Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
18 Capítulo 18 - Mentira
Notas iniciais
Depois de uma noite tranquila e sem pesadelos, Paulina acordou na manhã seguinte com uma disposição diferente da dos dias anteriores, era domingo e, como sempre a família iria à missa. Estava feliz porque quando ia à igreja, sentia-se refugiada, plena, mais perto de Deus e sentia-se com uma necessidade muito grande de fazê-lo.
Ao acordar, tomou uma ducha e depois de se arrumar, foi em direção aos quartos das crianças para acordá-los.
– Vamos Lizete, acorde meu amor.. Hoje nós vamos à missa! Disse baixinho após dar um suave beijo na testa da menina que foi abrindo os olhinhos vagarosamente e logo espreguiçando-se e puxando Paulina pelo pescoço para abraçá-la mais.
– Ah mamãe, deixa eu dormir só mais um pouquinho. Implorou Lizete quase sussurrando no ouvido da mãe fazendo beicinho. Ainda estou com sono.
– Não podemos nos atrasar, meu amor. Acariciou seus cabelos e sorriu docemente para a filha. Mas você pode ficar aí só mais um pouquinho enquanto eu vou acordar o seu irmão.
Paulina saiu do quarto de Lizete e foi até o quarto de Carlinhos para chamá-lo, o que para sua surpresa, já estava de pé e quase pronto para saírem.
– Bom dia, meu filho! Disse, Paulina abraçando Carlinhos, sentia um grande orgulho dentro do peito, Carlinhos já estava se comportando como um garotinho mais responsável, já não era mais aquele mesmo menino cheio de manhas e com tantos problemas que ela encontrou quando chegou à casa dos Bracho.
– Bom dia, mamãe! Respondeu ele um tanto sério, estava contente por terem passado uma tarde tão maravilhosa com sua mãe, pois era o que mais queria, mas também não tinha esquecido do tal homem que encontraram no Café e da forma como ele e sua mãe se tratavam.
– Vejo que meu garotinho já está se tornando um rapazinho! Sorriu Lina, olhando-o nos olhos ao passar a mão pelos cabelos do menino.
– Acho que sim, mamãe! Disse Carlinhos baixando o olhar dos das mãe, pegando em sua mãe e puxando-a para sentarem. O menino estava intrigado e queria que sua mãe lhe esclarecesse melhor sobre seu amigo. Quem era aquele homem e o que ele estava fazendo no Café, mamãe? Porquê ele te olhava daquele jeito e porquê ele pegou em sua mão e porquê ele te convidou para almoçar com ele? Disparou Carlinhos todas aquelas perguntas de uma vez, deixando-a surpresa com sua atitude.
– Meu filho, eu já te disse! Douglas é apenas um amigo, alguém que nos ajudou muito emprestando o dinheiro para salvarmos a fábrica de seu pai, foi graças a ele que estamos reerguendo os nossos negócios! Quando você estiver maior, você entenderá! Respondeu Paulina num tom tranqüilizador, tentando fazer com que o menino tirasse toda aquela dúvida da cabeça. Agora vamos, termine de se arrumar para tomar café ou vamos nos atrasar para a missa.
– Tudo bem, mamãe. Respondeu o menino não muito satisfeito com a resposta de sua mãe.
Ao sair do quarto de Carlinhos, Paulina seguiu em direção ao seu quarto para se vestir. No caminho do quarto, ficou pensando em como o menino pode ter pensado que ela e Douglas tinham algo e em como ela reverteria aquela situação mas decidiu não pensar nisso agora e foi trocar-se, logo desceu para tomar café junto com os outros e seguiram para a igreja.
O tempo em que passaram na missa transcorreu tranquilamente, Paulina se sentia melhor quando tinha esses momentos mais próxima de Deus, o único que podia escutá-la sem julgá-la e fazê-la sentir pior do que já estava. Era Deus o seu melhor amigo, o único que ela podia confiar e contar perante a situação em que estava vivendo.


– Paizinho, mãezinha vamos ao parque de novo? Eu quero montar nos pôneis outra vez Pediu Carlinhos já quando todos estavam do lado de fora da igreja após a missa terminar.
– Não, Carlinhos! Acho que sua mãe não está muito disposta hoje. Respondeu Carlos Daniel olhando para a esposa que estava séria desde que se viram logo cedo aquela manhã, estavam sem assunto há um tempo e quase não se dirigiram a palavra durante a manhã inteira.
– É meu filho, eu estou com dor de cabeça e prefiro ir para casa descansar até a hora do almoço. Disse Paulina olhando para Carlos Daniel seriamente e depois olhando para o menininho, deixando-os desanimados.
– Ah não mãezinha por favor! Ajudou Lizete o seu irmão fazendo beicinho e juntando as mãozinhas em forma de suplica.
– Ah, meu amorzinho... Hoje não. Fui com vocês ontem e eu preciso descansar um pouco. Leve eles, Carlos Daniel. Sugeriu Paulina olhando para a menininha que estava no colo de seu pai, deixando-o ainda mais furioso do que o que ele já estava.
