Entre o rio
16 Ciúme
Notas iniciais
Enquanto o café esfria na xícara sobre a mesa, Teo observa o céu plúmbeo e encoberto desta manhã. Mas não há nada mais cinzento do que o seu próprio olhar.
Ele não disse uma palavra sequer desde que me encontrou na ponte e viemos para a padaria onde fazemos a primeira refeição do dia de vez em quando.
Em dado momento, canso-me do silêncio sepulcral.
— Qual o problema?
De imediato, ele olha para mim.
— Me diga você. Desde que o novo delegado brotou aqui, você ficou diferente. E quer saber? Me incomodou ver vocês juntos há pouco.
Demoro alguns instantes para absorver suas palavras.
— Ei. — Toco sua mão. — Foi um encontro por acaso. Mas eu não vou negar, ele me intrigou sim.
Meu noivo pisca, surpreso com a sinceridade.
— Acho que... me lembrou alguém que eu conhecia, só isso.
— Alguma chance dele ser essa pessoa?
— Nenhuma — afirmo, dando-me conta de que não há motivos para cogitar o contrário. Sorrio para Teo e brinco: — Mas você fica bonitinho com ciúme.
Ele franze o cenho, meio ofendido.
— Eu não estou com...
Incapaz de negar, leva a xícara à boca. Faz uma careta ao perceber que o café esfriou.
Tento não rir.
Fale com o autor