Entre o pó dos nossos ossos
8 O vazio nunca cede...
Notas iniciais
Pietro começou a piscar freneticamente e a gemer de repente a cambalear minha mãe voltou sua atenção para ele então Pietro caiu no chão e minha mãe se virou correndo até ele eu fiquei apavorada meu Deus! Oque acabou de acontecer?
Rápido! Lea esconda a corda!
Eu nem respondi Pietro arranquei o oraculo de meu punho olhei para os lados em pânico e não tinha onde eu esconder, nenhuma pedra ou arbusto nem mesmo um tronco de árvore então resolvi colocar a corda dentro das minhas calças e cobri com a camisa, ufa! Estamos a salvo pelo menos por enquanto meu segredo estava seguro graças a Pietro e sua atuação.
Pronto Pietro o oraculo já esta a salvo! Da mulher dragão secadora de plantas.
Ele teve que conter o esboço de sorriso minha mãe estava com os dedos em sua jugular e a outra mão em sua testa, Pietro começou a abrir os olhos e olhava como se não conseguisse enxergar direito pra dizer a verdade estava meio estrábico, continuou com sua atuação eu particularmente achava desnecessário, mas já que ele insistia por mim tudo bem só não sabia se era por diversão ou para que minha mãe não desconfiasse de nada.
– Você esta bem garoto? (minha mãe estava franzindo a testa não sei se de preocupação ou se de irritação)
– Senhora, não consigo ver direito esta tudo meio misturado (eu revirei os olhos creio que já era o suficiente)
– Qual foi a sua última refeição?
– Estou somente com o almoço senhora.
– Pois bem deve ser fome, já é passado das 20:00 horas muito além do horário permitido para Lea (o olhar seca plantas estava afiado hoje) Façamos o seguinte vou te levar até minha casa menino e lhe dar de comer, depois você vai voltar correndo para sua mãe.
– Sim senhora.
Pronto estava tudo resolvido! Enquanto eles conversavam e minha mãe ditava suas ordens eu estava aqui... Aqui dentro de mim tentando entender minha vida agora que o véu da ilusão tinha sido arrancado, mas eu não estava tendo sucesso pior ainda era a situação quando se tratava dos meus sentimentos muitas perguntas minhas haviam sido respondidas mas nenhuma das respostas amenizou o meu vazio, se eu prestasse bem atenção no meu coração até diria que ele aumentou, não sabia oque sentir em relação a minha mãe se ódio, traição e desconfiança ou amor, compreensão e gratidão por que ela deve ter feito isso por uma razão muito importante pelo menos eu espero que sim, mas agora eu terei que encontrar minhas respostas sozinha Meira me deixou isso bem claro. Alguma coisa aconteceu comigo me sinto diferente sem medo, algum tempo atrás se minha mãe me pegasse na floresta com um menino eu teria um ataque cardíaco e cairia dura no chão, mas agora não, não sinto nenhum medo dela do que ela pode pensar de mim e não me importo com oque ela espera de mim é uma sensação estranha mas também me sinto muito livre de alguma forma as rédeas que minha mãe tinha sobre mim tinham sido arrebentadas é como se eu respirasse pela primeira vez então fechei os olhos e inspirei o máximo de ar que consegui e o mantive em meus pulmões o máximo que pude fui soltando devagar aproveitando cada gás carbônico que saía de mim.
– Oque esta fazendo menina? Vamos logo! (minha mãe estava com uma voz amarga e estava com um braço de Pietro em volta de seu pescoço)
– Nada!
Me levantei e minha mãe foi caminhando na frente com passos fortes mas estava caminhando devagar pois Pietro ainda estava encenando, ele ergueu sua cabeça e olhou para mim com um meio sorriso e uma piscada, olhei para ele séria e assenti com a cabeça quando ele se virou novamente para frente dei uma bufada somente para mim eu estava cansada minha força ainda não estava cem por cento então fomos caminhando passo por passo até minha casa quando chegamos no fim da Black Hort. Avistei uma casa que não reconheci, estava no lugar da minha casa mas era enorme, dois pisos toda feita de pedra e angelim era muito bonita mas tinha um problema nem se houvesse mil operários conseguiriam esse avanço em um dia de trabalho, sem falar que eu não avistei nem um saco de cimento, ferramenta ou algo relacionado a construção, é parece que minha mãe adora usar magia ela parou de frente para a casa e tirou o braço de Pietro de seu pescoço olhou para trás e me encarou por alguns segundos eu não desviei o olhar ela continuou me olhando então ergui minhas sobrancelhas como se perguntasse oque foi? Ela então se virou para frente e começou a andar deixou Pietro por sua conta pegou um molho de chaves e abriu a porta agora nós tínhamos uma tranca quanta evolução para um dia! Quando entrei na casa senti uma magia eu estava respirando magia como não senti isso antes? Do mesmo modo que eu não tinha percebido o vilarejo depois da floresta eu vivia encima das arvores como podia não ter percebido? Tudo era pura magia em cada peça e em cada canto da casa tudo era uma ilusão para que meus olhos não pudessem ver o mundo lá fora.
Entramos na casa passamos por uma ampla sala com muitos móveis e eletrônicos, tv, home theater, notebook até um vídeo game, tinha um também que parecia um rádio amador, mas para que nós iríamos utilizar um rádio amador? E outros que eu não dei importância e nem queria saber oque eram olhei para a direita e avistei a escada que levava para o segundo piso ela era espiral também de Angelim achei bem refinada a escada brilhava muito se eu me aproximasse poderia ver meu reflexo nela, mas passamos direto mais a frente da escada havia uma vasta cozinha com uma grande mesa no centro com tudo oque uma cozinha teve ter, não faltava nenhum eletrodoméstico tinha até prataria e porcelanato eu e Pietro sentamos na mesa e minha mãe sugeriu sanduiches de peito de peru e outros naturais com presunto, queijo, tomate essas coisas eu não estava com muito apetite na verdade não estava com nenhum mas concordei, minha mãe abriu a geladeira e começou a pegar tudo o que ela precisava para começar eu nem dei importância para o fato de ela tentar ser gentil e não me chamar para ajudar ou de cozinhar somente para nós, ficamos sentados ali esperando que minha mãe terminasse e despachasse Pietro depois de comer eu não via a hora de ficar sozinha de descansar minha mente.
Muito cansada ainda?
Pietro me chama com sua mente, mas não estava com a mínima vontade de responder eu queria e precisava de um pouco de silencio.
Lea? Esta me ouvindo?
Sim, Sim! Pietro estou... (esse menino não me da sossego nem em minha mente)
Então por que não respondeu? Eu não tenho culpa de estar aqui, sua mãe me arrastou para cá.
Não se preocupe não estou brava com você, só quero ficar sozinha sabe... Preciso de um pouco de silêncio
Entendo, mas eu estou aqui por você Lea eu posso lhe ajudar a entender tudo isso! Eu sou tipo um professor
Hahahahahaha! Você? Meu professor? Até parece Pietro olha pra você, se duvidar tenho mais poder no meu dedo mínimo do que você no seu corpo todo, eu sinto essas coisas agora.
Fale com o autor