Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
13 Capítulo 13 - BruSCo desabafo
Notas iniciais
Boa leitura!
Depois de algum tempo que estavam ali abraçados, ela com os olhos fechados sobre o peito dele, ambos ainda com os corações acelerados e ofegantes recuperando o ar pelo que acabaram de fazer, Carlos Daniel ergueu a cabeça subitamente e disse apenas:
– Porque?
Ela se sentindo repentinamente nervosa, engoliu em seco:
– Porque o quê?
Ele empurrando-a contra o seu corpo e já com a feição demasiadamente séria.
–Você me recusou durante esse tempo todo, dizendo estar doente e sem poder ter relações. Eu praticamente te implorava amor e você trancava a porta de seu quarto, na maioria das vezes em que eu tentei te tocar você me evitou, sempre me tratando com indiferença.
Quando você estava prestes a ir para Houston cuidar de sua saúde, eu não concordei de inicio, você sabe, mas como você estava doente – disse ele num tom ríspido como se estivesse se esforçando a dizer – eu concordei que você fosse porque acima de tudo, eu quero te ver bem. Você sabe que eu não consigo nunca controlar o meu ciúme, que também nunca ocultei o que sentia e que acabava extrapolando, deixando-os me dominar e sendo rude com você. Os meus impulsos não me permitiam agir diferente, eu juro que tento por você, por mim, por nosso casamento, mas eu não consigo, pois tudo é maior que eu.
Paulina apesar de ser uma mulher muito forte, também tinha o seu lado muito frágil, o que, muitas vezes deixava transparecer em frente à ele, mas ao ouvi-lo iniciar aquelas palavras, sentiu uma onda de remorso percorrendo por todo o seu corpo, fazendo-a repentinamente encher os olhos de lágrimas, o que tomava uma proporção cada vez maior ao escutar mais e mais e que a fazia se perder nos pensamentos e uma angustia profunda se apoderou de seu coração. Ela tinha caído em si, sabia desde o inicio que o que estava prestes a fazer seria o maior erro de todos os que já havia cometido em sua vida inteira, sabia que precipitar-se seria o maior desastre causado e principalmente já conhecia todas as conseqüências que estava buscando ao ir para a cama com Carlos Daniel.
Ele apenas tinha começado a dizer tudo aquilo, mas ela já não conseguia ouvir mais e tentou interrompê-lo:
– Carlos Daniel, eu... – Disse com a voz totalmente trêmula.
– Não me interrompa, por favor! – Ele estava repentinamente com um tom seco na voz e também parecia chorar, mas prosseguiu firme. – O que eu sinto por você me deixa fora de controle, eu fico fora de mim, eu me perco e te perder me faria desabar. Quando você viajou eu fiquei me sentindo como se parte de mim fosse arrancada mas tentei ser resistente, pois eu sabia que era o que tinha que ser feito e sempre temos que escolher a melhor opção quando amamos alguém e a queremos bem. Eu contava os dias, as horas, os segundos regressivamente para que pudesse te tocar novamente, sentir o teu calor, olhar nos teus olhos, sentir o teu cheiro, a febre das tuas caricias, para poder e te beijar como se nunca houvesse sentido o gosto dos seus lábios e quando você chegou eu me senti com esperanças de que tudo entre nós pudesse mudar para melhor. Quando eu fui com as crianças ao aeroporto te buscar, eu tinha a certeza que dali pra frente tudo poderia ser diferente entre nós, eu prometi a mim mesmo que controlaria os sentimentos e seria diferente, que mudaria para melhor, por você eu quis mudar, para não te perder, para te fazer feliz e te fazer a mulher mais realizada dentre todas.
Já com ambos consumidos pelas lágrimas que caíam acirradamente de seus olhos, ela tenta interrompê-lo mais uma vez... Seu coração estava prestes a sair pela boca, ela não acreditava que acabara de tomar a atitude mais errônea de todas e além de tê-lo causado todo esse sofrimento, estava sentindo-se como se estivessem cravando uma faca de dois gumes em seu peito. Aquelas palavras doíam lá no fundo de sua alma.
