Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
24 Capítulo 24 - A Confição
Notas iniciais
– Bom dia, senhor! — Disse a governanta ao entrar na sala e encontrar o patrão.
– Bom dia! — Respondeu animado. — O que temos para hoje?
– Como sempre, aqui está o jornal do senhor. E Paulina ainda não desceu?
– Ainda não! Vou espera-la mais um pouco enquanto resolvo algumas coisas. Pode deixar o jornal aí em cima que depois eu leio.
– Tudo bem, então. É nítido que está feliz. — Disse olhando-o com um sorriso de canto. — Dá pra ver um brilho diferente em seu olhar hoje! — Havia tempo que não o via daquela forma tão radiante.
– Ah, sim! Estou muito feliz, ela está aqui e eu esperei tanto por este momento... Você sabe... Eu não sei quais as circunstâncias a trouxeram, mas vou fazer o impossível pelo bem estar dela e vou apoiá-la, ajudá-la. Estou disposto a isso e não abrirei mão dela. — Disse emocionado e determinado.
– Claro, senhor! E dá pra ver que ela precisa muito do senhor. Tadinha, está muito deprimida.
– É, e ainda não acordou, não é?
– Ainda não. E ela sempre está de pé bem cedo...
– É verdade mas vamos esperar mais, ela deve estar cansada... Se demorar muito, eu mesmo me encarrego de ir chamá-la!
– Tudo bem, com licença! — Se retirou baixando ligeiramente a cabeça pedindo licença e afastou-se do seu passo lento sorrindo; tinha a certeza que esta vez a senhorita ficaria de vez, o seu patrão saberia conquistá-la desta vez.
Já passava das seis da manhã quando Paulina conseguiu pegar no sono, não tinha conseguido pregar um olho sequer por uns minutos. Durante toda a madrugada, desde o momento em que se deitou, não podia parar de pensar na situação em que estava vivendo e nos Bracho, a família que aprendeu a amar e que tinha deixado para trás, além daquele maldito mau pressentimento que não a abandonava. Carlos Daniel era o que mais dominava os seus pensamentos, o amava tanto que até doía e não se perdoava por tê-lo feito sofrer daquela maneira. Por mais que o desejasse, não podia se render em seus braços e se lamentava por isso mas, pensava que para evitar muitas coisas, ela devia tê-lo contado a verdade mesmo que a sua liberdade estivesse em jogo já que não lhe sobraria mais nada além disso, assim pelo menos estaria com a sua consciência tranqüila.
Conseguiu dormir um pouco até às onze e ao acordar, a sua cabeça estava muito pesada e o seu corpo cansado, precisava de um pouco de descanso. Foram então os que a venceram e a levaram novamente para a inconsciência. Paulina só pode acordar ao ouvir as batidas na porta do seu quarto que eram insistentes e, acordando confusa, pode perceber que estava tarde quando olhou o relógio que estava ao lado da cabeceira da cama.
– Já estou indo! — Disse em voz alta para a pessoa que a chamava do lado de fora do quarto enquanto levantava-se esfregando os seus olhos com as palmas das mãos, em seguida vestindo seu robe e indo em direção à porta.
– Bom dia. — Cumprimentou preocupado. — Não queria te acordar, mas fiquei te esperando para o café da manhã e você não apareceu, fiquei preocupado pois você tem hábito de levantar cedo e decidi vir aqui pessoalmente para saber se está tudo bem.
– Bom dia. — Respondeu com um sorriso sem graça. — É que eu mal dormi essa noite e acabei passando da hora. — Continuou com uma desculpa, a verdade é que se dependesse de Paulina, ela nunca mais sairia daquele quarto, não saberia mais enfrentar a vida depois de tudo o que aconteceu mas sabia que não deveria ser assim e que teria de ser forte, também lhe devia muitas explicações e, apesar de ele respeitá-la em seu tempo, não podia tardar em dizer a ele o que lhe havia acontecido.
– Desculpe-me por tê-la acordado, Paulina. Creio que aconteceu algo muito sério para que esteja agindo dessa forma, mas não gosto de te ver assim. — Disse sincero. — Sabe que pode contar comigo, não é?
