Entre o céu e o inferno
19 Capítulo 19 - Desconhecida (Charlie Seth Clair)
Acordei no sábado bem cedo, vesti meu moletom cinza e sai para correr no bosque. Quando voltei Bianca já estava na cozinha preparando o café da manhã.
— Bom dia Bianca. _ Passei pela cozinha direto para as escadas.
— Bom dia Senhor _ Escutei ela responder rápido.
Subi as escadas e tomei um banho rápido para tirar o suor do corpo, vesti uma calça jeans e uma camiseta preta e um tênis. Desci as escadas. O café da manhã já estava servido na mesa.
— Miguel já levantou? _ Perguntei Bianca enquanto ela me servia o suco.
— Não que eu tenha visto. Preciso te perguntar uma coisa.
— Pode perguntar. _ Parei de comer o bolo e olhei para ela.
— Sobre ontem, você tem idade pra ser meu filho.
— Esqueça que aquilo ontem aconteceu. Não vai voltar a acontecer. Eu estava bêbado e chateado. Se quiser continuar trabalhando aqui esqueça isso.
— A, tudo bem. _ Miguel desceu as escadas rápido e nos dois encaramos ele.
— Bom dia. _ Ele nos cumprimentou _ Charlie precisa de ajuda na fazenda?
— Não, temos gerente. Dei carona pra sua namorada ontem.
— Fiquei sabendo, pensei que não era pra chegar perto.
— Elas não parecem culpadas de nada.
— Pense o que quiser, eu sei que elas são e eu nunca vou me esquecer disso. _ Ele deixou o copo sobre a mesa e saiu de lá.
Então eu terminei meu café da manhã e fui pro estábulo cuidar dos cavalos que tinha fazenda, alguns minutos depois ele chegou com um rascunho que traduziu de um livro que estava dentro da mala. Que estavam escritos sobre poderes, inteligencia, anjos que voltam aos seus mortos antes do seu tempo. Depois disso Márcio apareceu e me chamou pra ajudar com uma vaca que não conseguia parir então eu fui ajuda-lo.
Trabalhei até tarde, tinha muitas coisas que precisavam ser feitas na fazenda que eles não poderiam fazer sem mim.
Estava tarde e eu estava cansado. Entrei dentro de casa. Bianca estava limpando a cozinha.
— Estou com fome, pode preparar alguma coisa? _ falei pra Bianca que disse sim e já pegou algumas panelas, eu me sentei na cadeira do balcão. Então Miguel entrou pela porta com a garota do cabelo negro do lado, levantei uma sobrancelha o encarando.
— Charlie, Emília, Emília, Charlie meu irmão. _ Era a garota do colégio. Ela estava assustada, com o olho visivelmente roxo. Encarei meu irmão que estava com uma marca negra na barriga.
— Levei uma facada.
— Você o que? _ Encarei Bianca que saltou os olhos. _ Bianca licença. _ Pedi e ela se afastou de nós.
Então ele me contou a historia que o pai da garota tinha tentando estuprar ela e ele como um bom rapaz a salvou e trouxe pra cá. Como se aqui ela tivesse correndo menos risco do que na casa dela. E ele nem sabia quem era ela. E se fosse mais uma armação pra pode nos matar.
— Miguel é sua responsabilidade _ Subi as escadas e tomei um banho. Coloquei uma camiseta preta um jaqueta jeans, calça jeans preta e o coturno preto. Já era quase dez da noite. O corredor da casa estava calado, acho que já deveriam todos estar dormindo.Desci as escadas, tentando não fazer muito barulho.
Passei pela sala e sai de casa, liguei o carro e dei partida. Eu precisava sair, pra qualquer lugar. Precisava tirar minha cabeça da rotina que minha vida tinha se tornado.
Parei em um dos bares mais famosos da cidade, desci do carro e entrei no bar. Ele tinha um som baixo, muitas pessoas conversando e rindo. Todo mundo muito em grupo. Me sentei em uma mesa sozinho. Logo uma garçonete com pouca roupa veio me atender.
