Entrega Ou Renúncia - A Usurpadora
10 Capítulo 10 - Entrega ou Renúncia - Pt 2
Notas iniciais
A tarde foi longa e cheia de trabalho, alem de estar preocupada com Carlos Daniel, com o que poderia acontecer dali pra frente e com o que ele estaria pensando a respeito dela, ela também tinha um certo medo de que ele decidisse mudar completamente as suas atitudes para com ela e a deixasse de lado, que se tornasse frio e agisse sempre do mesmo modo que ele estava agindo com ela naquele momento, pois ela não suportaria continuar sendo tratada daquela maneira seca. Não conseguia se imaginar ainda mais distante dele, o seu olhar de repreensão já seria o suficiente para deixá-la devastada.
Ela se sentia mal com toda a situação, mas era uma mulher que encarava as coisas de frente e não se deixou demonstrar o que estava sentindo por mais infeliz que estivesse.
Ao terminar o dia de trabalho, eles foram para casa juntos mas sem trocarem sequer uma palavra um com o outro. Carlos Daniel estava muito chateado a ponto de não querer olhá-la, e ela, mesmo querendo ganhar dele apenas um pouco de afeição para terminar o dia bem, não insistiu em tentar conversar, pois já o conhecia o suficiente para saber como seria e acabaria a conversa. Chegaram em casa e cada um seguiu uma direção, ambos indo para seus quartos para descansar um pouco antes do jantar ser servido. Na mesma noite, no jantar, todos tiveram uma grande surpresa, a qual deixou todos felizes e esperançosos sobre o relacionamento entre Paola, Estefanie e Willy, pois Paola tinha conseguido convencer Estefanie a ser uma mulher forte, dona do Willy e que não o deixasse escapar, mostrando a ela que ela tinha chances de refazer a vida ao lado do marido, o qual já estava se envolvendo com uma operaria da fábrica, e se ela não quisesse perdê-lo definitivamente, que mudasse em sua aparência e atitudes, que o reconquistasse. Então, depois de muita insistência, Estefanie concordou e tomou a iniciativa de mudar, aparecendo totalmente diferente no jantar, fazendo todos ficarem boqueabertos, inclusive Willy, que já nem lembrava mais do quão bonita e atraente era a sua esposa.
Depois do jantar, acompanhando Paola até a sala:
– Acha que vai dar certo entre Estefanie e Willy? — Perguntou Carlos Daniel à ela enquanto dirigiam-se ao sofá.
– Espero que seja um sucesso. – Disse sorrindo.
– Mas é difícil Estefanie mudar moralmente e Willy se entusiasmar de novo por ela.
– Já se entusiasmou, não viu? – Paulina estava muito contente com o que acabara de presenciar e tinha certeza de que as coisas poderiam realmente mudar entre Estefanie e Willy.
– Desde que não se sintam como estranhos quando estão a sós. – Ele se virou dizendo com um ar sério, irônico e ainda se mostrando chateado.
– Tomara que não. – Respondeu Paulina ficando sem graça.
– Dois casais quando por alguma circunstancia um se afasta do outro, vai se formando entre eles uma coisa assim como uma atmosfera de respeito, de indiferença, de fraternidade. – Ele dizia enquanto caminhava até o sofá e sentava.
– Fraternidade? – Ela perguntou confusa.
– É, é possível chegar a considerar a esposa como uma irmã. — Disse ele aumentando o seu tom irônico.
Paulina virou-se tentando mudar de assunto e perguntando imediatamente por Verônica.
– E Verônica? O que acha dela? – Perguntou com curiosidade, porém com preocupação sobre a resposta dele.
– Boa e você, o que acha? — Respondeu ele tentando demonstrar indiferença.
– Ahh, haha – Ficou de frente para ele e tentando disfarçar o que sentia e sentando-se numa poltrona que estava próxima – acho que tem valor e que é responsável, parece muito interessante. Uma mulher com personalidade.
– Porque será que se divorciou? – Perguntou pensativo, segurando as duas mãos e volteando-as uma na outra. – Acho que possui todos os atributos para conservar um marido.
– Não pode ter sido ele o culpado? – Perguntou ela séria, já demonstrando não estar satisfeita com a reação dele quanto à conversa.
– Acho que a culpa do divórcio é sempre da mulher.
– Que machismo, Carlos Daniel. – Disse com indignação.
– Tem muitas coisas que as mulheres não compreendem e podem esfriar um homem.
– Ah, é claro. Muitas! – Assentiu Paulina, ficando meio sem graça e sem resposta.
– Mas é melhor não falarmos do assunto. – Retrucou ele para ver qual seria a reação dela.
