Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
20 Capítulo 20 - "Você não sabe o que está falando, Carlos Daniel!"
Notas iniciais
– PAOLA! – Exclamou Carlos Daniel entre os dentes enquanto a via entrar pela sala.
– O que faz aqui?- Perguntou confusa, assustada ao vê-lo esperando-a e com aquele olhar...
– Estava te esperando! – Disse aproximando-se dela.
– Para quê? – Questionou dando de ombros.
– Para saber como foi com Douglas Maldonado! – Respondeu tentando controlar a sua raiva, demonstrando inquietação.
– O Sr. Maldonado está contente porque soubemos aproveitar o dinheiro que ele emprestou salvando a fábrica. Isso é tudo? – Disse Paulina olhando-o seriamente também sem conseguir controlar a raiva que já começava a surgir pelo tom de sua voz.
– Porque não me disse antes que ele já tinha chegado de viagem? – Questionou Carlos Daniel cruzando os braços, já com seu tom de voz mais alto de que o de costume.

– Acabei de saber! – Respondeu desviando o seu olhar dos dele.
– Porque foi almoçar com ele sem me comunicar? – Perguntou nervoso, não conseguiu se segurar por muito tempo. Raiva e ciúmes eram os sentimentos que prevaleciam naquele momento. Queria entender o porque dela tê-lo omitido.
– Eu já te disse! – Suspirou. – Para poder falar com maior tranqüilidade.
– E eu não podia estar presente também? – Carlos Daniel manteve suas perguntas firmemente, sua fúria estava estampada em sua voz e em seu olhar que queimava feito brasa.
– Quantas perguntas mais vai me fazer? – Perguntou Paulina tentando livrar-se daquela situação. Não queria mais ser interrogada e não agüentava mais viver entre brigas com ele, também já não teria mais argumentos para defender-se, pior, ele tinha toda a razão em questioná-la.

– Muitas! – Interrompeu-a antes que ela dissesse mais alguma coisa. – Uma delas, porque tanta confiança e amizade entre você e Douglas Maldonado?
– Os Bracho são os culpados por terem sido uns inúteis! – Gritou Paulina, em seguida subindo correndo as escadas em direção ao seu quarto antes que ele pudesse alcançá-la mas foi inútil, ele foi atrás dela e não a deixou fechar a porta colocando o seu corpo forte como barreira na porta.

