Entrega de Ovos??
2 Matt
Notas iniciais
Ok, esse era um momento crítico, perigoso, fatal, para quem estivesse em um raio de no mínimo 50 metros de um certo loiro homicida.
E olha só, eu estava a menos de 10 metros desse mesmo loiro homicida. O quarto podia ser maior, não podia?
— M-A-T-T, me dá essa chave! — Mello falou se aproximando cada vez mais, com a mão estendida.
Certo, eu tinha que ser rápido agora.
Antes que Mello se aproximasse mais, eu abri rápido a porta e saí, trancando-a novamente antes que Mello pudesse me seguir.
— MATT! ABRE ISSO!
Pude ouvir seus gritos e a porta sendo esmurrada do outro lado.
Cara, ainda bem que eu consegui sair a tempo; eu não era tão resistente quanto a porta.
Saí correndo pelos corredores como nunca corri antes.
Pra onde?
Lógico que era para a sala de Roger.
Se ele tivesse um mínimo de bom senso, cancelaria as condições para a entrega dos ovos.
...
Por favor, ele precisa cancelar essas condições!
Mas Roger não estava na sala.
Claaaro, por que facilitar as coisas quando se pode piorá-las ainda mais?
Não ia adiantar nada eu sair correndo pelo orfanato procurando por ele, eu só ia gastar mais tempo.
Então eu fiquei esperando ali naquela sala até ele voltar. Tirei meu DS do bolso e comecei a jogar.
Pelo menos aquilo me acalmava um pouco.
Por pouco tempo.
— Matt? O que faz aqui? — Roger perguntou surpreso ao entrar e me ver ali.
— Roger! Sobre a entrega dos ovos... — comecei a falar rápido, a urgência tomando conta de mim outra vez, mas ele me interrompeu.
— Ah! Eu devo receber os nomes sorteados daqui a pouco... — ele parou de falar e olhou melhor para mim — Você não deveria estar na aula?
— Isso não importa! Roger, você precisa mudar o jeito da entrega!
— Preciso? Acho que não. — ele levantou uma sombrancelha.
— Mas no sorteio saiu...
Uma batida na porta.
Mas que saco! Eu não ia conseguir terminar de falar, não?!
— Entre — Roger falou.
Era a professora.
— Sr. Roger! Sobre o sorteio... — ela continuava assustada.
— Ah, Matt estava justamente falando algo sobre isso — Roger a cortou.
Ele não conseguia ficar quieto, não?!
— Isso, Matt foi um dos sorteados, mas... — a professora voltou a falar, mas novamente, foi interrompida.
Irritava. Eu sei.
— Esse é o motivo de todo esse escândalo? Mas não adianta tentar Matt, você terá que...
— O MELLO!! — gritei.
Roger parou de falar na hora, pelo susto.
Pelo menos dessa vez ele me escutou.
— O quê? — ele perguntou sem entender.
— Mello também foi sorteado — finalmente terminei de falar, e pude ver pelos seus olhos que ele finalmente estava entendendo a situação.
— MATT!!
Sem exagero, eu gelei com esse grito.
Olhei para Roger e para a professora. Um senhor e uma mulher de meia-idade. Droga, não tinha nenhum bom escudo aqui.
— M-Mello? Como você saiu do quarto? — perguntei recuando alguns passos.
Cara, ele estava assustador!
Seu rosto formava uma careta de fúria e ele segurava um pedaço de madeira em uma das mãos.
O que ele fez? Explodiu a porta?!
— Mello, sem violência nesta instituição — Roger falou em um tom autoritário.
— Violência? Quem falou em violência? — Mello perguntou com um sorriso que, sinceramente, me assustava mais do que a careta dele.
Violência? Nãããão, apenas um homicídio.
... Ou vários homicídios.
— Bom, então em vista das circunstâncias eu não tenho outra opção a não ser alterar o modo de entrega dos ovos — Roger falou um pouco relutante.
Sério, ele acabou de subir no meu conceito.
— Ahhhh! Mas eu estava tão ansioso para vestir aquela roupa! — Mello suspirou em falsete, com uma expressão cínica.
Ah ta bom.
Não, não está escrito errado. Nós tinhamos que usar uma... Ahn, certa roupa para entregar os benditos ovos.
Claro que tinham que decidir isso no ano que Mello e eu fomos escolhidos!
Eu não estava nem um pouco feliz com isso, era vergonhoso demais, mas tentar fazer o Mello usar uma fantasia de coelho era o mesmo que dizer: " por favor, eu sou idiota, me mate ".
— Olha só isso, Roger — Mello saiu um pouco da sala para pegar algo no corredor, e quando voltou estava segurando uma fantasia de...
Coelho.
Mas não uma fantasia de coelho qualquer; a roupa era branca e tinhas grandes manchas...
Vermelhas.
Se eu não pudesse sentir aquele cheiro, eu poderia jurar que aquilo era sangue.
Porque se parecia muito com sangue.
E aparentemente Roger e a professora também achavam, pelo modo como eles arregalaram os olhos.
A professora cambaleou e Roger exclamou alto — MELLO!!
— Que foi? — Mello ergueu uma sombrancelha — Eu só achei que a roupa ficaria melhor assim.
— Onde você achou ela? — perguntei me segurando para não rir. Parecia que ele não estava mais bravo.
Pelo menos não comigo.
— Na sala dos professores. Tinha só um monitor lá — respondeu dando ênfase no " tinha ".
Eu não podia rir. Eu não podia rir.
Mas tava difícil segurar. Muito difícil, acredite.
— MELLO!! — Roger repetiu chocado.
— Nossa, quanto escândalo por causa de um pouco de groselha. Não se preocupe, se você quiser eu pago a lavanderia.
— G-Groselha?
— Groselha — Mello falou com um sorriso inocente mais do que falso.
Roger tossiu — Então, eh... Matt e Mello, por favor entreguem os 25 ovos amanhã, com suas roupas normais mesmo.
— Ah! Depois de todo o trabalho para customizar a roupa? Eu estava querendo até deixar mais realista — Mello lamentou.
— Entreguem 20 ovos amanhã — Roger falou rápido — Podem ficar com 5.
Tudo para não deixar as criancinhas conhecerem o " Coelho Sanguinário ".
Bem sensato da parte dele.
Em resposta a isso Mello jogou a fantasia e a madeira no lixo e saiu da sala.
E eu o segui.
— Hashuahsuhasuhsuhau.
Nós rimos juntos.
Mas assim que paramos, ele me deu um doloroso soco do lado esquerdo do meu rosto.
Doeu.
— Isso é por ter me trancado no quarto — ele disse sorrindo.
— Ai! Precisava disso? Você conseguiu os ovos, não conseguiu?
— Tudo bem, eu te dou um. Mas só um.
Eu ganhei um soco e um ovo.
É, até eu estava bem.
Só queria saber de onde o Mello tirou a idéia de encher o coelho com groselha para assustar Roger.
Porque a cara que ele fez não tem preço!
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