Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
2 Capítulo 2 - Aniversário da Fábrica
Notas iniciais
Era um dia muito especial para os Bracho, pois, a Fábrica estava voltando a ser o que era antes. Estavam adquirindo mais acionistas, tinham contratado mais funcionários, a produção estava seguindo conforme tinha que acontecer até melhor! Era aniversario da Fábrica, essa data tinha que ser comemorada! Mesmo com todas as dificuldades que eles haviam enfrentado, nunca deixaram de fazer uma festa, e agora que a Fábrica estava tendo êxito novamente, teriam de fazer um grande banquete.
Na noite anterior, Carlos Daniel dormiu novamente na casa de Gema, chegando em casa apenas na manhã do dia seguinte e ainda muito cansado, estava com uma tremenda ressaca pela noite anterior. Por estar chateado com Paola, ele bebeu e já não estava se sentindo bem para as atividades que teria de exercer no próximo dia, o que era sua obrigação.
Assim que chegou em casa foi ao quarto de sua esposa para dizer que não iria à festa, pois não estava se sentindo animado e estava muito cansado, precisava dormir. Sentia-se culpado ainda por ter ido dormir na casa de Gema, mesmo tendo brigado ultimamente com sua esposa, ele não gostava da ideia de trai-la, mas fazia isso quando estava com a mente confusa, quando se sentia carente, tentava esquecer com Gema o que sua esposa o fizera passar. Não se conformava com seu distanciamento e muito menos com sua desculpa de que estava doente.
– O que você está fazendo aqui? — Perguntou Paulina levantando-se rapidamente ao ver Carlos Daniel chegando em seu quarto.
– Eu vim aqui para... — Respondeu de cabeça baixa criando coragem para encará-la. — Para te dizer que não vou a festa de aniversário da Fábrica, e que se eu for, chegarei mais tarde. — Continuou finalmente olhando-a, estava muito envergonhado pelo que havia feito e sabia que tinha que conta-la.
– Mas porque? Aconteceu alguma coisa? — Perguntou Paulina confusa, ainda não se dando conta de que ele tinha dormido fora de casa.
– Não... — Baixou o olhar novamente.
– Então porque? E porque você está com essa cara de cansado? E com a mesma roupa de ontem... Ah, já sei! — A principio ela não havia percebido mas logo a ficha caiu e suas suspeitas foram confirmadas.
– É que... É que eu dormi na casa de Gema essa noite! — Contestou imediatamente conseguindo olhá-la nos olhos, deixando transparecer o receio que sentia por ter dormido novamente com Gema.
– O quê? — Perguntou Paulina com o tom de indignação. Apenas foi confirmada sua suspeição mas sua pergunta soou como quem ainda não conseguia acreditar que havia feito isso novamente. Não conseguiu deixar de demonstrar com o marejar de seus olhos.
– Mas eu e ela, nós... — Tentou explicar aproximando-se dela.
– Não quero saber o que aconteceu entre você e ela, guarde isso para você mesmo — Retrucou de imediato interrompendo-o, segurando as lágrimas que insistiam em correr pela sua face. — e sim, você vai sim à festa de aniversário da Fábrica, afinal é sua e de seus irmãos, você TEM que aparecer. Vá tomar um banho, trocar de roupa, e em meia hora estaremos indo. — Ordenou Paulina tomada de raiva, virando-se por não conseguir olhá-lo nos olhos.
– Mas eu... Eu preciso dormir um pouco... — Insistiu Carlos Daniel passando a mão no maxilar.
– Não, você não vai dormir agora. Vou te esperar em meia hora para irmos, entendido Carlos Daniel?
– Sim, Paola.. Entendido. — Respondeu ele saindo do quarto dela, seguindo em direção ao seu. Estava chateado mas ela tinha razão e ele não estava no direito de discutir com ela naquele momento.
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– Onde está o Carlos Daniel, filha? Ele ainda não desceu e vamos nos atrasar! — Perguntou vovó Piedade olhando em volta à procura de seu neto.
– Está no quarto dele vovó. — Respondeu Paulina olhando-a e em seguida para o seu relógio. — E já deveria estar aqui!
– Dona Paola, o Sr. Carlos está dormindo que nem pedra, já bati tanto na porta de seu quarto mas não responde. — Disse Lalinha ao chegar na sala após ter ido chamar o patrão.
– Que está esperando, filha?! Vai lá acordar seu marido! — Sugeriu vovó à Paola.
