Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
15 Capítulo 15 - "Esta nova Paola"
Notas iniciais
Boa leitura! ;)
Ali, aconchegada entre o calor de seus braços, Carlos Daniel a observou dormir. Minutos atrás, Paola estava submergida em um sono agitado mas agora o seu rosto refletia tranqüilidade, serenidade. Acariciou o rosto dela e beijou-lhe na testa fazendo-a mover-se e aninhar mais a sua cabeça no peito dele. Continuou acariciando-a e no meio daquela noite sossegada, começou a dar-se conta do que sentia a cada vez que a via e estava perto desta nova Paola. Era como se cada vez que olhava para ela, seu coração se enchia de amor. Era a primeira vez que sentia-se assim.
Dava-se conta de que antes pensava sentir esse sentimento pela Paola com quem se casou mas agora via que era mais atração física porque a antiga Paola nunca tinha feito o seu coração palpitar daquela forma. Dava-se conta de que antes vivia atraído pelo cheiro, o corpo daquela Paola, ela o enlouquecia com seu charme. E agora esta nova Paola o recusava dar-lhe o amor carnal que ele lhe pedia e em vez de sentir-se injustiçado, em vez de desejá-la ou querê-la menos, desejava-a e a queria ainda mais do que antes.
Com o recuar do tempo via que, mesmo Paola sendo a sua esposa, durante o tempo em que estiveram juntos antes de que ela fosse à Houston, nunca tinha sentido algo assim, algo tão forte e inexplicável. Apenas tinha sentido algo parecido por sua primeira esposa Elizabete e, pensando bem, não era verdadeiramente o mesmo sentimento nem a mesma intensidade.
Outro fator que o fazia refletir era o carinho de Paola pelas crianças. Antes de sua viagem, Paola sempre tinha sido correta com Carlinhos e Lizete, fazia-os rir e era atenta mas, com a nova Paola era uma surpresa atrás da outra. Esta Paola dava amor e atenção para eles, passava manhãs e tardes brincando com eles, os ajudava com os deveres da escola e inclusive, desafiou Stefanie quando Carlinhos quis dormir com a luz acesa para não ter pesadelos e a mesma Paola tinha chorado por seu filho, coisa que a outra nunca tinha feito. Esta Paola tinha levantado a mão quando Carlinhos não quis obedecer e esta mesma tinha ajudado o seu filho a se recuperar e a ser mais responsável. E com Lizete era um verdadeiro anjo, estava sempre disposta a contar-lhe uma história ou comprar-lhe uma roupa para que se disfarçar.
Não tinha como não perceber e sentir que ela já não era a mesma de antes. Esta Paola tinha mudado tanto em tão pouco tempo...
Ficou com esses pensamentos na cabeça e foi pensando neles que acabou dormindo abraçado àquela sua nova esposa.
Quando amanheceu, Carlos Daniel viu-se obrigado a sair do calor daqueles braços, pois tinha algumas coisas para resolver na fábrica. Era um sábado e o dia estava ensolarado e essa era uma das razões pelo qual não queria ir trabalhar, mas resignado levantou-se devagarinho para não acordá-la e foi para o seu quarto se preparar para o dia que o esperava.
Quando Paulina acordou e viu que estava sozinha, não sabia se sentia-se contente ou desapontada por ele já não estar mais do seu lado, mas era melhor assim. Não estava segura se conseguiria encará-lo logo tão cedo depois do que aconteceu na noite anterior. Era um sábado e precisava tomar ar, então foi até os quartos das crianças e os chamou para nadar na piscina do jardim.

E foi assim que passaram a manhã de sábado, foi um momento de cumplicidade entre mãe e filhos que ela tão cedo não esperava viver. Desde que chegou àquela casa tinha sentido um afeto e um carinho imensos por aquelas crianças e sentia uma imensa necessidade de preteje-los contra tudo e contra todos como se eles fossem seus próprios filhos.
Como de costume, Carlos Daniel tinha chegado para o almoço e sua intenção era falar com sua ela sobre o que tinha acontecido na noite anterior.
– Lalinha, sabe onde está a minha esposa?
– Ah senhor, a dona Paola passou o dia inteiro hoje com as crianças, até parece outra. – Respondeu enrolando uma mexa de cabelo e arqueando as sobrancelhas com ar conspirador. – E depois que passaram a manhã inteira na piscina, se trancaram no quarto de jogos e acho que ainda estão lá. – Terminou colocando as mãos atrás das costas e balançando o corpo de trás pra a frente.
Carlos Daniel ficou atônito com o que Lalinha tinha acabado de dizer e confirmou mais uma vez que sua esposa estava muito diferente.
– Então estiveram o dia inteiro brincando? – Pensou alto colocando a mão no queixo. – Chama eles pra almoçar, Lalinha!
– Sim senhor, com licença.
Lalinha subiu as escadas e foi para o quarto de jogos. Quando entrou, as crianças estavam brincando com os legos e Paola olhava seriamente para o nada mantendo um lego entre as mãos. Parecia distante, como se sua mente vagasse para outro planeta. Sim, ela estava muito mudada!

