Entre o céu e o inferno
2 Capítulo 2 - Expulsos do Paraíso
Valentina estava visivelmente nervosa, suas mãos estavam tremulas e seus olhos começavam a marejar-se em lágrimas.
— Leonard. _ Ela respirava fundo, apertava suas mãos contra as minhas. Tão pequena sentada naquela enorme poltrona branca, que cabiam mais uns cinco de nós dois aqui.
E então pudemos escutar os passos lentos e precisos do anjo Gabriel, o mensageiro de Deus.
— Eu soube. _ Foi as primeiras duas palavras que ele disse assim que seus olhos se fixaram em nós.
— Gabriel por favor deixe-me explicar. _ Eu me levantei do banco para tentar ser ouvido por Gabriel.
— Leonard, cale-se. Vocês queriam manter-se em segredo até quando? Até quando Deus descobrisse o pecado que estão cometendo de baixo dos meus olhos e me expulsarem junto com vocês dois? _ Ele estava furioso, andava para lá e para cá arfando, respirando fundo.
— Nos nos amamos. _ a voz baixa de Valentina soou, o que fez Gabriel parar de andar em círculos e a olhar nos olhos.
— Anjos não amam-se _ Ele então gritou, o que fez ela piscar forte algumas vezes. _ Anjos amam e cuidam da criação de Deus. _ Então Gabriel voltou a caminhar em circulos enfurecido.
— Gabriel. _ Tentei fazer com que ele parasse de caminhar mais foi em vão.
— Sexo. Sexo entre anjos é pecado. PECADO _ Ele gritava cada vez mais alto.
— Como soube? _ Eu me sentei novamente na poltrona e o encarei enquanto ele caminhava em círculos.
— Como eu soube? COMO EU SOUBE? Eu sou o anjo de Deus. Ainda me vem com essa de como eu soube? _ Ele parou de andar e parou na nossa frente, ele estava tentando se acalmar, mas a mão que ele passava de cinco em cinco segundos no cabelo encaracolado diagnosticava que era impossível.
— O que vai acontecer com nós dois? _ Falei baixo para ele não se alterar novamente.
— Vamos para o inferno? _ Valentina disse com a voz rouca e embargada de choro.
— Não, Deus me mandou derrubar vocês. Expulsa-los do Paraíso.
— Achei que anjos não caminhavam sobre a terra. _ Me lembrei das aulas e dos livros que lemos a tempos atrás dizendo que anjos sobre a terra era proibido por lei. Um dos acordos entre Lilith e Gabriel.
— Eu não sei porque, Deus manda e eu faço. _ Ele respirou fundo e se virou de costas para nós.
— Gabriel deixe-nos ficar.
— Desculpe. Hoje dois anjos caíram sobre terra, julgados e condenados pelas leis divinas de Deus de amor e sexo entre eles. _ Ele caminhava lentamente enquanto falava. E logo sumiu de nossas vistas.
— O que vai ser agora? _ Valentina segurou na minha mão me fazendo olha-la naqueles belos olhos castanhos.
— Ficaremos juntos para sempre. _ Abracei-a sentindo seu corpo quente encostado no meu.
A cada momento ao lado dela eu podia me sentir mais humano, mais vivo, mais intenso.
Minhas vistas estavam ficando cada vez mais pesada, e tudo estava se escurecendo. A única coisa que pudia sentir era Valentina nos meus braços. Eu tentava abrir os olhos e falar alguma coisa, mas era em vão.
Então finalmente consegui abrir os olhos, paredes de madeira, vidros, espelhos. Estavamos na terra. Quadros nas paredes de um quarto, eu e Valentina estávamos sentados em uma cama com a colcha branca. Então ela se soltou de mim e começou a olhar em volta assim como eu.
— Onde estamos?
— Em terra. _ Abaixei o olhar encarando o chão amadeirado.
— Essa é a nossa casa agora? _ Valentina se levantou da cama e começou a olhar os pequenos enfeites em uma estante.
— Parece que sim.
Me levantei da cama e fui até a janela da casa. Na vista tinha um lago enorme. Então só aí me dei conta que Gabriel tínhamos nos presenteado com uma das casas mais bonitas que já tinha visto.
