Entregue-se a mim
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Abro a porta e me deparo com uma mulher que deve ter entre uns 40 e 50 anos, seu cabelo é preto com alguns fios brancos e seus olhos são azuis, mas parecem um pouco tristes, como se tivesse vivido e visto muitas coisas, eu não sei por que mas ela me parece família. Ela magra, muito magra, e me olha parecendo está nervosa.
– Em que posso ajudá-la? – Eu pergunto com um sorriso e espero que meu cabelo não esteja dilatando: SENDO FODIDA.
– Ahn... eu gostaria de falar com Christian Grey. Ele está? – Olho para trás, mas ele ainda deve está tomando banho.
– Ele está tomando banho. Quer esperar? – Ela olha para dentro da casa nervosamente.
– Eu... acho que sim. – Suas sobrancelhas estão franzidas e ela parece tão perdida. Ela entra e eu fecho a porta. Indico o espaçoso sofá de couro preto.
– Que educação a minha. Eu sou Anastasia Steele, namorada de Christian. – Falo orgulhosamente o título. – Você é? – Ela arregala os olhos e me olha com aquele mesmo semblante perdido.
– Eu... – ela engole a saliva – Eu sou Heloísa, mãe de Christian.
Capítulo 12
Rio nervosamente.
– Eu conheço a mãe de Christian e você definitivamente não é a Senhora Grey.
– Ah sim, a Sra. Grey. Eu sou a mãe biológica de Christian. – Olho chocada para ela. Eu sabia que Christian era adotado, mas eu nunca parei para pensar na sua verdadeira mãe, eu simplesmente cogitei que ele foi abandonado ou ela estava morta, pelo jeito não. Ao olhar novamente para Heloísa, eu realmente posso ver semelhança entre seus olhos e os de Christian ou talvez eu simplesmente estou imaginando ver isso já que agora eu sei.
– Mas... – Sou interrompida por um barulho no andar de cima. Um sorridente Christian desce as escadas apenas de calça moletom.
– Quem era na porta...? – Ele para de falar quando olha para Heloísa, sua face torna-se pálida, eu fico preocupada. – Você... Mas como é possível? – Ele olha para ela como se fosse um fantasma, sua expressão confusa me leva a acreditar que há muita coisa nessa história que eu não sei.
– Christian, o que está acontecendo? – Eu pergunto e odeio ouvir a fragilidade em minha voz. Ele olha momentaneamente para mim, mas logo volta sua atenção para sua suposta mãe.
– Filho, precisamos conversar. – A expressão confusa de Christian é substituída por raiva.
– Não me chame assim. Como você pôde? Eu pensei que você estava morta.
– Me deixa explicar. Você vai entender e me perdoar...
– Perdoar? Está louca. – Christian dá passos na nossa direção e eu me encolho diante de sua expressão de ódio. – Eu pensei que você estava morta, você me enganou por anos. Anos! – Grita.
– Eu sei que você está confuso, mas...
– Calem a boca vocês dois! – Christian olha para mim como se eu tivesse duas cabeças. – Dá pra vocês dois se sentarem. – Eles se sentam desconfortavelmente como se eu fosse surtar novamente. – Agora alguém pode me explicar? – Chris suspira e diz:
– Ela me abandonou! – Diz apontando para a morena. – Depois de tudo o que você fez por mim... de tudo o que você deixou eles fazerem para mim, você me deixou! – Lágrimas enchem seus olhos mas nenhuma desliza por sua face.
– Eu não tive escolha! Eric... – Chris treme diante desse nome – me avisou naquele mesmo dia que a polícia ia invadir a casa a procura de drogas, mas foi tarde demais, só deu tempo de pegar algumas roupas e um pouco de dinheiro...
– E eu??? Não deu tempo de me pegar? – O rancor é palpável em sua voz e eu tremo.
– Eu voltei, eu juro, eu voltei. Mas a polícia já tinha chegado.
– Por que você não me buscou depois? – Lágrimas cobrem o magnífico rosto de Christian. – O que eu estou dizendo? Ter me deixado com os Grey foi o único ato bondoso que você fez por mim.
– Quando vi aqueles carros de polícia e o barulho das sirenes em frente a nossa casa eu fiquei com medo. Eu decidi voltar e te buscar, os noticiários falaram de você e como você foi encontrado sozinho, eles ofereceram até uma recompensa por notícias... – A risada que Christian dá me traz calafrios.
– Então você ligou e disse que você estava morta? Pelo menos recebeu a droga da recompensa.
– Eu pensei em te buscar, mas Eric disse que você estava melhor com essa família rica, então ele ligou...
– Eu não quero saber o que ele fez! – Ela se encolhe. — E depois vocês viveram felizes com a recompensa? – Ele pergunta irônico.
– Nós viajamos por meses juntos e depois... – ela engole em seco – Ele me abandonou e fugiu com outra mulher. – Ela se silencia mas nem mesmo Christian parece saber o que dizer. – Eu não tinha nem um centavo para me sustentar ou para...
– Drogas. – Ele completa com um olhar mortal. Heloísa assente.
– Então eu dei um jeito.
– Traduzindo: você se prostituiu! – Heloísa não disse nada, mas seu silencio gritou uma concordância.
