Entregue-se a mim
8 Capítulo 8
Christian
Entro na minha casa e deixo minhas malas na sala. Subo as escadas indo para o meu quarto, mas acabo encontrando uma loira de vestido salmão de mangas, até a coxa, sentada na minha cama, com um olhar muito familiar.
– Elena, o que você está fazendo aqui? – Ela abre um sorriso reprovador e balança seu dedo indicador em claro sinal de reprovação.
– Não é assim que se trata sua Dom, querido Christian. – Ela se levanta e coloca suas mãos sobre o meu peito. – Estava com saudades. – Sussurra deslizando seu dedo por meus lábios. Mas eu a impeço de tentar qualquer outra coisa.
– Você não é a minha Dom.
– Bobagem. – Fala como se eu dissesse um absurdo.
– Falo sério, Elena, agora eu que sou um Dom e não seu submisso.
– Entendo... – Diz com um sorriso nos lábios e suas próximas palavras confirmam que ela não entende nem um pouco. – Realmente, seria divertido saber se você aprendeu tudo o que eu te ensinei. Imagine só: o Sub, Dom, e a Dom, Sub. – Ela bate palminhas alegremente e tenho certeza que Elena perdeu a cabeça.
– O que eu estou querendo dizer é que agora eu estou com alguém, em um relacionamento de verdade.
– Não me faça rir, pessoas como nós não têm relacionamentos comuns.
– Eu tenho.
– E ela sabe sobre seu lado negro? – Não sei se ela se refere à minha mãe ou a ser Dom, mas a resposta é a mesma de todo modo.
– Não, mas...
– Foi o que eu pensei. Não seja ingênuo, Christian, em um relacionamento normal há igualdade e você não está disposto a dar isso. Você vai querer cuidar dela, de seu emprego, do modo em que vive, ela irá enlouquecer e te abandonar. – De repente seus olhos brilham perigosamente. – A menos que ela não esteja interessada em você e sim... – Antes que ela termine de falar eu seguro os seus pulsos com força suficiente para imobilizá-la, mas não para machucá-la, mesmo que ela mereça.
– Não diga uma palavra sobre Anastasia.
– Anastasia? Aquela garota que sua futura cunhada abriga?
– Elena, — olho ameaçadoramente para a mulher à minha frente e me pergunto como um dia eu pude amá-la – Ana é muito mais mulher do que você. – Ira invade sua face. Ela tenta se soltar, mas eu não permito, ainda.
– Quer brincar de casinha é? Me diga, meu doce Christian, o que você pensa que está fazendo?
– Estou conhecendo melhor uma pessoa incrível. – Eu digo e sei que deveria sair e deixar essa mal amada falando sozinha, mas os meus pés simplesmente não obedecem.
– Não seja ingênuo, ela só quer seu dinheiro!
– Ela não é desse tipo.
– Tem certeza? Já conheci garotas como ela antes e todas queriam duas coisas e a julgar pela sua cara, ela está ganhando as duas.
– Isso não é da sua conta, Elena. – Falo pausadamente para que ela saiba que é hora de parar.
– Mas é claro que sim. Você é meu garoto, só estou te protegendo. – Ela diz e eu sinto nojo de suas palavras.
– Eu não sou seu garoto e você não conhece Ana. – Solto seus braços e vou para o closet pegar minhas roupas. O quanto antes eu sair, melhor.
– Não seja hipócrita e pare de fazer caridade! – Infelizmente, Elena e suas palavras me seguem.
– Eu não...
– Não mesmo? E você contou para ela o que sua mãe era e como ela te tratava? – Trato de ignorá-la e depois de pegar tudo o que preciso, fecho a mala. — Mas é claro que não. Tanto eu como você sabemos que você não confia nela. – Eu poderia explicar que eu confiaria minha vida à Ana e que apenas tenho medo da reação dela à verdade, mas sei que seria perda de tempo.
– Saia daqui. Agora. – Aponto para a porta em tom imperativo.
– Tudo bem, tudo bem. Mas quando você se cansar dela e ver que pode ter qualquer mulher e não apenas uma órfã idiota, me procure. – Ela pega sua bolsa, mas antes de sair, eu digo:
– Você já se perguntou o porquê de ter tido você e agora eu estou com ela? – Ela se vira.
– Ora, eu acabei com a nossa relação.
– Não. Nós terminamos e, como você mesma disse, eu posso ter qualquer mulher e eu estou com Ana. Talvez seja por que ela é muito melhor que você. – Ela me lança um olhar amargo e sai batendo a porta atrás de si.
Respiro profundamente e desço as escadas. Pego as minhas outras malas e vejo a chave do apartamento de Ana encima do balcão. Eu não me lembro de coloca-la aí, mas vai saber, talvez a loucura de Elena seja contagiosa.
