Entre o ódio e o amor
2 Capítulo Dois.
Notas iniciais
Beatrice
Saio da minha aula de dança contemporânea e vou até a lanchonete ao lado da academia. Escolho meu lanche e vou para uma mesa com dois lugares, a única que resta na lanchonete. Me sento e espero meu pedido chegar, enquanto isso mexo no celular.
— Oie! — desvio meus olhos da tela e encontro uma garota lá da escola. Ela é a Lynn, uma garota meio imbecil que a maioria das pessoas evitam pois só sabe falar de signos e astrologia.
— O que você quer, louca do horóscopo? — pergunto entediada bloqueando meu celular.
— Posso me sentar aqui com você?
— Não, não pode — respondo e ela se senta.
— Ai — ela da um suspiro — Que bom que eu te encontrei aqui, não queria ficar em pé no balcão. Muito bom encontrar amigos em lugares...
— Psss— interrompo ela — Não somos amigas!
— Não? Achei que... — dou um olhar 43 e ela se cala — Nossa, que olhos bonitos você tem. Não sabia que eles eram verdes assim, você sempre usa óculos. E essa roupa de academia? Você malha? Seu cabelo também é muito bonito, deveria soltar ele sempre. Você é tão bonita fora da escola, já pensou em ser líder de torcida? Os garotos iam pirar! — ela fala tudo muito rápido e me enfurece.
— Cala boca! — grito — Se não quiser sair daqui aos tapas acho bom ficar quieta e parar com tanta pergunta inconveniente — Lynn me olha assustada.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Não.
— Ta... E, sabe o Al? Albert...
— É gay — olhei para ele que ficou assustada — A, qual foi? — perguntei — Você não sabia que ele é gay? Haha. Você é muito idiota mesmo — Ela abaixou a cabeça.
— Seu signo é Áries, né? — pergunta baixinho e eu concordo com a cabeça de saco cheio — Eu deveria fugir mesmo de você. Arianos não são do tipo de pessoa que... bem, eu já vou — ela se levanta e sai quase correndo.
— Deveria ter falado meu signo antes — reclamo rindo sozinha.
Logo meu lanche chegou. Comi sem pressa e voltei caminhando até chegar em casa. Olhei na garagem, os carros não estavam lá, provavelmente eu estava sozinha mais uma vez já que aos sábados a velha Jea faz yoga, a empregada tira folga, meus pais trabalham e o Caleb tem treino. Joguei minha bolsa na mesa depois conectei meu celular na caixa de som; deixei na música Sugar — Robin Schulz — tocando.
Tirei minha sapatilha e rodei ela pra cima ao ritmo da musica, assim fiz com a minha blusa, fiquei apenas com meu short saia Preto e com meu top Branco Nike. Pulei no sofá, cantei a música bem alto, fiz até o barulhinho dos instrumentos e do toque de fundo.
Logo fui andando e dançando com passinhos doidos até a cozinha, chegando lá abri a geladeira e me abaixei para pegar uma garrafa de suco de uva lá em baixo, balancei meus glúteos e depois subi abrindo a garrafa e tomando no bico.
Me virei ainda com a garrafa na boca, fechei a geladeira atrás de mim com o pé e quando tirei da boca vi na porta da cozinha a turma de babacas do Caleb. Entre eles o garoto que espanquei ontem e Christina. Todos me olhavam surpresos, só consegui me virar de costas e ir para trás da bancada da pia no meio da cozinha que tampava da minha cintura para baixo, fiquei ali agachada e escondida. Logo levantei apenas a cabeça.
— O que esses idiotas estão fazendo aqui? — perguntei bem alto — Vai todo mundo embora da minha casa!
— Você manda bem, Beatrice! — Peter disse zombando.
— Não perguntei! Vai pro inferno e sai da minha casa — gritei.
— Quer ser meu cunhado não, Caleb? — Quatro zombou. Peguei a vasilha de ferro que estava na pia e joguei na direção deles que gritaram e me chamaram de doida.
— Não provoca, Quatro! Gente, espera lá fora por favor — Disse Caleb e então eles saíram olhando para trás e rindo — Você tem dez minutos para sumir no seu quarto ou para sair de casa — ele falou. Me levantei e encarei aqueles olhos tão parecidos com os meus.
— Se eu quiser ficar aqui eu fico, eles que não tem o mínimo direito de ficar aqui. Vão fazer as merdas que vocês fazem em outro lugar ou eu chamo a Polícia e digo que vocês tem drogas! — Disse.
— Beatrice! — ele gritou — Você é a pior irmã do mundo, não devia ter nascido... — ele estava cada vez mais vermelho enquanto eu carregava comigo um sorrisinho leve no rosto — Como eu te odeio! — disse por fim socando o portal da cozinha.
— Problema seu, eu não ligo — dei de ombros — O recado está dado. Eles não entram e eu não saio — peguei a garrafa de suco e fui para a sala pegar minhas coisas. Logo subi para o meu quarto.
Chegando lá em cima abri a janela do meu quarto e coloquei parte do meu corpo para fora, fechei os olhos e senti aquele ventinho me refrescar.
— Que paisagem bonita! — alguém gritou. Abri os olhos e vi que todos ainda estavam lá em baixo. Me enfureci.
— Eu não mandei vocês de volta para o inferno de onde vocês vieram capetas? — perguntei com raiva.
— Se liga garota! — uma loirinha disse e todos riram — Você não manda na gente.
Entrei pro meu quarto de volta, peguei a garrafa de suco que tinha trazido e preenchi o que havia tomado com água.
Voltei pra janela e comecei a jogar o conteúdo da garrafa em cima deles que gritaram e se irritaram.
