Entre os mundos
20 De volta a realidade
Notas iniciais
Dois meses
dois meses desde que e o mundo ficou sabendo que eu sobrevivera ao acidente.
Era incrível como minha vida ficara sufocante, as entrevistas, as pessoas a minha porta me dizendo que sentiam muito pelo que ocorrera a mim e ao meu piloto, Adam era o nome dele, meu advogado queria processa-lo, mas eu não deixei, alegando que a culpa havia sido minha, pois havia mesmo, se eu não agisse como uma criança mimada que quer tudo isso nunca teria acontecido.
– mikaella? — Ben tocou minha cocha — você está longe de novo.
– estou não é? — brinquei.
Mas era verdade, isso andara acontecendo muito ultimamente, eu sempre ficava parada olhando pro nada e de repente me pegava pensando nele, no seu cabelo, sua boca, seus braços, a forma que seu rosto tomava quando estava bravo comigo, o que acontecia o tempo todo quando eu estava por lá.
E essas eram as piores partes do meu dia, quando me sentia completamente inútil e desnecessária, como se em lugar algum eu me encaixasse. Toquei o cordão ao meu pescoço, onde a semente fluorescente ainda brilhava incessantemente.
Senti que uma pergunta foi direcionada a mim e voltei a realidade.
Eu estava num quaro de hotel no canada, numa coletiva de imprensa, todos eles queriam saber sobre o "acidente", sobre o filme e sobre nossa vida pessoal, perguntaram quando iriamos ficar noivos ou se íamos ser alguma novidade que iriamos ter para o próximo ano, tocaram até no assunto de filhos. Tive que me segurar para não rir, minha relação com Ben estava totalmente melhorada, é claro que isso se deu ao fato dele e ter terminado aquele namoro, mas não chegamos ao ponto de termos algum tipo de relacionamento, pelo fato de eu sempre me afastar dele, não era do meu feitio tentar esquecer um homem ficando com outro, e Aaron não era o tipo de macho que se esquece facilmente.
– E então mikaella — um reporte chamou minha atenção — fiquei sabendo que vai ter que voltar a Rússia para terminar o filme, você está com algum tipo de medo?
Pensei por alguns segundo enquanto mexia no meu cordão.
– não — fui sincera — a Rússia é um pais maravilhoso e me trouxe uma experiência única, com certeza será um prazer voltar.
– falando em voltar — minha empresaria interrompeu — a entrevista está encerrada, temos um avião para pegar.
Cumprimentei a todos, tirando fotos e dando autógrafos eles se foram, antigamente eu não faria isso, mas como minha empresaria costuma dizer, eu me tornei outra pessoa, que aquela experiência me trouxe de volta a realidade, mal sabia ela que na verdade foi a fantasia que me modificou.
– mikaella vamos — Ben pegou a mala — temos que pegar o avião.
– não acredito que me convenceu a ir de avião até a Rússia.
– não vamos morrer mikaella.
– eu sei que não, um raio não cai em dois lugares — sorri.
– na verdade....
– cala a boca bem — bati no braço dele — se terminar essa frase eu nunca vou entrar naquele avião.
Nós fomos até o avião, na primeira classe, e foi realmente engraçado, falei com todo mundo, brinquei com as crianças, dei autógrafos e descobri que era algo realmente divertido ficar com os fãs, eles tem um carinho enorme para dar a aqueles que dão apenas alguns minutos de atenção, e isso fazia tudo valer a pena.
Quando chegamos na Rússia ela estava exatamente do jeito que eu a deixei, fria e linda, senti um arrepio me subir a espinha.
Quando cheguei ao meu quarto de hotel estava me preparando para a chegada da equipe de arrumação, quase ri quando me lembrei da reação de Cristian quando viu meu cabelo com o novo corte, ele quase desmaiou, mas eu acabei gostando do corte mais justo.
A porta se abriu e a equipe entrou.
– Bom dia gente – sorri.
– ai meu deus – Cindy chegou perto de mim – quem é você e o que fez com a Senhorita sulivan
– por favor assim vou me sentir horrível.
– você era horrível – eles sorriram – mas sente-se senhorita, gosto de você agora.
Eles me arrumaram de uma forma mais simples e eu gostei bastante, estava com uma calça de couro preta e um blusa azul celeste com brilhos e uma jaqueta de couro, o que destacou meus olhos e deixou meus cabelos bonitos, ele estava uns trinta centímetros menores para ficarem alinhados mas estavam bons.
– Meu deus você está divina – John se aproximou.
As vezes chega a ser irritante ter dois empresários, mas eu os amo.
– obrigada – agradeci de verdade – vamos?
– temos algumas coisas para resolver antes da estrela aparecer – ele pareceu envergonhado. – eu espero então.
O telefone começou a tocar e atendi correndo achando se Ben.
– senhorita sulivan, você tem uma visita — o recepcionista falou – acho que é uma fã, desculpe interromper, mas ela não quer sair.
John estava escutando pelo outro telefone e se irritou
. – seu idiota – ele me assustou com seu tom – todos os fãs vão querer falar com ela e vão dizer que a conhecem.
– eu sinto mu...
. – é apenas uma menina? – interrompi.
– sim senhora, ela é estranha. – não entendi
– tem cabelos brancos, e não me parece pintura. — ele murmurou.
Meu coração começou a bater de forma acelerada, não podia ser.
– deixe-a subir.
– sim senhora.
Meu coração estava aos pulos, pedi que todos saíssem e meu coração estava aos pulos, fiquei andando de um lado para o outro tentando me convencer o quão idiota eu estava sendo.
Bateram na porta e meu coração estava saltando no peito, abri e minhas pernas desfalecer.
– meu deus, Brisa – sussurrei.
– como vai Mayaan? – ela sorriu para mim e as lagrimas desciam pelo rosto de anjo – senti tanto sua falta minha irmã não de sangue.
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