Tranco a casa e vou para o aeroporto.
***C.T.***
Há quatro dias Ana não responde as minhas mensagens ou telefonemas e eu já estou ficando preocupado. Como eu pedi para toda a equipe, de sócios e funcionários, se reunirem no grande salão da empresa, vou fazer o discurso.
– Boa Tarde. É um enorme prazer finalmente fundar a parceria GreyArmstrong. Sei que estão preocupados com seus empregos e com as mudanças que essa parceria irá trazer, mas eu afirmo: Sem dúvida, algumas mudanças irão ocorrer, mas se vocês continuarem a fazer seus trabalhos competentemente, sempre haverá espaço na GreyArmstrong. – Uma salva de palmas soa e eu vejo muitas pessoas relaxarem. Desço do palco e cumprimento alguns funcionários. Meu celular toca e eu me afasto para atender a ligação.
– Taylor? Algum problema? – Pergunto.
– Bom, ontem eu fui verificar Ana, mas chamei e ninguém me atendeu, então eu achei que ela ficou até tarde na empresa. Mas hoje eu fui novamente e o porteiro me disse que ela saiu há quatro dias. – Sinto meu coração se contrair.
– Fique atento a qualquer novidade e não deixe de me ligar. – Desligo e ligo para Kate.
– O que foi que você fez para Anastasia?
– É bom ouvir sua voz também Kate. Ana está com você?
– Sou eu quem faço as perguntas aqui, eu avisei que se você machucasse ela, eu te machucaria muito mais e agora Ana me liga da Itália me dizendo que está resolvendo negócios e que nunca ia dá certo com vocês.
– Itália?
– Hello! Você escutou alguma coisa que eu disse?
– Deve ter sido apenas um mal entendido. Depois nos falamos, Kate.
– Você não vai des... – Mas antes que ela possa falar qualquer coisa, eu desligo.
Ligo para o meu assistente e peço para ele pegar minhas coisas no hotel e o carro. Encontro Braydon Armstrong em sua sala e após acertar alguns detalhes, vou para o aeroporto. O piloto já está pronto.
– Para onde, Senhor Grey? – Não penso por um milésimo de segundo antes de dizer:
– Itália.
***C.T.***
Ana não está em sua editora. Eu já tentei ligar inúmeras vezes no seu celular, mas só vai para a caixa postal. Minha última esperança é ela está em seu antigo apartamento.
Digo ao porteiro que eu sou o namorado de Ana, ele me dá um olhar estranho, mas me deixa entrar. A porta do apartamento número 512 está entreaberta e eu estou tentando decidir quantos tapas eu irei dá a minha querida Anastasia por ser tão distraída. Abro a porta e a visão de Ana abraçada a um homem loiro esguio e de cabelos até os ombros me atinge de uma forma que uma facada não faria. Ela está de costas para mim, por isso pigarreio para chamar a atenção dos dois. Ela se vira com um olhar surpreso e o loiro parece está intrigado.
– Christian, o que você está fazendo aqui?
– Oi, amor, eu consegui terminar as negociações mais cedo que o previsto. – Comento calmamente com um olhar angelical.
– Amor? – Ela ergue as sobrancelhas como se eu tivesse perdido a cabeça, o que na verdade era uma possibilidade.
– Não fique tão surpresa, eu disse que iria tentar voltar o mais rápido para a futura Senhora Grey. – Eu não sei quem está mais chocado com as minhas palavras: o loiro, Ana ou eu.
– Ana, do que ele está falando? – Pergunta o homem com um braço sobre os ombros da minha noiva... ou algo assim.
– E você é? – Eu pergunto como se eu não estivesse pronto para socar sua cara.
– Francis, o amigo da Ana.
– É um prazer conhecê-lo. Eu sou Christian e Anastasia nunca me falou de você.
– Não?
– Não, não é como se com o casamento se aproximando nós conversássemos muito, se é que você me entende? – Falo dando aquele sorriso de homem para homem. Ana arregala os olhos, fica vermelha e eu tento esconder o meu sorriso.
– Baby, não seja modesto. – Ana fala com aquele sorriso que diz Se você abrir a boca novamente não terá a oportunidade de fazer isso novamente.
– Não estou sendo.
– Eu meio que percebi. Estava morrendo de saudades, mas eu sei que a viagem foi longa e você precisa de um banho, então enquanto você vai descansar, eu vou me despedir de meu amigo incrível. – Está pedindo para morrer, Senhorita Steele.
– Claro, amor. Mas e o meu beijo de boas vindas?
– Beijo? – Ela pergunta e Francis olha para mim com um olhar nem um pouco amigável.
