Entre os 7 mares.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura e até o final.
O vento batia em meu rosto, o gosto salgado do mar predominava minha boca. Estava a caminho do reino e Arzalum nas ilhas do sul, para um casamento arranjado, já que meu reino Pikefall e o de Arzalum está em uma guerra interminável e fora de negociação de paz meu pai e o rei do outro reino propuseram um casamento entre mim e a princesa Alicia.
Nunca a vi para ser sincero, e acho que essa casamento é uma tremenda bobagem, quero ser livre e conhecer o mundo não quero me prender em alguém ainda.
-vossa alteza, desça daí o senhor pode acabar se machucando!- Martin- meu braço direito- estava me avisando.
-sei o que faço Martin, não precisa se preocupar!- o respondi continuando a olhar aquela linda imensidão azul escura.- a vista daqui é linda.
Meu pai o rei, pediu para Martin me acompanhar nessa viagem . já que ele esta com medo de que eu fuja dessa “responsabilidade” que por acaso não é minha. Já estava realmente na hora de seguir minha vida, era esse o pensamente que tinha em minha mente antes de meu pai me falar que iria me casar com Alicia.
Já estava escurecendo, então resolvi sair do mastro e me juntar a Martin.
- jovem príncipe , não quer se juntar a nós essa noite e ouvir nossas historias?- um homem velho, corcunda, baixinho com um cachimbo na boca perguntou-me.
-que tipo de historias?
-historias de marinheiros, senhor.- isso pode ser muito interessante..
-claro por quê não?!
O segui e me deparei com uma roda entorno de um lampião, onde a única chama de fogo dançava alegremente. Todos estavam com copos cheios de rum, alguns riam sobre alguma coisa e outros apenas se encaravam.
-rapazes irei contar uma historia que aconteceu comigo há muito tempo atrás- o homem barbudo começou a falar- vocês acreditam em seres aquáticos? Mais conhecidos como o povo do mar ou sereias como alguns preferem.
-isso é apenas um mito- Martin falou ao meu lado.
-para você pode apenas ser um mito, isso ate você realmente encarar um de perto- o homem apontou para Martin usando seu copo velho e acho que enferrujado.- acho que fazem uns dez ou trinta anos, foram nessas mesmas águas que aconteceu. Perto das ilhas do sul, avistei uma linda mulher com sua pele e cabelos reluzindo na luz do sol, como belas pedras preciosas. Não conseguia não encará-la, era o ser mais lindo que vi em toda minha vida. Ela estava sentada em uma pedra perto da margem da praia, continuei meu trajeto, assim que cheguei em terra firme comecei a correr em direção a aquele lindo ser. Assim que consegui chegar mais perto, quando estava quase tocando-lhe o ombro, ela se virou assustada e pulou na água. Quando pude ter plena certeza do que tinha acabado de presenciar, percebi que a bela dama no lugar das pernas tinha barbatanas.- ele suspirou- depois disso nunca mais a vi, mesmo tendo a procurado no mesmo lugar por anos.
-realmente essa historia seria de se admirar, claro se ela fosse realmente verdade .- olhei para o lado e vi Martin com um feição meio estranha, ele não estava acreditando nas palavras do homem- vamos vossa alteza.
Ele se levantou e ficou me esperando.
- vá você Martin, quero ficar e ouvir as historias. Quando sentir sono irei me deitar não se preocupe- o mesmo aceitou minha decisão, mesmo não demonstrando isso.
Passei praticamente metade de minha madrugada ouvindo as historias. Aos poucos os marinheiros foram se despedindo e outros caindo após beber muito. Não demorou muito para perceber que era apenas eu acordado naquele barco. Me dirigi novamente para o mastro principal, o céu estava estrelado a única coisa que podia ser ouvida era o barulho do mar, minha respiração e ate mesmo alguns dos roncos dos marinheiros que estavam caídos no chão. Fechei meus olhos relaxando aos poucos, ate que ouso um bater meio que desesperado na água.
O mar estava calmo por isso que ate estranhei esse barulho, deveria ser algum golfinho ou ate mesmo algum peixe desconhecido. Claro isso logo foi descartado assim que ouvi vozes vindo da água me debrucei na cerca de proteção do mastro e olhei para o mar e não consegui identificar nada, afinal as águas estavam escuras por causa da noite.
-olá?!- perguntei olhando ao redor.- estão precisando de ajuda?
O silencio foi a única resposta que tive, será que estou ficando louco?
- acho que agora o senhor acredita mais em mim jovem príncipe, quero dizer acredita realmente em mim.- olhei para baixo e vi que o mesmo homem que estava contando a historias mais cedo daquela noite, então desci para poder conversar com ele.
-sinto-lhe muito por isso, mas qual o seu nome?- perguntei
-Augustus senhor, Augustus Hallen- Augustus falou se curvando para mim.
-volte a sua posição senhor Hallen- falei e o mesmo se endireitou.- acho que estou ficando louco.
-não senhor, o senhor não esta enlouquecendo. Esta apenas tendo a experiência de ter um misero contato com o povo do mar. Como lhes disse mais cedo, eles existem e nós podemos perceber se prestarmos total atenção ao nosso redor.
Olhei novamente para aquela imensidão que agora estava escura sentindo o vento batendo em meu rosto me dando um sensação esquisita, uma sensação de estar sendo observado.
Meio intrigado fui em direção a meu suposto “quarto” Martin já estava no décimo sono, não quis acordá-lo então só me deitei e tentei descansar. Acordei acho que duas ou três horas depois com um grito de um marujo.
Sai do cubículo onde denominei “meu quarto” por um mês, andei ate o lado de Augustus e pude ver o meu destino, nem tão perto nem tão longe.
-jovem príncipe- Augustus me chamou ainda encarando a ilha- só lhe digo uma coisa, tenha cuidado.
Estava o encarando estranhamente.
- com o que?- perguntei curioso, ele apenas deu um sorriso de lado e encarou o mar. Olhei para o mesmo lugar que ele encarava.
-com o povo do mar- falou e pulou na água.
-ajudem!- gritei- Augustus se jogou ao mar.
Todos pareceram não me escutar, comecei meio que a ficar desesperado. Será que ninguém iria salva-lo? Comecei a ir atrás de Martin, sai praticamente esbarrando em tudo e todos.
- Martin, um homem se jogou ao mar!- ele me encarou preocupado
-como assim senhor, toda a tripulação está aqui.
-não Augustus, se lançou ao mar- falei meio que exasperado
-senhor, seu pai que escolheu a tripulação e eu estava ao lado dele nessa hora. Ninguém denominado Augustus foi admitido nesse barco.- falou me encarando estranhamente- o senhor deve estar meio cansado depois de tanto tempo nesse barco, por que não se deita?
Deixei Martin para trás e voltei para o lugar onde Augustus se jogou, e uma brisa passou por mim. Nesse meio tempo de vento jurei que pude ouvir um sussurro que dizia o seguinte:
-o povo do mar é traiçoeiro jovem príncipe, eles podem criar a mera ilusão de uma coisa inexistente, mas outros conseguem abrir seus olhos para a realidade.- assim que a brisa passou resolvi seguir o conselho de Martin e fui deitar um pouco, afinal devo estar cansado desse barco e estou vendo coisas.
Notas finais
até o próximo pessoal! :D
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