– C-Carlos Daniel, e-eu...
– Não me interrompa de novo, eu ainda não terminei! – Ele dizia, agora demonstrando decepção, tristeza, frustração, todo o sentimento que ela não o queria causar — e como eu estava dizendo, eu daria tudo para te fazer feliz. Mas você chegou e quando eu achei que eu ia encontrar em seus braços a oportunidade de ser diferente na forma de te amar, eu encontrei em você frieza, distanciamento, medo, rejeição... O que aos poucos e dolorosamente acabaram me fazendo matar aquele broto de esperanças que eu havia plantado no meu peito depois de passar a pensar que você já não me amava mais. Quantas vezes eu procurei te entender, tentei buscar uma resposta sobre o que eu havia feito para você reagir de tal maneira comigo ao ponto de me evitar completamente e até mesmo trancar a porta de seu quarto pra que eu sequer ficasse com você nem que fosse o mínimo de tempo possível.
E quando estávamos na festa da fábrica, eu senti que poderia te recuperar, te ter em meus braços de novo, te amar com mais intensidade do que nunca e até que eu não estava totalmente enganado sobre isso, pois, por mais que tenham sido um tanto ‘superficiais’ o que passamos juntos aquela noite, aqueles momentos tinham sido os mais felizes da minha vida mas depois desta noite eu descobri que tudo não passava de uma farsa, de uma mentira, uma ilusão e eu fui enganado esse tempo todo e o pior é que eu não conseguia enxergar ! Eu sou um imbecil mesmo, um idiota, um fraco que se deixou enfeitiçar pela beleza de minha mulher, quer dizer, uma mulher que eu sequer sei mais quem é... Eu estou confuso, não sei o que fazer. Como pude ser tão cego e não percebi antes? Todos os fatos me levavam a apenas uma resposta e eu estava com uma venda nos meus olhos esse tempo todo. – Dizia com o ódio consumindo o seu corpo e seus olhos queimavam como brasa.
– Carlos Daniel, não é o que você está pensando! – Tentou explicar ela, levantando-se bruscamente a procurar sua robe que tinha ficado pelo chão e rapidamente vestindo-se.
Ela o fitou com os olhos arregalados, o coração a mil, o nervosismo correndo por suas entranhas até a sua garganta e quase sem conseguir falar mas tentando tirar forças de onde não tinha, completamente envergonhada por tudo o que acabara de ouvir, ela não tinha argumentos mas com a voz tremula disse em forma de súplica:
– Por favor, Carlos Daniel me escuta!
– Te escutar? Pra você me dizer mais uma de suas inúmeras mentiras? – Disse segurando seu braço com muita força. Ela podia ver a fúria em seu olhar, em seu tom de voz, em sua força. Ele estava transtornado e com muita razão. – Onde está a minha esposa? Eu não estou louco! Você não pode mais negar que é uma IMPOSTORA, uma MENTIROSA, uma GOLPISTA, uma USURPADORA!
– Eu posso te explicar!!! Me ouve, Carlos Daniel! – Dizia totalmente desesperada, engolindo o choro, sem controle mas não podia ficar apenas calada, queria tentar fazê-lo ouvi-la, tinha que contar a sua versão dos fatos.
– Explicar? E tem ainda o que se explicar? Uma mulher que se rebaixa tanto ao ponto de se passar por alguém que não é, sendo que, ela se aproveita de uma família, de pessoas indefesas, até de crianças inocentes. Uma mulher capaz de submeter a caprichos como ir para a cama com um homem fingindo ser sua esposa... Para quê? Porquê? A minha esposa, onde ela está? Você a matou?
Seu lugar é na cadeia, USURPADORA!
– Não Carlos Daniel! POR FAVOR! Eu não queria, eu... Eu fui obrigada! Eu te amoooooo, me perdoa!
...
Notas finais
Por favor, comentem e deixem suas opiniões!
Obrigada por lerem e até o próximo capítulo!
Muaack! ;**
@Marta_Maira
Fale com o autor