Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
9 Capítulo 9 - Entrega ou Renúncia - Pt 1
Notas iniciais
... Ele segurava seus ombros e lentamente a puxou para si. O perfume dela era maravilhoso e diferente do que ela costumava usar, era suave mas o enlouquecia ainda mais.
Ela não conseguia se mexer. Em sua cabeça só transmitiama as lembranças da noite passada. Ele a trazia para mais perto dele, movendo gentilmente seus lábios nos de Paulina. A sensação foi tão sublime que ela não recuou, fazendo com que ele repetisse o gesto. O brilho de prazer nos olhos dela era tudo o que ele precisava e isso fazia com que ele a beijasse da maneira que um homem devia beijar uma mulher: com paixão, com posse e uma mensagem de puro desejo...
As pernas de Paulina ficaram tremulas, os lábios dele se moldaram aos dela dando a passagem para a língua quente e ousada. O latejar do intimo dela foi aumentando ainda mais pelos braços fortes que lhe envolveram o corpo, pelo cheiro e pelo calor do corpo viril dele.
A intensidade do beijo a amedrontava. Sua própria reação a amedrontava.
Ofegante, ela virou a cabeça para soltar a sua boca.
– Pare! – gemeu
– Mas Paola, meu amor... — Disse Carlos Daniel, sem entender.
Ele não conseguia parar. Não sabia de onde havia vindo aquela paixão explosiva, de repente, sua esposa havia se transformado em uma mulher ainda mais desejável do que antes.
– Por favor! – Ela se soltou dos braços dele e se levantou rapidamente indo em direção à penteadeira. – Eu não posso Carlos Daniel, não posso passar disso e você sabe! – Afirmou com voz tremula e impaciente.
– O que você quer que eu faça? Você me deixa louco, eu preciso de você e agora você me vem de novo com aquela rejeição de antes. E tudo o que passamos ontem? E suas atitudes? Não significaram nada pra você? Pois saiba que para mim sim! — Questionou ele desacreditado pela reação dela.
– Eu sei, mas ontem eu bebi além da conta e... – disse ela ficando nervosa e atordoada, com lágrimas caindo de seus olhos.
– O que há de errado em nos beijarmos? O que há de errado em fazermos amor? – Ele se alterou e acabou aumentando o seu tom de voz – por acaso você precisava beber para fazer amor comigo? Ou será que você tem mesmo outro homem? – Ele já estava furioso e a raiva tomava conta de seu ser. Sentia um ciúme exagerado, só em pensar em sua esposa com outro e ficou possesso. – Responda Paola!
– Não é nada disso, Carlos Daniel. Não coloque mais uma vez essas idéias absurdas na sua cabeça. Isso não te faz bem, por favor. – Dizia tentando acalmá-lo segurando no braço dele, mas foi impossível, pois além de ela também ter ficado nervosa, ele ficou incontrolável e puxou seu braço da mão dela. – Me entenda, por favor, Carlos Daniel, e-eu ainda não posso ter intimidades. Tenha mais um pouco de paciência e logo você terá o que tanto deseja – ela disse baixinho, tentando demonstrar calma e controle, mesmo não tendo sucesso.
Carlos Daniel com um olhar furioso, fechando a mão e respirando fundo tentando se controlar olhou para ela por longos instantes.
– E se fazer amor for o que quisermos?
– Você sempre conseguiu o que queria?
– Não, mas sempre me esforcei para conseguir e se tratando de você, antes você não tinha todas estas desculpas para ficar comigo e agora você age como se eu fosse um indiferente, um estranho. Mas e você? Você não, Paola? Não tenta conseguir o que quer? O que precisa? — Indagou ele desesperado, furioso.
– Já chega, Carlos Daniel! – Tentando ser mais forte, ela se afastou da penteadeira e foi em direção a porta. – Não insista, por favor.
– Não há motivos para que você me trate assim, Paola. – Disse ele com os olhos marejados, entristecidos rapidamente pela atitude dela. Ele não esperava que ela reagisse assim por causa dos últimos acontecimentos. Ele tinha esperanças de que naquela manhã a teria em seus braços por inteiro, sem desculpas. – E se existe motivos, por favor, me diga agora!
– Está enganado! Existe um motivo e ele é muito importante para mim e para todos nesta casa. Acredite, jamais tive e jamais vou ter a intenção de machucá-los, principalmente você, mas, por favor, eu te peço – ela abriu a porta — saia!
– Tudo bem, como você quiser — Ele assentiu – mas escuta bem o que eu vou lhe dizer. Quando um homem procura amor dentro de casa e não encontra, ele pode buscá-lo em outro lugar, sem direito a reclamações porque a culpa não é dele. – Deu as costas à ela, saindo de seu quarto enxugando as lágrimas de seu rosto. Ela não podia vê-lo daquele jeito, pois ela sofria, e sabia que ele sofria ainda mais, principalmente quando precisava do amor e pedia a ela, o que, mesmo ela tendo de sobra pra dar, não podia, porque não era certo.
