Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
23 Capítulo 23 - Quem é mais forte? A Vida, ou a Morte?
Notas iniciais
Chegando ao hospital, os paramédicos passaram o caso para a equipe de plantão, que encaminharam Carlos Daniel imediatamente para o centro de exames diagnósticos, fazendo exames de imagem para averiguar as contusões sofridas no acidente. Com os exames, contatou-se edema em região cerebral devido à pancada na cabeça e a necessidade de uma revascularização dos membros inferiores, devido a terem ficado presos nas ferragens do carro, por sorte não houve fraturas. Nos exames contatou-se também, que com a colisão, o cinto de segurança acabou provocando o rompimento de um importante vaso sanguíneo abdominal, fazendo-se assim, necessária uma cirurgia emergencial para a contenção da hemorragia interna. Teriam que agir rápido, pois qualquer demora poderia significar sua morte. Também foi entregue a carteira de Carlos Daniel que estava dentro do carro para a assistente social do hospital para que ela pudesse entrar em contato com sua família e avisar o ocorrido.
O centro cirúrgico já havia sido preparado e a equipe que atuaria em sua cirurgia também. Foi necessária a presença de um cirurgião vascular, pois havia rompido vasos importantes em suas pernas e caso não operasse o local, Carlos Daniel correria grandes chances de perder seus membros, além de auxiliar na cirurgia abdominal. E também um neurocirurgião, que iria avaliar a necessidade ou não de uma intervenção cirúrgica no crânio. Além, é claro, do anestesiologista e da cirurgiã geral que seria responsável pela cirurgia principal em seu abdômen, pois havia um grande acúmulo de sangue na cavidade abdominal que deveria ser contido rapidamente. Por esse motivo, foi decidida entre a equipe a necessidade de terem bolsa de sangue disponível, pois a probabilidade de necessitarem fazer uma transfusão era muito grande.
Enquanto isso, a equipe de enfermagem já estava preparando Carlos Daniel para os procedimentos: removeram todos os adornos, fizeram uma rápida higiene corporal, rasparam os pelos das áreas que seriam operadas, colocaram uma camisola do hospital e coletaram uma amostra de sangue para descobrir seu tipo sanguíneo e fator Rh.
O exame saiu rapidamente e o resultado foi: O- ; o que preocupou a equipe, pois esse tipo sangüíneo, apesar de ser doador universal, só pode receber sangue de outra pessoa que seja do tipo O. Além dos estoques desse tipo sanguíneo estarem praticamente zerados.
A cirurgiã então resolveu conversar com a mulher que veio acompanhando Carlos Daniel.
Encontrou-a na sala de espera tão branca como o papel. Os policiais acabavam de se ir embora, pois tinham recolhido todas as informações necessárias da parte dela. Mas teriam que voltar para falar com Carlos Daniel enquanto ele estivesse melhor e apto a cooperar naquele caso, que lamentavelmente era muito comum.
– Senhora. — Aproximou-se dela tocando-a no ombro fazendo-a sobressaltar pela surpresa. – Você é familiar do senhor do acidente de carro?
– Como ela está doutora? Corre perigo? — Agarrou-se ao braço dela com força, se ele morresse por sua culpa, não sabia o que faria.
– De momento tudo é possível Senhora...
– Spinelli. Caciopé Spinelli.
– Então não é familiar do senhor?
– Não. Não o conhecia até hoje nem sei como se chama. Fui parte do acidente e se algo lhe chega a passar... — Ela parecia verdadeiramente preocupada e ainda ficou mais pálida do que estava notando-se mais as suas olheiras roxas.
– Não pense tão negativo. Ele ainda tem todas as suas possibilidades mas temos que agir rápido e necessitamos uma transfusão de sangue com urgência.
– Eu sou doadora universal. — Exclamou com um pouco de alivio em pensar que poderia ajudar em algo.
– E qual é o seu tipo exatamente? — Perguntou com interesse porque se fosse O- seria o mais indicado.
– Sou O-.
– Perfeito, justamente o que necessitamos. Estaria você disposta a doar?
– Claro que sim. O que devo fazer.
Como resposta, ele chamou uma enfermeira que a levou para um quarto para colher o seu sangue enquanto que o médico ia dar inicio à cirurgia.