– Contudo o tempo não me deixou mais nova... – Ela brinca, mas nenhum de nós ri – Então eu conheci John, ele se voluntariava nesse centro de reabilitação e ele foi tão amável me levando o que comer. John me convenceu a procurar ajuda, passei três anos no Centro. Desde então eu nunca provei mais nada. Dois anos depois nós nos casamos. Ele sabia sobre você, ele tentava me convencer a te procurar, mas eu fui muito covarde, até... até que eu vi essa notícia em que vocês dois estavam juntos, a partir daí foi fácil saber onde você mora.
Olho para Christian, mas ele só olha para frente parecendo não ver nada.
– Chris? – Ele nem sequer pisca um olho. Me viro para Heloísa dividida entre a pena e a raiva. – Acho melhor você ir, ele precisa de um tempo sozinho. – Ela olha para ele duvidosa, mas acaba assentindo.
– Tudo bem, eu vou deixar meu telefone se um de vocês quiserem saber qualquer coisa mais. – Pego o papel que a sua mão tremendo me entrega. A acompanho até a porta, entretanto antes de sair, ela se vira e olha para seu filho. – Espero que um dia você possa me perdoar. — E se vira.
Fecho a porta e olho para meu namorado que está em estado de choque. Fico ali parada sem saber o que fazer. Acabo me sentando ao seu lado, ele não aparenta nenhuma expressão e eu já estou começando a ficar preocupada. Pouco a pouco a cor volta ao seu rosto. Entrelaço nossas mãos mais do que disposta a ficar nesse silêncio por horas, mas de repente ele fala:
– Eles me queimavam, os namorados dela me queimavam com cigarros e ela deixava.
– Oh Christian, sinto muito. – Coloco sua cabeça no meu colo e acaricio seus cabelos.
– Eles me machucavam, você viu as cicatrizes, e ela estava drogada demais para fazer qualquer coisa. – Ele parece está lembrando de algo doloroso e eu gostaria de apagar o que quer seja. – Eu pensei que ela estava morta por todos esses anos, foi o que eles me disseram. Eu já passei por todos os estágios da perda: a raiva, o rancor, até mesmo a saudade, eu acho que eu apenas estava decepcionado. E agora eu simplesmente não sei o que eu estou sentindo. – Sinto suas lágrimas na minha coxa. Eu fico em silencio e pouco a pouco ele me conta... tudo. Nos abraçamos por horas e a cada palavra dita eu acho que a vida é muito injusta, eu só não entendo por quê algumas pessoas têm uma infância tão feliz (apesar de tudo) quanto a minha e outras sofrem tanto como Christian, apenas é errado.
Eu não sei bem como aconteceu mas o silêncio foi substituído por carícias e de repente nossas roupas foram retiradas e estávamos fazendo sexo no sofá... Sexo não, amor. Sem dúvida, nós estávamos fazendo amor. A plenitude de cada gesto tornava isso inegável, era como se fosse a primeira e última vez que estávamos juntos. Ao final, nos beijamos singelamente. Me assusto quando a porta se abre. Taylor abre a porta tentando ser silencioso e ao se virar olha para mim abraçada com Christian (que graças a Deus tampa a minha nudez) e abre sua boca em choque e até fica vermelho, eu pensei que era impossível fazer Taylor corar!
– Me desculpa, Sr. Grey, eu-eu pensei que vocês já tinham terminado. Eu... – Percebendo que ainda está nos olhando, vira de costas. – Acho que eu vou... sair.
– Boa ideia. – Christian diz mas não parece está com raiva. Após a porta bater, eu começo a gargalhar e Chris logo se junta a mim.
– Eu não sei se eu mato Taylor ou me mato de vergonha. – Eu digo entre risos. Quando as risadas cessam, eu falo: — Devemos nos levantar. – Ele geme preguiçosamente.
– Prefiro passar o dia com você. – Definitivamente ele já está melhor.
– Eu também, mas hoje é meu aniversário. – Ele arregala os olhos e se senta abruptamente.
– O quê? Como eu não vi isso na sua ficha... – Ele se interrompe e tampa a boca.
– QUE FICHA?
– Nenhuma, querida.
– Mas...
– Não mude de assunto. – Ele fala sério, mas eu ainda não esqueci esse assunto. – Por que você não me falou? – Dou de ombros.
– Esqueci.
– Eu podia ter feito uma festa ou...
– Eu não quero uma festa apenas passar o dia com o homem da minha vida. – Ele abre um sorriso.
– E esse seria...? – Christian fala sério.
– Meu pai, é claro. – Falo brincalhona. Ele ri.
– Vamos tomar banho e saímos em quinze minutos e eu te garanto, não é pra te levar na casa do seu pai.
***C.T.***
– Vamos a um restaurante que eu conheço. – Chris diz.
– Não. Hoje é meu aniversário e eu quero ir em outro lugar, no parque ou em uma sorveteria.
– Mas...
– Mas nada. Você não precisa me levar a restaurantes chiques para me conquistar, já conseguiu. – Brinco batendo em seu ombro. Ele revira os olhos, mas aceita.
Tomamos sorvete e andamos um pouco pelo parque. O dia está refrescante e muitas pessoas estão fazendo piqueniques e brincando.
– Hoje é seu aniversário, você tem que fazer alguma loucura senão não conta. – Ele fala enquanto prova um pouco do meu sorvete, faço uma careta para ele, o que só o faz rir. Ele ainda tem aquele semblante triste, mas parece feliz o suficiente, por agora.
– Tudo bem, o que você sugere, Parceiro de Crime? – Pergunto. Ele pensa rapidamente e logo abre um sorriso.
Eu vou me arrepender de ter perguntado.
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