– Não seja tímida. Só por que temos visita não podemos quebrar nossa preciosa tradição, querida.
– Mas... – Antes que ela possa dizer qualquer coisa, eu colo os nossos lábios. Empurro tanto o meu corpo que ela recua e se apoia na parede. Ela resiste e morde meu lábio inferior, o que só me faz gemer de tesão e saudades da sua maciez e agressividade. Pouco a pouco suas barreiras caem e ela desiste. Nossa guerra passa a ser o mais puro dos desejos. Segurando o rosto de Ana e tendo meu corpo tão perto do seu, eu posso sentir cada milímetro de suas curvas. Depois do que pareceram séculos, nos afastamos em busca de ar.
– Se toda vez que eu viajar, eu tiver essa recepção da minha noiva, eu irei viajar mais vezes. – Sussurro sedutoramente, mas o soco que me atinge o rosto não era bem a resposta que eu esperava. – Ai! Por que você fez isso?
– Por que mereceu! Que negócio é esse de noiva? Noiva! Francis nunca mais vai olhar para mim. – Olho para trás e percebo que o loiro aguado não está mais no apartamento, pelo jeito eu o subestimei, ele até que é inteligente.
– Acho bom que ele nunca mais nem respire o mesmo ar que você. – Ela revira os olhos.
– Afinal, o que você está fazendo aqui?
– Eu que te faço essa pergunta. Quer me matar de preocupação? Por que não me atendeu ou devolveu minhas ligações? – Ela desvia o olhar.
– Bem, eu não tinha o que falar.
– Você ficou louca? Eu não consegui dormir pensando que você podia ter sido sequestrada.
– Não conseguiu? – Pergunta alegremente, me fazendo bufar.
– Não mude de assunto, por que você está me ignorando? – Ela se senta no sofá creme e suspira.
– Eu ouvi você conversando com sua amiga. – Amiga? Que amiga? Meus olhos se arregalam ao constatar que a única pessoa que Ana pode está se referindo é Elena. – Eu ouvi sua conversa com ela. – Em milésimos de segundos eu relembro a minha conversa, tentando achar algo comprometedor, DOM/SUB, minha mãe, Elena chamando Ana de golpista. É, realmente eu não sou um homem sortudo. Tento manter minha cara impassível, como se eu não tivesse nada a esconder.
– O que você escutou? – Ela dá de ombros.
– Não muito. Ela só abriu meus olhos para a realidade.
– Não é nada do que você está pensando. Elena é só uma amiga que estava com ciúmes e falou aquelas coisas da boca pra fora. – Ela me olha e vejo a incerteza gravada em suas feições.
– Eu só não entendo, Christian. Se você não gostava de mim, por que se esforçar tanto para me ter? — Pelo menos ela não ouviu muito, por que senão estaríamos tendo outra conversa agora.
– Ana... Eu... Eu gosto de você.
– Talvez sim, mas você pensou que eu estava com você pelo seu dinheiro e juro Christian, nunca foi por isso.
– Eu sei, baby. Você é muito mais do que isso.
– Você nem me defendeu. – Sussurra tão baixo que eu quase não posso ouvi-lá.
– Não valia a pena. Olha para mim, Ana. – Ela não acredita em mim, eu sei, mas mesmo assim faz o que eu mando. – Me perdoe, querida, saiba que eu nunca duvidei de você. – Ela engole em seco.
– Tudo bem, eu acredito em você. Eu apenas... Não deveria ter investido nessa relação, eu não estou pronta para isso.
– Podemos ir mais devagar...
– Não. – A certeza na sua voz me leva ao desespero. – Nunca vai dá certo. Eu não sou capaz de amar ou confiar.
– Por favor, Ana. Eu preciso de você.
– Eu também preciso de você. Mas eu nunca irei me dá por completo.
– Eu não vou abrir mão de você. E não é como se fossemos ser só amigos ou apenas transarmos, por que isso nunca vai acontecer. – Eu afirmo veemente, mas uma chama surge no seu olhar.
– Até que é uma boa ideia! Podemos ser amigos de foda! – Ela fala de uma maneira e eu quase fico na dúvida se ela acabou de sugerir isso ou criar a Wikipédia.
– Não, de jeito maneira, nunca.
– Você é quem sabe, mas se não for assim, não vai ser de qualquer outra maneira.
Como é que de repente todos os avanços que eu fiz: conquistar sua confiança, ir morar com ela, parecem ter evaporado? O pior é que eu sei que ela não vai mudar de ideia, pelo menos não agora. É melhor aceitar o que te oferecem, Christian.
– Tudo bem, eu aceito. – Ela bate palminhas alegremente. – Então é melhor recuperarmos o tempo perdido, Christian. – Pouco tempo depois já estávamos no sofá.
