Notas iniciais
MUITO OBRIGADA SUZY AMARAL!!! Você não tem ideia do quanto sua bonita recomendação me deixou feliz! É sério, eu não paro de sorrir, as pessoas estão me olhando como se eu fosse louca kkkkkkkkk Esse capítulo enorme foi escrito em sua homenagem, Suzy :DDDDD

Capítulo 16

12 HORAS ATRÁS

Christian

Olho para a mensagem de novo, indeciso quanto ao que fazer.

“Me encontre no Café Delacour às 1 p.m.

Por favor, eu te imploro, é importante.

Heloísa”

A quem eu estou enganando? Eu estou indo para esse café agora mesmo, pelo menos ela não assinou Mamãe. Assim que chego vejo Heloísa sentada em um dos bancos mais afastados. Antes que eu possa gritar com ela, vejo seu olhar. Ela está pálida e olha para todos os lados, como se para ter certeza que não está sendo seguida. Me sento ficando cara a cara com ela.

– Se está em busca de um convite para a festa de noivado, está perdendo tempo.

– Não é isso. Ontem Eric me procurou. – Qualquer cor deixou o meu rosto. Eric era o namorado da minha mãe. Boa parte das minhas cicatrizes eu devo a ele. Também foi com ele que ela fugiu quando me deixou. Aquele bastardo imundo.

– O que eu tenho a ver com isso? – Aperto a mesa mais firme que o necessário.

– Ele havia se esquecido de você, mas saiu nos jornais a notícia do seu noivado. Então, ele pesquisou e descobriu o quão rico você está e veio atrás de mim. Ele me encurralou e me ameaçou e disse que ou arrumava dinheiro com você ou estaria morta. – Ranjo meus dentes.

– Quanto ele quer? – Ela pisca repetidamente e sussurra:

– Um milhão.

– Um milhão? – Dou uma risada amarga. – Ele acha que eu sou a porra de um banco? Eu nunca vou dá um dólar à ele. – Heloísa entra em pânico.

– Você não entende. Ele não é aquele perdedor que nós conhecíamos, ele se envolveu com as pessoas erradas, Eric é muito perigoso e se ele não conseguir o dinheiro através de mim, ele vai direto na fonte.

– Você acha que eu sou idiota? – Falo levantando a voz. – Como eu vou saber se você não está tramando um golpe com ele?

– Por favor, acredita em mim. Eu disse que eu abandonei essa vida, eu estou feliz com John.

– Eu não quero saber, eu não vou dá dinheiro algum para ele.

– Ele vai atrás de você. Sua especialidade é chantagem, ele vai tirar o que você mais ama em troca de dinheiro. – Penso em Ana, mas sacudo a cabeça.

– Eu não vou fazer parte dos joguinhos do seu amante. – Ela parece em desespero.

– Ele vai me matar! Se você não pagar... – Me levanto furioso, eu não preciso ouvir suas palavras, não sei por que eu vim.

– Adeus, Heloísa. – Eu digo antes de sair e ir para o meu carro sem olhar para trás.

***C.T.***

Ana está tão bonita. O vestido que ela escolheu para usar na festa é lindo. Infelizmente não deixa muito para a imaginação. Só de pensar nos outros homens olhando para suas costas nuas, imaginando ela nua, sou tomado pela possessividade.

Beijo seu pescoço, embora ela ainda esteja colocando o par de brincos no espelho.

– Christian! Desse jeito eu nunca irei ficar pronta! – Fala dando uma risada.

– Essa é a intenção. – Viro ela para mim e a beijo. Tão profundamente quanto eu posso. Jogo tudo que está na penteadeira e a coloca encima da mesma. Fico entre suas pernas e rapidamente tiro seu vestido quebrando nosso beijo. Gemo ao ver sua lingerie branca.

– Isso é pra mim? – Eu pergunto.

– Sim. Só para você. – Tiro seu sutiã e dou atenção aos seus mamilos. Seguro um com a mão enquanto envolvo minha boca no outro. – Não pare, Christian.

