Entre todas,eu!
18 Serena
Notas iniciais
—Como você veio parar aqui?-Pergunto meio espantada. -Dãa!Como se você fosse me responder!Você é um cachorro... Ou cadela... Ah não sei! Não vou olhar você por baixo. -Na coleira do cachorro estava escrito “Serena”, então certamente era fêmea e atendia por Serena, não tinha mais nada na coleira, entre duas uma: ou essa cadela fugiu ou o dono a abandonou, por enquanto vou cuidar dela, se alguém procurar eu devolvo.
Dei água e comida para Serena, afinal não tinha ração,quando bati os olhos nas patas da cadela,vi que estavam sujas e como eu não podia a deixar dormir na minha cama de patas sujas, então fui dar um banho nela.
De 2 h da madrugadaaté umas 02h40min , fiquei dando banho e secando Serena, ela era uma Golden Retriever dourada, muito linda e mansinha, não tinha carrapato nem pulga (graças a Deus!), sendo assim a deixei dormir no meu quarto e me senti muito segura.
Acordei sábado as 9h00min com Serena latindo, levantei e abri a porta do banheiro, já que ela estava latindo lá, a cadela entrou correndo no local, abriu o vaso sanitário com o focinho e sentou lá em cima, achei fofo e ao mesmo tempo desagradável a cena. Aproveitei que ainda era cedo e liguei num pet shop, pedi ração, guia (aquele que leva o cachorro para passear), shampoo, uns brinquedos, vasilhas (de colocar água e ração) e falei para entregarem no colégio, liguei na portaria e avisei sobre a entrega.
...
Era 19h00min e eu estava andando no jardim com Serena, no colégio era permitido cachorro e gato, porém podia ser somente um animal por casa e o dono era responsável pelo animal (pegar as fezes, levar para passear e se alguém reclamasse dele, o coitado seria banido).
—Bia?O que faz aqui?-O professor Gabriel me pergunta. Ele estava com uma roupa de malhar que marcava certinho o seu tanquinho, mas eu não reparei muito.
—Oi, kkk levando essa cachorrinha para passear e conhecer o colégio.
—Ah sim, não sabia que você tinha uma cadela, muito bonita ela.
—Obrigada, na verdade ela apareceu na minha casa essa madrugada e como eles permitem no colégio, eu resolvi ficar com ela.
—Bem legal da sua parte.
—Sem querer ser intrometida, mas... O que você faz aqui?-Fiquei meio curiosa.
—Bom, minha história é bem complicada, quer andar enquanto te falo?
—Pode ser. -Disse animada.
—-Antes de me formar eu morava com os meus pais, mas eles mudaram e estavam tentando achar alguém para alugar a casa e enquanto eles ao arranjavam ninguém eu poderia ficar lá, para minha sorte eles demoraram o tempo de eu arranjar emprego, no caso aqui, e o colégio oferece uma “casa” para nós professores, só os que precisam ou querem recebem, enfim eu peguei e agora moro aqui. –Depois disso, o professor ainda me contou muitas coisas sobre ele e eu nem vi o tempo passar, a conversa estava tão legal.
—Nossa!Já são 22h00min, tenho que ir pra casa se não levo advertência.
—Quer que eu te deixe lá?
—Não precisa obrigada e boa noite, professor. -Despedi dele e fui embora.
...
Acordei Domingo 8h30min com alguém batendo na porta, no primeiro momento achei que era Serena, porém ela estava quietinha no canto dela, então resolvi descer e olhar quem ou o que era kkk.
—Bom dia, dorminhoca.
—Professor Gabriel?Por que acorda tão cedo?Puta que pariu ein?Putz foi mal!Saiu sem querer. -Depois que me dei conta do que disse, garanto que eu fiquei vermelha.
—Kkk, sem problemas eu também falo isso. Eu acordo cedo para correr e hoje eu achei um lago incrível.
