelo chalé e eu não tenho dúvida que Elliot Grey é o homem da minha vida. No momento em que Elli estoca em meu ponto G, o meu orgasmo chega. Com mais algumas estocadas, Elli também chega ao ápice.
– A técnica deu certo?
– E como. Você aprendeu isso com os escoteiros? – Pergunto olhando para ele.
– Sim e eu ainda tenho muito o que te mostrar. – Rio.
– Eu tenho que ir em um acampamento um dia desses. – Murmuro antes de o beijar ardentemente. – Você me faz pegar fogo.
– Isso é uma pena, por que eu sei de muitas outras formas de te aquecer, Senhora Grey. – Ele fala fazendo círculos imaginários na minha barriga.
– Eu vou fazer o sacrifício de ser sua cobaia, Senhor Grey. – Ele fica sobre mim, me cobrindo com seu grande corpo, eu seguro seus bonitos e macios cabelos.
– A melhor esposa de todas. – Geme antes de começarmos o segundo round.
Anastasia
Eu estou perdida. Não sei ao certo o que aconteceu. Tudo estava perfeito, eu tinha o meu pai, minha família e Christian. Até que eu perdi o último. Ele passou duas semanas sendo perfeito, me mimando, cuidando de mim e dizendo que me ama todos os dias. No entanto, eu acho que ele me amar não foi o suficiente, então ele chegou um dia em casa e apenas disse a frase que escondia muito mais por trás de suas palavras:
– A reforma da minha casa terminou.
Mas nós dois sabíamos o que isso significa: Eu te amo, mas isso não é o suficiente, por isso desisto de lutar por nós.
Agora eu estou sentada no meu sofá vestindo um moletom e uma camisa que Christian esqueceu, comendo uma panela de brigadeiro que irá me tornar obesa e assistindo um filme que só me deixa mais depressiva. A campainha toca e eu vou atender.
– Pai! – Abraço firmemente Ray e me pergunto como eu consegui viver anos sem sentir o seu cheiro aconchegante.
– Querida, tudo bem? Você parece horrível. – Tento não deixar as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
– Você tem que aprender algumas coisas sobre ser pai. Dizer que sua filha está horrível não é legal. – Falo aos prantos. Nós entramos e deitamos no sofá. Ele me puxa para os seus braços.
– O que foi que aconteceu? – Me acalmo um pouco e começo a murmurar palavras desconexas.
– Christian me deixou... Ele foi embora... E me ama... Eu não sei o que eu faço... Não quero ficar so-sozinha de novo. – Ele me aperta mais forte contra si.
– Você nunca vai ficar sozinha de novo. Eu estou aqui e não vou a lugar nenhum.
– Eu sei, mas é diferente. Christian é... – Limpo as lágrimas do meu rosto enquanto penso em uma definição para ele. – Bem, ele é Christian e isso basta.
– Por que você não vai atrás dele?
– Por que ele me ama e eu... – Deixo a frase morrer no ar.
– Nós dois sabemos o que você tem que fazer.
– E se não for o suficiente? E se... depois der errado e se...
– Não é possível viver sem riscos. Eu não estou dizendo o que você deve fazer. Mas eu acho que não é fácil encontrar um homem que faça tudo o que ele fez por você.
A memória de Ray não é perfeita, mas ele se lembra de tudo o que aconteceu. Ele era o vice-presidente de uma empresa multibilionária arquitetônica. Além de criarem novos projetos, eles compravam empresas, melhoravam elas e depois vendiam as ações. Por isso ele sempre viajava, para analisar as empresas quase falidas. Na última viajem que ele fez, ele foi para Cabárdia-Balcária na Rússia, ele estava indo para a empresa direto do aeroporto quando um dos caminhões perdeu o controle e bateu no seu carro. Cabárdia-Balcária faz fronteira com a Geórgia, mas ele não sabe como atravessou a fronteira ou quem o deixou no hospital, o mais provável é que tenha sido o caminhoneiro. Ele ficou em coma por 19 anos e quando acordou havia perdido a memória... Até o dia em que Taylor, a mando de Christian, o encontrou e contou o que aconteceu. Quando ele ficou sabendo a sua história, suas memórias começaram a voltar. E agora, tanto Ray como eu somos eternamente gratos à ele. Eu sei que Christian me ama, ele não faria isso se fosse de outra forma.
– Então eu devo ir atrás dele? – Pergunto incerta.
– Sim.
– Mas pode ser amanhã ou semana que vem, talvez até...
– Annie, não deixe para fazer amanhã o que você pode fazer hoje. – Eu olho para ele, respiro profundamente. Como eu senti falta do modo como meu pai me chamava.
– Você está certo. – Eu pego a chave do meu carro, abraço e agradeço Ray e vou para a casa de Christian. Está chovendo e as estradas estão horríveis. Mas finalmente eu chego à belíssima casa. Estaciono em frente e olho para a porta. Algumas luzes estão acesas e ao que parece Chris está aqui. Saio do carro depois de desligá-lo e corro para a varanda. Vou apertar a campainha e hesito. O que eu vou dizer pra ele? Dou meia volta, mas antes que eu possa entrar no carro novamente, Christian abre a porta e olha para mim, ali parada na chuva parecendo tão perdida quanto eu me sentia.
– Anastasia? – Ele olha para mim atônito. Levanto uma mão, acenando igual uma idiota, e tento decidir se eu corro para o carro ou para Christian. – O que você está fazendo parada aí na chuva? Vai pegar uma pneumonia! – Ainda hesitante, eu vou para a varanda e paro em frente à Christian.
– Oi. – É tudo o que eu digo. Estou tremendo de frio, mas não me importo. Ele olha para mim confuso.
– O que você está fazendo aqui? – Olho para ele por longos segundos. Abro a minha boca, contudo as palavras não saem. Depois de algumas tentativas, eu digo:
– Eu vim pra te dizer... – Ele olha para mim, me incentivando a continuar. Engulo a saliva. – Eu não sou boa com palavras. – De repente eu penso o quão irônico é que eu tenha feito faculdade de literatura.
– Eu nunca vou saber se você não disser. — Continuo a olhar para o Deus na minha frente. Como Christian é bonito. – Do que você tem medo? – Ele me pergunta tentando me decifrar. Respiro fundo e crio coragem.
– "Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra." – Ele olha para mim como se eu fosse louca. Talvez eu seja, mas eu continuo a recitar Shakespeare. — "É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama." – Eu não sei o que eu esperava, talvez um beijo ou uma declaração de amor, mas ele apenas me olha. – O que eu estou querendo dizer Christian é... eu te amo complicado e profundamente. – Eu mal termino de falar e seus lábios já estão nos meus. Ele me beija avassaladoramente. E pela primeira vez na minha vida, eu me sinto completa.
– Eu também te amo. – Ele diz no meu ouvido antes de me puxar para dentro e fazer amor comigo várias e várias vezes.
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