Notas iniciais
Boa leitura S2!

De repente eu me encontrava em meio a um turbilhão de cores convergentes entre si.

Recordei-me o quanto eu odiava viajar de portal e senti minha espinha gelar não só pela desagradável viagem mais também ao lembrar o meu destino, engoli seco, já se passaram alguns segundos, logo eu estaria em Sidhé.

—BASH!

O impacto do meu rosto contra o chão me tira brutalmente dos meus pensamentros.

Cai de cara no chão, sério? m-a-r-a-v-i-l-h-a, não poderia ficar pior...

—Nada como chegar em grande estilo, não é mesmo, Andy?- fala uma voz em tom risonho.

Droga.

Creio que falei cedo demais quando pensei que não poderia ficar pior. Eu seria eternamente zoada por minha recente queda, recomponho-me e me viro mesmo sabendo com quem encontrarei, institivamente joguei-me em seus braços e fui girada no ar.

Hum...ele ainda tinha cheiro amadeirado.

Pelas estrelas! como eu havia sentido falta do Hector.

—E então como foi sua aventura com os normies? Foi como você imaginava?-ele diz após nos desvencilharmos.

—Eu esperava ficar mais tempo por lá, mas em minha curta estadia vivi inúmeras aventuras e contarei em detalhes quando nós três formos beber, assim como nos velhos tempos-disse enquanto tentava soar entusiasmada.

Não seria como antes até meu irmão estar conosco novamente.

—E pode deixar que iremos! e nem pense que me engana, sei que está pensando no desaparecimento do Tristan-fala calmamente.

Ele pega minha mochila e a carrega em seu ombro direito e coloca seu outro braço em volta da minha cintura.

—Você me conhece tão bem, meu amigo. Sabe, me sinto tão culpada por ter o abandonado, abandonado a todos vocês-falo amargamente.

—Não se culpe por algo que te fez tão feliz, além do mais ele sempre quis que você seguisse seu sonho e estava orgulhoso pela sua pequena llwynog ter se rebelado-disse com simplicidade.

—Obrigada, mas mudando de assunto, onde está a Agnes?

—A Agnes está atualmente acamada, por isso ela não veio comigo te receber-o moreno falou em seu tom habitual.

—Como assim acamada? Está doente? Ferida? O que aconteceu?!-digo exasperada.

Oh, perderia minha melhor amiga antes mesmo de reencontra-la.

—Relaxa, Andy, ela só está com uma gripe forte e como você sabe o pai dela é um homem paranoico e controlador. Ele está mantendo nossa melhor soldado em prisão domiciliar até que ela fique curada-fala enquanto revira os olhos.

—Ainda bem que não é nada grave, vou fazer uma visita a ela após eu me instalar em minha casa e preparar uma poção para a sua melhora, aproveitarei a visita para contar a vocês meu plano-falo a última parte em um quase sussurro.

—Mal chegou e já quer se meter em problemas? Essa é minha garota-fala em seu típico tom brincalhão.

Rimos e nos dirigimos a uma carruagem voadora disponível na saída.

Enquanto estava nos ares virei-me para observar o prédio em que estava. Era uma colossal construção de pedra com enormes trepadeiras em toda a sua extensão, havia também luminárias mágicas em alguns pontos da madeira. O rio Esperanza banhava toda a cidade, pontes ligavam um lado ao outro da Capital, sendo estes antes separados pelo grande rio.

Não importava quantas vezes eu já tivesse visto, sempre me encantaria pela paisagem e pela mensagem por trás de tamanha beleza: Há muito tempo, quando o nosso mundo estava em completo caos, esta cidade foi fundada onde antes era apenas mais uma parte da extensa floresta das sombras, na esperança de ali vir a torna-se um lar para os centenas de refugiados da guerra.

Atualmente, a floresta das sombras foi dividida em quatro partes: no centro ficava nossas maiores e mais importantes construções, ao norte localizava-se Montalcyno; lar dos feiticeiros e também conhecida como terra congelada por seu clima sempre ártico, no nordeste ficava Trakai; a morada das fadas e onde a primavera reinava e no restante, e maior porção, ficava a floresta, onde era o lar dos elfos e sua base secreta dos sombras, soldados de elite da Capital.

Hector virou-se e disse:

—Essa é minha parada, passo na sua casa às 20 horas para irmos juntos-fala enquanto nos despedimos.

Ele partiu rumo a divisão, local onde ficava no início da Floresta das sombras, pouquíssimas pessoas além dos elfos sabem a localização das habitações, eu sabia.

Dou um sorriso presunçoso.

Parei entre a floresta e Montalcyno, sendo esta a localização da minha casa. Andei alguns metros e encontrei meu chalé.

Suspiro.

A charmoso como sempre.

Interessante, minhas roseiras estavam tão bem cuidadas...

Até posso imaginar quem cuidou delas em minha ausência e senti um aperto no peito causado pela culpa de não ser merecedora de tamanha gentileza.

Eu o recompensaria por isso depois, sorriu maliciosamente com esse pensamento.

Se bem que ainda temos tanto o que conversar e resolver...

Balanço a cabeça no intuito de afastar tais pensamentos.

Não, não, não era hora para pensar nisso e muito menos resolver meus problemas amorosos, vou tentar ao máximo evitar este momento.

É isto que irei fazer, evitar.

Encaro a construção de dois andares com a fachada em um tom claro de verde, um caminho de pedras azuladas me levava à entrada, havia um pequeno espaço para confraternizações, bancos confortáveis e um balanço, este último era sempre usado por Hector.

