Entre o céu e o inferno
9 Protetor Parte 1
1
O domingo passou rápido, eu e Andrew nos falamos por mensagens... Era tão bom ter alguém pra falar por mensagens... Alguém que eu realmente queria falar. Porém eu senti falta dele, do seu cheiro, dos seus olhos me encarando... Tudo nele.
Naquela manhã de segunda feira acordei aliviada, despertando de um pesadelo. Mas não sabia o que havia acontecido nele, pois assim que abri os olhos foi como se ele não tivesse acontecido... Isto era bom, pensei enquanto terminava de passar o rímel. Sai do banheiro e fui até o quarto, então peguei minha bolsa, e o meu casaco que estava pendurado na cadeira ao lado da janela.
Olhei pra fora, meus olhos encontraram Andrew, ele estava parado na frente do seu mustang olhando para a minha janela. Eu sorri, ele sorriu. Sai do quarto e desci as escadas, minha mãe estava parada na frente da janela da sala, ao me notar ela se virou.
–Quem é o garoto?
–Alguém. -Eu realmente não queria entrar em detalhes e ouvi-la falar o que era certo em relacionamentos, afinal eu tinha certeza de que ela era de longe a pior pessoa para me dar conselhos desse tipo.
–Então... Trocou de namorado?
–Sim mãe. Algo a dizer? Ou melhor... Reclamar?
–Não... Eu só ia dizer que o Chris era legal.
Revirei os olhos, e continuei andando. Mas antes que chegasse na porta ela voltou a falar.
–Eu sei... Você deve me odiar.
Olhei pra ela. Seus olhos pareciam arrependidos de certa forma, mas ela nunca mudava, as coisas sempre foram assim. Eu já havia me acostumado, porém ela era minha mãe, não conseguia vê-la se pondo para baixo.
–Não odeio.
Ela sorriu. Então se aproximou, beijando brevemente minha testa.
–Vá antes que se atrase.
Sorri meio sem jeito, então sai. E ele estava lá, parado, me esperando. Caminhei na sua direção, era estranho ter um namorado novamente, eu havia dito a mim mesma que nunca mais teria um depois do que o Chris me fez. Mas Andrew... Com certeza valeria a pena me arriscar, eu tinha certeza de que ele não era como Chris.
–Oi, garoto do mustang.
Ele sorriu, e me envolveu nos braços. Nossos lábios se uniram em um beijo lento. Quando nos separamos, eu vi seus olhos muito de perto... Dei um passo para trás, o que tinha com Andrew? Era como se eu pudesse ver além do que... Além do que eu deveria. Nem eu mesma sabia explicar, eu via um lugar, parecia ser bom.
Não, realmente era bom. Tive certeza, mas era como se ele estivesse sendo tirado de lá, e puxado para um lugar terrível... Ou então, como se aquele lugar estivesse se tornando um lugar terrível... Eu realmente não sabia dizer.
–Ta tudo bem? -Ele perguntou com um ar de dúvida em seu rosto.
–Sim... É só que... -Não consegui dizer, afinal, o que dizer? -Sim, estou bem. Vamos?
Ele acentiu, e abriu a porta. Eu entrei, ele fechou a porta. Deu a volta, e entrou. Em seguida começou a dirigir, eu o observava, eu me sentia protegida perto dele, mesmo não tendo nada que me causasse perigo naquele carro.
–Qual sua primeira aula? -Ele perguntou.
–História. E a sua?
–Química.
–Droga.
Ele riu. Então continuou dirigindo pelas ruas um tanto molhadas, por conta da chuva de ontem a noite. Logo mais chegamos na escola. Nós descemos do carro.
Todos os alunos do gramado pararam suas conversas, eles olhavam... Incrédulos, hora para o mustang, hora para mim e Andrew. Estava sendo mais desconfortante do que eu havia imaginado.
Meus olhos percorriam o gramado de um lado para o outro. O que fazer? Ou melhor, para que direção correr? Eu estava realmente desconfortável com aqueles olhos sobre mim.