– Será que você consegue chegar só assim? – Continuo com os movimentos rítmicos não parando até que sinto ela ficar tensa pouco antes de ter um orgasmo. Sua respiração é ofegante. Ela é tão sensível. Preciso trabalhar sua resistência, não que eu não vá apreciar isso. – Por quê que você tem que ser tão gostosa? Você sabe o que faz comigo, Ana? – Esfrego minha ereção em sua barriga. – É isso que você faz.

Ela começa a tirar minha calça e camisa e em instantes eu estou do jeito que vim ao mundo.

– Eu preciso de você. – Ela geme entre nossos beijos. Desliso sua calcinha por suas pernas e toco em sua doce buceta. Ela está tão maravilhosamente molhada.

– Isso tudo é para mim?

– Você sabe que sim. – Já não suporto mais os jogos preliminares, eu preciso me enterrar tão fundo nela até que ela saia mancando e todos vão saber à quem ela pertence. Com apenas uma estocada eu estou dentro dela.

– Eu. Nunca. Vou. Me. Cansar. Disso. – Digo entre estocadas. Nós gememos sincronicamente.

– Mais duro, Chris. – Sorrio com suas palavras. Essa mulher foi feita pra mim.

– Tudo o que você quiser. – Nosso ritmo se acelera e pouco depois nós somos levados pelo clímax.

Pouco a pouco nossas respirações vão se acalmando.

– Você é minha? – Eu pergunto cheirando seu cabelo. Ela tem um cheiro tão bom, lavanda, morango, suor e eu. Tão bom.

– Sim.

– Quanto? – Falo quando minha língua começa a brincar com sua orelha.

– Toda. Toda sua.

– É isso aí.

– Se o nosso cotidiano é assim, mal posso esperar para a nossa lua de mel. – Rio e eu tenho certeza que eu nunca estive tão feliz na minha vida.

***C.T.***

Estou entediado. Todos esses parceiros sociais foram convidados por mera formalidade e mesmo assim eles não parecem entender que essa é a minha festa de noivado e não param de falar de assuntos do mundo de negócios. Procuro minha noiva (como eu sinto prazer ao dizer isso) pelo salão, mas não a vejo.

– Com licença. – Falo interrompendo o que Yuri Longbottom estava falando.

Vou para as escadas e mais de uma vez as pessoas me param para dá os parabéns, sorrio educadamente apesar de continuar andando. Procuro Ana no meu quarto e logo lembro que suas coisas estavam no quarto de hóspedes. Antes que eu possa bater na porta, ouço vozes lá dentro.

– Anastasia? É você aí? – Eu pergunto.

– So-sou eu. Já estou indo, querido. – Ela parece nervosa, vou abrir a porta, mas ela sai.

– Oi. – Diz sorrindo e em um instante eu penso em várias coisas que nós podemos fazer que não envolvem uma sala cheia de convidados, ou roupas. Olho atentamente para ela que parece um pouco pálida.

– Está tudo bem? Você parece um pouco pálida.

– Impressão sua.

– Tem certeza? Não parecia que você estava se divertindo. – Talvez a festa não tenha sido uma boa ideia.

– Eu apenas queria uma cerimônia mais íntima.

– Se você quiser, eu posso... – Eu paro de falar ao ver Elena atrás de Ana. O que ela está fazendo aqui? Eu deixei bem claro que não queria mais nada com ela e que ela devia ficar bem longe de Ana e eu.

Ana se vira para ver quem eu estou olhando e eu não paro de pensar com que título eu vou apresentar Elena.

– Elena, olá, que bom que veio. – Droga, de onde elas se conhecem???

– Eu disse que viria.

– O que você está fazendo aqui? – Eu pergunto tentando parecer calmo.

– Vocês se conhecem? – Ana fala inocentemente, se ela soubesse... Elena olha para mim. Eu coço a garganta, não posso mentir para Ana, mas esse não é o melhor momento para conversarmos ainda mais na presença de Elena.

– Elena é uma velha amiga da minha mãe. — Ficamos em silêncio e eu tento controlar meu nervosismo ao ver as duas juntas. Se Elena abrir a boca...

