Entre o céu e o inferno
10 Capítulo 10 - A festa (Charlotte)
Sabe, eu odiava quase tudo nessa cidade. O clima, o colégio, as pessoas, meus pais. Quase não tinha exceções.
— Charlotte, anda. Vamos treinar. _ Me virei encarando o homem branco e forte a minha frente.
— Eu também odeio você. _ Peguei minha luva na comoda e sai do quarto passando por ele.
— O que? _ Ele falou andando atrás de mim. Passei pelo corredor enorme da nossa casa e desci as escadas.
Meu pai estava sentando a mesa contando um monte enorme de dinheiro.
— Quero ir embora. _ Parei ao lado dele e cruzei ao lado dele.
— Acabou de chegar. _ Ele nem desviou o olhar do dinheiro.
— Eu detesto esse lugar.
— Não te perguntei Charlotte, vai treinar.
Me virei olhando Pietro, um homem de uns quase 30 anos, alto e muito forte. Tinha muito cabelo, sempre juntava tudo em um coque. Lilith mandou ele direto do inferno para treinar eu e minha irmã.
— Eu vou acabar com você. _ Caminhei passando por ele na porta, até uma quadra totalmente fechada que ficava escondida atrás do jardim. Era lá que treinavamos.
Entrei na quadra e me virei de frente para Pietro que estava parado me olhando.
— O que? Não vai vir pra eu poder bater em você? _ Levantei uma das sobrancelhas.
— Seu pai não liga para o que pensa, você tem 16 anos. Não sabe nem o que quer comer.
Respirei fundo.
— Eu também não ligo para o que vocês acham.
Ele se aproximou e colocou a luva nas mãos dele.
O cumprimentei antes de começar a lutar.
Dei uns dois socos, ele colocou o antebraço na frente para tampar o rosto. Chutei as pernas dele o que fez ele se desequilibrar e quase cair para trás. Mas ele se recompôs e veio para cima. Me deu dois chutes me fazendo ir para trás, depois dois socos, eu defendi e depois outro que não consegui defender. Então me desequilibrei e cai no chão. Ele deu dois passos para trás se afastando. Me levantei, pude sentir o poder passando pelo meu corpo como uma eletricidade, então meus olhos ficaram totalmente pretos.
— Sem poderes Charlotte, precisa se controlar.
Eu não conseguia controlar, eu estava com tanta raiva, que não conseguia. Eu ja tinha visto isso acontecer antes em Veneza, matei duas pessoas.
— Pietro sai. Era a voz da Lilith. _Pietro se afastou de mim e saiu o mais rápido que conseguiu.
— Calma bonequinha, porque está tão nervosa. _ Lilith se aproximou de mim. A cada passo que ela dava para frente era como se meu corpo relaxasse mais e mais. Então consegui me controlar.
— Você é muito forte, não pode sair matando todo mundo.
— Não conte ao meu pai, ele vai me trancar no meu quarto.
— Não vou.
— Querida, eu vou treinar você em segredo ok? _ Ela passou os dedos largos pelo meu cabelo.
— Charlotte. _ Olhei para o lado meu pai estava na porta.
— Pietro disse que Lilith estava aqui.
Olhei para o lado, ela não estava mais lá. Olhei em volta e não a vi.
— Não tem ninguém aqui. _ Sai andando e passei por ele.
Passei pelo jardim e entrei dentro de casa, Catherine estava sorrindo igual a uma boba pro celular sentada no sofá.
— Eu espero que esteja pedindo pizza com essa cara. _ Ela levantou o olhar me encarando.
— Não, estou decidindo se vou a uma festa.
Cruzei o braço e revirei os olhos.
— Boa sorte.
— Vai comigo, esteja pronta as 20 horas.
— Eu não...
— Sim. _ Ela se levantou do sofá e saiu andando.
— Tá, não tem mais nada pra fazer nessa merda de cidade mesmo. _ falei sozinha.
Subi as escadas, entrei no meu lindo quarto rosa que tinha a mesma decoração desde que eu tinha quatro anos.
Entrei para o banheiro. Tomei um banho demorado. Terminei. Coloquei uma saia de couro preta e uma blusa jeans. Junto a um salto de botinha preta.
— Vamos sua enrolada. _ Minha irmã já estava gritando.