– Dona Paola?! – Disse Lalinha interrompendo os seus pensamentos, assustando-a. – O senhor Carlos Daniel já chegou e pediu que os chamasse para almoçar.
– Obrigada Lalinha, mas eu não vou descer, estou sem apetite. Eu vou para o meu quarto. – Respondeu cabisbaixa dando uns passos à porta. – Ah, e por favor, não quero que ninguém me incomode para nada, entendido Lalinha? –
- Entendido, senhora!
Assim saiu indo em direção a seu quarto deixando Lalinha com a cara séria, como se tivesse tentando entender a atitude da patroa mas em seguida dando de ombros e chamando as crianças para descer.
Ao chegarem à mesa, que já estava posta e todos apenas aguardavam Paola e as crianças para iniciarem o almoço, Carlos Daniel olha para Lalinha com a expressão séria.
- Onde está Paola, Lalinha?
- Ah seu Carlos, a dona Paola disse que está sem fome e está cansada. Está no quarto dela e pediu que ninguém a incomodasse.
Por um mínimo instante, Carlos Daniel se perdeu em pensamentos.
- Será que esse ‘ninguém’ sou eu? – Olhou para o nada e fechou a mão com força imaginando que haveria essa possibilidade sim. – Tudo bem Lalinha, obrigado! – Continuou despertando de seus pensamentos.
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Enquanto isso, Paulina em seu quarto estava num turbilhão de pensamentos. Ela estava muito triste e não sabia como agir, sabia que não havia escapatória. Ele estava lá e, provavelmente ia querer conversar com ela sobre a noite anterior, também ia questioná-la, lhe pediria satisfações e como ela reagiria? O que diria? Estava preocupada, não conseguia parar de pensar no que viria pela frente. Já estava inundada em lágrimas. Ela o amava tanto que chega doía mas não tinha coragem de enfrentá-lo, de contar a ele toda a verdade, desmascarar Paola, porque mesmo sabendo que ele podia desprezá-la, tiraria esse enorme peso de sua consciência, não suportava mais viver assim.
- Ai meu Deus, o que vou fazer? Não posso continuar nessa mentira, me escondendo , me fugindo dele. Me ajuda, por favor... Eu já não tenho mais forças, estou presa em minha consciência que está me massacrando dia pós dia, estou sozinha com os meus pecados e meu desespero e não sei até quando mais posso suportar. – Desabafava Paulina em meio a lágrimas incontroláveis, ali era o único lugar onde ela podia falar, colocar pra fora tudo o que tava sentindo, pois só mesmo Deus a escutaria. Já estava acostumada a viver assim mas a dor que sentia em seu coração estava cada vez mais intensa, uma ferida que se abria e sangrava mais e mais.

Foi assim que acabou adormecendo.
Depois de ter almoçado, Carlos Daniel ficou pensando se iria ou não ver como ela estava. Andou de um lado para o outro na sala passando a mão em seu queixo e esfregando a cara com ar duvidoso, foi então que não pensou mais e subiu as escadas correndo em direção ao seu quarto. Chegando lá, bateu à porta do quarto mas ninguém o atendeu. Insistiu mais um pouco mas não obteve resposta. Foi quando girou cuidadosamente a maçaneta que estava aberta, para sua surpresa estava aberta e lá estava ela, deitada na cama. Dormia profundamente. Estava terna e sublime, parecia estar em paz, ele não sabia se ela estava bem e o que pode ter acontecido à ela para que tomasse aquelas atitudes e se ela não tivera descido apenas para evitá-lo. Ficou lá observando-a por um tempo e depois saiu, precisava retornar à fabrica, pois ainda havia trabalho pendente e tinha que conclui-lo no mesmo dia.
NA FÁBRICA...
- Senhor Carlos Daniel, chegou isso pra você. – Disse Verônica entregando-lhe um envelope lacrado sem remetente.
Notas finais
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Beijosss :***
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