– Ah. Vamos descer? – Ana diz e nós concordamos. Minha noiva vai na frente e eu dou um olhar para Elena, deixando bem claro que se ela falar qualquer coisa, vai se arrepender.

– Vamos fazer o pedido oficial. – Eu murmuro decidido a terminar logo essa festa. Eu não posso me enganar mais, eu irei me casar com Anastasia sem sombra de dúvida e não haverá mais espaço para segredos.

– Claro.

Faço o comunicado oficial e beijo Ana tentando mostrar o quanto nosso casamento é importante para mim. Logo somos separados e todos começam a nos parabenizar, de repente todo mundo fica em silêncio e eu, que estava de costas para Ana, me viro e a vejo só de calcinha e sutiã na frente de todos os convidados. QUE PORRA É ESSA? Olho para todos os homens naquele salão babando pela MINHA mulher. Flashes são disparados e rapidamente eu a tiro de lá.

– O que acabou de acontecer? – Eu grito querendo saber como a minha futura esposa foi ficar seminua numa festa repleta de repórteres.

– Eu não sei, em um minuto... – Ela começa a falar, mas logo a interrompo. Vejo vermelho, tomado pela raiva.

– Você sabe o que isso significa para a minha imagem? Para a minha empresa? – Eu sei que essa não é a base da minha raiva, mas só de pensar no que os investidores iram falar. E a imagem de Ana? Será que ela não vê o quanto isso vai afetar sua editora?

– Me desculpe, eu não sei o que aconteceu. Ele...

– Eu sei o que aconteceu: Você acaba de envergonhar nós dois. Seremos chacota na mídia. – Já estou vendo as manchetes amanhã, eu queria que o nosso casamento fosse perfeito, mas os jornalistas tem uma forma de distorcer a realidade, se bem que nesse caso não tem como mudar que ela estava com roupas íntimas na festa.

– Eu não tive culpa. Eu juro. – Ela diz e eu estou tão revoltado, louco para jogar a culpa em outra pessoa que não seja eu, que tive essa ideia idiota de ter uma festa de noivado só pra mostrar pra todo mundo que Ana finalmente vai ser minha.

– Talvez se você usasse vestidos menos provocantes. Aquilo nem era um vestido, era mais um pedaço de pano na frente. – Tudo bem que eu gostei do vestido mais cedo quando eu estava arrancando ele de seu corpo, mas essa não é a questão aqui. – Sem falar que todos aqueles homens viram você nua!

– Eu não estava nua.

– Podia não está nua, mas parecia uma pro... — Fico quieto reparando na idiotice que eu ia dizer.

– EU PARECIA O QUÊ? – Me assusto com seu grito. – Uma prostituta? – O pior de tudo é que eu ia dizer exatamente isso. Você precisa se controlar, Grey. Vejo lágrimas no seu rosto bonito e meu coração parece está sendo dilacerado.

– Eu não quis dizer isso, mas ver você daquele jeito na frente daquelas pessoas me deixou louco. – Eu falo tentando organizar meus pensamentos.

– Esse é o problema do tempo, Christian, não podemos voltar para o passado, para consertar vestidos idiotas ou palavras ditas. – Suas palavras me batem como um soco e eu sou tomado pelo arrependimento. – É melhor você ir, – o que ela quer dizer com ir? Dou passos para trás em descrença. Ela não quer terminar tudo, não é? Eu estou pronto para me ajoelhar e beijar o seu chão quando ela diz: – você precisa dá uma explicação pra todo mundo. – Tento me aproximar, mas ela se encolhe. O que foi que eu fiz? Antes que eu possa consertar essa burrada, eu preciso me explicar pra os convidados. Saio do quarto pensando no que eu preciso fazer para ela voltar a confiar em mim. Uma viagem para o Caribe? Um carro? Pelo Amor de Deus, eu sei que Ana não é igual as outras mulheres, ela não está comigo pelo meu dinheiro e sim por... mim, mesmo que pareça surpreendente.