– Sei sim. — Respondeu Paulina num fio de voz.
– Então vamos, tome um bom banho quentinho, que ajuda a curar as feridas mentais e corporais, e se arrume que eu estarei lá em baixo te esperando para tomarmos um belo café da manhã juntos e conversarmos. Se você quiser, também podemos sair, fazer qualquer coisa que você quiser. — Disse tentando animá-la, conhecia-a muito bem e sabia que não podia insistir tanto mas era muito atencioso e queria também que ela se sentisse amparada de todas as formas.
– Tudo bem, — disse devolvendo-lhe um leve sorriso. — eu desço em alguns minutos.
– Ahh, é assim que eu gosto de ver. Então te espero! — Respondeu animado deixando-a, indo em direção à sala para esperá-la...
Paulina tinha vontade de tudo menos de sair, só queria morrer em paz e sossego. A consciência corroia-lhe a alma e não queria estar com ninguém naqueles momentos porque não estaria de humor a fingir sorrisos. Mas ele era quem era, não podia se esquecer disso e ela devia-lhe muita cosa, sobretudo tempo para estar juntos. Assim que arrastou-se até à casa de banho e obrigou-se a tomar banho, a por-se o seu creme, a vestir-se comodamente e a maquiar-se ligeiramente. Tinha olheiras e os olhos inchados e estava pálida como uma caveira, assim que tinha que esconder tudo aquilo com uma boa capa de maquiagem e logo o sol e o ar terminariam de a deixar com melhor aspecto.
Desceu as escadas sem vontade e encontrou-o sentado numa das poltronas da sala de estar lendo o jornal da manhã. Chegou ao seu lado e o cumprimentou com um beijo no rosto, estava lendo as páginas de Economia. Ele era dono de varias empresas espalhadas pelo mundo e tinha que estar sempre a par do mundo atual quanto à economia, especulações, etc. Era um bom homem e muito bom no que fazia. Tinha dinheiro para dar e vender, mas era responsável e ajudava a quem podia começando pelas fundações que ajudam as crianças, animais, mulheres maltratadas, e nas organizações medicas. Era um anjo caído na terra e o dia em que ele se fosse, muita gente ia lamentar a sua perda; a começar por ela, mas melhor não pensava nisso porque estando no estado em que estava, era bem capaz de por-se a chorar feito um bebê e não era isso que queria porque começava a estar farta daquelas lágrimas insistentes que não a queriam deixar em paz. Caiam como se quisessem limpar a sua alma de algum mal que ela teria feito, mas ela não sabia qual era, a menos que fosse o mal de ser tão crédula e tão burra para aceitar semelhante usurpação em vez de aceitar ir presa porque ao final, teria lá ficado menos tempo por roubo do que por usurpação. Hum, que idiota fazia ela às vezes, riu-se por dentro da sua própria estupidez e covardia por não querer assumir algo que não fez!
– Estás pronta Paulina?
– Penso que sim, aonde vamos?
– Tinha pensado em comermos aqui porque temos tudo pronto para comer, mas, o dia está tão lindo, que acho que deveríamos aproveitá-lo e comer em alguma esplanada, o que achas? — Sorriu posando a mão na sua. Seguia um pouco pálida mas já não tinha os olhos tão vermelhos como quando a viu à uma hora atrás.
– Um pouco de sol não me faria mal. — Encolheu os ombros aceitando a proposta.
– Perfeito, vamos então. — Levantou-se prestamente posando o jornal em cima da mesinha, mas Paulina nem prestou atenção ao que havia inscrito na primeira página e tomou o braço que ele lhe dava para saírem de casa.
Foram a pé porque ele sabia que a ela lhe faria bem e foram sentar-se num dos melhores cafés do centro da cidade que ficava em frente a um esplendido parque. Parque que lhe fez pensar naquele que ela ia com as crianças e voltou-se a por nostálgica, sentindo as malditas lágrimas ameaçarem com sair outra vez!
– Paulina, estou muito preocupado. Quero muito poder fazer algo por você, essa sua angústia está também tomando conta de mim. – Disse-lhe parando por um momento, segurando firme suas mãos antes de entrarem no estabelecimento, oferecendo-lhe um pequeno lenço de papel para que enxugasse as suas lágrimas.