Andrew já estava perto de mim, me senti mais calma quando vi que ele estava oferecendo a mão. Eu segurei, e com um sorriso confiante ele me levou pelo gramado. Aos poucos os alunos pararam de nos observar com tanta intensidade.
Quando entramos, o espanto não foi menor, porém os alunos disfarçavam bem. Eu vi Lucy no fim do corredor, ela estava acompanhada por seu exército de populares, mas parou de rir enquanto eu e Andrew passávamos. Ela levantou uma sobrancelha, e eu pude ver como aquilo a irritava.
Talvez eu devesse relaxar, e curtir o fato de que eu estava causando desconto em Lucy. Foi exatamente o que fiz, andei pelo corredor com toda minha audácia. Susan saiu do banheiro, ela olhou para nós com olhos quase arregalados, mas então abaixou a cabeça e continuou andando. Eu e Andrew paramos na frente da sala de história.
–Acho que nos vemos no recreio. -Eu disse após ver os horários de Andrew.
Ele me beijou, naquele corredor cheio de alunos idiotas, mas não importava, quando ele me beijava eu simplesmente não conseguia me importar com nada ao redor.
–Até o recreio. -Ele disse, e eu concordei, com um pequeno sorriso. Como encarar uma sala cheia de alunos comentando, ou simplesmente pensando. "Eles estão juntos?".
O sinal tocou, eu fiquei parada refletindo sobre entrar ou não entrar. Claro que entrei, e todos que estavam lá pareciam falar sobre mim. Fiquei na frente do quadro negro por alguns segundos, a sala estava dividida em mesas com quatro lugares... Trabalho em grupo, que ótimo.
Me sentei sozinha em uma das mesas, torcendo para que aqueles três lugares permanecessem vagos. O professor entrou na sala, "Na sua opinião, qual o fato histórico mais importante? ". Ele escreveu no quadro.
–Nossa, você é rápida em! -Disse alguém ao meu lado, me assustando. Então me virei, era Susan... Então ela ainda se lembrava que eu existia? Agi como se não soubesse do que ela estava falando, mas ela era persistente- Você e Andrew... Quer dizer, não sou eu... A escola inteira está comentando.
–Comentando o que? -Annelise disse parando perto de um dos dois lugares vazios- Posso?
Acenti e ela se sentou... O assunto sobre mim e Andrew parecia ter sido finalizado naquela mesa, mas Susan parecia decidida a saber.
–Então... É Annelise não é? -Disse ela se dirigindo a Annelise, que concordou com a cabeça- Eu estava dizendo agora mesmo pra Jade, que parece que ela e Andrew são o casal de ouro do ano.
–Casal de ouro? -Perguntou Annelise.
–Sim... É que... Bem, acho que todos esperavam que o Chris ficasse com a Jade.
–Susan! -Eu disse, ela era tão inconveniente- Eu e Andrew estamos juntos, não precisa gostar, mas que tal não tocar no assunto?
–Não esta mais aqui quem falou...
O professor se levantou, fazendo a sala ficar em silêncio. Respirou fundo, e sentou-se na sua mesa. Ficando mais próximo da sala. Então começou a falar.
–O que vocês devem fazer hoje...
–Está escrito no quadro. -Disse um aluno no fundo da sala.
Alguns riram, outros, gargalharam alto, pelo simples prazer de tirar o professor do sério. Mas ele não perdeu o foco.
–Silêncio por favor. Não vou mais tolerar gracinhas. -O silêncio retornou- O que quero que vocês façam hoje...
–Com licença. -Disse uma voz vindo da porta.
Todos olharam, inclusive eu.
–Sou a aluna nova.
–Entre. -Disse o professor- Pode se aprentar.
–Eu sou Jezabel.
–Você é daqui?
Ela sorriu, um sorriso tão misterioso quanto era possível.
–Não. Acabei de me mudar.
–Tudo bem... Sejam gentis com a colega de vocês. Pode se sentar Jezabel.