Chamo a atenção de todos.

– Primeiramente eu queria me desculpar com todos, mas afinal quem pode confiar em vestidos atualmente? – Tento fazer piada, mas poucas pessoas riem. – O que eu estou querendo dizer é que independentemente da cena de hoje, nada me fará cancelar o casamento com a mulher que eu amo e, sinceramente, eu espero a discrição de todos. – Levanto uma taça de champanhe. – Conto com a presença de todos. – Uma salva de palmas ecoa pelo salão, mas eu não sou ingênuo a ponto de pensar que eles não estarão comentando sobre isso no minuto que eu virar as costas, mas isso não importa. Ana sim.

– Você está bem, Christian? – Elliot me pergunta. Assinto brevemente, mas não paro de pensar na cara de Anastasia quando estava na frente de todos ou quando eu gritei com ela.

– Será que você pode cuidar de tudo por aqui? Eu preciso está com Ana.

– Mas é claro.

Apressadamente eu vou para o nosso quarto, no entanto não vejo Ana em lugar nenhum, procuro em todo o canto e nada dela. Ligo meu celular, mas não há mensagens. As pessoas estão começando a ir embora e eu procuro desesperadamente o carro de Ana no estacionamento, mas ele sumiu. Está chovendo e eu estou preocupado. Onde ela está? Volto para o meu quarto a procura de algum bilhete ou qualquer coisa, mas o que eu encontro é pior. O anel que eu comprei há alguns meses atrás está na cama. Isso não quer dizer...? Jogo um porta retrato de nós dois na parede oposta. O que foi que eu fiz? Eu nunca amei ninguém na minha vida além dela e ela vai me deixar? Lágrimas deslizam pelo meu rosto e eu sento no chão parecendo tão desamparado quanto me sinto. Não sei quanto tempo eu fiquei ali, mas depois de lembrar do modo que Anastasia cabe perfeitamente nos meus braços, eu decido que eu não vou deixá-la ir tão facilmente. Me levanto com o propósito de não perder a mulher que eu amo.

Ela não está em seu apartamento e eu já enviei mensagem para todos que nós conhecemos e ninguém sabe onde ela está. Estou voltando para minha casa, olho para o relógio e vejo que já são duas da manhã. Onde será que ela pode ter ido? De repente as palavras que Heloísa me disse mais cedo me batem “Ele vai atrás de você. Sua especialidade é chantagem, ele vai tirar o que você mais ama em troca de dinheiro.”

Me permita que eu esteja errado, Deus.

Assim que eu estaciono na minha casa, eu ligo para ela.

– Alô?- Eu digo quando ninguém fala do outro lado da linha.

– Christian, é você? – A voz nervosa de Heloísa fala.

– Mas é claro que sou, quem mais seria?

– Eu pensei que podia ser Eric.

– Ele entrou em contato com você? O que ele queria? – Meu coração acelera.

– Ele queria o dinheiro, mas eu disse que você não ia dá. Ele começou a falar palavras incoerentes algo sobre uma dívida e depois foi embora. Por quê? Ele entrou em contato?

– Não. Anastasia sumiu e eu pensei que talvez... – Minha voz se perde. E o silêncio do outro lado da linha me deixa inquieto. – Você não acha que ele tem algo a ver com isso, acha? – Eu sussurro.

– Eu não sei. Mas ele parecia está com pressa para ter o dinheiro em suas mãos, então se ele estiver com ela, logo irá entrar em contato. – Respiro profundamente, não há nada mais a dizer.

– Adeus.

– Espera... Me desculpe por te envolver nisso, eu não sabia que ele ia ser capaz disso. — Eu fico em silêncio, preocupado demais com Ana para pensar na minha mãe.– Só um aviso, não o subestime, Eric parecia louco quando me encontrou hoje. Acho que ele está com alguma dívida grande, tanto que ele não se importou de me machucar ou até mesmo me matar como tinha ameaçado. – Sua voz treme. Só de pensar em Anastasia nas mãos de um assassino, meu peito dói. Nos despedimos e eu procuro nos meus contatos o nome do meu investigador particular, antes que eu possa apertar o botão ligar, um número restrito liga. Minhas mãos tremem e eu tento me acalmar antes de atender. Talvez seja apenas um engano.