Ela se trancou em seu quarto e pretendia passar o restante da manhã lá, ainda não conseguia se recuperar por completo. Não podia controlar o desespero que dominava seu corpo e mente, mas estava começando a duvidar se as coisas voltariam ao normal entre eles se ele realmente fizesse o que tinha ameaçado fazer. As circunstancias cercaram sua mente por um bom tempo.
Aconteceram tantas coisas na vida dos Bracho desde a chegada de Paulina na mansão, tantas coisas maravilhosas, que, apesar de trazerem ótimas conseqüências também aconteceram coisas não tão agradáveis, e uma delas foi o pedido de demissão de uma secretária executiva da fábrica, Julieta, que precisou sair para cuidar de sua mãe que estava muito doente, o que deu urgência à contratação de uma nova e que depois de algumas entrevistas foi decidido por Carlos Daniel quem ocuparia o cargo. Era Verônica Soriano, uma mulher muito inteligente, experiente, com todos os requisitos que eles pediam no currículo e, para a tristeza e decepção de Paulina, muito linda e divorciada. A partir do momento em que Paulina e Verônica foram apresentadas pelo próprio Carlos Daniel, Paulina não conseguiu conter os ciúmes, ela sabia que Verônica representava uma grande ameaça e sabendo que foi decisão de Carlos Daniel contratá-la, ela aceitou mesmo não gostando de sua atitude sem consultá-la antes e como eles tem tido brigas constantes por causa das atitudes dela e por negar o amor que ele procurava, além do mais, ele insistia com a idéia de que ela teria de ir ao médico e ela fazia o possível para fugir do assunto, até que um dia, ela o enfrentou e disse que não iria e que ele acreditasse nela se quisesse, caso contrário, ela não podia fazer nada. Ela concordou com a decisão dele para não causar mais problemas. A partir de então, ele passou a se aproximar mais de Verônica, talvez procurando nela o que não encontrava em sua esposa, até mesmo a atenção que ele não tinha em casa, passou a ter com Verônica e por causa dela, podia estar na fábrica até mais tempo do que o necessário, até levá-la em casa em um dia chuvoso ele levou, o que deixou Paulina com muito ciúme, quase não conseguindo disfarçar o que estava sentindo e explodindo, ela tinha um pressentimento ruim quanto a isso, sabia que podia perder Carlos Daniel, mesmo sabendo que não tinha nenhum direito sobre ele porque não era Paola Bracho. Ela evitava brigas, entendia quais eram os deveres de uma esposa para com seu marido e de certa forma, dava razão a ele, pois ele estava carente de amor e ela não podia correspondê-lo, o que a deixava despedaçada, pois ela também se via sedenta de carinho e se sentia cada vez mais machucada por cada dia amá-lo mais e mais e pensar no amor proibido que sentia por ele.
No mesmo dia, depois do almoço, Paulina precisava ir à fábrica assinar alguns papéis pendentes, que, por causa da festa, acabou deixando-os para depois. Perguntou por Carlos Daniel para a vovó Piedade que disse que ele estava aparentemente chateado e tinha ido trabalhar sem ela. Paulina sabia de todos os motivos da raiva dele, mas procurou se controlar, pois o entendia e não estava se sentindo pronta para conversar com a vovó e dizer o que sentia por ter que negar amor ao marido. Então se despediu da vovó e saiu pra a fábrica.
Ao chegar lá, perguntou por ele à Branca, a secretária e ela disse que ele chegou e logo saiu, o que a preocupou, pois temia que ele estivesse ido à casa de Gema se consolar. Logo confirmou sua aflição, ele estava com Gema, o que a deixou furiosa e quase sem conseguir disfarçar, sempre Gema!
Quando ele chegou à fábrica, ela perguntou onde ele estava e ele respondeu na cara dura onde e com quem esteve quando estava fora. Sem se conter, ela o advertiu sobre suas obrigações no trabalho e disse que se ele quisesse ficar com Gema, que fizesse isso fora do seu horário de trabalho. O que o surpreendeu pouco, pois, com tanta rejeição da parte dela, aos olhos dele ela não conseguia sentir ciúmes e não se importava que ele estivesse com outra que não fosse ela. Imaginava também que ela nem o amava mais, por isso não fazia questão de brigar com ele por Gema, Verônica ou por qualquer outra que fosse. E sem esquecer de Verônica que ainda era uma ameaça mais poderosa ainda, pois Paulina sabia que Verônica era uma mulher tão interessante quanto Gema e que seu adorado já estava próximo dela o suficiente para terem um caso, principalmente por estar tão carente. Ela tentava compreendê-lo, mas não conseguia e eles passaram o restante do dia inteiro apenas conversando o necessário, o que correspondia às coisas da fábrica e isso a deixava arrasada, mesmo não transparecendo esse sentimento, ela estava esmiuçada por dentro.
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