Seus olhos encontraram o lugar vazio na minha mesa. Ela caminhou até ele, com passos graciosos. Nem ao menos pediu licença, sentou-se e olhou diretamente para mim... Era estranho como por mais que ela parecesse doce por fora, eu ainda sentia indiferença em seus olhos quando me encarava.
–Oi Jade... Quem diria que nos veríamos de novo não é?
Eu realmente não sabia como responder, desviei meus olhos. Então percebi que Annelise estava olhando para ela, de certa forma ela parecia espantada.
–Vocês já se conhecem? -Perguntei olhando para Annelise.
–Não. -Ela respondeu rapidamente.
–Hum... -Eu disse- Então... Você... Está morando aqui em Lockerwood?
–Sim. Mas não sei por quanto tempo.
–Se mudou com seus pais?
–Não exatamente, minha mãe morreu a muito tempo. -Ela enfatizou o muito, como se fizesse tempo bastante para que ela não sentisse nada- E o meu pai... Bom... Ele não mora aqui, mora em um lugar muito mais quente. -Ela sorriu.
Eu realmente não estava interessada, então dei um sorriso rápido e abaixei os olhos. Eu estava pensando em Andrew naquele momento, em como seria perfeito se nossos horários de aula combinassem.
–Bom, acho que todas aqui não querem repetir de ano, não é? -Susan disse- Então, qual o fato histórico mais importante na opinião de vocês?
–Independência...?-Eu respondi, Susan olhou para Annelise e Jezabel, elas pareciam estar pensando.
–Caça as bruxas... Peste negra...-Disse Jezabel- Nazismo...
–Isso... Foi algo destrutivo, não vejo como pode ter sido o fato mais importante. -Eu respondi.
–Destruição muitas vezes é importante.
Não pude conter a expressão de indiferença, ela levantou uma sobrancelha, seu rosto estava sério e eu podia notar seu esforço para conter a raiva... Mas raiva de que?
–Você não acha? -Ela questionou.
–Acho que sempre existe outra forma... -Fui interrompida pelo meu celular, ele vibrava no meu bolso sem parar.
Quando o segurei na mão vi que era o meu pai, ele estava ligando... O que era a coisa mais estranha do dia. Me levantei da cadeira, e sinalizei para o professor. Ele acentiu com a cabeça e eu sai da sala, atendi o celular.
–Pai?
–Jade, eu estou ligando... -A ligação estava péssima, era quase impossível entender o que ele dizia.
–Pai, eu não estou entendendo.
–Preste atenção... Eu tentei... Mas o aeroporto... Então eu só vou... Daqui a algum tempo...
–A ligação está horrível, eu não...
Antes que eu terminasse de falar a ligação caiu, fiquei parada um momento tentando raciocinar. Porque meu pai ficaria com tampouco sinal que a ligação ficaria ruim? Afinal era Nova York, e isto nunca tinha acontecido.
Ele nunca ligava pra mim, porque havia ligado hoje? O que o aeroporto tinha haver com tudo isto. Eu ainda estava segurando o celular nas mãos. Dei um passo para frente, eu iria voltar para a sala. Mas parei de andar quando a energia caiu.
E lá estava eu, parada no corredor vazio, quase escuro, obviamente não era preciso nenhum esforço para enchergar, afinal era dia. Mas toda a escola estava no escuro... Como era possível? Haviam geradores muito eficazes.
Andei até a sala, e entrei. Voltei ao meu lugar, todos na sala estavam discutindo a falta de luz repentina. Alguns arriscavam perguntar ao professor, mas ele dava a mesma resposta a todos "não sei, agora façam suas tarefas".
–Em todos os anos que estudei aqui, a escola nunca ficou sem energia. -Disse Susan olhando pra mim -O que esta acontecendo?
–Não sei... Mas... Acho que vão consertar isso logo.