– Olá, Christian. Há quanto tempo? – A voz que esteve em muitos dos meus pesadelos fala.

– Eric.

– Vejo que não se esqueceu de mim. Fico feliz de saber disso, afinal eu estou com algo seu.

Anastasia

O homem alto me olha com um olhar malicioso.

– Agora eu posso entender o que o Grey viu em você. Você é muito bonita para o seu próprio bem. – Ele fala se aproximando de mim. Tento fugir e me afastar, mas as cordas no meus pulsos e tornozelos, presas a cadeira, me restringem.

– O que você quer? – Eu falo com uma voz que mal reconheço. Seus olhos brilham.

– De você? Muitas coisas. – Ele toca a minha bochecha e sinto repulsa pelo seu olhar. – Tão bonita... – Ele se aproxima dos meus lábios e eu estou pronta para cuspir na sua cara quando um homem de cerca de 50 anos chega.

– Já chega, Jack. – O tal de Jack tem um olhar consternado no rosto, mas se afasta saindo da sala escura.

Olho para o local que eu estou, entretanto a pouca iluminação não me permite ver muito além da porta pela qual ele saiu. O outro homem olha para mim com uma expressão calma, o que faz ele ser de alguma forma mais ameaçador.

– Espero que você possa perdoar o meu amigo, Jack. Ele algumas vezes se anima demais, mas não é nada que você tenha que se preocupar... Se você cooperar, é claro. – Ele está próximo de mim e eu posso sentir o hálito de carne podre. Meu estômago revira, antes eu estava com fome, agora tenho vontade de vomitar.

– O que você quer comigo? Quem são vocês? – Ele tem um olhar repreensor.

– Oh querida, com você nós não queremos nada. Mas já o seu noivo tem contas a acertar comigo. – Nem cogito a possibilidade de abrir a boca e dizer que nós não estamos mais noivos, se eles querem algo de Christian e perceberem que eu não sirvo para nada, eu serei descartável.

– Por favor, me deixe ir, eu prometo não dizer nada, por favor. – Lágrimas deslizam por minha face. Ele dá uma risada malvada.

– Eu não posso. Agora eu sugiro que você fique quieta, a menos que queira chamar a atenção de Jack. – Ele vai até a porta e sai.

Começo a chorar descontroladamente. O que eles têm a ver com Christian? Para, Ana. Respiro profundamente, eu não posso entrar em pânico. Tento encontrar uma maneira de me libertar das cordas, mas a cada tentativa meus pulsos são cordados mais.

– Tudo bem. – Ele diz sorrindo. – Apenas hipoteticamente falando, eu iria te colocar exatamente nesse sofá e iria te beijar como você nunca foi beijada antes e não seria nada menos do que inesquecível. – Quando ele termina de dizer isso, eu sinto seus lábios sobre os meus.

Acordo da minha inconsciência com um tapa na minha cara. O homem desconhecido está na minha frente com um celular na mão.

– Seu noivo quer falar com você. – Diz tampando o lugar de falar do telefone. – Repita tudo que eu falar. Entendido? – Estou atordoada demais para falar. Ele me dá mais um tapa no rosto. – Entendido? – Assinto repetidamente saindo da névoa de sono.

– Ana? Você está bem, querida? – Ouvir a voz de Christian faz meu coração acelerar na esperança de que ele vai me salvar. Abro a boca para falar, mas a minha garganta está muito seca. As palavras simplesmente não deixam meus lábios. Há quanto tempo eu estou aqui? Tento mais uma vez, mas nada sai. O homem à minha frente me dá um olhar consternado.

– Por que você tem que complicar a minha vida? Repita: por enquanto eu estou bem, mas...- Como eu continuo quieta. – Oh Ana, eu tentei ser gentil. – Ele pega na minha coxa e aperta, sua mão tão forte que parece que ele está dilacerando minha perna. Eu solto um grito estridente.

