Entre o rio
28 Conexão intrigante
Notas iniciais
Angústia. Desde aquele fim de tarde no cemitério é o que mais sinto. Angústia porque algo ainda não se encaixa nessa história. Porque os pesadelos estão mais frequentes e assustadores. Angústia porque minha enxaqueca virou precursora de alucinações cada vez mais nítidas.
Toda vez estou me afogando no rio. Sendo arrastado pela fúria turva e gélida. Sentindo aquela maldita ardência nos pulmões. Porém, não sou mais eu, tampouco me encontro dentro do carro; sou apenas um menino frágil, apavorado, que escorregou de uma ponte lodosa, deixando uma menina assustada para trás.
Como alguém tentando iluminar o passado obscuro com uma tremeluzente luz de candeia, mergulhei em mais investigações. Para minha surpresa, ou nem tanto assim, encontrei uma conexão intrigante.
Daniel morreu no mesmo ano em que eu sofri um acidente na piscina de casa. Não sabia nadar, caí na parte mais funda e permaneci tempo demais submerso.
De acordo com os médicos e meus pais, foi por isso que parte da minha infância mergulhou no esquecimento das memórias inalcançáveis para sempre.
Diante da semelhança gritante entre uma imagem de Daniel e uma foto minha aos dez anos, começo a questionar se a história que me contaram é mesmo a verdade.
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