Ela deu de ombros, e então voltamos a falar sobre a tarefa. Era estranho Susan ter se reaproximado de mim, eu não sabia se devia voltar a ser amiga dela. Ainda mais sabendo que ela não apoiava meu relacionamento com Andrew, me distraí enquanto pensava. E só depois notei o olhar aniquilador de Jezabel sobre mim... Ela realmente era estranha.
*
O sinal para o recreio tocou, depois de algumas aulas sem graça. Sai da sala com Annelise e andamos até o refeitório. Nos sentamos em uma mesa no fundo quando pegamos o almoço.
–Você e Andrew são um belo casal. -Ela disse.
–Hum... Obrigado. -Olhei para o lado, e em seguida retornei meu olhar a ela -Vocês conversam? -Ela me olhou com dúvida -Você e Jonathan. -Completei.
–Não. Porque?
–Bom... Toda vez que o vejo, ele está olhando pra você.
–Nós não conversamos. -Disse ela firmemente.
Comi um pouco. Andrew se aproximou e sentou do meu lado, me beijando em seguida. Notei que ele parecia preocupado de alguma forma, porém disfarçava como ninguém.
Desviei os olhos, encarando a parede perto da porta. Havia sangue, muito sangue, espalhado por grande parte da parede, mas era uma imagem incerta. Apertei os olhos, tudo ficou normal, mas logo o sangue apareceu novamente. Chacoalhei a cabeça.
–Tudo bem? -Andrew perguntou pondo a sua mão sobre a minha.
Acenti, ainda olhando a parede, agora normal... O que estava acontecendo comigo!? Retornei meus olhos a mesa.
–Onde está Annelise!? -Perguntei notando a falta dela.
–Ela disse que ia a biblioteca.
–Disse!? -Eu realmente não havia ouvido.
Ele acentiu um tanto confuso.
–Certeza que está tudo bem?
–Sim... Eu só... -Me lembrei da ligação do meu pai- Eu preciso falar com Matt. -Me levantei e estendi a mão- Vamos?
Ele segurou minha mão e saímos do refeitório. Passamos pelo corredor um tanto vazio, e depois por outro. Então abrimos a porta dupla dos fundos, e chegamos ao lugar mais excluído da escola. O lugar onde os fracassados, iam para se encontrar com outros fracassados.
Pensando bem, eu também devia ser uma fracassada. Porém nunca me dei bem com outros fracassados... Vi Matt encostado em um muro, com mais dois garotos e uma garota. Eu não conseguia ver muito bem a garota, porque os dois meninos estavam na frente dela. Me aproximei, e quando estavamos perto, abri a boca. Eu ia dizer a Matt que o papai havia ligado, mas fui interrompida.
–Andrew! -Disse a garota que estava com eles antes mesmo de se virar. Então virou-se e o envolveu em um abraço. Puxando ele um pouco para frente, fazendo com que soltasse minha mão.
Quando ela o fez, vi quem era... Jezabel. Senti um pouco de ciúmes daquela cena, eu havia tido uma certa indiferença por aquela garota desde a floresta, agora isto havia aumentado, definitivamente eu estava com ciúmes. Mas como não estaria? Ela segurava meu mundo, enquanto abraçava Andrew, embora com certeza ela não soubesse disso.
Olhei para Andrew, ele estava com os braços abaixados, não estava correspondendo o abraço, e embora eu ficasse contente por isto, uma parte minha desejava saber porque. E outra parte, estava se perguntando de onde eles se conheciam.
–Já faz muito tempo não é, Andrew. -Ela disse o soltando, ele a encarou, e eu pude notar sua raiva.
–O que faz na cidade Jezabel? -Ele perguntou.
–Assuntos pendentes.
–Enfim... -Disse Matt- Jade está é minha namorada... Mas suponho que vocês já se conheçam. Ela me disse que está na sua sala.
Ela se apoiou no ombro dele, então dirigiu um sorriso misterioso para mim, que estranhamente eu não conseguia parar de encarar. Depois desviei os olhos, e vi sua mão estendida, como se já não tivessemos feito aquilo. Eu apertei sua mão, brevemente. Com receio de ter aquela sensação ruim novamente.