– Anastasia? Oh Meu Deus! Ana? Fala comigo! Eric, por favor, pare! Para! – Suas garras afrouxam o aperto um pouco, mas a minha coxa dói. – Eric? Eu te dou o que você quiser, apenas não a machuque! – O homem que acredito ser Eric tem um sorriso sombrio. Ele olha para mim.

– Da próxima vez, é melhor você repetir cada palavra, vaca. – E me dá um soco que me deixa desacordada.

– Seu bico é fofo.

– Não seja legal, nós estávamos começando uma discussão.

– O quê?

– Você me escutou. Como nós podemos ser um casal normal se não brigarmos? – Estou ultrajada, Christian ri e eu o fuzilo com um olhar.

A primeira coisa que eu noto quando acordo é a dor. Meu olho dói muito e eu mal posso enxergar do meu lado esquerdo. A segunda é que eu sonhei com Christian de novo. E a terceira é que meus braços estão desamarrados e tem água e um tipo de sopa aguada na minha frente. Como e bebo avidamente, tão rápido que eu engasgo, continuo a beber a água só que mais devagar. Me sinto tonta novamente. Olho para a água de uma forma nova, oh não, eu fui drogada.

– Talvez se você se esforçasse um pouco para parecer mais agradável de se olhar. – Ele não acabou de insinuar isso!

– Os outros nunca reclamaram. – Eu falo.

– Outros é? – Ele ergue uma das sobrancelhas.

– Sim, os muitos outros. – Christian faz uma careta. Sim, Anastasia, coloque ele em seu devido lugar! Grita minha voz interior. Me viro para a atendente que tem um olhar chocado em seu rosto: — Na verdade nós estamos interessados nas fantasias. – Ela se recupera e começa a andar quando Christian aponta para as algemas e cordas penduradas na parede.

– Vamos levar essas aqui, tenho a leve impressão de que vamos precisar disso logo logo. – Ele diz e me olha atrevidamente. Ops, o tiro saiu pela culatra.

Meus ouvidos estão zunindo, mas eu não abro os olhos. Alguém segura firmemente a minha garganta.

– Nós sabemos que você está acordada.

Pisco repetidamente e olho para Eric. Me sinto doente por não poder fazer nada enquanto as pessoas que eu gosto estão me procurando. Onde será que Christian está agora? Minha cabeça dói. O que eles colocaram na minha comida?

– Ele quer falar com você, dessa vez seja uma boa garota e diga exatamente o que eu falo. – Concordo e ele coloca o telefone na minha orelha. Minha mãos estão presas novamente.

– Fala comigo, Ana. — Christian fala e meu coração acelera. Como eu senti falta dessa voz.

– Oi.

– Você está bem? — Ouço sua preocupação.

– Si-sim. – Eric começa a falar e eu faço como orientado. – Eu estou bem por enquanto, apenas dê o dinheiro para eles ou eles vão me machucar muito.

– Não se preocupe, nós estamos indo te buscar. Você sabe que eu te amo, não é, amor? Não importa o quê. – Lágrimas deslizam pelo meu rosto.

– Eu sei, eu também te amo.

– Eles-eles te machucaram? Te tocaram? – Christian fala com a voz tremida. É tão bom ouvir sua voz.

– Não, eles... – Eric tira o telefone de mim abruptamente e fala para Christian.

– A hora das declarações acabou. Seu tempo está acabando, Grey. – Sua voz pinga sarcasmo. – Se você atrasar um segundo, será viúvo antes mesmo de se casar. – Diz e desliga. Eric olha pra mim. – Muito bem, Ana. O tempo está acabando para o seu noivo, mas logo vamos descobrir o que ele é capaz de fazer por você. – Não tenho tempo de dizer qualquer coisa antes que ele saia, mas também o que eu diria? Começo a rezar sem parar. Nós brigamos mas eu sei que Christian me ama, eu só espero que ele não se machuque tentando me salvar. As últimas palavras de Eric ficam na minha cabeça: logo vamos descobrir o que ele é capaz de fazer por você.

