Entre o ódio e o amor
5 Capítulo Cinco.
Notas iniciais
Beatrice
— Por favor, Beatrice! Eu fui na droga do seu balezinho hoje! — Caleb insistia fazendo bico como se eu fosse a minha mãe que caia na cara de coitado dele.
Hoje é sábado, fui pra aula de dança com a Nita e Caleb foi junto. Não parava de dar em cima dela e quando chegamos caiu matando em cima das outras garotas de lá.
— Não é balezinho! É dança contemporânea, ignorante sem escrúpulos.
— Tá, não importa. Anda logo Beatrice, vamos! — revirei os olhos.
— Quanta gritaria! — minha avó apareceu na cozinha enquanto discutíamos — Beatrice aproveitando que não irá a festa, hoje nós vamos conversar seriamente...
— Eu vou com você irmãozinho! — fingi estar animada. Caleb sorriu pra mim e balançou a cabeça. De jeito nenhum ficaria em casa ouvindo os ensinamentos de ética da velha Jea.
Corri para o meu quarto, me enrolei no meu roupão roxo e fofo já que estava com pijama; peguei meu livro em cima da cama e peguei doces e besteiras no meu frigobar. Coloquei tudo na mochila e calcei minha pantufa azul de monstro, logo desci as escadas escorregando pelo corrimão. Caleb estava todo arrumado e me estranhou.
— Festa do pijama? — perguntou minha mãe enquanto mexia em seu celular esticada sobre o sofá da sala.
— Você não pode ir assim pra festa! — protestou Caleb.
— Quem disse? — impliquei — Vamos logo, antes que eu mude de ideia — Caleb olhou para a minha mãe como quem pedia socorro e ela sorriu dando de ombros.
— Ótimo, assim nenhum garoto vai olhar pra você — disse meu pai chegando em casa e me dando um beijo na testa. Logo cumprimentou Caleb também.
— Na verdade todos vão olhar porque onde já se viu ir a festa assim? — perguntou Caleb.
— Até parece que não conhece sua irmã — disse minha mãe — Boa festa, crianças; nada de drogas nem bebidas nem sexo!
— Quantos anos você acha que a gente tem? — perguntei irritada mas ela apenas sorriu.
— Beatrice! — disse meu pai e eu bufei.
— Que foi?
— Tá levando sua bombinha?
— Para pai! Eu não tenho mais essas crises, que coisa...
— Beatrice quem é o Médico aqui?
— Você...
— Então pronto, leva uma bombinha.
— Tem uma no carro filha — disse minha mãe.
— Ótimo.
Sai de casa e entrei no carro. Logo Caleb entrou também.
— Você só me faz passar vergonha!
— Relaxa, não vou entrar na festa — Eu disse.
— Mas e se a mamãe...
— Ela não vai descobrir idiota, você não sabe mesmo como enrolar a mamãe em? — revirei os olhos — Vou ficar dentro do carro enquanto você se diverte, você acha mesmo que eu ia entrar naquela festa de drogados, merdinhas, fracassados, prostitutas...
— Tá bom, Beatrice — ele disse sem saco e então ligou o carro e começou a dirigir em direção a festa.
Chegamos até a festa na casa de Zeke. Caleb estacionou o carro na frente da casa do vizinho e saiu arrumando o cabelo. Fiquei lá dentro escutando um som na rádio enquanto esticava minhas pernas até o painel e comia umas balinhas de gelatina. O som da festa não estava incomodando mas eu realmente gostaria de ir até lá e desligar a música só pra causar discórdia.
Era mais de meia noite, gente entrava e saia mas nada do Caleb. Tentei ligar pra ele mas o celular dele estava no carro. Deitei o banco do motorista onde eu estava sentada e fechei os olhos, iria dormir ali mesmo. Logo ouvi um toc toc na janela. Me levantei de pressa e quando olhei para o vidro do outro lado vi Quatro sorrindo. Me deitei de volta e dei um tchauzinho para que ele fosse embora mas o palerma insistiu.
— Que foi derrotado? — disse destravando a porta.
— Curtindo a festa? — ele abriu a porta sorrindo e se sentou bem na ponta do banco, logo fechou a porta e abaixou o banco ficando do mesmo jeito que estava. Olhei bem na cara dele — Trouxe pra você — ele me deu uma garrafa de vodka e um copo vermelho, logo ascendeu a luz.
— Meu filho vamo ligar o desconfiômetro! — ele riu — Não vou aceitar. Não insista.
— A, qual é? Não confia em mim?
— Preciso responder? — ele deu de ombros e abriu a garrafa, logo começou a dar umas goladinhas.
— Aaah, quase ia me esquecendo! Por um acaso você que colocou meu celular pra despertar às três e meia da manhã? — perguntou me olhando. Me deitei no banco e fechei os olhos.
— Eu não.
— Não acredito.
— Problema seu, não fui eu.
— Olha nos meus olhos e diz que não foi você — abri os olhos, me levantei e cheguei o rosto bem perto do dele.
— Então quer dizer que funcionou — comecei a rir e ele me olhou indignado.
— Sabia! — acusou — Tinha que ser você. Quando o meu celular despertou e eu vi a hora já sabia que era coisa sua! — continuei rindo — Maldade acordar alguém três e meia da manhã — reclamou como uma criancinha.