– Porque não me disse que ele encontrou vocês ontem no parque? – Perguntou mais uma vez ainda mais furioso após entrar no quarto dela, apertava os dentes, seu sangue fervia só em pensar numa possível ‘traição’. – Será que não podia encontrar-se com o seu “amante” longe dos meus filhos?
Paulina não acreditava no que acabara de escutar. “Amante”? Ele disse isso mesmo? Que ela estava tendo um “Amante”?
– Você está me ofendendo, Carlos Daniel! – Retrucou Paulina irritada com o que tinha escutado.
– Não vai poder me negar, Paola! Eu já sei de tudo! Mas não permito que você esteja me traindo assim na minha cara levando os meus filhos como desculpinha para os seus encontros amorosos. – Dizia aquelas palavras sem controle, sem ao menos pensar no que estava dizendo.
– Você não sabe o que está falando, Carlos Daniel! – Garantiu Paulina com a voz tremula. Ele realmente não sabia o que dizia, estava possesso de raiva e ciúmes e não se controlaria, ela já o conhecia o bastante para saber que seria pior se tentasse dizer algo.
– Agora tudo faz sentido, sim, agora eu entendo muitas coisas! – Dizia andando de um lado para o outro pelo quarto, estava incontrolável e esfregava o rosto e passava suas mãos em seus cabelos despenteando-os, sua mente estava uma confusão sem fim.
– Carlos Daniel eu...
– Quando você iria parar com essa mania de isolamento? – Bradou interrompendo-a.
– Eu não... – Tentou responder entre soluços, já não conseguia controlar seu choro.
– O que pretendia se afastando de mim assim? Me rejeitando? Porque não me pediu o divórcio e se afastou de vez da nossa vida? – Interrompeu-a novamente disparando mais uma rajada de perguntas, segurando firme em seu braço. – Agora entendo porque não fazia amor comigo!
– Carlos Daniel, você está me machucando! – Disse Paulina soltando o seu braço da mão dele com autoridade.
– A minha cabeça está confusa, eu não sei o que pensar, não sei o que fazer! Eu vou enlouquecer, tudo por um feitiço que me foi lançado através da beleza de uma mulher que só despedaça o meu coração. – Disse Carlos Daniel chorando desenfreado, sentando-se na cama, apoiando seus cotovelos em seus joelhos e segurando a cabeça baixa com as duas mãos.
Paulina não conseguia se conter e também chorava desesperadamente, queria confortá-lo mas não podia. Chorava por tudo o que estava acontecendo e isso ela não conseguia evitar, pois eram conseqüência de seus próprios atos. Sabia que fazia a coisa certa, mas não imaginava que o tivesse afetado de tal maneira. Sentia-se cada vez mais culpada por fazê-lo sofrer assim mas não podia argumentar porque nem tinha armas para isso e ficou calada. Sentia pena dele, não queria vê-lo daquela forma mas não pode fazer nada para que tudo aquilo mudasse. Queria muito dizer que o amava e que tudo não passava de um engano, que ela não era a Paola e sim uma usurpadora, queria explicar o porque de tudo o que estava acontecendo mas não podia. Não podia viver mais daquele jeito, sofria e o fazia sofrer, faria as pessoas que mais ama sofrerem. Estava sem chão.
– Carlos Daniel, me deixe sozinha! – Pediu entre soluços, não continuar ali na presença dele, sentia-se envergonhada por tudo o que acabara de vivenciar. O amava, tinha certeza, mas depois disso, teria que tomar uma decisão, e a definitiva, a que poderia mudar a vida de todos pra sempre, principalmente a dela.
Carlos Daniel não respondeu nada, estava a flor da pele e procurou controlar-se. Ia falar em divórcio mas não tinha coragem suficiente, além do mais, estava muito nervoso para falar sobre isso, então preferiu consentir, enxugando suas lágrimas e saindo do quarto dela olhando-a pela ultima vez por seus olhos avermelhados pelo choro.
“Meu Deus o que eu faço? Eu não posso mais, eu não agüento mais! Preciso tomar uma decisão, não posso mais ficar aqui. Ele não merece passar por tudo isso e eu também não estou agüentando mais. Eu o amo e não posso evitar, mas estou fazendo-o sofrer muito e também estou sofrendo. Amo a esta família com todo o meu coração e já não sei se saberei como viver sem eles... Carlinhos, Lizete, a vovó Piedade, Carlos Daniel...- Pensava Paulina em meio a confusão de sua mente e quando pensava neles, as lágrimas desciam sem limites, sem regras mas aproveitou o momento para desabafar tudo o que sentia. Chorar fazia bem, limpava a alma mas será que ela iria conseguir limpar a sua alma longe deles?”
Quanto à Carlos Daniel, ao chegar em seu quarto, tomou um banho frio para acalmar os nervos e deitou-se tentando dormir mas seus pensamentos vagavam de volta àquela conversa que tiveram, às suas atitudes, aos momentos em que passaram juntos. Ele a amava tanto... E não era como antes, antes ele sentia uma paixão incontrolável mas agora sentia algo diferente e fazia sentido para ele a diferença entre os sentimentos. Essa nova Paola despertava nele algo mais puro, mais forte, mais saudável, verdadeiro e ele sabia que não podia viver sem ela. Passou horas revirando-se na cama sem conseguir dormir por causa de seus pensamentos e chegou à conclusão de que podia estar equivocado sobre o que estava pensando dela, não tinha o direito de dizer aquelas brutas palavras e ofendê-la daquela maneira como se não a conhecesse bem, ela o provou durante quase um ano que o amava verdadeiramente cuidando de sua casa, da fábrica, de sua avó, de seus filhos e, apesar de seu distanciamento para com ele, nunca deixou de declará-lo amor, ele não esquecia disso mas em meio a sua fúria que misturava-se com ciúmes e orgulho, não conseguiu colocar estes momentos como prioridade, pois, ela não havia demonstrado de mais maneiras que o amava e ele não queria apenas palavras, ela sabia disso mas não fazia por onde.
Em meio à estes pensamentos, Carlos Daniel percebeu que foi injusto com ela acusando-a daquela maneira, sem deixá-la nem se explicar e decidiu que conversaria com ela na manhã seguinte, a pediria perdão e tentariam esclarecer as coisas de um jeito mais cordial, satisfeito com o que acabara de decidir e se sentindo mais calmo, foi vencido pelo cansaço e o sono o dominou, fazendo-o dormir.
–-
Paulina estava pensativa, sua mente viajava por vários lugares. Não podia deixar de pensar nas crianças, na vovó e nele... Lembrou de vários momentos em que passaram juntos, do progresso que a fábrica teve reerguendo-se, da cura e alto-astral da vovó Piedade, dos momentos em que brincava com as crianças e do amor sincero que era recíproco entre eles, da mudança de Carlinhos que, já se tornara um rapazinho responsável e talvez não precisava mais dela, das vezes em que se rendia aos encantos de Carlos Daniel, em que por pouco não se entregou a ele, e quanto a esse fato se sentiu um tanto aliviada, pois, se tivesse acontecido algo, poderia resultar em sérias conseqüências hoje.
Respirou fundo e correu até a gaveta da sua escrivaninha, abrindo-a e procurando um papel com um telefone que houvera guardado há um tempo. Ao encontrar o papel, segurou-o firme e apertou-o contra o peito, fechando os seus olhos e pedindo a Deus que o que estava prestes a fazer fosse a melhor decisão a tomar.
Seguiu em direção ao telefone e discou o numero que estava anotado. Depois de chamar por várias vezes sem resultado, Paulina tentou mais uma vez torcendo para que alguém a atendesse, passava-se das 3h da manhã e sabia que era por isso que não a atendiam mas insistiu.
“-Alô! Sou eu! Desculpe por ligar a essa hora da madrugada mas é que eu preciso da sua ajuda. Não, não precisa, eu chego até aí... Só preciso de seu endereço e dentro de algumas horas estarei chegando. Sim, está tudo bem, não se preocupe! Quando eu chegar aí, te explico tudo. Até logo!”
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