– Sim, eu aceito. – Lágrimas começam a descer pelo seu rosto e eu nunca tinha visto a felicidade em sua forma mais plena estampada em seus olhos.

– Agora você será minha. – Ele fala quando desliza o anel com vários diamantes entrelaçados. Beijo ele profundamente.

– Eu sempre fui sua.

Sou acordada com gritos. Pessoas estão correndo de um lado para o outro. O tiro soa próximo a mim. Quase posso ouvir Christian chamando o meu nome. Sinto meus olhos se fecharem de novo. Será que fui drogada novamente?

– Christian, eu te amo. – Sussurro antes de voltar para a minha névoa de sono e cansaço.

Silêncio... Apenas silêncio...

Abro meus olhos devagar.

– Ela acordou! – Kate grita. – Você está bem, querida? Precisa de alguma coisa?

– Água. – Eu falo com a voz rouca. Ela me dá um copo de água e eu mal posso acreditar que eu não estou mais presa. Olho para a sala pintada de branco, os aparelhos e tubos ligados ao meu braço. Há uma cortina a minha direita me separando do outro paciente. Sem dúvida um hospital. – O que aconteceu?

– O que aconteceu? O QUE ACONTECEU? Eu que tenho que perguntar isso! Eu vou te matar, é isso que aconteceu. Como você se deixou ser sequestrada? – Ela grita pra mim em desabafo.

– Ah não, mais alguém tentando me matar e não foi como se eu tivesse muita escolha. – Falo tentando não rir.

– Argh! Eu não acredito que eu treinei aqueles golpes com você pra nada. – Diz chutando o nada.

– Golpes? Você nunca me ensinou nenhum golpe.

– Você acha que eu te batia tanto quando era criança, por que?

– Por que a gente brigava muito e eu sofria bullying? – Ela levanta os braços exasperada, como se eu fosse idiota.

– Mas é claro que não! Eu estava te preparando para você saber se defender quando fosse sequestrada! – Solto uma risada, só Kate para me fazer rir em uma situação dessas.

– Desculpe decepcioná-la, então. – Eu digo incomodada com a agulha no meu braço. – Falando sério, o que foi que aconteceu? – Ela respira fundo deixando todo humor de lado e me conta tudo e quando eu digo tudo, é tudo mesmo. Que Eric era o ex-namorado de Heloísa (eu lembro dela falando sobre ele e de Christian me dizendo que ele havia sido muito machucado por Eric, pobre Christian) e que me sequestrou em troca de dinheiro. Ela me falou o quanto Christian estava louco nesses três dias que eu estava sumida. Eric pediu 4 milhões por mim. Quatro milhões, porra! E mesmo assim Christian estava disposto a pagar, contudo Carrick ouviu ele no telefone e o convenceu a falar com Thiago (aquele Thiago do casamento de Kate) que era policial. Kate não sabe bem ao certo, mas ao que parece eles conseguiram rastrear a minha última chamada com Christian. Depois ela me falou como Christian, Taylor e outro segurança invadiram o lugar antes que a polícia chegasse. O rosto de Eric está irreconhecível e infelizmente Christian também não está intocável.

– Mas ele está bem? Respirando? Vivo? – Eu pergunto.

– Até onde eu sei está. – Ela diz com um sorriso que eu não entendo. – Mas me diga o que aconteceu na festa de noivado? Aquela noite foi tão agitada que eu nem pude falar com você direito. – Solto um gemido ao me lembrar da catástrofe.

– Um desastre. Uma amiga da mãe de Christian, Elena, tirou uma linha do meu vestido fazendo ele cair. Agora que eu penso a respeito, me parece que ela fez de propósito.

– Mas por que ela faria algo assim?

– Não faço ideia. O pior de tudo foi que eu e Christian tivemos uma discussão depois. – Penso no modo que eu terminei nosso noivado. Será que de 1 a 10 quais são as chances de reconciliação?

– Ele nos contou que vocês terminaram. Você tem certeza disso, Ana? – Ela diz com os olhos brilhando.

