Entre o cavaleiro e o ladrão
1 Capítulo Um
Ao segurar as cortinas para fechá-las, Regina vê a lua através do vidro da janela de seu quarto. Ela não gostava quando a lua ficava avermelhada, porque diziam os antigos que era sinal de mau presságio.
– Não seja impressionável, moça! – ela diz de si para si. Fecha as cortinas logo em seguida, voltando-se para a cama, onde o Vasco estava deitado com a filha do casal, menina recém-nascida.
– Venha aproveitar enquanto Yasemine não dormiu. – pede Vasco exibindo seu sorriso perigoso e fatal.
Regina deita-se ao lado de seus dois amores e começa a admirar sua menina. Tão doce e perfumada, protegida em suas roupinhas amarelas. Linda, com seus imensos olhos claros como os olhos do pai.
– Ela é sua cópia fiel!
– O desenho do rosto e os lábios são seus, Regina. Veja como ela sorri quando você está por perto!
– Pensei que jamais eu saberia qual é a sensação de ter um bebê saído de mim.
Vasco a olha com amor e aproxima-se para beijar seus lábios, já sem o batom. Ele pergunta:
– Hoje eu já disse que a amo?
– Contabilizando quarenta e cinco vezes com palavras, noventa a duas vezes com beijos e trezentas e cinquenta vezes com toques.
Os dois gargalham e param logo em seguida ao ouvirem o som da risada do bebê. Começam a rir de novo, encantados com a esperteza da pequena Yasemine.
Um tempo depois, Vasco retorna à cama. Havia posto a filha para dormir no berço num dos cantos do mesmo quarto. Ela era pequena demais para dormir isolada dos pais.
– Estamos somente nós dois, namorada minha. O que você sugere que façamos? – ele sorri e aproxima-se da esposa, envolvendo-a com seus braços gulosos.
– Eu sugiro que aproveitemos o sono de nossa filha, para vivermos nosso momento de amor.
Um sorriso malicioso ilumina o rosto de Vasco.
Na manhã seguinte, Regina permanece por longo tempo deitada na cama, em silêncio, apenas observando a beleza de seu companheiro. Adormecido, desprovido de defesas e de roupas, era a mais pura figura da inocência e fragilidade. Era o presente que a vida, misericordiosamente, havia dado a ela para compensar todas as lágrimas derramadas pela solidão. E daquele presente, viera Yasemine, tão delicada e tão poderosa ao mesmo tempo, para complementar a sua felicidade.
Horas mais tarde...
A campainha toca e Regina vai apressada abrir a porta, dando uma olhada na direção da escada que dava acesso ao quarto, onde estava Vasco atendendo a filha.
– Está ficando tarde, Vasco! Tenho reunião às nove horas!
– Estamos quase prontos! Já descerei!
A prefeita vira-se para o espaço aberto da porta e nem tem tempo de raciocinar, quando é atacada pelos braços fortes de um homem, que a abraça possessivamente e sem hesitar pilha sua boca com um beijo nada casto. Surpresa e sem conseguir reagir, Regina deixa ser beijada até conseguir organizar seus pensamentos e localizar-se no tempo e no espaço.
Quando o homem afasta-se, um sorriso encantador e conhecido surge nos lábios dele. A encara com a mais absoluta alegria e felicidade por estar de volta.
– Robin?
Ele sorri ainda mais e mantém as mãos segurando o rosto de Regina. Tenta outro beijo, mas ela se afasta ainda sem entender o que havia acontecido.
– Voltei para você, Regina! Finalmente poderemos viver o nosso amor de forma plena! Marian entendeu que meu coração pertence à outra mulher e por generosidade, liberou-me do compromisso do casamento! Estamos livres para viver o nosso amor! – Robin tenta beija-lhe de novo, porém percebe a resistência dela. – Eu entendo o quanto sofreu por deixar-me partir, mas isso é passado! Agora, meu coração é todo seu e não ficará dividido entre o amor por você e a obrigação com Marian!
Regina sai daquela prisão e dá alguns passos para trás. Olha-o com admiração e sente que seu coração estava agitado demais dentro de seu peito. Havia conseguido esquecer aquele homem? Estava de fato preparada para aquele reencontro?
– Robin...
Ele fecha a porta atrás de si e segura as mãos dela. Beija diversas vezes e continua esperando uma reação da prefeita.
– Robin...
Neste momento o som pesado dos saltos de sapatos chama a atenção do visitante e ele leva os olhos curiosos para o homem que desce a escada, carregando uma criança nos braços. A expressão que vê no rosto do desconhecido provoca muito, mas muito incômodo.
Regina desvencilha as mãos do aperto de Robin e aponta o marido que se aproxima com expressão pouco amigável.
– Robin, quero que conheça Vasco, o meu marido!
O rosto do visitante desbarranca e ele abre e fecha a boca como se fosse um peixe respirando.
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