— Um wisky por favor. _ Ela virou as costas e saiu sem dizer muitas palavras. Logo ela trouxe meus wisky. Algumas horas depois eu já tinha bebido o suficiente para saber que era hora de parar
Ia pedir a conta quando uma mulher de uns quase 30 anos, vestindo um vestido preto tomara que caia, decotado e com um detalhe imenso na coxa veio e se sentou na minha frente. Ela tinha o cabelo preto, preso em um coque elegante. E os olhos pretos como a cor dos cabelos, ela era realmente muito bonita e sexy.
— Charlie Seth Clair. _ Respirei fundo e a encarei, algo me dizia que eu estava com problemas.
— Sou eu. _ Levantei minha sobrancelha e bebi o resto do wisky que restava no copo. Enquanto ela me encarava.
— Você á mais interessante que seu pai. E o Gabriel. _ Olhei para o lado que Gabriel era esse que ela estava falando. Aí me lembre da carta.
— O anjo? _ sorri debochado.
— Ele mesmo.
— Quem é você?
— Lilith. _ Levantei as duas sobrancelhas, eu juro que por um segundo achei que iria morrer ali mesmo. Antes mesmo que ela me matasse.
— Lilith, veio me matar como fez com meus pais? _ Ela descruzou as pernas e cruzou-as de outra maneira.
— Não matei seus pais e não permiti que nenhum dos meus demônios os matassem. Existem regras claras.
— Regras que foram feitas pelo Gabriel?
— Não, regras feitas por mim.
— Já que veio aqui pra me matar faz isso logo. Não tenho tempo.
Me levantei da mesa, ela se levantou junto. Percebi que tinha passado da conta no wisky e que meu corpo estava mole.
— Se eu quisesse te matar já teria feito isso Charlie.
— Ótimo, então licença que preciso ir embora. _ Fui até o caixa e paguei a minha conta. Sai andando para fora do bar. Escutei os passos atrás de mim. Olhei para trás, não era mais Lilith era Charlotte.
— Charlie? _ Ela deu dois passos apressados e conseguiu me acompanhar, atravessei o estacionamento parei perto do meu carro.
— Cadê a Lilith? Ela estava conversando comigo agora.
— E não vi Lilith, vi você e você está muito bêbado para dirigir.
— Charlotte. Lilith estava aqui. Porque ela não me matou?
— O que? _ Ela pegou a chave do carro da minha mão, abriu a porta do carona e me ajudou a entrar no carro. Atravessou o carro e entrou do lado do motorista. Ligou o carro e deu partida. Me arrumei no banco encarando a estrada.
— Lilith estava mesmo no bar? _ Charlotte disse baixo.
— Sim, e ela é muito sexy. _ disse alto.
— Com certeza era ela.
— Você matou meus pais? _ Virei o rosto encarando-a.
— Não Charlie, eu não matei seus pais.
— Eu acredito. Mas quem os matou então? Os seus pais? _ Voltei a olhar pra frente.
— Eu não sei Charlie.
Quando dei por mim já estávamos na minha casa. Ela abriu a porta para mim com as minhas chaves, entrou comigo dentro de casa até o meu quarto e me pôs deitado em cima da cama, e então saiu. E eu rapidamente peguei no sono.
Acordei no outro dia cedo, minha cabeça latejava. Meu corpo doía. Tomei um banho cedo, vesti apenas minha calça de moletom e desci as escadas. Emília estava sentada na cadeira da cozinha e me acompanhou com os olhos quando atravessei a cozinha. Abri uma das gavetas do armário, pegando o remédio de dor de cabeça, ela continuou me encarando, tomei o remédio e coloquei o copo sobre a mesa, levantei uma sobrancelha.
— O que?
— Nada. _ Ela disse rápido.
Atravessei a sala e sai de dentro da casa. Me alonguei e fui correr.
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