– Eu sei, muito obrigada. Prometo que lhe contarei tudo, mas não há muito o que fazer senão esperar... – Respondeu enxugando as finas lágrimas que caíam sobre sua face pálida.
– Vem, vamos entrar e lá dentro você me conta tudo. – Segurou-a pelo braço delicadamente e a conduziu até o interior do aconchegante café que escolheu. Era um lugar muito acolhedor e ficava próximo de sua casa, sempre freqüentava aquele ambiente por ser tranqüilo, agradável e servir o melhor café da cidade, mas o maior motivo pelo qual ele a levou ali era a linda vista que dava para um grande lago do outro lado do estabelecimento, onde haviam mesas e as pessoas que ali ficavam podiam contemplar aquela maravilhosa vista e desfrutar do ar fresco que lhes eram proporcionados, a paz ali parecia habitar todo o tempo.
Após se acomodarem e se servirem, ele segurou-lhe a mão para transmitir-lhe toda confiança, não queria pressioná-la a falar, deixaria que ela o dissesse se realmente estivesse pronta, mas queria demonstrá-lhe que estaria com ela independente de qualquer situação e não a abandonaria mesmo que ela quisesse estar longe, desta vez se faria presente em todas as circunstancias de sua vida.
– Paulina, saiba que sempre estarei aqui para todas as horas. – Disse afagando a mão dela sobre a mesa.
– Sim, eu sei... E me desculpe por estar aqui sob estas circunstancias, eu pensei em procurá-lo antes, mas tudo aconteceu tão rápido e não quis incomodá-lo. — Desculpou-se baixando ligeiramente a cabeça, não queria que pensasse que era uma má agradecida e que não pensava nele. — Quando minha mãe morreu me senti completamente sozinha no mundo, sabia que sempre te teria mas não me via no direito de te procurar apenas quando preciso, não seria justo.
– Paulina, é para isso que eu estou aqui. – Disse advertindo-a.
– Sim, eu sei, mas sempre quis levar a minha independência em diante. Minha mãe me incentivou a falar com você, mas eu fiquei de pensar em fazê-lo no caso de não conseguir algo por mim mesma, depois que ela adoeceu as coisas ficaram mais difíceis mas achei que com o trabalho que tinha no Clube, poderia arcar com todas as nossas despesas, mas me enganei. Tudo aconteceu rápido demais e a doença de minha mãe apenas se intensificou, em poucos dias ela estava muito mal e não tive muito tempo para procurá-lo porque trabalhava muito, você estava fora e tudo mudou depois que conheci uma mulher. – Disse baixando a cabeça.
– Estive fora mas você podia me telefonar que eu viria no mesmo momento, você sabe que não me incomodaria e que eu faria o que fosse para não deixar que tudo isso acontecesse. – Disse olhando-a seriamente. Ele teria dado tudo para as ajudar se lhe tivessem contado sobre a situação em que se encontravam, mas quando soube, já era tarde demais e nada podia fazer. Tinha a certeza que jamais se perdoaria apesar de o passado ser o passado. Haviam coisas que ocurriam e ficavam nas conscièncias, coisas passavam e era logo demasiado tarde para voltar atrás quando um se dava conta dos seus erros.
– Sim, eu sei... Mas eu estava desnorteada, tinha sido abandonada recentemente por meu namorado e não conseguia pensar em muitas coisas, não sabia bem como mudar aquela situação e optei pelo que me favorecia no momento exato.
– Eu soube que sua mãe tinha morrido dois meses depois e quando te procurei, soube que você tinha ido para a capital. Coloquei um detetive à sua busca e ele a encontrou, mas esperei por mais um tempo para ver se você me procuraria, te conheço e sei que não ia agradá-la em nada se eu te encontrasse. Achei que estivesse casada e não quisesse mais saber de mim. – Justificou baixando o olhar.