–Vai ser legal ter você como cunhada. -Ela disse, eu sorri, tão forçada que isso ficou aparente.
Vi Matt olhando para Andrew, e só então percebi que por conta de tudo aquilo eu ainda não os havia apresentado. Chacoalhei a cabeça levemente.
–Matt, este é Andrew... O meu namorado. Andrew, este é meu irmão, Matt.
Eles apertaram as mãos. E Matt sorriu para Andrew, o que me deixou surpresa. Recuperei o foco, eu tinha que falar sobre a ligação do papai. Dei um passo a frente, então abri a boca, porém não tive chance de dizer uma palavra, Jezabel me interrompeu... De novo.
–Bom... Agora que todos foram apresentados, o que acham de fazermos algo juntos? Como... Um jantar?
–Boa ideia. -Matt respondeu- Amanhã a noite? Em casa. É a folga da minha mãe, assim você vai poder conhecê-la.
–Perfeito. Vocês topam?
Acenti, fazendo esforço para não revirar os olhos. Então respirei firmemente, estressada.
–O papai ligou Matt.
–Ligou? Mas... Ele nunca liga.
–Por isso achei que devesse saber... Bem, o fato é que não entendi nada. A ligação estava péssima.
–Mas é Nova Iork, como a ligação pode estar péssima?
–Não sei.
–Devemos avisar a mamãe?
–Claro, vamos até o trabalho dela depois da escola.
Ele acentiu e o sinal tocou. Todos nós nos despedimos, Andrew segurou minha mão, entramos novamente na escola, e passamos pelos corredores, os alunos se dirigiam as suas salas.
Eu ainda não havia falado com Andrew depois do nosso encontro com Jezabel, olhei para ele ao meu lado, estava aparente sua preocupação. Mas mesmo assim decidi não falar nada, afinal eu ainda estava martelando em minha cabeça como eles se conheciam, e de onde se conheciam.
Chegamos à sala de francês, Andrew abriu a porta e eu entrei sem olhar pra ele, então percebi que estava tendo um ataque de ciúmes. Mas eu não queria bancar a ciumenta, então percebi que devia perguntar.
–De onde vocês se conhecem? -Eu perguntei assim que ele sentou na minha frente.
–Eu... Não me lembro bem, já tem muito tempo. -Ele não havia me convencido com aquela resposta.
–São amigos?
–Não... Eu e Jezabel, somos apenas conhecidos. -Aquilo me deu conforto- Mas porque?
–Por nada... An... Você parece preocupado, ta tudo bem?
Ele acentiu, e então a professora entrou, fazendo ele olhar pra frente.
*
Matt estava me esperando na frente da escola, sem Jezabel. O que me deixou mais confortável.
–Quer uma carona até sua mãe? -Andrew perguntou.
–Não, eu vou andando com o Matt, não é tão longe. -Nos despedimos e eu caminhei até Matt.
2
Cheguei em casa, Annelise chegou uns vinte minutos depois de mim. Ela tinha um mapa nas mãos, assim que entrou o colocou sobre a mesa. Albert se aproximou, ficando do outro lado da mesa.
–O que é isso? -Ele perguntou ao ver que haviam várias partes do mapa com círculos vermelhos.
–Isto -Ela disse firmemente -São as áreas onde identifiquei atividade de demônios.
Me aproximei, olhando o mapa com mais atenção. Ele marcava diversos lugares porém havia um lugar com mais círculos do que todos os outros.
–Estão em Lockerwood, bem próximos a Jade. -Eu disse, ela colocou as mãos sobre a mesa e se debruçou.
–Sim, estão. E quer saber? Eles vão conseguir leva-la se não fizermos alguma coisa rápido. No momento, temos que descobrir o que ela tem de tão importante pra que eles queiram leva-la.
–Não vamos conseguir descobrir sozinhos. -Eu disse, então respirei fundo.