A questão é: Eu nunca irei ter Ana parcialmente, nem que eu tenha que viciá-la no melhor sexo que ela já teve, ela será minha, toda minha.
Anastasia
Sinceramente eu não sei o que eu estava pensando, quando sugeri que Christian fosse meu amigo de foda. No mesmo dia em que ele chegou na Itália, nós voltamos pros Estados Unidos em seu jatinho, onde a cama foi muito bem aproveitada. Hoje faz cinco dias que eu voltei e eu estou péssima. Nós só paramos de ter sexo para comer. Eu estou com olheiras enormes, me sentindo morta de cansaço, quase dormindo no trabalho. E o pior de tudo? Só é preciso um olhar de Christian para eu ficar de quatro e está pronta para mais uma rodada. Christian se recusou a sair do meu apartamento, então é só eu chegar do trabalho e nós transamos igual dois coelhos.
– Ana você está horrível. – Kate que veio ao meu trabalho, diz.
– É bom te ver de novo.
– Eu estou falando sério, meu casamento é daqui dois dias e eu não quero que a madrinha esteja dormindo nas fotos. – Bocejo.
– Eu sei. Mas eu e Christian estamos naquela fase onde o sexo é incrível e eu tenho que aproveitar.
– Faça mil favores, só de olhar para Christian nota-se que em qualquer fase o sexo é incrível. – Não preciso pensar a respeito para concordar com Kate. — Mas falo sério, durma bem nas próximas noites a partir de agora, por que o ensaio é amanhã e você precisa está acordada no dia do casamento para me impedir de ter um colapso. – Rio de suas palavras.
– Tudo bem, Kate. – Nos abraçamos e nos despedimos.
***C.T.***
Assim que chego em casa, Christian está só de cueca.
– Será que dá pra você usar uma camisa?
– Não. – Ele responde. – Hoje cedo você não me queria nem com isso.
– Tudo bem, eu acho. – Olho desconfiada para ele como se Christian fosse me atacar, o que é uma possibilidade. – Eu estou totalmente esgotada, então é melhor termos um espaço.
– Okey.
– Okey? – Não é como se eu quisesse outra resposta, mas eu pensei que Christian iria pelo menos tentar me persuadir do oposto.
– Okey.
– Então tá. – Vou para o meu quarto e ele me segue. – Nananinanão. Se nós dormirmos juntos não chegaremos nem perto de realmente dormir.
– O que você sugere?
– Cama para mim, sofá para você. – Ele ainda tenta contra argumentar mas logo cede.
Três horas depois, eu ainda nem cochilei. Viro de uma lado para o outro sem conseguir uma posição confortável e sei que o motivo de eu não conseguir dormir está bem no meu sofá e eu não me refiro ao travesseiro. Estou tão exausta e frustrada. Eu preciso dormir, traduzindo: Eu preciso de Christian. Jogo as cobertas para baixo e me levanto. Abro a porta e vejo Christian caminhando em círculos em frente a minha porta. Pigarreio e ele ergue os olhos, antes que eu possa falar qualquer coisa, ele diz:
– Finalmente. Sabia que você não ia resistir. – Me beija provocativamente e nós entramos no quarto.
Carla
Tudo tem sido as maravilhas com Ray.
Você deve está confuso, então eu vou recapitular: Lembra daquele homem em coma que acordou há algumas semanas? Bem, ele ainda sofre de amnésia, mas pelo menos se lembrou do seu nome. Depois de ficar alguns dias no hospital e receber alta do médico, ele teve que sair e bem, pode parece loucura, ou melhor, é loucura, mas eu o deixei morar comigo. Eu sei que ele pode ser um psicopata assassino, mas Ray parecia tão perdido. Então, agora ele mora comigo e nós estamos no conhecendo. Ele é incrível, tão inteligente, carinhoso e bondoso. Eu quero, pela primeira vez na minha vida, ter um relacionamento com alguém e está quase tudo perfeito. Quase, por que a amnésia ainda é uma barreira no nosso relacionamento. E se ele tiver uma esposa? Filhos? Uma família? São tantas possibilidades.
Saio do meu entorpecimento quando a campainha toca. Vou abrir e me deparo com um homem alto, moreno e musculoso vestindo um terno preto.
– Ah... Em que posso ajudá-lo?
– Eu estou procurando esse homem. – Ele me mostra uma foto de um Ray muito mais novo. Arregalo meus olhos e logo sinto alguém atrás de mim.
– Carla, algum problema? – Ray parece preocupado.
– Eu não sei. Esse homem está procurando você. – Ele olha avaliativamente o homem, mas não parece reconhecê-lo.
– Quem é você?
– Eu me chamo Taylor.
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