– É, tem razão. Eu vou me deitar porque amanhã terei um dia puxado. – Disse levantando-se séria tentando não olhá-lo nos olhos e virando-se em direção a porta, fazendo com que a reação dele fosse de revolta absoluta.
Carlos Daniel achou que ao comentar aquelas coisas sobre Verônica, faria com que sua esposa tivesse alguma reação diferente da que ele presenciou e mesmo esperando qualquer atitude semelhante a que acabara de acontecer vindo dela, não conseguia entender ao certo o porque que ela agia daquela forma, será que de fato não o amava mais? Essa pergunta rondava a mente dele repetidamente por inúmeras vezes. E muito furioso levantou-se e disse:
– E você também age como se nada tivesse acontecido, como se estivesse tudo bem entre nós. – Os olhos dele estavam pegando fogo e ele não se conteve e teve que colocar pra fora o que estava querendo dizer por horas, fazendo-a estremecer, gelar o corpo inteiro e parar. – Eu prometi a mim mesmo que não me humilharia mais diante de você, que não insistiria com algo que já não tem mais remédio e olha eu aqui de novo me rastejando aos seus pés porque sempre acho que você vai voltar a ser como antes comigo. – Seus olhos já começaram a encher de água, ele tentava se controlar, mas a raiva e o sentimento de desprezo e rejeição da parte dela eram tão grandes que ele não conseguia segurar o que estava sentindo e estava quase explodindo.
Tudo o que ele acabara de dizer tomou Paulina por inteiro deixando-a assolada e com uma pena profunda dele e ela teve vontade de se jogar nos braços dele, de deixar que ele a tocasse e acabar de uma vez com todo aquele sofrimento que sentia e transmitia tão claramente. Mas sabendo que não teria o que responder, que não poderia inventar mais desculpas não disse nada e saiu ressentida com lágrimas nos olhos, fazendo com que ele se sentisse mal com tudo o que havia dito.
Paulina subiu correndo para o seu quarto, imediatamente trancando-se e sem conseguir conter o choro que estava travado em sua garganta durante todas as horas daquele dia. Estava tão desesperava que não conseguia se controlar e soluçava engolindo o seu choro que descia apertado pelas suas entranhas. Não sabia o que fazer, estava incontrolável e não conseguia evitar esse sentimento. Com o coração apertado, tirou suas roupas rapidamente e se jogou debaixo do chuveiro frio para tentar amenizar toda a raiva que sentia dela mesma por não poder corresponder ao homem que ela amava mais que a própria vida.
Enquanto isso, Carlos Daniel ainda na sala, caminhava de um lado para o outro pensando no que tinha dito à ela, sua cabeça fervia e ele estava muito agitado e apreensivo pelo que acabou de fazer. Sentiu-se com um certo peso na consciência e uma onda de arrependimento tomava conta de seu peito e mente, fazendo com que ele sentisse vontade de ir pedir perdão, dizendo que não tinha o propósito de fazê-la chorar novamente, pois por não conseguir conter o que estava sentindo, acabara de dizer coisas que a machucava.
Depois do banho, Paulina já se sentia menos nervosa mas ainda continuava chorando. Apagou a luz e deitou-se para tentar dormir, o corpo estava cansado, mas tudo o que ecoava em sua mente eram os momentos que havia passado com ele, quando eles já estiveram prestes a se amar mas ela o evitou por causa dos fatos que a rodeavam e faziam com que sua consciência se ligasse novamente ao que ela estava fazendo ali, ao motivo da usurpação, à Paola, à integridade e honra que ela tinha, à ele e à tantas outras coisas que a cercavam e a impediam de amá-lo por completo. Todos estes pensamentos rondavam a mente dela todo o tempo, mas ali refletindo sobre tudo, se perguntou se realmente valeria à pena renunciar a um amor que agora, mesmo ironicamente, pertencia a ela e não a outra, pois a outra não o merecia e ela sabia exatamente o motivo do qual levou Paola a obrigá-la a ficar em seu lugar. Paulina se questionava por ele não ser dela e sim de uma mulher malvada que não o amava verdadeiramente, que o estava enganando, debochando dele e de sua família a essas horas, que tinha amantes por não valorizar nem respeitar o maravilhoso homem que é Carlos Daniel Bracho. Porque ele não a conheceu antes ao invés de Paola? Por quê?
Sentindo-se agitada e não mais cansada, Paulina levantou-se da cama. Vestindo o robe e os chinelos, saiu de seu quarto e seguiu em direção a porta, abrindo-a e caminhando sendo guiada por um impulso involuntário até a porta do quarto de Carlos Daniel.
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