– Fez bem em não ter falado comigo, eu sim te procuraria mas precisava pensar, tive vergonha de que soubesse, vergonha de não sentir mais orgulho de mim pelo que eu estava fazendo. — Sentia-se umal agradecida, sentia-se como uma pessoa sem coração, lamentava não poder voltar no tempo, lamentava ter sido tão orgulhosa a ponto de não o chamar a pedir ajuda, talvez assim a sua mãe não tivesse morrido, como não se culpabilizar agora?
– Jamais sentiria vergonha de você, Paulina... Me explica o que aconteceu, estou preocupado com você, meu anjo... – Disse limpando com o polegar uma lágrima teimosa que deslizou pelo rosto de Paulina.
Todas as lembranças lhe vinham à tona e assim ela o contava e contou-lhe tudo desde o inicio, ele estava atento a cada palavra que ela dizia e também se via perplexo enquanto ela lhe dizia sobre o que a fez chegar nesta situação em que se encontrara, ele não a julgou em momento algum, muito pelo contrário, a amparou, apoiou e lhe disse que não se preocupasse, pois ele daria a sua vida se fosse preciso para que ela não fosse para a cadeia e tenha sua imagem limpa ante todos, e também faria o possivel e impossível para poupá-la de mais sofrimentos. Agora viveria uma nova fase da vida, a fase que somente a favoreceria, sua vida mudaria para melhor a partir de já e ali ela estaria protegida de tudo o que for contra ela.
– Conheço os melhores advogados do país e vou fazer contato para que possam nos aconselhar. Não se preocupe com nada, eu a ajudarei. – Sorriu-lhe e apertou sua mão mostrando-lhe segurança. Não a abandonaria uma segunda vez, fosse qual fosse a decisão dela, ele a ampararia.
– Obrigada, mas não tenho medo da cadeia, é isso o que mereço por ter enganado por tanto tempo aquela família que não merecia tamanho descaso. – Respondeu amargurada, martirizada, sentia-se a pior pessoa do mundo.
– Sente falta deles, não é?
– Sim, muita. Aprendi a amar aquela família de uma forma incondicional. – Disse com voz embargada, as lágrimas voltando a inundar seus olhos.
– Se apaixonou por ele... – Disse com cautela, fazendo-a olhá-lo rapidamente e não obteve resposta, apenas desviou seu olhar fitando os pequenos patos que circulavam no grande lago e sentia inveja deles por não terem preocupações maiores além das de se cuidarem para sobreviver. O silencio o fez entender a resposta para a sua pergunta. – Porque não os procura para conversar? Sabe qual a opinião deles sobre você?
– Não é prudente, corro o risco de ser ainda mais odiada por todos eles. – Respondeu com pesar, olhando-o novamente.
– Não é assim, Paulina... Pelo que entendi, a maioria deles te adora e você apenas fez o bem para eles, fez coisas que possivelmente a sua sósia jamais faria.
– Sim, eu sei, mas não significa que eles entenderão toda essa farsa. Não posso me arriscar assim, é melhor deixar como está e vou me preparando para quando me caçarem sob denuncia à policia. – Respondeu aflita, respirando fundo com o intuito de se conformar com o seu destino que provavelmente seria cruel, já não acreditava que coisas boas lhes podiam acontecer, estava desesperançosa.
– Não seja pessimista, querida, nem tudo está perdido! – Sorriu-lhe. – Estou aqui, já te disse e te garanto que te ajudarei. Você não está sozinha!
– Muito obrigada por me escutar, não sabe o quanto este momento significa para mim, sabia que podia contar com você. Obrigada de verdade. – Agradeceu, seus olhos marejados embaçaram a sua visão, comovido pela emoção, ele também sentiu suas lágrimas. Ambos agora compartilhavam de um elo de cumplicidade mais forte que nunca.
Ao terminarem de comer, conversaram por mais alguns momentos e ele aproveitou para contá-la sobre suas novidades e o que tem feito durante o tempo em que não se viram, o que a deixou feliz porque o queria bem e tudo o que ele contou eram apenas maravilhas.
Voltaram pelo mesmo caminho de braços dados caminhando enquanto sentiam o frescor do vento de inicio de tarde em seus cabelos despenteando-os, era uma sensação agradável e desfrutaram bastante daquele curto momento juntos. Ele até conseguiu tirar algumas risadas de Paulina contando algumas de suas engraçadas histórias, fazendo daqueles momentos os mais agradáveis possíveis com o intuito de distraí-la, sabia que a dor que ela estava sentindo era grande porque conhecia muito bem o seu gênio e os seus sentimentos.