– Claro, meus filhos! Vamos apenas os três, sempre fomos os três mesmo... Além do mais, vocês precisam desape...
– Ah, papai... Sem a mãe não tem graça. Retrucou logo Carlinhos entendendo o que seu pai queria dizer, tentando convencê-la a ir também mas foi em vão.
– Se não quiserem ir comigo, vamos para casa. Respondeu Carlos Daniel desanimado.
– Não crianças! Vão e divirtam-se com o pai de vocês, tenho certeza que será tão bom quanto é comigo. Convenceu Paulina as crianças com essas palavras, gesto e um sorriso final que fez com que eles aceitassem ir apenas com o pai. Daqui a pouco nos vemos em casa. Despediu-se das crianças com um beijo no rosto e seguiu em direção ao carro que Pedro, a vó Piedade e Stefanie a esperavam.
Carlos Daniel atendeu ao pedido das crianças. Seu corpo estava presente ali durante todo o tempo, mas sua mente vagava por uma longa distancia dali, só podia pensar nela. Não conseguia afastar de seus pensamentos as atitudes de sua esposa, não entendia o porquê ela estava agindo de tal maneira, tão distantes fisicamente... Ela quase não o olhava mais e isso o deixava completamente desesperado. Tentava esconder esse sentimento enlouquecedor mas isso não fazia bem para ele, olhava as crianças de longe e pensava que, se eles se divorciassem, o que seria delas se já a amavam tanto. Como seria a vida deles sem aquela mulher?. Só com esses pensamentos ele sentia seus olhos marejarem involuntariamente. Carlinhos já notando a ausência do pai, o viu de longe e flagrou o momento em que seu pai se encontrava no mundo da lua, com uma cara não muito alegre, parecia estar chorando, o que o entristeceu também...
– Está tudo bem, papai? Perguntou o menino ao se aproximar, colocando em seguida uma mão sobre seu ombro.
– Sim, filho.. Está sim! Respondeu Carlos Daniel despertando-se repentinamente de seus devaneios, respirando fundo e olhando para o seu filho com um sorriso nada convincente.
– Tem certeza? Você parece triste. Respondeu Carlinhos preocupado, fitando seu pai com uma certa pena.
– Sim, Carlinhos! Sorriu simulando um leve soco, como gesto de cumplicidade, no queixo do garoto, tentando tranqüilizá-lo mas só ele sabia o que estava sentindo. Cadê a sua irmã? Vá chamá-la. Precisamos voltar para casa, já está ficando tarde e sua avó está nos esperando para almoçar.
Enquanto Carlos Daniel e as crianças estavam no parque, ao chegarem em casa, Paulina deu um beijo na vovó despedindo-se dela e subiu para o seu quarto com o intuito de tomar um ligeiro banho e seguir para a casa de Douglas. Não podia faltar neste compromisso e era sempre muito pontual, também não havia comentado nada sobre a chegada de Douglas à Carlos Daniel devido a situação em que estavam vivendo, não queria brigar mais com ele e também não se sentia à vontade de contar que iria almoçar com outro homem. Preferiu não dizer nada e, se por acaso precisasse, depois ela o diria mesmo sabendo que poderiam ter uma séria briga, arriscou.
– Com licença, dona Paola. Já está quase na hora de almoçar! Precisa de algo? Cumprimentou Lalinha a Paulina após entrar em seu quarto.
– Não, Lalinha! Não preciso, obrigada! Respondeu Paulina após pegar e analisar um vestido verde claro que estava sobre a cama.
– Esse vestido cai muito bem na senhora, vai ficar lindíssima. Vai vesti-lo para o almoço? Perguntou Lalinha sorrindo, fitando a patroa com curiosidade.
– Não, Lalinha! Hoje não vou almoçar aqui. Olhou ligeiramente para Lalinha antes de seguir em direção à penteadeira para se maquiar.
– Ahhh não?! E para onde vai? Não me diga que... — Indagou a moça com uma expressão de surpresa e um grande sorriso no rosto, esperando pela resposta da patroa.
– Não! E não é o que você está pensando, Lalinha! Vou para um almoço formal com o Douglas Maldonado, ele acaba de chegar de viagem e precisamos conversar sobre as coisas do empréstimo que ele fez para a Fábrica Bracho.- Repreendeu de prontidão a Lalinha.
– Sei, sei... Retrucou pensativa, analisando cada movimento de Paola.
– E, Lalinha! Interrompeu Paulina os pensamentos de Lalinha, que já a deixava longe dali. Te peço que, por favor, não comente nada com ninguém para onde que eu fui e o que eu fui fazer, entendido? Ordenou seriamente.
– Sim senhora, pode deixar mas para quê esconder se será almoço de assuntos de trabalho? E se o seu Carlos me perguntar? O que digo? Perguntou Lalinha de propósito com curiosidade, testando assim, a atitude de sua patroa.
– Muito menos à ele, Lalinha! Não vou entrar em detalhes, só te peço que, se Carlos Daniel te perguntar algo, diga que eu não me senti bem e que estou dormindo, que não quero que ninguém me acorde, mas não diga nada a mais, entendido?