— Eu mandei ir embora não mandei? — Eu disse enquanto me encaravam com raiva.
— Beatrice! — gritou Caleb com raiva — Sua idiota!
— Vai pro inferno você também, Caleb — joguei a garrafa lá em baixo e e ouvi o barulho de vidro quebrando. Peguei minha toalha e fui tomar um banho.
+++
Era noite, lia um livro no meu quarto — caixa de pássaros— e então bateram na porta.
— Não pode entrar, estou ocupada lendo meu livro — respondi sem perder a concentração.
— Beatrice, abra a porta — Era minha mãe. Sua voz estava abafada atrás da porta.
— Aff— rolei da cama e cai de bunda no chão. Logo me levantei e destranquei a porta dando passagem para minha mãe — O que foi? — logo o Caleb entrou atrás dela — Vaza daqui pela-saco! — empurrei ele.
— Beatrice! — minha mãe brigou — Deixe ele entrar — permaneci com a mão em seu peito — Agora!
Resmunguei, achei ruim, quis bater nele mas deixei que ele entrasse no meu cafofo.
— Seguinte... sentem os dois — ela permaneceu em pé andando de um lado para o outro com sua postura impecável enquanto eu deitei na cama e Caleb sentou nos pés da cama com medo de ser chutado — Olhem, eu e o pai de vocês conversamos muito sobre o comportamento de vocês e chegamos a uma conclusão. Não dá pra ficar nesse pé de guerra, vão fazer dezoito anos consecutivos que vocês brigam direto! Não dá! — ela respirou fundo.
— E? Vai colocar a gente no cantinho da disciplina? Cortar mesada? — perguntei sem dar importância. Caleb me olhou e deu um sorrisinho bobo como se tivesse achado graça. Natalie me olhou com reprovação.
— Sim, vocês vão ficar de castigo. Mas o castigo não vai ser nada do que vocês estão pensando. Primeiro que estarão livres para fazer o que quiserem, desde que não seja algo fora da lei, claro e também vão ter que estar na companhia um do outro.
— Quê? — perguntamos juntos e sem entender.
— Isso mesmo. Beatrice vai ter que acompanhar Caleb onde ele for e Caleb vai ter que acompanhar Beatrice onde ela for — minha mãe sorriu satisfeita — Vocês terão de ficar juntos sempre, menos na hora do banho e na escola até porque né...
— Não mãe, ela vai me matar! Semana passada ela bateu no meu carro, hoje quase me acertou uma garrafa de vidro, imagina o que ela vai fazer? — Caleb se desesperou.
— Exatamente por isso vocês vão ficar juntinhos como dois irmãos que se adoram até eu perceber que vocês merecem sair do castigo. E você senhorita que joga garrafas de vidro da janela, vê se controla seus nervos! — ela brigou — Não acertou ninguém, mas poderia ter acertado!
— Né — concordei decepcionada — Podia ter jogado mais...
— Olha aí mãe, está vendo? — Caleb acusou — Além de me matar ela vai matar meus amigos!
— Não vai não — ela disse firme — Ela vai saber se comportar, do contrário terá uma grande surpresinha...
— Você está dizendo que eu vou ter que andar com aquela turma de imprestáveis como o seu filho e com seu filho? — mudei de assunto e ela me olhou com reprovação concordando com a cabeça — Não vou fazer isso — sorri com sarcasmo.
— Ah você vai sim. Claro, se quiser o seu carro de volta e se ainda quiser um cachorro e se quiser continuar na academia também... Ah, se quiser dinheiro...
— Golpe baixo! — me sentei na cama.
— E o que a gente ganha com isso? — perguntou Caleb.
— Dinheiro para a faculdade, no seu caso, o carro de volta e a liberdade. Mas pra isso, queremos que realmente se resolvam, que sejam irmãos de verdade. Começando de agora, vou emprestar meu carro para vocês, vão ter que dividir ele, o cartão de crédito de vocês, bloqueamos, agora vocês tem esse que por um acaso não é sem limites — ela colocou o cartão em cima da minha escrivaninha — Não vai ter mesada então saibam dividir! Bem, espero que se resolvam — ela da um beijo nele, em mim e sai do quarto.
— Well come to hell— digo olhando para Caleb que faz cara de desentendido. Reviro os olhos e traduzo — Bem vindo ao inferno, retardado.
— Tá, tá... É muito simples, nós só precisamos fingir que nos gostamos — ele da de ombros — Isso não vai durar muito, nossos pais nunca levam castigo a sério.
— Não vai dar certo — minha mãe aparece na porta — O castigo dura três meses, mas pode durar mais, tudo depende do comportamento de vocês e nem tentem me enganar porque eu sou a mãe de vocês e não o pai. Boa noite anjinhos da mamãe.
— Droga! — gritei.
— E não adianta ir falar com sua pai Bê, a ideia foi dele — Ela piscou e saiu.
— Tudo culpa sua! — ele acusou — Se você não fosse tão chata a gente não ia brigar tanto e não teríamos que ficar de castigo!
— Minha? Você é que faz de tudo para ficar me provocando junto com aqueles seus amigos chatos! — gritei de volta.
— Agora eles são chatos né, porque antes, quando você namorava escondida com o Uriah...
— Cala sua boca! — gritei histérica — Não fala daquele maldito, não se mete na minha vida.
— Você nem devia ter nascido! — ele se levantou alterado.
— Fala isso para os nossos pais, eles que fizeram o movimento eu não tenho culpa de ter aparecido por acaso na sua vida! — apontei na cara dele.
— Te odeio — ele disse mais calmo saindo do quarto.
— Recíproco! — rebati.
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