–Quer compartilhar o seu plano? -Disse Annelise e então percebi que os dois me encaravam.
–Não é um plano, mas talvez devêssemos perguntar a Gabriel.
–Fala sério! Ele é todo certinho, nunca iria ajudar a gente. Ainda mais sabendo que você caiu.
–Então nós prendemos ele, e o obrigamos a falar! -Disse Albert.
–Isso é loucura! Você sabe Andrew...
–Talvez Albert tenha razão. E eu não posso deixar que levem a Jade.
Annelise respirou fundo, e então fechou o mapa. Em seguida caminhou até a porta.
–Eu vou pensar em alguma coisa, não façam nada até eu voltar.
3
Eu e Matt conversamos até chegar em frente do bar onde minha mãe trabalhava, então entramos, não havia quase ninguém, eu nunca havia visto aquele lugar tão vazio.
–Onde ela está? -Matt perguntou me encarando.
Realmente, não havia nem sinal da minha mãe, me aproximei do balcão, onde Jake, o dono do bar estava, ele estava limpando.
–Jake onde esta minha mãe?
–Oi pra você também Jade, -Ele sorriu simpático como sempre- Sua mãe saiu já tem algum tempo, mas ela deixou isto aqui. -Era uma folha de papel, ele me entregou e eu abri -Jade! -Ele disse quando me virei, então voltei a olhar pra ele- Não pense que eu não li.
Ele sorriu, sorri de volta, embora um bar não fosse ambiente para crianças, eu vinha aqui com dez anos, Jake sempre me dava giz de cera e eu ficava desenhando atrás do balcão. Talvez ele e minha mãe quisessem apenas me distrair enquanto ambos trabalhavam.
–O que diz o bilhete? -Matt perguntou se aproximando.
– "Seu pai esta com problemas, precisei ir encontra-lo, assim que chegar até ele ligo pra vocês "... Ela foi até Nova York!? -Perguntei incrédula olhando para Matt.
–Não sei... Vou ir pra casa, e ver se ela está lá.
–Boa idéia, eu vou com você.
Caminhamos até a porta, porém antes de sairmos a porta se abriu, por ela passou um cara alto, ele tinha o cabelo loiro, um tanto enrolado, seus olhos tinham um tom esverdeado, ele aparentava ter por volta de vinte e cinco anos. Quando pisou no bar não fez outra coisa além de olhar para mim.
Desviei os olhos, Matt já ia saindo, e eu o seguia, mas antes que pisasse no lado de fora do bar ele segurou meu braço.
–Jade. -Ele não disse mais nada, apenas continuou ali, me encarando e segurando meu braço. Por um momento tive a sensação de já ter ouvido a sua voz.
–Eu conheço você?
–Eu preciso falar com você. -Matt estava parado, olhando para mim. Mas o cara olhou para ele -Em particular.
Franzi a sobrancelha, parte minha sentia que já o conhecia, porém isto devia ser maluquice minha. Mas ele continuou olhando para Matt, era como se estivesse dizendo algo a ele mentalmente.
–Vou te esperar em casa, enquanto conversa com seu amigo. -Matt disse e saiu antes que eu pudesse segura-lo.
–Quem... Quem é você? -Perguntei fazendo com que o cara soltasse meu braço.
–Meu nome é Gabriel... Você não se lembra?
–Me lembro de que, exatamente?
Ele ficou com uma expressão carrancuda. Então segurou meu braço novamente e me guiou até uma das mesas, me fazendo quase cair naquele banco vermelho. Ele se sentou na minha frente.
–Desculpe, mas eu não conheço você, e eu não costumo ficar sentada em uma mesa com alguém que eu não conheço.
–Tudo bem. O que tenho a dizer não vai demorar... Eu preciso que me ajude.
–Ajudar? Com o que?
Ele me olhou incrédulo, era como se nós nos conhecêssemos a anos, e eu tivesse me esquecido de algo importante entre nós.
–Como pode não se lembrar? Eu... Eu instruí você. A essa altura devia estar pronta.