Meu amigo era ótimo com enigmas, uma pena que nunca conseguiu descobrir como amadurecer. Pensando bem, se ele fosse diferente não seria o Verona que conheço e amo.

Girei a maçaneta, a casa estava impecável, ele também havia limpado o interior. Que homem, droga, por que ele tem que ser tão, tão... ele.

Tirei meu casaco e o coloquei no gancho, minha sala estava como em minhas lembranças, as paredes em um azul turquesa e decoradas com diversas fotografias minhas com entes queridos, mas havia uma foto especialmente querida por mim.

Na foto estávamos todos do nosso grupo de amigos. Eu estava na ponta e Sweeney ao meu lado segurando minha cintura, Arc estava ao lado do meu ex-namorado e ele, Griffen, Hector e Chris estavam abraçados e visivelmente bêbados, na outra ponta estava Agnes sorrindo sem mostrar os dentes e de braços cruzados.

Dei uma risada da cara de ‘eles vão me dar trabalho depois’ que minha amiga estava fazendo.

Eu amava essa foto, todos estávamos felizes e era uma época tão mais simples...

Passei alguns minutos encarando a foto, droga, acho que vou chorar.

Algumas lágrimas molhavam minhas bochechas, segui em direção ao meu quarto e me fui diretamente ao banheiro da suíte. Antes tomar banho encarei-me no espelho. Olhos vermelhos, cara inchada, e roupa amassada, eu estava um horror.

Sequei as lágrimas, chega de choro.

Entrei na banheira e afundei.

Será que ela vai gostar de me ver? Af, é claro que vai. Independente de tudo somos irmãs de alma.

Nossa, faz tantos anos que a conheço. A garotinha que eu encontrei na floresta após eu ter fugido de casa, ou foi ela que me encontrou? Acho que nos encontramos, nós três, Hector estava com ela.

Sorri enquanto visualizava a cena do nosso encontro. Eu perdida. Ela treinando arco e flecha. Ele no topo de uma árvore comendo uma maçã.

Após terminar meu banho vesti um vestido verde musgo de mangas e que possuía detalhes em dourado, era rodado e com um tecido grosso, coloquei uma meia calça branca e meus coturnos pretos. Em seguida, fui em ao meu laboratório e busquei uma poção para gripe.

D, E, F,G, pingo! Poção para gripe.

Coloquei-a na bolsa, e me dirigi ao sofá para esperar o Verona, ele chegou pontualmente às 20 horas, assim abri a porta ele abriu um largo sorriso e disse com uma voz pomposa:

—Pronta, minha cara senhorita Hinxtone?- falou enquanto fazia uma reverencia teatral e beijava as costas da minha mão.

—Sim, estou pronta meu nobre cavalheiro- falei após me curvar.

Ele me vendou e depois segurou meu braço afim de me guiar, seguimos nosso trajeto:

—Para que a venda se já sei o caminho?-questionei.

—Agora sou um soldado e tenho que seguir as regras, caso contrário, o capitão não pegaria leve com minha punição, apesar de eu ser seu sobrinho favorito-fala brincalhão.

Ri, não sei quem ele queria enganar com a parte do sobrinho favorito...

Se bem que é difícil saber quando o senhor Verona gosta de algo ou alguém, ele era sempre tão estoico.

—Claro-ironizei.

Tropecei duas ou três vezes, depois seguimos de barco pela última parte do caminho, quando enfim chegamos ele tirou minha venda.

Sempre adorei a arquitetura élfica, acho muito interessante o fato de suas casas serem nas árvores e na maioria das vezes dentro delas, a casa da Agnes era em forma de cone e feita de madeira, havia uma escadaria que levava até a construção cheia de janelas.

—O tio Joe está na ronda noturna hoje, então nós três teremos mais privacidade para conversar e fofocar-diz em tom conspiratório enquanto caminha em direção à entrada.

Tocamos a campainha três vezes e não obtivemos nenhum resultado.

—Será que não tem ninguém em casa?-pondero.

—Impossível, o pai dela a proibiu de sair até melhorar-pausa para observar a casa- além do mais as luzes estão acessas-fala enquanto aponta para a iluminação.

Após falar isso ele verifica se a porta está aberta e ao ter a confirmação ele a abre.

Mas o que esse louco estava fazendo?!

—Isso não se enquadraria em invasão de propriedade? Onde está o assíduo seguidor das leis?-digo com sarcasmo.

—Sou da família, posso entrar e você é minha acompanhante e nossa amiga de longa data-fala enquanto dá os ombros.

—Então tá bom, qualquer coisa digo ao Joe que a ideia de invadir a casa dele foi sua-revelo.

Adentramos o local e não encontramos ninguém no andar de baixo, nos dirigimos a cozinha e logo após fazermos isso ouvimos um barulho vindo do andar de cima, lhe lanço um olhar assustado, logo ele se põe em minha frente e sussurra:

—Esta vindo do andar de cima, vamos para lá, Agnes pode estar precisando de nossa ajuda.

Concordo com a cabeça e subimos a escadaria.

Por via das dúvidas eu fico repassando mentalmente uns feitiços, vai que era um daemon e precisaríamos entrar em uma luta.

Quando chegamos ao andar de cima ouvimos novamente um barulho, parecia algo quebrando e dessa vez localizamos especificamente de onde vinha o som. Estava vindo do quarto da Agnes.

Merda.

Espero que ela esteja bem, mas sei também que ela sabe muito bem como se defender.

Abrimos furtivamente a porta que encontrava-se destrancada, quando o seu interior foi revelado ficamos paralisados com a cena a nossa frente.

Pelas estrelas! aquilo ficaria guardado para sempre em minha memória.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.