Peguei minha bolsa e desci correndo. Ela estava dentro do carro. Abri a porta e entrei.
— Onde é?
— Na fazenda dos gêmeos.
— Miguel e Charlie?
— Conhece eles? _ Ela ligou o carro e acelerou.
— Ouvi bastante dos dois no colégio.
Ela riu.
— Não conheço o Charlie, mas o Miguel é um babaca.
— Sei.
Encarei ela, e pela cara dela ela não achava ele um babaca.
Ri baixo, sozinha.
— tá rindo do que?
— Eu? Nem to rindo.
Logo chegamos a fazenda dos Seth Clair. A casa era enorme, mas tinha tanta gente nela que parecia minuscula.
Catherine desceu do carro e eu só a segui. Ela passou pela sala desviando de muita gente. Subiu as escadas, até parecia que sabia onde estava indo. Ela abriu a porta de um dos quartos do corredor. Miguel estava sentado olhando pela janela. Fiquei parada na porta, olhando os dois. Então ele nos cumprimentou e descemos juntos.
Ela ficou dizendo alguma coisa sobre ele ser babaca e ele sobre paixão. Esses dois estava começando a fazer com que eu me arrependesse de ter vindo. Sentamos no sofá da sala. Os dois conversavam. Mas o som setava alto que nem consegui acompanhar a conversa.
Estava olhando em volta quando vi Charlie se aproximando, junto com uma garota bonita do cabelo enrolado e um garoto moreno, bonito.
— Esse é Charlie, Tyler e a garota que não sei o nome. _ Miguel os apresentou.
— Suzana, pensei que soubesse. _ Charlie disse, ele não estava com uma cara muito boa, parecia nervoso com alguma coisa.
— Essas Catherine e Charlotte. _ Olhei para o Miguel, ele estava olhando a garota morena e sexy que estava na nossa frente. Tão descarado, minha irmã estava aqui por causa dele e ele nem disfarçava.
Então minha irmã percebeu o que eu também tinha percebido e se levantou e foi até o bar. Miguel se levantou também e me encarou.
— Vai lá. _ acenei com a cabeça para ele e ele foi me deixando sozinha com os três estranhos.
— Parabéns Charlie. _ Me levantei do sofá, ele estava me encarando.
— Obrigado. _ Passei por ele e me virei encarando-o.
— Eu não queria estar aqui, então estou indo. Quando minha irmã se recuperar o coma alcolico dela me liga pra eu poder vir busca-la. _ Ele sorriu e levantou uma sobrancelha.
— Me da seu celular. _ Abri minha bolsa e entreguei o celular para ele e depois de poucos segundos ele me entregou.
— Não quero seu número. _ Guardei meu celular na minha bolsa novamente.
— Querida, acredite vai querer o número dele. _ Olhei para a outra menina ao lado dele. Eu conhecia esse tipo de garota
— Não, eu não quero. Porque conheço pessoas como ele e como você também. _ revirei os olhos.
— Conhece pessoas como eu?
— Sim, safadas, fúteis e que fazem de tudo pra chamar a atenção. _ levantei uma das sobrancelhas a encarando. Ia me virar para ir embora mas decidi ficar.
— Olha, eu não te conheço, não sei quem é você. Mas aquela garota ali é minha irmã. E parece que ela sente alguma coisa por ele. Se você se meter entre isso. Eu acabo com você. _ Ela revirou os olhos.
— Você que não sabe quem é sou garota, se soubesse ficava quietinha no seu canto. _ Ela disse em tom provocativo.
Eu ri de lado.
— Recado está dado querida. _ Me virei e sai de perto deles. Fui até o bar e peguei uma bebida e sai para fora da casa, passei pela piscina e pelo jardim até o nosso carro que estava estacionado.
— Ei não pode ir. _ Olhei para trás era o Charlie.
— Vai me prender agora? _ Virei para trás e encostei na porta do carro.
— Não, mas é meu aniversario e eu estou pedindo pra que fique.
— Não vou ficar, desculpe. _ Me virei abrindo a porta do carro e entrando.
— Foi um prazer conhecer você Charlie.
— Você é mais interessante do que imaginei.
— Não perguntei. _ Fechei a porta do carro e acelerei, siando dali. Fui direto para casa.
A casa estava quieta então eu só entrei e fui para meu quarto dormir.
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