–Eu não sei do que você está falando. Se você puder falar a minha língua quem sabe entenda.
–Você Jade, você foi a escolhida. A anos atrás eu...
Ele parou de falar, estava olhando para a porta. Me virei e olhei, um homem havia acabado de entrar. Gabriel o encarava friamente, e o homem havia começado a encara-lo também. Ele era mediano, usava algo que parecia uma capa, da cor preta. Ele era careca, e seus olhos tinham um tom escuro diferente de todos os quais eu já havia visto.
–Quando eu me levantar, quero que você corra e saia daqui pelos fundos. Não olhe para trás. -Disse ele tão baixo que quase não entendi.
Olhei mais uma vez para o homem. Por um momento tive a impressão de ver seus olhos estavam vermelhos. Gabriel se levantou, eu fiz o mesmo, mas não corri para os fundos. Apenas fiquei atrás dele, esperando para ver o que iria acontecer.
–Gabriel... -Disse o homem -Há quanto tempo não nos vemos. Vou ser direto, tenho que cumprir ordens e levar a garota, agora saia da frente e polpe sua morte.
–Pra leva-la vai ter que passar por mim. -Ele respondeu duramente.
–Que seja.
O homem deu um passo a frente, em seguida olhou ao redor, então levantou sua mão, como se desse um sinal de parada. No mesmo instante vi Gabriel voar longe. O que me deixou a frente daquele homem.
Ele se aproximou, seus olhos estavam completamente vermelhos. Eu fiquei estática, sabia que precisava correr, mas simplesmente havia travado. E a cada segundo o homem estava mais próximo. Até que assim como Gabriel ele foi arremessado ao outro lado do bar. Olhei para trás e Gabriel estava em pé.
–Saia daqui e procure Andrew, ele vai te deixar segura.
–Conhece Andrew!?
–VÁ!
Desta vez eu corri até a porta dos fundos, então a abri e já estava fora do bar. Corri pela calçada, estava quase anoitecendo. Minha cabeça nunca havia estado tão confusa, como Gabriel conhecia Andrew? Afinal o que tinha acontecido no bar?
Eu olhava para trás a todo instante, já estava um tanto longe do bar, eu não iria até Andrew, eu precisava ver se Matt estava bem, e depois eu tentaria entender tudo isto. Eu corria sem olhar para os lados, por conta disto um carro quase me acertou.
–Jade! -Disse quem estava dentro dele, porém os vidros eram escuros e não pude ver quem era. A porta se abriu -O que aconteceu? -Era Jezabel, eu entrei no carro sem pensar duas vezes.
–Me tira daqui, me leve pra casa. -Eu disse tropeçando nas palavras.
Ela acelerou, sem dizer nada, e então travou as portas. Minha respiração estava acelerada, eu peguei o celular do bolso, digitei uma mensagem para Matt, mas Jezabel tirou o celular da minha mão e o jogou para fora do carro, eu não sabia se a mensagem havia sido enviada. Eu a encarei confusa e irritada.
–Desculpe, sou contra celulares. Eles poluem o meio ambiente.
Revirei os olhos e olhei pela janela, com toda a minha preocupação nem havia percebido que estávamos quase saindo da cidade.
–Jezabel... Pra onde está indo? -Ela me ignorou, então ouvi seu celular tocando no bolso -Pensei que fosse contra celulares...
–O que é!? -Ela disse irritada ao telefone. -Eu disse que dou conta! Ela está no carro, estou quase chegando.
Ela desligou o celular, pra onde ela estava me levando? Eu não perguntaria mais, precisava sair daquele carro. Tentei abrir a porta, mas estava travada.
–Me deixe descer agora! -Ela olhou pra mim.
–Cala a boca.
Eu a encarei, ela havia me irritado. Eu a empurrei para o lado e depois segurei o volante. Mas ela era forte, me empurrou de volta e bateu minha cabeça no painel do carro, me fazendo desmaiar na mesma hora.
Fale com o autor