Paulina levanta furiosa para acordá-lo e ao chegar ao quarto de Carlos Daniel, ela vê que ele está dormindo e o acorda sem pena, o adverte de seus direitos e deveres e o ameaça, dizendo que 'se ele não cumprir com suas obrigações, ela irá embora definitivamente da casa dele, dizendo que o deixaria para sempre!'
Imediatamente Carlos Daniel levantou-se e foi tomar seu banho, minutos depois já estava pronto.
–
Houve um grande banquete, uma grande festa que duraria o dia e a noite inteiras. Tinha muita comida, bebida e também muita gente. Funcionários, acionistas, amigos... Todos estavam lá pra prestigiar o crescimento e o sucesso da Fábrica Bracho! A vovó Piedade estava muito feliz ao ver que as coisas estavam tomando um rumo melhor e que graças à nova Paola eles estavam tão bem. A vovó sabia que essa moça era, nada mais nada menos, que um anjo especial que Deus tinha enviado para aquela família, e no momento certo.
Todos estavam muito à vontade na festa, inclusive Paola, mas mesmo estando feliz pelo sucesso que os Bracho haviam adquirido desde já, ela não parava de pensar na possibilidade de sua irmã estar morta, na possibilidade de esse amor impossível e proibido se tornasse livre apenas dela.
Não parava de pensar em como seria estar nos braços dele, de ceder às suas caricias, beijos, toques... "-Ai meu Deus, como eu resisti durante todo esse tempo?!– Disse Paulina entre pensamentos"
Enquanto ela pensava, sofria calada e disfarçando toda sua angustia e tristeza, ela tomava uns drinks que eram oferecidos pelos garçons que passavam por ali a cada momento. Eram drinks deliciosos feitos com frutas e alcool, tinha de tudo!
Paulina não costumava beber muito, mas ela estava se sentindo tão amargurada, sozinha, tão angustiada, tão confusa, tão.. tão tudo que decidiu tomar todas.
Como estava ficando tarde, a vovó Piedade decidiu ir para a casa descansar, pois já estava lá por muito tempo e já tinha se divertido o bastante. Avisou à Carlos Daniel que iria voltar para a casa e pediu que ficasse de olho em Paola, pois, ela não estava errada em beber e sair um pouco da rotina, porém não poderia exagerar muito nas bebidas.
– Filho, estou muito cansada. Estou indo para casa! — Avisou vovó Piedade segurando o braço de seu neto.
– Eu te levo vovó, não se preocupe!
– Não meu filho, não se preocupe! Já liguei pra casa e pedi que o Pedro me busque, ele já deve estar a caminho. — Disse vovó Piedade com um sorriso.
– Tem certeza que não quer que eu te leve? É só falar com a Paola e nós vamos.
– Não Carlos Daniel, fique tranquilo e divirtam-se! A noite é uma criança, façam valer a pena! — Respondeu vovó com uma piscadela em sinal de cumplicidade para o neto e um leve sorriso contagiante.
– Sim vovó, tem razão mas não sei se Paola gostaria de estar comigo agora! — Disse ele desanimado.
– Porque não filho? Eu tenho certeza que ela te ama, que é o que ela mais quer nesse momento, estar com você! — Retrucou a velhinha apertando suas mãos, dando-lhe apoio e esperanças.
– Você acha vovó?
– Claro, meu filho! Olha só como ela está! — Disse olhando para Paola que estava do lado oposto deles à uns metros de distancia. Ela estava muito contente, ria e dançava, conversava com todos, estava muito animada. Parecia a antiga Paola, a que ele havia conhecido.
– Talvez você tenha razão, vovó. Obrigado! — Respondeu sentindo-se mais animado, sorrindo para a avó dando-lhe um beijo no rosto.
– Claro filho! Sua esposa te ama, tente entender o lado dela, entenda que ela tem passado por muitas coisas ultimamente e o que ela mais precisa neste momento, é de seu apoio. Olha tudo o que ela fez por nós, creio que ela está se sentindo sobrecarregada de tantas responsabilidades que a ela foram impostas ultimamente. Ajude-a, filho. Ela precisa de você mais do que nunca!
– Tem razão, vovó. Obrigado por sempre me ajudar com suas sábias palavras. — Abraçou sua vó agradecendo-a.
– Agora vá! Vá encontrar a sua esposa. Vá se divertir junto com ela. — Despediu-se dele indo em direção à Pedro que já acabara de chegar e já a esperava para entrar no carro.
– Tá bom vovó, descanse! Vá com Deus!
Carlos Daniel faz o que a vovó o aconselhou e se aproxima de sua esposa...
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Carlos Daniel, vovó Piedade e Rodrigo na festa da fábrica.

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