— Você mereceu — disse olhando pra ele que sorriu.
Ficamos em silêncio por um tempo e percebi que ele não tinha saído do carro.
— Vai ficar aqui, folgado?
— Sim. A festa está... chata.
— Fugindo da Christina — completei e ele concordou com a cabeça — Porque você simplesmente não fala pra ela?
— Não acha que eu nunca tentei?
— Não — dei de ombros e me encostei novamente no Banco.
— Eu não gosto dela como ela quer que eu goste então eu fujo.
— Belo jeito de dizer pra alguém que não quer sua companhia — Eu disse.
— Melhor do que tirar as pessoas e bater nelas e ofender elas — ele disparou.
— Calaboquinha— disse baixinho colocando o dedo em frente a boca.
O assunto morreu por longos segundos novamente até que eu decidi me manifestar me sentando normalmente.
— Muito legal da sua parte querer ficar comigo aqui no carro em vez de ir curtir a festa — encostei o rosto nos meus braços repousados no volante enquanto eu olhava pra ele. Ele me encarou por longos segundo mas eu nem me importei, estava com sono.
— Na verdade, só estou aqui pelo ar condicionado porque vamos combinar: querer te fazer companhia não é uma coisa muito sensata — ele disse extrovertido e eu sorri. Ele me encarou com os olhos semicerrados. Quatro ficava maior que eu até sentado e envergado — Eu sei que estou prestes a levar uma patada ou uma surra mas... você não fica tão ruim sem óculos.
— Esse é o seu jeito de falar que eu estou bonita? — sorri sarcástica — Não vou te bater, só porque estou cansada e com sono e com preguiça.
— Ótimo! — ele comemorou.
— Mas não abusa! — apontei o dedo para ele que se rendeu e sorriu.
— Sabe, eu sou amigo do Caleb a um bom tempo, já tinha te visto assim de longe muitas vezes e a gente nunca tinha se conhecido.
— Graças à Deus — desabafei sorrindo e ele balançou a cabeça também sorrindo
— Mas nem pense você que a gente tá começando começando ser amigo! — disse.
— Eu achei que...
— Achou errado — completei e ele se calou.
Quatro permaneceu calado olhando pra cima e deitado no banco enquanto tomava sua bebida por um longo tempo e eu agradeci. Não queria socializar com ele, ficava mais legal calado e quando não estava falando abobrinha.
— Você não gosta de festas? — quebrou o silêncio.
— Gosto.
— E porque não quis entrar?
— Porque eu gosto de festas, não de comemorações de gente fracassada.
— A então qualquer dia me leva em uma festa de verdade? — pediu.
— Vou pensar no seu caso... pensei! Não - fui ligeira com as palavras e ele me olhou feio — Não tenho medo de cara feia, nem de gente feia então não vai achando que eu tenho medo de você.
— Você me acha feio? — ele perguntou. Olhei bem pra ele, para cada traço em seu rosto enquanto ele me encarava de volta com seus olhos passeando pelo meu rosto. Quando estava prestes a dar a resposta a porta ao seu lado abriu.
— O que vocês estavam fazendo sozinhos aqui no carro? — Caleb, que estava levemente alterado fez uma cara de susto. Quatro me olhou, eu o olhei e então olhamos para Caleb que sorria.
— Nada — respondemos juntos.
— Você drogou a minha irmã? Porque não está machucado? — perguntou passando as mãos na testa dele. Quatro bateu em Caleb e depois sorriu me olhando.
— Você quer ajuda pra levar seu irmãozinho pra casa? Vai ser uma honra...
— Pina daqui, Quatro — empurrei ele sorrindo — Entra logo Caleb.
Caleb entrou no carro, ajeitei meu banco e dei partida no carro. Quatro bateu no vidro e Caleb abaixou ele.
— Caleb, avisa pra sua irmã que eu quero uma resposta — Ele disse sério mas eu sabia que estava brincando então comecei a dirigir até em casa ignorando aquilo.
— O meu amigo Quatro — disse Caleb brisado.
— Tá, tá, eu já ouvi... Mas é... Onde foi ontem a noite? — perguntei.
— Ontem? — perguntou ainda brisado.
— Eu vi você saindo de casa em uma camionete azul ontem. Eu estava em cima do telhado, achei que detestasse capuz.
— Não se mete na minha vida — respondeu arisco mas brisado. Devia ter bebido bastante.
— Nem quero. Mas só digo uma coisa, cuidado com o que você faz, nossos pais gostam muito de você, não alopra com eles — fui sincera e Caleb não disse mais nada.
Chegamos em casa, as luzes estavam apagadas. Fui para o meu quarto, Caleb foi para o dele e então tirei o roupão e me joguei na cama.
— Beatrice — Caleb me assustou abrindo a porta — Eu sei o que eu faço — ele disse.
— Para o seu bem e para o de todos, espero que sim — nos olhamos por longos segundo e então ele saiu fechando a porta.
Desliguei meu abajur e tentei dormir mas sempre me vinha na cabeça a cena do ridículo do Quatro me chamando de bonita descaradamente — eu odeio quando me chamam de bonita ou de linda, principalmente quando esse alguém é tão parecido com... aff.
Mas e a resposta que eu iria dar à ele. Quatro é bonito? Foi o a única coisa que eu pensei até cair no sono.
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