Tudo pronto para a cirurgia, Carlos Daniel está ligado a um monitor que mostrará a sua atividade cardíaca durante todo o procedimento além de um respirador mecânico que faz o papel de seus pulmões. O Anestesiologista começa o procedimento dando uma anestesia geral em Carlos Daniel. Logo após, a cirurgiã geral começa a fazer um corte em seu abdômen com um bisturi elétrico, e juntamente com o cirurgião vascular, começam a observar para encontrar o local da hemorragia. Ao encontrarem um rompimento em uma importante artéria do baço, rapidamente iniciam o procedimento para a contenção da hemorragia. Chegando a enfermeira com a bolsa de sangue, eles mandaram instalá-la tudo para a transfusão. E enquanto a cirurgiã geral vai terminando a cirurgia na região abdominal, o neurocirurgião avalia o ferimento na cabeça de Carlos Daniel e constata que não haverá necessidade de cirurgia no momento e apenas faz a sutura do ferimento. O cirurgião vascular realiza a cirurgia em suas pernas para realizar a revascularização dos seus membros inferiores.




Depois de cerca de 5 horas de cirurgia, e apesar da gravidade do caso, tudo correu bem dentro das possibilidades. Levaram-no então para o quarto de recuperação na espera de ele acordar da cirurgia para depois então poder levá-lo para um quarto privado onde a sua família que já estava na sala de espera, poderia passar a vê-lo.
Aproveitando que eles estavam lá, a cirurgiã foi vê-los para tranqüilizá-los quanto ao caso do paciente.
– Boa tarde, sou a doutora Michelle Machado imagino que vocês sejam a família do senhor... Bracho. — Disse após ler o informe, até aquele momento não sabia como se chamava o paciente tendo outras prioridades a tratar.
– Sim doutora. Diga-me como está o meu neto, é grave? — Perguntou preocupada uma senhora baixinha já de idade.
– O seu neto chegou aqui com graves ferimentos e o que mais nos preocupava era uma hemorragia abdominal que foi provocada pelo choque do acidente. Mas graças a Deus a operação foi um verdadeiro êxito e está fora de perigo, mas temos que mantê-lo em observação constante para que nenhuma complicação suceda. Pois além dessa hemorragia, teve uma forte contusão na cabeça mas o neurocirurgião avaliou que não era necessária nenhuma cirurgia mas também continuará a avaliar o quadro clinico dele. Como ele tinha perdido muito sangue, foi necessária uma transfusão e por sorte tínhamos uma senhorita aqui que pode realizá-la no momento, mas mesmo assim, seria bom que procurassem mais alguém para o caso de outra transfusão ser necessária.
– Obrigado por tudo doutora. — Disse um homem alto que se pareceu ser o irmão mais velho de Carlos Daniel. — Mas como está ele agora? Está mesmo fora de perigo?
– De momento o quadro clinico dele é estável, mas precisamos aguardar no mínimo 72 horas para observar a sua evolução, porque não vou negar que tudo é possível em 72 horas. — Quis ser sincera para prevenir já a família em caso de algo inesperado suceder.
– Está certo doutora. — Disse a vovó com um ar receoso. — Mas já podemos vê-lo?
– Neste momento o seu neto está numa Unidade de Recuperação Pós Anestésica e permanecerá lá para maiores cuidados até melhorar as suas condições clínicas e, sobretudo, recuperar da anestesia. O anestesiologista e a equipe de enfermagem estão lá monitorizando tudo e não são então permitidas as visitas, mesmo sendo familiares. — Esclareceu calmamente. — Mas assim que for liberado para ir para o CTI, serão avisados e permitirão que o vejam, mas rapidamente para ele poder se recuperar tranquilamente e não se alterar no caso de estar acordado. — Depois disso, a médica tocou no ombro da vovó Piedade num gesto que transmitia coragem e voltou a entrar para a sala de repouso dos médicos. Tinha sido uma cirurgia extensa e sentia todos os seus músculos doloridos, mas tinha valido a pena e sempre que um caso saía tão bem, sentia-se mais segura de ter escolhido a vocação correta e ver o alivio no olhar das pessoas por saber que o seu familiar estava bem, não tinha palavras, era o melhor agradecimento que poderia receber. Trocaria de roupa e iria para casa onde a sua própria família estaria à sua espera para recebê-la de braços abertos.
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