– Que bom que voltaram! Fiquei me perguntando se almoçariam aqui ou não. – Disse sorridente a governanta cumprimentando-os quando chegaram na sala de estar.
– Eu comi tanto que agora não consigo pensar em mais nada de comer. – Respondeu Paulina sorrindo.
– Eu também! – Concordou ele também sorrindo.
– Ai que bom ver um sorriso em seu rosto, Lina... Parece que este passeio fez muito bem. – Sorriu amavelmente enquanto segurava as mãos de Paulina com carinho.
– Sim, Maria. Me fez muito bem. – Sorriu para ela e em seguida o olhou com brilho nos olhos.
– Fico feliz então, minha filha! Sabe que aqui é mais que bem vinda! Vou agora mesmo pedir que preparem um café do jeito que vocês gostam. Com licença.
Maria saiu e os deixou a sós na grande sala, ele afastou-se um pouco e foi de encontro a sua mesa, sentando-se.
– Há tanto tempo que não venho aqui... – Disse Paulina olhando em volta.
– Tudo continua exactamente igual, so Maria e eu é que mudamos um pouco, mas so na idade. – Roubou-lhe um novo sorriso, pegou no jornal que tinha estado a ler antes e abriu na pagina em que ficara.
– Não sejas tonto, — Se sentou ao seu lado. – Se estas tão jovem quanto eu!
– Mentalmente talvez, fisicamente…
– Fisicamente estas perfeito, continuas tão atractivo como quando te conheci, pena que não te conheci antes….
– Talvez as coisas tivessem sido diferentes, mas, não pensemos no passado e sim no futuro. – Afagou-lhe a mão e acariciou-lhe o rosto. – O que gostarias de fazer hoje?
– Não sei, o que me podes propor? – Levantou as sobrancelhas sorrindo, tinha-lhe feito imensamente bem falar assim com ele, não havia nada como desabafar com alguém para se sentir mais aliviado.
– Podemos ir passear um pouco pela cidade, acho que vais gostar de muitas coisas que temos por aqui. – Preferia vê-la assim, mais animada, com um olhar menos triste. Paulina tinha-se tornado numa linda mulher e era uma pena saber por todo o sufrimento que ja tinha passado ao longo d a vida.
– Perfeito! E o que tanto lês? – Quis saber curiosa.
– O jornal do dia, sempre fala de economia e factos diversos. – Levantou o jornal para que ela visse a pagina principal e Paulina mobilizou-se sentindo o seu sangue gelar nas veias.
– Meu Deus! – Exclamou arrancando o jornal das mãos dele.
– O que foi? – Se preocupou com a sua actitude e ao ver como tremia ao revirar as paginas.
– Um dos Bracho, olha, falam de um acidente de um dos accionarios da fabrica, foi o Carlos Daniel! Meu Deus, tenho a certeza que foi ele.
– Não diz quem foi? – Tirou-lhe o jornal das mãos para ver ele mesmo, ela estava muito nervosa.
– Não, mas sei que foi ele, o meu coração me diz que foi ele. – Começou a chorar sem se dar conta e cubriu o rosto com as mãos.
– Oh, senhor! A culpa é minha, porque fugi? Porquê, porquê?
– A culpa não é tua Paulina, tens que te acalmar! Porque não telefonas para a mansão enquanto te vou buscar um copo com agua? – Propos levantando-se e fazendo-a levantar-se também. – Toma, telefona para la, sabes o numero?
– Sei, mas não sei se devo. – Falou angustiada tremendo ainda um pouco.
– Assim é que não podes ficar, telefona para la enquanto que vou à cozinha.
Ele saiu deixando ela na sala sozinha pensando se devia ou não telefonar. Faria bem em chamar? E se a culpassem? E se lhe falassem mal ou desligassem na sua cara? O que podia fazer? Telefonava ou não? Sim, ele tinha razão, assim é que ela não podia ficar.
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