—Aqui no colégio?-Bom, o colégio era um pouco afastado da cidade (já que ele era bem grande) e eu já tinha ouvido falar de um córrego que passava atrás do colégio, mas não acreditei.
—Na verdade atrás do colégio, que tal fazermos um piquenique lá?
—Pode ser, estou sem fazer nada mesmo... -Bom... Na verdade eu estava dormindo, mas okay, kkk.
—Enquanto você troca de roupa eu pego as coisas na minha casa.
—Fechou, até mais. Que roupa vou vestir?-Acabei fazendo essa pergunta alto.
—O que?
—Nada não!-Digo e bato a porta morrendo de vergonha.
Acabo pegando um short e uma blusa, como não sabia se havia mato ou não, coloquei uma sapatilha e esperei.
—Bia?Está pronta?-Gabriel bateu na porta.
—Sim. -Saí e fomos andando.
O local era muito bonito, parecia até um filme, tirei várias fotos com o professor e postei no instagram, não demorou muito para começarem a comentar “casal proibido, kkk”, e eu fiquei bem envergonhada.
...
Segunda chegou num pulo, e os comentários na escola era sobre minha foto com o professor, bom, não que todo mundo me seguisse, mas a maioria viu e espalhou então eu resolvi remover a foto.
—Ui safada!Saiu com o Gabriel neh?-Cristina veio encher meu saco. -Ele beija bem?
—Deixa de ser tola, Cristina!Foi só um piquenique!-Disse estressada e meio envergonhada.
—Esse piquenique foi bem estranho!-Lana veio falar comigo.
—Fica quieta, chata!-Disse mais estressada.
—Calma Bia. –Lucas disse fazendo gesto com as mãos. -Mas conta aí, ele não passou a mão em você nem nada?
—Não! Cê acha que eu iria deixar?-Disse com a sobrancelha arqueada. -Ava neh!!
—Haha!-Vavá chegou rindo alto. -Se alguém fizer isso com ela acredito que essa pessoa morreria.
—Ai gente! Também não sou tão bruta!
—Mas também não é aquele amor de pessoa não!-Lana disse e eu ri.
O sinal tocou e acabou com nossa conversa, estava preocupada com Duda, pois não tinha visto ela no refeitório, mas a próxima aula ela não podia faltar, era aula de biologia e Duda amava essa matéria.
—Duda!-Digo espantada quando vejo o olho dela, tava roxo igual uma beterraba. -O que aconteceu?
—Miguel, ele ficou agressivo e me bateu.
—E você não fez nada?Por que não me ligou?Vou quebrar aquele menino. -Nesse momento Lucas entra na sala.
—Quebrar quem?-Ele pergunta me encarando. -Uou!-Ele olha pra Duda. -Já imagino pra quem vou ter que arranjar um velório...
...
Depois da aula, saí à procura de Miguel, mas aquele bebum não estava em lugar nenhum. Minha cabeça estava a mil, só queria espancar esse menino!
—Miguel!-Gritei quando vi ele com outros playboys, fui me aproximando e o medo veio comigo,mas enfrentei.-Você é um idiota!Viu o que fez com Duda?Você tem o que na cabeça? Demente!-Ele só ria junto com aquela cambada de retardados.
—Beatriz, eu bati nela porque ela mereceu e se você continuar com essa palhaçada bato em você também. -Ele disse parando de rir e me encarando.
—Pois levante a mão pra mim que eu te quebro!-Disse continuando com a pose de “macho”.
Eu vi ele levantando a mão,mas na hora do desespero acabei pegando no bagaço dele e apertando com força,não que eu seja atirada,mas o medo falou mais alto.
—Paraaaaa!-Ele gritou que nem uma galinha. -Você vai me deixar estéreo. -Se bem que essa não era uma má ideia...
—Dá próxima vez que você chegar perto de Duda, eu te mato!-Soltei o bago dele e saí, os outros meninos só ficaram rindo.
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