– Sim, senhora! Assentiu Lalinha desanimada. Só isso, senhora?
– Sim, Lalinha! Se precisar de mais alguma coisa, eu te chamo. Obrigada! Respondeu com um leve sorriso, despedindo-se de Lalinha e concentrando-se em sua maquiagem. Já estava um pouco em cima do horário combinado e não gostava de se atrasar para os seus compromissos, assim, adiantou-se e, sem que ninguém veja, seguiu com Pedro para a mansão de Douglas Maldonado.
Após alguns minutos da saída de Paulina, Carlos Daniel chega com as crianças em casa. Todos não estavam tão animados com a ida ao parque. As crianças, por não terem a companhia de sua mãe junto à eles e Carlos Daniel também, porém, sua mente estava um turbilhão, não sabia mais o que pensar, não conseguia entender o porquê que ela estava agindo daquela forma e já tinha a intenção de conversar com ela, de definir o futuro deles mesmo que ele e seus filhos fossem sofrer com a decisão. Tinha que dar um basta em tudo aquilo.
Ao entrarem, foram recebidos calorosamente pela vovó Piedade, que já os estava o esperando para almoçarem.
– Ahh, que bom que chegaram! Já ia te ligar, Carlos Daniel! Disse a vovó dando um beijo no rosto do neto.
– Demoramos um pouco mesmo mas conseguimos chegar a tempo. Respondeu Carlos Daniel forçando um sorriso para a vovó, mas não a enganava. E Paola, onde está? Perguntou olhando em volta, mas tentando demonstrar que não dava importância à resposta da avó.
– Está descansando, não saiu do quarto desde que chegamos. Disse vovó analisando as expressões de seu neto.
– Tudo bem, vovó. Eu vou tomar um banho rápido antes de descer. Fingiu dar de ombros e subindo para o seu quarto.
– Carlos Daniel? Chamou a vovó, fazendo-o parar e olhar para ela. Está tudo bem com vocês? Perguntou preocupada.
– S-Sim, vovó. Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Assentiu ele respondendo com a voz embargada e logo seguiu para o seu quarto, assim, tomando um banho de água fria, tentando afastar todos os pensamentos ruins de sua mente.
A mesa já estava posta e todos apenas esperavam por Carlos Daniel e Paola para servirem o almoço, mas não demorou muito tempo e Carlos Daniel logo compareceu e sentou-se à mesa juntando-se aos outros, assim, faltando apenas Paola para darem a ordem de servir a comida. Carlos Daniel, ao ver que ela não estava, logo cogitou a idéia de que ela não viria e, se isso realmente acontecesse, seria mais um motivo para eles terem a conversa que ele estava disposto a iniciar, assim, deu ordem para servirem a comida.
– E a mamãe? Perguntou Carlinhos antes que começassem a servir. Ela não vai comer conosco, papai?
Lalinha, que estava perto deles, logo mudou seu semblante e rapidamente corou. Inquieta pela pergunta do menino, preocupada com a reação de Carlos Daniel e com coragem interrompeu a conversa entre pai e filho, tentando assim, livrar a patroa do que estava prestes a acontecer.
– Seu Carlos, é que a dona Paola chegou com dor de cabeça e está muito cansada. Ela disse que iria dormir e pediu que ninguém a interrompesse. Disse Lalinha seriamente, gesticulando pelo seu nervosismo.
– Não sei, filho. Sua mãe está com dor de cabeça, não sei se é uma boa idéia chamá-la para almoçar, vamos deixá-la descansar um pouco. Respondeu Carlos Daniel, respirando fundo tentando demonstrar tranqüilidade em seu tom de voz para não deixar seu filho eufórico.
– Não, papai! Eu só como se a mãe tiver aqui. Retrucou o garoto com a cara emburrada.
– E eu também! Ajudou Lizete, levantando-se rapidamente de sua cadeira, sem dar a chance de Adelina detê-la e correu em direção ao quarto de Paola. Vou lá chamar a mamãe!
A menina subiu tão rapidamente com a expectativa de encontrar sua mãe no quarto que, ao abrir a porta e não encontrá-la deitada, sentiu-se desapontada e voltou choramingando para a sala de jantar.
– O que aconteceu, Lizete? Onde está a sua mãe? Perguntou Carlos Daniel levantando-se rapidamente ao ver a filha toda tristinha.
– A mamãe não está no quarto, paizinho! Eu a chamei mas ela não me respondeu e quando eu abri a porta, ela não estava lá.
– Onde ela está, Lalinha? Você sabe? Uma fúria sem tamanho invadiu Carlos Daniel, que virou-se rapidamente para Lalinha imaginando que ela sabia o destino que Paola tinha tomado aquela tarde.
– N-não, senhor. Eu não sei onde ela foi. Ela estava no quarto e...
– Papai. Interrompeu Carlinhos a Lalinha com uma voz triste, chamando a atenção de Carlos Daniel total para ele. Acho que sei para onde a mamãe foi.
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