– Não. Enquanto eu estava naquele lugar horrível eu não parava de pensar nele, em como eu amo e quero passar o resto da minha vida ao seu lado.

– Que bom! – Ela grita animadamente e puxa a cortina que separa as duas camas. Quase tenho um ataque cardíaco ao ver Christian na outra cama. Ele tem um olho fechado e alguns machucados no braço pelo que eu pude ver. OH MEU DEUS, ELE NÃO NOS ESCUTOU, NÃO É? Pela sua cara, sim, ele escutou.

– Oi, Anastasia.

– Eu vou te matar! – Eu falo pra ele e Elliot que está do lado de Christian diz:

– Será que essas ameaças estão no sangue? – Mas eu ignoro. Tiro a agulha e os fios que estão me ligando as máquinas e me levanto.

– O que você pensa que está fazendo? – Christian diz se sentando com um olhar irritado.

Pego o meu travesseiro, bem ciente que eu estou com aquela roupa de hospital que deixa minha bunda exposta para Deus e o mundo. Rastejo até Christian com todo o meu corpo doendo e bato nele com o travesseiro.

– Ei! Para! Por que você está me batendo? Enfermeira! Alguém retira os medicamentos de Ana? Isso está deixando ela louca! – Grita, mas eu finjo que não escuto.

– Como você pôde invadir uma casa cheia de assassinos, pouco antes da polícia chegar? Está querendo se matar, é? – Falo me sentando ao seu lado e recuperando o fôlego. Se para algumas mulheres ser salva é sexy, essa atitude suicida de Christian me deixa louca. – Você poderia ter morrido, seu imbecil! Se isso acontecesse, eu te matava! – Eu falo com lágrimas nos olhos. Delicadamente ele limpa essas lágrimas.

– Eu sei que não foi a escolha mais inteligente, mas era a sua vida em jogo. E se esse minuto fosse a diferença entre a sua vida e a sua morte? Eu nunca me perdoaria. – Ele fala colocando uma mecha de cabelo minha atrás da orelha. Não quero nem pensar em como meu cabelo parece um ninho de passarinho agora. Abraço ele, tentado ser gentil com os seus machucados.

– O que eu estou querendo dizer é: obrigada. – Falo colocando minha cabeça na curva de seu pescoço e sentindo seu cheiro. Tão bom...

– Me desculpa pela aquela noite. Eu não queria ter dito aquelas palavras. Eu vou entender se você nunca mais quiser me ver na sua vida, ainda mais que você só foi sequestrada por minha culpa. De verdade, eu vou entender. Eu apenas sou muito egoísta pra te deixar ir sem lutar por você.

– Não foi sua culpa.

– Foi, se eu não... – Ele começa a falar, mas eu coloco um dedo em seus lábios. Vejo pelo canto do olho Kate e Elliot saírem e nos deixarem sozinhos.

– Não foi e não importa mais. O importante agora é só te ter ao meu lado. – Seus olhos brilham.

– Você quer dizer que me quer de volta mesmo depois de tudo? – Rio da sua surpresa.

– Uma experiência de quase morte nos faz perceber o que é realmente importante.

Sorrimos um para o outro e nos beijamos calmamente, por que o momento pede por isso e por que estamos tão doloridos que não poderia ser de outra forma.

– Somos um casal de merda, não é? – Eu falo rindo enquanto penso na cena de nós dois juntos deitados em uma cama de hospital usando nada mais que roupas que deixam nossas bundas de fora, tão machucados que mal conseguimos nos mover direito e pálidos como inferno. Christian abre um sorriso.

– Ninguém é perfeito. – Ele dá de ombros e me puxa para mais perto.

Notas finais
Me deixa muito triste ver que menos de 10% dos leitores comentam :( ESTOU ANIMADA PARA RECEBER SUGESTÕES, COMENTÁRIOS E RECOMENDAÇÕES!!!! O próximo capítulo vai ser o resumo da história de Mia e Ethan que alguns leitores me pediram ;) Um grande abraço X)