Conhecíamos sim sobre a vida na terra, precisávamos conhecer. Era nosso trabalho, nosso objetivo de existência.
— Então agora podemos ficar juntos. _ a voz mansa de Valentina surgiu bem atrás de mim. Me virei de costas. Ela estava quase encostada em mim.
Levei a mão até o seu rosto acariciando-o, senti a textura de seu cabelo liso, sua pele mais quente do que o normal. Ela deu mais um passo para frente me empurrando contra a janela fazendo com que seu corpo se encostasse por inteiro no meu. Então ela pegou na barra do seu vestido e puxou pela cabeça, ficando completamente nua. Eu fiquei sem reação ao ver ela nua. Mas ela deslizou os dedos finos por dentro da minha camisa, tirando-a pela cabeça e logo depois deslizou os dedos por dentro da minha calça, acariciando meu membro e logo depois tirando-o para fora. Então eu a peguei no colo, fazendo que ela passasse as pernas entre minha cintura e a gente transou, ali mesmo, em pé. De frente a vista do lago que Gabriel tinha nos presenteado.
Alguns meses depois Valentina começou a se sentir mal. Eu achava que ela estava se sentindo assim. Devido não estarmos acostumado com a vida na terra. Eu agora estava trabalhando na nossa propriedade, plantando algumas coisas e vendendo na feira na cidade que ficava ali perto.
Mas, mais meses foram se passando e Valentina dizia que tinha algo errado com ela. E eu achei que a perderia, chegou um dia que ela mal conseguia se levantar da cama, tudo que ela comia ela vomitava e ela chorava tanto que eu não sabia o que fazer.
Então nesse mesmo dia, ela saiu nua do banho, entrou no quarto. E eu pude notar como sua barriga estava grande e perfeitamente redondinha. Então eu me lembrei como os humanos se reproduziam. E o momento que percebi que teríamos uma criança em casa, foi o momento mais feliz da minha vida.
Mais meses se passaram, nossa convivência com a população da cidadezinha foi ficando cada vez melhor. A terra da nossa propriedade era extremamente fértil e a produção agrícola aumentou bastante.
E em um dia desses que eu estava voltando da feira, escutei Valentina gritar da porteira, então eu corri e entrei dentro de casa. Uma das nossas vizinhas estava ao lado dela. Ela estava deitada sobre a cama, e gemia de dor. Então eu soube que naquele momento eu ganharia o maior presente da minha vida. Então eu sentei ao lado da cama, e esperei até que nosso bebê nascesse. A mulher que viera nos ajudar pegou a criança no colo. Um lindo menino e me entregou nos braços. Ele era a criatura mais linda que Deus já criara. Então para minha surpresa, ela tirou o segundo, Valentina estava fraca, mais ainda sim com um sorriso no rosto.
— São dois meninos lindos. _ E entregou o segundo bebê para Valentina.
— Qual será o nome deles? _ Ela disse baixo.
— Charlie e Miguel _ Eu sussurrei olhando aqueles olhinhos grandes me encarando.
Então Gabriel, o anjo mensageiro de Deus, abriu a porta e sem ser convidado entrou.
— Quem é você? _ a vizinha curiosa perguntou.
— Deixe-nos, ele é um amigo. _ Ela pegou uma bacia e saiu do quarto.
Gabriel ficou ali parado em pé no canto do quarto olhando as crianças indiferente.
— O que veio fazer aqui? _ Encarei-o. Ele não tirava os olhos dos bebês.
— São crianças especiais
— Não vai tira-los de mim. _ Valentina quase gritou.
— Não, vim avisa-los. Os demônios sabem da existência de vocês na terra. E daqui quarenta anos tem a permissão para executar vocês da terra. _ Ele piscou algumas vezes. Cuidem das crianças. Deus estará abençoando-as lá de cima. Elas são muito especiais. _ Gabriel sem dizer mais nenhuma palavra, deus as costas para nos e saiu e a partir daquele dia, sabíamos que dificilmente os veríamos de novo. Mas tínhamos uma preocupação maior. Charlie, Miguel e os demônios
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